VIRAGEM NA ORDEM EUROPEIA INICIADA PELA ALEMANHA – NOVA GUERRA FRIA

A Ucrânia só precisa da autorização da Nato e da Rússia para se tornar numa República Federal independente neutra

Para evitar a traição da Ucrânia, cuja situação interna foi criada por actuação do Ocidente e da Rússia, decide-se agora a Alemanha pela filosofia militar da guerra fria de outrora. Numa guerra que não pode ser ganha e só será perdida, a situação é grave atendendo à possibilidade do desaparecimento de um país, sua divisão ou criação de um país independente! A história repete-se, com esta tomada de posição da Alemanha reinicia-se na Europa a época da guerra fria!

A invasão da Ucrânia pela Rússia dará início ao surgir de uma nova consciência europeia que facilitará adquirir um lugar mais patriarcal no mundo dos grandes! Até ao presente a Alemanha funcionava, entre os seus parceiros, como travão da vontade militar! Agora, o governo alemão determinou uma mudança histórica de rumo; no passado era consenso alemão o não fornecimento directo de armas para zonas de conflitos bélicos. O governo alemão passa agora a fornecer armas à Ucrânia: 1000 armas antitanque e 500 mísseis terra-ar provindos dos seus stocks da Bundeswehr. Também quer entregar 14 veículos blindados e até 10.000 toneladas de combustível. Para reforçar a nova filosofia, o governo alemão quer disponibilizar 100 mil milhões de euros para a modernização das Forças Armadas alemãs. Há aspirações de reforçar as Forças Armadas de 183.000 para 203.000 soldados nos próximos dez anos (1). O Chanceler Olaf Scholz justifica a mudança de posição da Alemanha, dizendo:  “A invasão russa da Ucrânia marca um ponto de viragem. Ameaça toda a nossa ordem do pós-guerra” e reforça: “nesta situação, é nosso dever apoiar a Ucrânia o melhor possível na sua defesa contra o exército invasor de Vladimir Putin. A Alemanha está ao lado da Ucrânia (2)”…. A pressão sobre Berlim para entregar armas defensivas à Ucrânia tinha vindo a aumentar, feita por países parceiros que já há semanas forneciam armas à Ucrânia (USA, Reino Unido, etc..). Com a viragem de estratégia alemã iniciar-se-á na Europa a corrida ao armamento. Ao contrário do governo de Ângela Merkel, a nova coligação abandona a política pós-guerra de contenção para seguir mais nas pegadas dos USA.

O mundo está roto, chove nele dentro e fora! Na Europa encontramo-nos de luto, com vergonha, desiludidos ou sem palavras. A atitude de Putin traz à luz uma sociedade europeia desprecavida, uma força militar impreparada e uma avaliação desqualificante dos actores políticos por identificar os seus interesses com os da USA. Faz lembrar a situação e atitude em relação ao vírus ao que se seguirá uma nova fixação política no encapotamento militar! Iniciamos agora um processo de retrocesso (na visão alemã), ao termos de passar a aprender a distinguir entre inimigo e amigo e, na consequência, passar a duvidar precipitadamente do rosto humano de cada um.

Até aqui, estávamos preocupados com a Guerra sanitária do SARS-CoV-2 e agora somos ocupados com a guerra militar da Rússia na Ucrânia! Deste modo continuam os povos em estado de emergência: da dependência do ministério da saúde para a dependência do ministério da defesa. . Das pessoas encerradas em casa surgirá a tendência para as guardar nas casernas!

Putin não queria aceitar que também os grandes impérios podem desabar e os USA enganaram-se ao quererem apostar no seu mundo de cariz unipolar!  Se seguíssemos essa lógica de manter e ampliar os grandes, a consequência seria, como dizia um colega, Portugal e Espanha teriam direito à América do Sul, a Inglaterra à Índia, América do Norte e Austrália e assim por diante… E isto para não começarmos pelos Romanos, etc.!  Facto é que os grandes impérios caem e que a ordem se cria num jogo entre pequenos e grandes.

E nós povo, pensamos e agimos privadamente sem nos darmos conta do que está por trás do que fazemos ou deixamos de fazer. Querer meter no mesmo saco os interesses por que se rege  a política e a moral que move o povo, é fraco gesto que usa da confusão ao serviço de interesses políticos. Somos ingénuos quando se trata de avaliar o poder pensando que o que não deve acontecer não acontece. A credulidade numa sociedade romantizada leva à negação da realidade. Não chega pensar que para além do nosso próprio horizonte (mentalidade) não existem outras ideias, outros horizontes com formas anárquicas e cruéis de pensar e agir…. O cúmulo da ingenuidade seria, porém, querer ignorar o próprio mal para culpar só os outros.

O cerco da NATO não justifica a guerra nem a guerra justifica as acções anteriores da NATO. Com a guerra e a ameaça nuclear e pessoas sem escrúpulos, tudo se torna possível, mesmo o que se pensava ser impossível. Em 2007, na conferência de segurança em Munique, Putin manifestou-se contra um mundo unipolar e avisou a NATO: “mãos fora dos nossos vizinhos”. Pelos vistos Putin, na altura, dizia o que pensava perante o agir de uma NATO que queria ver Putin humilhado e uma Rússia reduzida a segundo ou terceiro plano na ordem mundial (O extremo da propaganda ocidental estilizava-o como psicopata). Na fase da divisão do povo ucraniano Putin verificou que a sua acção agressiva no terreno se revelava inferior à estratégia de inserção dos USA e da Nato através de métodos considerados democráticos, mas aí viu que, a longo prazo, iria perder. Putin, nesse tempo de rivalidade pela posse do povo ucraniano, pôde ver que a Nato não tinha dentes nem garras, mas se afirmava de maneira mansa, os USA forneciam dinheiro e a Europa estava interessada em implantar lá empresas enquanto militarmente treinava as suas forças militares em” missões de paz”, e ele Putin só tinha a força militar… a situação mostra agora a face do poder que é imprevisível!

 A Cimeira da NATO em Varsóvia. 8. 7. 2016 tinha na agenda a forma de lidar com a Rússia, cuja guerra de agressão não declarada contra a vizinha Ucrânia já tinha custado a vida a cerca de 10.000 pessoas e tinha obrigado cerca de 2 milhões de pessoas a fugir (3). Na Rússia como no Ocidentes encontram-se valores genuínos que querem foros de cidadania. O The Moskow Times informou que trinta meios de comunicação social russos (incluindo, RT, Kommersant, Novaya Gazeta e TASS)– emitiram uma declaração conjunta em que acentuaram: “Hoje o presidente da Rússia Vladimir Putin iniciou uma guerra com a Ucrânia. Dor, raiva e vergonha – estas três palavras refletem os nossos sentimentos sobre os eventos…” “Nós, jornalistas dos media independentes russos, declaramos que somos contra a condução da guerra pela liderança da Rússia. Prometemos narrar honestamente esses eventos, enquanto pudermos. Desejamos força e determinação ao povo da Ucrânia que resiste à agressão, e a todos os russos que tentam resistir a esta loucura militarista“(4).

 Na opinião pública o sentimento de impotência expressa-se justamente revoltado contra a invasão ordenada por Putin. Erich Kästner adverte:  “Lembra-te da pergunta daquela criança: o que é que o vento faz quando não sopra?… Quem se atreve a opor-se aos comboios trovejantes?… Aquele que não pergunta continua burro…. É a partir das perguntas que emerge o que resta”. Destas ideias se poderia concluir que quando se está contente com a resposta e se deixa de perguntar, então passa-se ao estado de burro.

De uma maneira geral em vez de nos empenharmos pela causa da paz continua-se nos Media a dificultar formar-se uma ideia justa sobre o que tem acontecido e está a acontecer na vítima Ucrânia. A intervenção militar da Rússia e o processo em via na Ucrânia dificultam a formação de uma opinião justa e equilibrada, aquela que seria propícia para a paz. A guerra quebra com a razão, tirando a razão a Putin e ofuscando a opinião dos que não têm interesse em perceber o envolvimento no terreno (tornado Cavalo Troiano) das actividade da Rússia e da NATO, a partir dos anos 90; só a partir daí se pode chegar a conclusões que levem a soluções imparciais e duradouras. Uma argumentação que certifica a opinião dos que se encontram do lado certo traz já no seu germe também a guerra! Senão olhe-se para a situação na Ucrânia e para os meios de comunicação social. A opinião pública passou dezenas de anos virando o olhar do que acontecia na Ucrânia para agora lavarem as mãos declarando Putin de louco sem contarem o que contribuímos para ele chegar a este estado de loucura. Guerras só se evitam à mesa das conversações mediante compromissos. Não há possível compromisso que satisfaça plenamente as partes e quem não nota isto deveria voltar para a escola, para a escola da vida!

No sentido de uma paz duradoura na Europa, seria um erro crasso termos uma Rússia encurralada; a solução seria a Ucrânia tornar-se uma República Federal da Ucrânia neutra, à imagem da Suiça (ou da Suécia). De desejar seria uma Ucrânia com uma sociedade equilibrada adversa ao capitalismo bárbaro e oligárquico e ao centralismo escravizante estalinista. Para evitar o sacrifício da Ucrânia, ou fazer dela uma zona de disputas entre o Oriente e o Ocidente há que considerar, o conflito dos interesses geoestratégicos da Rússia-NATO-China evitando que a Ucrânia na Europa seja colocada na posição de uma nova Cuba: de um lado os países capitalistas e do outro os países do comunismo oligárquico. Agora seria o momento de pôr em acção a razão na mesa das conversações e haja um esforço por parte da Europa para que se reconheça uma República Federal Ucraniana, doutro modo a Europa, com a sua política, estará a implementar a união dos blocos comunistas e a preparar a próxima tragédia que será Taiwan que até hoje na Europa só foi reconhecida pelo Vaticano e pela Macedónia!  Na hora dos grandes é preciso salvar os pequenos para que não se tornem vítimas dos tentáculos dos grandes polvos! No meio de tudo isto assiste-se a campanhas de desinformação e quem sofre é o mexilhão que sofre com a irresponsabilidade de uma Europa que em vez de olhar pelos próprios interesses e por garantir a paz, está a comprometer a própria população civil e a da Ucrânia.

Uma política de perspectiva europeia   poderia, com o tempo, levar parte da Rússia a integrar-se numa Europa com objectivos comuns. A humildade e a modéstia seriam a virtude a solicitar-se a Putin e a todos os que contribuíram para a guerra (Ver Ucrânia Cavalo de Troia: https://antonio-justo.eu/?p=7116 .

A Nato e a Rússia têm jogado na Ucrânia não em defesa de uma Ucrânia unida, mas na defesa dos próprios interesses. A Ucrânia só precisa da autorização (auto-empoderamento) da NATO e da Rússia para iniciar uma política de união nacional federal; que faz a Europa nesse sentido? Esperar que a Rússia se una definitivamente à China?  (Chegou a hora do ajuste de contas: https://antonio-justo.eu/?p=7129 ).  A liberdade de opção é um bom argumento, o problema é não vivermos sozinhos no mundo!

Urge parar toda a violência para evitar novas ondas de sofrimento. Seria autoengano pensar que escapando à dor se evitaria o sofrimento!… A questão a pôr será se o que se faz é para o bem de todos!

© António da cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

(1)  Reforço das forças armadas: https://www.welt.de/politik/bundestagswahl/article234668682/Ampel-will-bereits-geplante-Aufstockung-der-Bundeswehr-stoppen.html

(2) Der Tagesspiegel https://www.tagesspiegel.de/politik/ist-unsere-pflicht-die-ukraine-zu-unterstuetzen-deutschland-liefert-jetzt-doch-direkt-waffen-an-die-ukraine/28110020.htm

(3) https://taz.de/Nato-Gipfel-in-Warschau/!5317179/

(4) In The Moskow Times” https://www.themoscowtimes.com/2022/02/24/russian-celebrities-academics-journalists-speak-out-against-ukraine-war-a76565

PS: O facto aqui apelar ao diálogo e ao compromisso, não quer isto dizer que se desqualifique quem tem a sua opinião formada num sentido ou noutro. Sem soldados não se faz a guerra e quando há guerra justifica-se a existência de soldados; o maior problema é que quem morre é a juventude feita soldado e quem mais sofre é o povo. Por todo o lado se levanta o povo em manifestações contra Putin, outros rezam, outros põem a voz dos sinos a rebate duas vezes ao dia. Juntemo-nos todos solidários com o povo ucraniano na defesa de quem é vítima

AS CINCO TENTAÇÕES DO “CAMINHO SINODAL” ALEMÃO

Entre os Sinais dos Tempos e o Espírito do Tempo

O Presidente do Episcopado da Polónia, dirigiu uma carta ao Presidente da Conferência Episcopal Alemã, mostrando o seu desconforto aos seus irmãos no episcopado, pelo rumo que está a tomar o “caminho sinodal” alemão (1).

Nos subtítulos da carta estão resumidos os perigos a que está exposto o caminho sinodal e bispos alemães:  a “tentação de procurar a plenitude da pessoa (da Verdade) fora do Evangelho”, a “tentação de acreditar na infalibilidade das Ciências Sociais”, a “tentação de Viver com um complexo de inferioridade”, a “tentação do Pensamento Empresarial” e  a “ tentação de sucumbir à pressão” de uma sociedade  onde quem não a segue fica só.

“Permita-me, caro irmão no episcopado, partilhar a minha ansiedade sobre a validade das reivindicações feitas por alguns círculos da Igreja Católica na Alemanha, especialmente no contexto do “caminho sinodal. A Igreja Católica na Alemanha é importante no mapa da Europa, e estou ciente de que ou irradiará a sua fé ou a sua incredulidade para todo o continente. Por isso, olho com desconforto para as acções do “caminho sinodal” alemão até agora. Observando os seus frutos, pode-se ter a impressão de que o Evangelho nem sempre é a base para a reflexão”.

A Tentação de Acreditar na Infalibilidade das Ciências Sociaisexpressa-se especialmente em querer „modernizar” a esfera da identidade sexual. O Arcebispo Metropolitano de Poznan adverte para “o facto da mutabilidade inerente à própria natureza da ciência, que tem apenas um fragmento de todo o conhecimento possível”. Refere as teorias científicas do racismo (nos EUA) e a eugenia (no nazismo). “A descoberta de erros e a sua análise é a força motriz do progresso da ciência.  Na sequência da eugenia e do racismo “o Congresso dos EUA em 1924 aprovou a Lei de Origem Nacional, impondo quotas de migração restritivas a pessoas da Europa do Sul e Central e proibindo quase inteiramente a imigração asiática.  Por outro lado, com base no conhecimento da eugenia, cerca de 70.000 mulheres pertencentes a minorias étnicas foram esterilizadas à força nos Estados Unidos no século XX (2). “Além dos “erros científicos” existem também “falácias ideológicas “na psicologia ou nas ciências sociais, que hoje em dia são consideradas infalíveis”. “Estas estão subjacentes, por exemplo, à mudança de atitudes em relação à sexualidade que agora se observa “(3). “Como deverá então a Igreja responder ao estado actual do conhecimento científico para não repetir o erro que cometeu com Galileu? Este é um desafio intelectual sério que temos de enfrentar, com base no Apocalipse e nas sólidas conquistas da ciência”.

E avisa: “Observando os seus frutos, pode-se ter a impressão de que o Evangelho nem sempre é a base para a reflexão”. Também admoesta “não devemos ceder às pressões do mundo ou aos padrões da cultura dominante, uma vez que isto pode levar à corrupção moral e espiritual”.

Apela também ao seguimento da tradição: “Evitemos a repetição de slogans desgastados, e exigências padrão como a abolição do celibato, o sacerdócio das mulheres, a comunhão para os divorciados, e a bênção das uniões do mesmo sexo“, insistindo: “Apesar do clamor, ostracismo e impopularidade, a Igreja Católica – fiel à verdade do Evangelho e ao mesmo tempo motivada pelo amor a todo o ser humano – não pode permanecer em silêncio e tolerar esta falsa visão do homem, muito menos abençoá-la ou promovê-la”!

O Presidente do Episcopado acrescentou que a crise contemporânea da Igreja na Europa é, acima de tudo, uma crise de fé. “A crise de fé é uma das razões pelas quais a Igreja experimenta dificuldades quando se trata de proclamar uma doutrina teológica e moral clara”. “A autoridade do papa e dos bispos é mais necessária quando a Igreja está a atravessar um tempo desafiador e quando está sob pressão para se afastar dos ensinamentos de Jesus”.

A Tentação de Viver com um Complexo de Inferioridade” ameaça hoje muitos cristãos dado viverem sob uma enorme pressão da opinião pública. “Os discípulos de Cristo em geral, escreveu o Papa Francisco, estão hoje ameaçados por “uma espécie de complexo de inferioridade que os leva a relativizar ou esconder a sua identidade e convicções cristãs”. (…). Acabam por sufocar a alegria da missão com uma espécie de obsessão por serem como todos os outros e possuírem o que todos possuem” (4).

A fé “já não é um pressuposto evidente da vida social; a fé é frequentemente rejeitada, marginalizada e ridicularizada”. Daí a validade do aviso aos Romanos: “Não vos conformeis a esta época, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, agradável e perfeito” (Rm 12,2). Evitemos a repetição de slogans desgastados, e exigências padrão como a abolição do celibato, o sacerdócio das mulheres, a comunhão para os divorciados, e a bênção das uniões entre pessoas do mesmo sexo. A “actualização” da definição de casamento na Carta dos Direitos Fundamentais da UE não é motivo para adulterar o Evangelho”.

Adverte também para o risco do pensamento corporativo (Empresarial): “não há empregados suficientes, por isso vamos baixar os critérios de recrutamento”. São Paulo VI: “Não somos facilmente levados a crer que a abolição do celibato eclesiástico aumentaria consideravelmente o número de vocações sacerdotais: a experiência contemporânea das Igrejas e comunidades eclesiais que permitem aos seus ministros casar parece provar o contrário” (5). O que atrai as pessoas para a Igreja e para o sacerdócio não é outra oferta de uma vida fácil, mas o exemplo de uma vida totalmente consagrada a Deus”. Em relação ao sacerdócio da mulher cita João Paulo II: … “declaro que a Igreja não tem qualquer autoridade para conferir a ordenação sacerdotal às mulheres e que este juízo deve ser definitivamente realizado por todos os fiéis da Igreja” (6). O Papa Francisco também disse que este tema estava arrumado pelo seu antecessor, mas que “já o disse, mas repito-o: Nossa Senhora, Maria, era mais importante do que os Apóstolos, do que os bispos, diáconos e padres. As mulheres, na Igreja, são mais importantes do que os bispos e sacerdotes” (7). “… cada diferença é tratada como um sinal de discriminação. Contudo, isto não impediu que as mulheres desempenhassem na Igreja papéis que são tão importantes, e por vezes talvez mais importantes, do que os dos homens. O Catecismo distingue claramente entre as inclinações homossexuais e os actos homossexuais. Ensina respeito por cada ser humano independentemente da sua inclinação, mas condena inequivocamente os actos homossexuais como actos contra a natureza” (8 )cf. Rom 1,24-27; 1 Cor 6,9-10. (Congregação para a Doutrina da Fé, Responum a um dúbio sobre a bênção das uniões de pessoas do mesmo sexo).

O Arcebispo, presidente da Conferência polaca sublinha ainda: A crise da Igreja na Europa de hoje é, antes de mais, uma crise de fé. “Mas não há outro Evangelho: há apenas algumas pessoas que semeiam confusão entre vós e que gostariam de distorcer o Evangelho de Cristo” (Gl 1,7). Paulo VI: Nunca os profetas de Israel ou os apóstolos da Igreja concordaram em diminuir o ideal, nunca suavizaram o conceito de perfeição, nunca tentaram reduzir a distância entre o ideal e a natureza. Nunca estreitaram o conceito de pecado – pelo contrário” (9). Cada período da história pode achar este ou aquele ponto de fé mais fácil ou mais difícil de aceitar: daí a necessidade de vigilância para assegurar que o depósito da fé seja transmitido na sua totalidade (cf. 1 Tim 6:20) e que todos os aspectos da profissão de fé sejam devidamente enfatizados”.

A Conferência Episcopal Alemã decidiu não responder à carta do bispo Gadecki. O seu gabinete de imprensa alegou que não reagem publicamente a cartas abertas, mas que apesar disso procuram contacto pessoal com o arcebispo Gadecki., mesmo que este tenha escolhido a via de comunicação social.

O Bispo Ipolt de Görlitz reagiu positivamente à carta, ao dizer que a carta da Igreja na Polónia é uma voz da Igreja universal. O vigário geral da diocese de Essen critica a carta do Bispo Gadecki pelo seu “anti-modernismo raso e muito clerical” dizendo que “soa como se fosse de um passado católico distante, e é precisamente isto que choca e mostra até que ponto em algumas partes da Igreja universal o legado de João Paulo II continua a determinar o clima de pensamento e acção – e recusa uma percepção honesta da realidade”.

As posições do Caminho Sinodal alemão e as do episcopado da Polónia resumem os problemas e as discrepâncias com que se depara a Igreja hoje! Não será fácil uma resposta comum ao problema, dado a Igreja universal ser composta por muitas culturas e mentalidades, encontrando-se, todas elas, a caminho, mas socialmente com diferentes velocidades e possíveis desvios.

Das diferentes posições em discussão (cf. “Caminho Sinodal na Alemanha:  https://antonio-justo.eu/?p=7078 ) exige-se mais espírito de discernimento para podermos distinguir os “Sinais dos Tempos” e o “Espírito do Tempo”!

A caminhada ainda oferece oportunidade de discussão e de união até ao seu remate em outubro de 2023 em Roma.  Em termos de igreja global, só um seguimento de Jesus Cristo e uma orientação articulada no Papa poderão proporcionar um caminhar sereno sem precipitações, mas também sem emperramentos.

Em termos de globalismo, a carta da Polónia poderia servir de alerta para se repensar a nossa caminhada num mundo que corre o perigo de seguir uma mundivisão mais adequada ao espírito anglo-saxónico (demasiadamente orientado por um utilitarismo e racionalismo individualista e consumista) e como tal demasiadamente unilateral. O mundo anglo-saxónico que actualmente quer dirigir o mundo e os destinos da humanidade e que incorpora demasiadamente a masculinidade, precisa de voltar a descobrir a sua alma feminina tão bem expressa no idealismo romântico alemão. A carta pouco conseguirá na Alemanha atendendo a uma certa característica alemã que se expressa já no protestantismo do cismo do século XVI e que desde então se tem distanciado do espírito romano (católico)!

António da Cunha Duarte Justo

Teólogo e Pedagogo

Pegadas do Tempo

(1) O Caminho Sinodal Alemão: https://antonio-justo.eu/?p=7078

(2) (cf. G. Consolmagno, “Covid, fede e fallibilità della scienza”, La Civiltà Cattolica 4118, pp. 105-119)”

(3) (J. A. Reisman, E. W. Eichel, Kinsey, Sexo e Fraude: The Indoctrination of a People, Huntington House Publication, Lafayette 1990; J. Colapinto, As Nature Made Him. The Boy Who Was Raised as a Girl, Harper Perennial, New York-London-Toronto-Sydney 2006).

(4) (Evangelii gaudium, 79).

(5) Sacerdotalis celibatus, 49.

(6) João Paulo II, Ordinatio Sacerdotalis, 4

(7) Francisco, Conferência de Imprensa durante o voo de regresso do Rio de Janeiro para Roma, 28.07.2013.

(8 ) cf. Rom 1,24-27; 1 Cor 6,9-10. (Congregação para a Doutrina da Fé, Responum a um dúbio sobre a bênção das uniões de pessoas do mesmo sexo.

(9) Paulo VI, in: J. Guitton, Diálogos com Paulo VI, Poznań 1969, p. 296.

CHEGOU A HORA DE PUTIN – A HORA DO AJUSTE DE CONTAS E DO ACERTO DOS BLOCOS RÚSSIA E NATO

A Ucrânia está em Guerra! A Solução será tornar-se República Federal Neutra

O Presidente ucraniano Selenskyj declarou o estado de guerra. A infraestrutura das bases aéreas ucranianas foi destruída, segundo informa o governo russo.

O mais trágico que se pode observar no conflito fora e dentro da Ucrânia é o facto de não ser dado tempo aos habitantes ucranianos para se habituarem uns aos outros e formarem com o tempo um povo unido! Os interesses da Nato e da Rússia, empenhados em instigar a instabilidade, não dão tempo nem permitem um desenvolvimento orgânico da Ucrânia. As interferências perpetradas pelos centros imperialistas modernos atafegam à raiz qualquer desenvolvimento orgânico e natural de povos e regiões. (Ucrânia mero cavalo de Troia (1) e dados sobre a Ucrânia (2).

A Ucrânia está em guerra; tem 200.000 soldados na disponibilidade e ordenou agora (23,02.2022) a mobilização de cerca de 250.000 reservistas. A Europa tem estado a preparar-se para acolher os Refugiados. O público tem o direito de ser completamente informado sobre as condições na Ucrânia, de modo a poder orientar-se à margem do pensamento a preto e branco dominante; doutro modo são enfileirados nas trincheiras a serem contruídas na opinião pública tornando-se, assim, em arautos e belicistas cúmplices de um partido ou do outro. Putin, Biden e as partes beligerantes sabem de antemão que terão todos razão, independentemente do certo ou errado, porque as pessoas não estão em posição de questionar nada e orientar-se-ão pelos factos criados.

Os adversários Putin e Biden continuam na sua teimosia. Putin esconde os seus pretextos na sua exigência de que “a NATO não deve ser alargada à Ucrânia”. A NATO esconde o seu pretexto não cedendo; deste modo são servidos e justificados os respectivos interesses na guerra e as populações são orientadas de modo a tomar partido e deste modo a aceitar as consequências de uma guerra estimulada por gente irresponsável onde quem morre é a juventude e quem aguenta as consequências é a população em geral. A fim de se sair desta situação desumana, não se deveria pensar apenas estrategicamente. No caso, a melhor solução seria a Ucrânia tornar-se uma república federal neutra independente.

As fronteiras estão, de novo, a ser movimentadas na Europa e a zona da Ucrânia e da península Balcânica continuam a ser zonas “vulcânicas” devido ao encontro/distanciamento das “placas continentais”! As repúblicas separatistas de Lugansk e Donetsk reivindicam todo o território Oblast. A região Oblast de Lugansk tem 2,1 milhões de habitantes e 1,4 milhões deles são separatistas; o território tem 26,7 mil quilómetros quadrados. A região fronteiriça Oblast de Donetsk tem 4,1 milhões de habitantes e cerca de 2,2 milhões são separatistas e a área é de 26,5 mil quilómetros quadrados. Na Ucrânia a miopia política e a corrupção têm contribuído para muitas medidas contra a inclusão do povo de tendência russa e ucraniana. O divisionismo na Ucrânia, nem sequer a religião poupou. Nos anos 90 surgiu uma nova igreja ortodoxa separada do patriarcado de Moscovo, entretanto surgiu também uma outra e em 2018 foi fundada a Igreja Ortodoxa da Ucrânia como igreja ortodoxa autocefálica.  Também o russo, que é hoje falado por quase toda a população da Ucrânia, mas principalmente no leste e sul do país, bem como na capital Kiev (3), tem sido objecto de impedimento legislativo oficial. Encontramos na Ucrânia os vícios reunidos da Nato e da Rússia que levarão ao desmantelamento da Região.

Numa América do Norte acossada pela China, ao lado de uma Rússia ainda por fazer e de uma EU, no meio delas, a querer aparecer, Putin procura interpretar os sinais dos tempos e aproveitar-se para corrigir o desequilíbrio criado depois da queda da União Soviética; para completar o seu império aproveita para fazer o que os USA têm feito em seu proveito. Putin aprendeu a lição; nesse sentido, procura também afirmar-se criando factos consumados, com o argumento de não querer deixar o destino das nações tão entregue às mãos da Nato (e da China)!

Na dureza do confronto das potências, também a União Europeia vai procurando granjear um lugar ao sol, entre os blocos de influência, servindo-se mais de paliativos; para tal usa o proclamado ideal da democracia como antes usava o ideal da religião; tudo roupagens bonitas mas que escondem, perante o povo, o verdadeiro rosto (o poder) que por baixo desse manto se esconde! Em nome da democracia serve, (também ela não tanto como senhora mas como serva), a guerra, dos USA e da Nato, criando instabilidades em países mediante o fomento ou o apoio de lutadores da resistência dentro de povos, e tudo só para bem da sua “democracia” e da economia (o mesmo estratagema usam pretensas potências como o Irão e a Turquia em nome do islão, na Índia em nome do induísmo, na China em nome do comunismo e na Rússia em nome da Rússia de recordação comunista: todos os povos elaboram o seu lampião para alumiarem o seu  caminho no pretexto de não deixarem o povo às escuras!). Na lógica da Nato, nas zonas de seu interesse, o princípio de autodeterminação democrática já não conta. Desde 1953, a NATO cometeu 13 violações do direito internacional sem um mandato da ONU (4). A Rússia segue nas suas pegadas porque a fome é a mesma!

A Rússia imperial está consciente de querer modernizar-se e, à maneira progressista, num tempo já não de construção de nações, mas numa fase mais adiantada de desconstrução que corresponde à estratégia de alinhamento de complexos geoestratégicos, englobantes de países e regiões mais pequenos. Na perspectiva da globalização, este factor dar-lhe-á razão, uma vez que vem do progresso e ele está aí a chegar nas novas demarcações económico-políticas que procuram território irreversivelmente demarcado para se instalarem no novo mundo de maneira sustentável! Por mal das circunstâncias, a decisão da Ucrânia não se encontra nas mãos dos ucranianos, não só pelo facto de se encontrarem divididos entre si, mas pelas razões mais altas dos correspondentes interesses dos falcões geopolíticos, a quem servem. A História não se deixa disciplinar pela moral, ela segue apenas os factos criados por interesses e estes pertencem sempre aos mais fortes; uma vez criados os factos, o povo estará sempre pronto para os seguir atrás a aplaudir. A moral só sabe caminhar com o povo, mas os interesses seguem uma via diferente caminhando com os maiores! Putin sabe bem que, se, a Rússia que alberga vários povos, desse asas à democracia isso corresponderia a criar novos focos de independência dentro da própria Rússia, o mesmo medo mantem a China, por isso preferem dedicar-se à conquista! Por isso falar de democracia a Putin, torna-se numa verdadeira provocação porque na sua situação, tal como na da China significaria polvorosa nas próprias populações e cedência ao rival.  O argumento da democracia vale especialmente para nós europeus onde cada país, depois de muitas guerras, alcançou a sua identidade e, pelo facto, já não temos mais para conquistar; o trágico da aprendizagem é que usemos, muitas vezes, da democracia como armadilha para outros povos.

Também se torna ilusória uma argumentação em termos de nacionalidade quando nos encontramos, também nós, devido ao globalismo e ao processo de organizar o bloco EU, numa era de superação das ideias nacionais para se poder legitimar a formação de novos blocos ou agrupamentos de nações. Esta realidade leva muita da argumentação de caracter nacionalista a tornar retrógrados e contraditórios os factores que implementam a formação da União Europeia.  Facto é que a política globalista (a nível político de ideologia e de economia) em via tem como consequência o desprezo das nações em benefício dos blocos. Por isso pareceria tornar-se atrasada uma tendência de se afirmar um país numa região feita de populações, mas sem ter tido tempo para se formar em povo. Assim a Ucrânia é fomentada também artificialmente em alfobres de grupos joguetes nas mãos dos falcões da NATO e da Rússia. Os moventes da Nato e da Rússia não são os genuínos interesses nacionais de um povo-nação, mas o seu desmantelamento, para satisfação de novos compromissos a fazer pelos figurantes em jogo.  Na era globalista e em tempos da formação da EU, tempo mais propício para a desconstrução das nações, falar-se de “dignidade nacional” até parece mal, sobretudo se dito por mentes progressistas!!!

Infelizmente, vistas as coisas de uma perspectiva actual, Putin, para não ser homem de outra era, vai escrever história recente e vai ditá-la aos que se julgam à frente! De facto, o orgulho e a humilhação, suscitam forças que levam a não se resignar e a ideia do globalismo ajuda! Talvez por isso as revoluções pretendam ir sempre à frente, a fazer de luzeiros para o povo e para os que se atrasam! Cada bloco faz a sua leitura própria e nós povo é que teremos de pagar a fava que já se preanuncia num novo aumento das energias. Neste contexto, ser-se popularmente pela política de um bloco ou do outro torna-se um pouco indecoroso.

Falta de cocegas na opinião pública e no povo não faltarão. Uma vez desmantelada a Ucrânia restará o trabalho de sabotagem da Bielorrússia para que esta abra as portas para o Ocidente. Haverá que preparar-nos para engolir sapos e lagartos pois depois de décadas de paz na Europa o que nos espera são guerrilhas, como já conhecemos também dos “assassinos” maometanos através da História! …

Apoiar um ou outro bloco é tornar-se cúmplice das desumanidades contra o povo que sofre e declarar-se pronto para assumir os encargos consequentes da guerra! Só há um caminho a seguir: o das conversações!

Chegou a hora de a Ucrânia, em acordo com os partidos concorrentes, acordar uma solução viável que será fazer da Ucrânia uma República Federal Neutra

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

(1) Ucrânia mero cavalo de Troia: https://antonio-justo.eu/?p=7116

(2) Dados sobre a Ucrânia: https://antonio-justo.eu/?p=7127

(3) Kiev é uma cidade bilingue onde tanto o ucraniano como o russo são falados. Há três anos, uma nova lei linguística entrou em vigor na Ucrânia. O seu objectivo é fazer recuar o russo, mas cria novos problemas aos editores e às críticas em língua russa a Putin. Os jornais e revistas nacionais devem agora aparecer em ucraniano. As edições russas não são proibidas, mas uma versão paralela ucraniana deve ser impressa na mesma circulação. É certo que isto não é rentável para os editores. O último jornal diário nacional russo, “Westi”, foi recentemente mudado para ucraniano, e muitos jornais só aparecem agora na rede. Aprovada há três anos, a lei linguística está agora (2022) a entrar em vigor na Ucrânia. É suposto fazer recuar o russo, mas cria novos problemas para editores e críticos de Putin em língua russa. A lei, que é dirigida contra a língua russa preferida por muitos ucranianos, especialmente no leste e sul do país, foi aprovada pouco depois de o Presidente Petro Poroshenko ter sido votado fora de funções em 2019.

https://www.faz.net/aktuell/feuilleton/debatten/ukraine-neues-sprachgesetz-soll-das-russische-zurueckdraengen-17736397.html

(4) 70 anos da NATO: guerras ilegais e causas de fugas: “70 Jahre NATO: Illegale Kriege und Fluchtursachen!

 

DADOS SOBRE A UCRÂNIA QUE JUSTIFICAM O UIVAR DAS HIENAS

“Para aqueles que perguntam: “Por que a Ucrânia importa?” Vejam como a nação da Ucrânia se classifica:
1° lugar na Europa em reservas, comprovadamente recuperáveis de minérios de urânio;
2° lugar na Europa e 10° lugar no mundo em termos de reservas de minério de titânio;
2° lugar no mundo em termos de reservas exploradas de minérios de manganês (2,3 bilhões de toneladas, ou 12% das reservas mundiais);
2° maior reserva de minério de ferro do mundo (30 bilhões de toneladas);
2° lugar na Europa em termos de reservas de minério de mercúrio;
3° lugar na Europa (13° lugar no mundo) em reservas de gás de xisto (22 triliões de metros cúbicos)
4° no mundo pelo valor total dos recursos naturais;
7° lugar no mundo em reservas de carvão (33,9 bilhões de toneladas)
A Ucrânia é um país agrícola:
1° na Europa em termos de área de terra arável;
3° lugar no mundo pela área de solo negro (25% do volume mundial);
1° lugar no mundo em exportações de óleo de girassol.
2° lugar no mundo na produção de cevada e 4° lugar nas exportações de cevada;
3° maior produtor e 4° maior exportador de milho do mundo;
4° maior produtor de batatas do mundo;
5° maior produtor de centeio do mundo;
5° lugar no mundo em produção de abelhas (75.000 toneladas de mel);
8° lugar no mundo em exportações de trigo;
9° lugar no mundo na produção de ovos de galinha;
16° lugar no mundo em exportações de queijo.
A Ucrânia pode atender às necessidades alimentares de 600 milhões de pessoas.
A Ucrânia é um país industrializado:
1° na Europa na produção de amônia;
É o 4° maior sistema de gasodutos de gás natural da Europa no mundo (142,5 bln metros cúbicos de capacidade de produção de gás na UE);
3° maior da Europa e 8° maior do mundo em termos de capacidade instalada de usinas nucleares;
3° lugar na Europa e 11° no mundo em termos de comprimento da rede ferroviária (21.700 km);
3° lugar no mundo (depois dos EUA e França) na produção de localizadores e equipamentos de localização;
3° maior exportador de ferro do mundo;
4° maior exportador de turbinas para usinas nucleares do mundo;
4° maior fabricante mundial de lançadores de foguetes;
4° lugar no mundo em exportações de argila
4° lugar no mundo em exportações de titânio
8° lugar no mundo em exportações de minérios e concentrados;
9° lugar no mundo nas exportações de produtos da indústria da defesa;
10° maior produtor de aço do mundo (32,4 milhões de toneladas).
Vocês entenderam por que a Rússia quer a Ucrânia?
Os EUA querem “empatar a coisa” e vender armamento?
A China, com um um soriso irónico, “espreita por detrás da cortina”?”
Texto: Ukrainian Congress Committee of America Ukrainian World Congress – Свiтовий Конґрес Українців
Fabiana Tronenko Kyiv 2020

TENTATIVAS DE DEFINIR O SER DO HOMEM NA RELAÇÃO HOMEM-MUNDO

Coloco aqui alguns estímulos a um apetite que pode proporcionar alimento à reflexão:

Gregório Magno: «o homem tem semelhanças com todas as criaturas: o ser com as pedras, o viver com as árvores, o sentir com os animais, o entender com os anjos».

Hildegarda de Bingen: “O homem, olha para o homem! Porque o homem tem em si mesmo céus e terra e nele todas as coisas estão escondidas. A sua cabeça corresponde aos céus, os olhos às estrelas, o ouvido ao ar, os braços e o tacto aos lados do mundo, o coração à terra, o ventre às criaturas” (Hildegarda de Bingen, Liber divinorum operum, Visio I).

António Damásio: «(…) não só a mente tem de passar de um cogitum não físico para o domínio do tecido biológico, como deve também ser relacionada com todo o organismo que possui cérebro e corpo integrados e que se encontra plenamente interactivo com um meio ambiente físico e social», em “O erro de Descartes. Emoção, razão e cérebro humano”.

De facto, somos seres dotados de asas, mas com um corpo tão pesado que nos condiciona a movermo-nos em terra. Feitos de céu e terra, tendemos, pela força da transcendência,  a superar a matéria de que somos confecionados e a viver com ela para não perdermos um olhar que nos proporciona maior horizonte!

Reduzir o ser do Homem à perspectiva materialista corresponderia a cortar as asas ao humano e à sociedade; isso viria a justificar a missão entrópica de alguns cangalheiros da nossa civilização de “reminiscências” cristãs!

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo