A POLÓNIA VOTOU RECONFORTANDO OS CONSERVADORES EUROPEUS

 

Na Europa a Palavra Conservador/Direita vai ganhando foros de Salão concorrendo com a Palavra Esquerda

António Justo

Entre as fúrias da direita e da esquerda pendula a democracia. Neste momento, o domínio semântico da Esquerda na Europa vai-se enfraquecendo, apesar da sua força mediática. Se a Península Ibérica polariza à esquerda a Polónia polariza à direita, sendo ambas contrabalançadas pela Europa no centro!

Das eleições para o parlamento na Polónia (13.10.2019) saiu vencedor o partido PiS (“Direito e Justiça”) do chefe de governo Mateusz Morawiecki, que recebeu 43,6 % dos votos, passando este partido conservador a ter agora 235 membros de um parlamento com 460 assentos, o que lhe possibilita governar sozinho.

A aliança da oposição liberal-conservadora “Coalizão dos Cidadãos” (KO), conseguiu 27,4% dos votos. A esquerda SLD (12,6%), a coligação conservadora do Partido Camponês PSL (8,6%) e a direita de Janusz Korwin-Mikke (6,8%). Desta vez houve a afluência (61,7%) às urnas mais alta desde há 30 anos.

 A campanha da PiS centrou-se no fomento de uma política social de visão conservadora de um Estado providencial/social católico. O partido do governo pôde ganhar pontos ao elevar prestações sociais para as classes mais baixas, reduzir o desemprego para 5% e introduzir um abono de família de 116 euros para todas as famílias com dois ou mais filhos.

As eleições revelaram-se numa espécie de referendo sobre as políticas: provida, pró-família e contrárias à Nova Ordem Mundial, e na afirmação da desobediência às políticas ordenadas por Bruxelas.

Com as eleições na Polónia estabelece-se um certo equilíbrio entre um tradicionalismo exagerado e um modernismo descarado. Um povo consciente de que a sua nação só pôde subsistir historicamente devido ao seu elo de união católico, persiste em defender a nação contra as arremetidas de forças globalistas de um capitalismo liberal e de um socialismo de cultura latifundiária. Como tiveram a experiência do Comunismo ainda têm viva na memória a recordação do que o sistema socialista significa.

Apesar da propaganda da EU contra os conservadores polacos que persistem em manter uma Polónia soberana que acredita nos próprios princípios que defende, estas eleições constituem mais um desafio para uma EU até agora demasiadamente polarizada às agendas da esquerda internacional e aos interesses do capitalismo liberal.

Com a victória dos conservadores de Lei e Justiça (PiS) estatuiu-se um exemplo de esperança para aqueles que receiam a formação de uma União Soviética Europeia. Talvez com isto e com o Brexit a EU repense a sua política demasiadamente orientada por um centralismo capitalista e ideológico e se dedique à construção de uma Europa de povos e nações em que a pluralidade e diversidade não sejam arrasadas em favor de uma monocultura nas mãos de alguns ideólogos e turbo-capitalistas que em certos aspectos abusam da imigração sem respeito pela subsistência dos biótopos culturais europeus.

Em democracia é assim, o voto democrático livre não agrada a muita gente, mas a velha lei pendular da história continua ativada e é muito natural que pendule à direita e à esquerda possibilitando que uns e outros alternadamente se satisfaçam.

Embora o partido PiS exija da Alemanha uma indemnização devido à invasão nazi, o governo alemão declarou querer colaborar com o futuro governo polaco, pois “Alemanha e Polónia são vizinhos, amigos e parceiros” (HNA 15.10.2019).

No período de propaganda eleitoral a direita polemizava contra o estilo de vida ocidental e a Esquerda da EU polemizava desdizendo da vontade democrática do povo polaco..

Estas eleições revelam uma vitória conservadora contra a agenda globalista de ideologias de género e de uniformidade do pensamento e contra o liberalismo e o neomarxismo totalitário que não permite dissidências de pensamento nem pensares diferentes.

 A democracia não pertence à esquerda nem à direita, ela suporta-as e mantem-nas.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo,

DOCUMENTAÇÃO SOBRE O ÓDIO AOS JUDEUS ABAFADA

Da Documentação filmada “Escolhido e marginalizado” – União antissemita alarmante entre extrema esquerda e extrema direita

António Justo

A palavra de ordem “Judeus para o gás” que partiu de uma manifestação pro-palestinense em Berlim em 2014 parece constituir método e lema antissemítico cultivado em comunidades muçulmanas e em ambientes extremistas da Alemanha. Judeus que tragam a gorra judaica na cabeça são frequentemente vítimas de discriminação especialmente por árabes.

O Centro de Pesquisa e Informação sobre Antissemitismo (Rias) apresentou um artigo sobre o antissemitismo em Berlim em 2017 segundo o qual houve 947 incidentes e, destes, 288 foram considerados crimes antissemitas (1).

O ódio aos judeus na Europa testemunhado no documentário “Povo escolhido e marginalizado” (“Auserwält und ausgegrenzt “) mostra uma perspectiva chocante do avanço do antissemitismo (2). A documentação filmada surpreende pela anuência antissemita implícita à extrema direita, à esquerda radical e a muitos dos palestinenses.

Em tempos de crise (3) o antissemitismo aumenta e exige mais bodes expiatórios a ser sacrificados.

Geralmente na opinião pública discutida, filmes contra Israel não são analisados sob o aspecto do anti judaísmo. Esta documentação, ao contrário, entre propaganda e jornalismo, procura alertar para o tradicional antissemitismo na Europa acrescido pelo antissemitismo árabe. A documentação embora trate do antissemitismo na Europa teve de dar espaço ao Próximo Oriente porque de lá se alimenta atualmente grande parte do anti judaísmo europeu. O filme pode contribuir para uma certa balance nas opiniões e para impedir a espiral do ódio em via contra os judeus. A dependência do petróleo e o peso dos muçulmanos nas perspectivas partidárias pesam muito na formação da opinião pública.

O filme pretende chamar a atenção para o anti-semitismo galopante na Europa e para o tornar compreensível aponta para o Médio Oriente que o fomenta. Um problema que é tabuizado na nossa sociedade porque não se encaixa no alvo das nossas noções…. Tem-se a impressão que os Estados para poderem continuar a subsidiar indiscriminadamente a causa dos palestinenses não estão interessados em que se mostrem os aspectos negativos deles.

Seria mais interessante mostrar as falhas das duas partes, mas como a documentação partiu da realidade de uma opinião pública de informação de tendência propalestinense e módica em publicar o terrorismo palestinense, os organizadores da documentação não se preocuparam em mostrar os aspectos de que geralmente a imprensa fala.

A redacção da ARD queria boicotar a emissão, mas Bild Zeitung publicou imagens da reportagem, forçando a ser publicada apesar da maioria da opinião pública alemã ser pró palestinense. A reportagem chama a atenção para o antissemitismo na Europa o que não se encaixa na nossa imaginação. Vitimamos os judeus e consideramos vítimas os que os atacam, assumindo assim o papel de traumatizados como que num desejo inconsciente que outros os vitimem para podermos sentir-nos entre iguais.

Naturalmente, o que acontece em Israel/palestina influencia a opinião pública e encontra eco na população muçulmana emigrada para a Europa, de modo a Europa cada vez se tornar mais em palco dos problemas do Médio Oriente. Em Berlim têm sido queimadas bandeiras de Israel em manifestações pró Palestinenses. Em reacção ao reconhecimento de Jerusalém como Capital de Israel por Donald Trump, também então manifestantes queimaram bandeiras de Israel. Querem com isto demonstrar a negação de Israel. É lamentável que a Europa se torne palco de situações como esta; não nos encontramos em Teerão onde a tolerância se limita à própria religião. É fatal quando demonstrantes não reconhecem o direito de existência a outros. Na Suécia também houve, na altura, um ataque a uma sinagoga.

O medo de errar na apresentação de um assunto onde há injustiças de um e do outro lado, não legitima a transmissão de uma injustiça e calar a outra.

Urge discutir factos e contextos de antissemitismo aberta e honestamente e sem adornos nem despeitos. Na Alemanha discutiu-se muito sobre a documentação apresentada e pouco sobre o tema do antissemitismo.  Por aqui se nota quão longe estão os judeus de poderem ter uma vida normal e tranquila entre nós.

O presente antissemitismo na Europa obriga muitos judeus a ir para Israel (4). Tanto israelitas como palestinos cometem erros, não podendo isso servir de desculpa para uns nem para outros.

A educação muçulmana, o conflito no Médio Oriente com a humilhação dos palestinenses, a negação do direito de existência aos judeus em Israel, o Corão e outros escritos do islão têm claras instruções antijudaicas que favorecem a antissemitismo. No Corão são vistos como “macacos e porcos”.

Em Israel, o único Estado democrático na região, também há judeus comunistas e anti sionistas.

A demonização dos judeus já é velha (vindo dos primórdios em que judeus e cristãos se debatiam pela existência e posteriormente o lado escuro da cristandade em relação aos judeus). O facto de hoje lhes ser negado o direito a ter um país, segundo a opinião de muitos muçulmanos, corresponde a uma posição de antissemitismo eliminador.

Também se usam medidas duplas em relação às falhas dos soldados judeus sem se falar do que fazem outros soldados em África, etc… Muitos israelitas sentem-se tratados como bichos-papões. Um outro preconceito é ver os judeus no estrangeiro como cúmplices da política Israelo-palestinense. Muitos outros escondem o seu antissemitismo na posição contra o capitalismo internacional. Depara-se com um antissemitismo imanente como se os judeus não tivessem direito a defender-se e tivessem de assumir o papel que tiveram no nazismo.

Em vez de se fomentar o encontro e a permuta fica-se pelo sentimento de impotência.

Os velhos ressentimentos da Europa em relação aos judeus serão difíceis de se extinguir, apesar da Europa e do mundo deverem tanto aos judeus.

Da educação para o ódio e do terrorismo do Hamas não se fala, não passa bem na opinião pública europeia que se quer preconceituosa em relação aos judeus. O discurso do ódio e da intolerância também é transmitido sub-repticiamente com imagens de crianças que choram em reportagens que não mostram que elas são vítimas das duas partes.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo,

 

PREÇOS DOS ARRENDAMENTOS DE APARTAMENTOS NA ALEMANHA: MÉDIA DA RENDA BASE 7,34 €/m2

A média actual dos preços de aluger de apartamentos na Alemanha é de 7,34 €, renda base, por metro quadrado.

Em Munique a média é de 10,46€/m2, Estugarda 9,96, Hamburgo 8,65, Colónia 8,65, Wiesbaden 8,58, Frankfurt 8,44, Dusseldorf 8,37, Berlim 6,92, Hannover 6,44, Dresden 6,23, Duisburg 5,88, Dortmund 5,61, Leipzig 4,94€.

Devido à falta de habitação em Berlim a senadora para o desenvolvimento urbano da cidade (com governo vermelho-vermelho-verde),numa expressão de desespero, quer fixar o aluguer mensal  num limite máximo de 7,97€/m2 durante cinco anos; a medida parece tão drástica que lembra os métodos socialistas da antiga DDR. Rendas que ultrapassem os 7,97€/m2, teriam de ser submetidas a aprovação.

Isto afastaria os investidores. Uma tal medida teria como consequência o afastamento de investidores e provocaria um fluxo imigratório para a cidade que ainda pioraria a situação.

Também é verdade que um aumento de 18% que se deu nos últimos cinco anos no aluguer dos apartamentos se torna insuportável.

Estugarda teve um aumento de rendas na ordem dos 22%  e Leipzig 3% desde 2013, como noticiam os jornais alemães.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

CUMPLICIDADE ENTRE GLOBALISMO IDEOLÓGICO E ECONÓMICO – “FOGO” POSTO NA AMAZÓNIA PELA ONDA MEDIÁTICA EUROPEIA

Do Desmatamento do Biótopo Amazónia ao Arroteamento dos Biótopos culturais ocidentais

Por António Justo

A situação

Por um lado, o planeta encontra-se a salto por parte de forças económicas variadas e por outro, o povo encontra-se a salto por parte de ideologias contraentes. Tudo corre para usufruir dos rendimentos sem contar com os interesses dos povos, das regiões, nem da nossa casa comum que é a natureza. Sob a nuvem do globalismo originam-se tsunamis e tufões que arrastam biótopos naturais e biótopos culturais; o povo não pode dar-se conta da razia em obra porque desconhece as leis “climáticas” dos centros de altas e baixas pressões e só lhes é dado pôr ou tirar o guarda chuva para não ser encharcado nem levado pelas ventanias.

Bolsonaro apressa-se a combater o fogo com aviões da força aérea e com 43.000 soldados que ajudam os bombeiros e com 10 milhões de euros de apoio ao combate às chamas (HNA 26.08.2019).

Segundo pesquisadores da Universidade de Oklahoma a área verde de floresta perdida entre 2000 e 2017 foi de cerca de 400 mil km² (1).

Um aspecto que não tem sido considerado na discussão é o facto de os fogos terem aumentado desde que a Alemanha e a Noruega deixaram de apoiar as suas ONGs (organizações não governamentais) no lugar (dá que pensar, quando ONGs petistas são proibidas, tendo o facto provocado a suspensão de donativos para a Amazónia!); deste modo juntam-se aos interesses dos madeireiros outros interesses políticos também eles implicados no negócio. Na Amazónia há dezenas de milhares de ONGs estrangeiras: uma verdadeira chuva de interesses económicos e políticos internacionais diversificados….

A Amazónia sempre ardeu e isto, segundo especialistas, não é decisivo no clima mundial (os pulmões da terra são os oceanos e as suas algas sofrem sem que ninguém se interesse), o problema estará não tanto na produção do CO2 mas mais no facto de os fogos nas florestas tropicais contribuírem para o aquecimento da atmosfera. Sintomático é o facto de que este problema foi ignorado até agora embora isso aconteça também em África e Ásia (Um olhar cínico poderia, porém, apontar para o facto de os fogos antes não contarem porque não punham em perigo o alastrar do socialismo na América latina!!!).

O comércio é determinante e se o Brasil continuar o desmatamento na Amazónia para produzir carne e forragem para exportar, também os interesses dos lavradores europeus são lesados devido à concorrência de produtos mais baratos. (Os interesses comerciais e políticos são o verdadeiro rastilho em acção que conduz à pólvora: para uma solução justa haveria que fazer um levantamento da situação e identificar primeiro todos os “incendiários”; douto modo, andamos todos a lançar foguetes para o ar, simplesmente para satisfazer o prazer de ver o povo perder o seu tempo a correr atrás das canas!).

O clima é realmente um problema global, mas não pode ser resolvido à custa do não desenvolvimento do Brasil. Nós já procedemos ao desmatamento das florestas europeias para chegarmos onde nos encontramos e do alto das nossas razões sentimo-nos com o direito de exigirmos do Brasil que renuncie ao desenvolvimento nacional por puro altruísmo com o resto da humanidade, mas não lhe oferecemos alternativa; o problema da Amazónia e de muitas outras “amazónias” pelo mundo é um assunto universal complicado e como tal deveria ser resolvido na concórdia de uma Cimeira entre os representantes dos povos (mas numa atitude fora de qualquer colonialismo económico ou ideológico). A continuar na perspectiva de egoísmos nacionais meramente interesseiros, é natural que Bolsonaro pretenda impedir qualquer interferência externa para demonstrar que o Brasil pode crescer por força própria (Não se esqueça que o povo brasileiro é em termos nacionais um povo muito auto-consciente.

A protecção do clima só poderá ser tomada em conta se a produção do anidrido carbónico não subir e o consumo de carne for reduzido; o problema é que ninguém quer renunciar ao nível de vida adquirido e, por seu lado, a economia aposta no eterno crescimento como a única solução dos problemas! Os usufrutos da Amazónia querem-se universais, mas o preço não pode se adquirido à custa do subdesenvolvimento do Brasil e de uma população de 200 milhões.

Assim, olhe-se para onde se olhar, só se avista fogo posto e fogo por atear; é só fumo e fogo, por todo o lado: na Amazónia, nas chaminés dos povoados, nas lareiras das ideologias, nas torres da economia e, lamentavelmente, até já começa a sair fumo e fogo dos olhos e dos ouvidos, de cada vez mais pessoas, devido à balbúrdia dos interesses na discussão pública.

Altas e baixas pressões em diferentes zonas de interesses

Na Amazónia já houve maiores fogos e maior desmatamento (2) que hoje, mas na altura ninguém ligou porque então os ventos sopravam da Rússia. Hoje que os ventos parecem começar a soprar dos USA já toda a gente da ribalta se sobressalta fazendo hoje um elefante do que antes consideravam uma mosca! De facto, fogos para desmatamento são no Brasil já tradição embora, a forma descontrolada como acontecem, se revele muito perigosa.

Mácron que quer ser visto internacionalmente como o homem da Europa (3), publicou informações erradas sobre a Amazónia e caiu no ridículo (4). Mas, no meio de tanta alhada em torno da Amazónia, Mácron saiu-se, por fim, de rosto erguido no palco da G7 e declarou a intenção de a G7 ajudar a amazónia com 18 milhões de Euros (5), Trump mostra-se disposto a encontrar-se com o presidente do Irão e a entrar em diálogo com a China (Tem-se a sensação que o globalismo ganhou!).

Na discussão pública chega-se a ter a impressão que o adversário não é o fogo, mas sim políticos de ideologia adversária.

Grupos ideológicos, na sequência da queda do poder soviético, aproveitam-se de tudo e de todos para ocuparem uma imprensa neles interessada e assim envolverem a opinião pública exageradamente nos seus temas; agora abusam do problema grave da Amazónia para apostarem na sua luta contra o seu rival ideológico que é Bolsonaro (símbolo da direita e dos interesses regionais contra o globalismo; com a eleição de Bolsonaro andam desesperados porque contavam já com um Brasil socialista e com ele a América Latina mas a conta está-lhes a sair errada); de comum em todas as lutas que iniciam estará a  homogenação dos povos e sua submissão a supra estruturas ideológicas com o intuito destruidor de biótopos culturais (valores adquiridos, família, cristianismo, nações, e controlo da educação), a partir daí; assim conseguem criar, na sociedade, descampados da civilização que possibilitem a implantação da sua monocultura plana, uma mistura de savana e deserto, com alguns embondeiros do poder a dominar a paisagem; o mesmo fazem multinacionais económicas interessadas no desmatamento da natureza e na destruição de empresas nacionais num abuso destruidor em função do proveito e da ganância global que não respeita povos nem nações. As duas ideologias que, à primeira vista, parecem contraditórias são unânimes em criar um povo ovelha (de consumidores e proletários); um povo que se sinta satisfeito apenas em saciar as necessidades primárias. Os dois poderes (marxismo e turbocapitalismo) querem uma sociedade sem ordem nem regras nem valores e, deste modo, orientada apenas pela máxima do “quem oferece mais baixo e mais barato”. A sua estratégia, de ir nutrindo a sociedade com temas quentes dirigidos à tona das emoções, tem-se revelado de grande sucesso se tivermos em conta os resultados no mainstream dominante e, cada vez mais, na pobre maneira do pensar igual das pessoas.

A poluição que o turbo-capitalismo provoca na natureza corresponde à poluição ambiental social provocada pelos seus contraentes. Em vez de uma discussão séria dos problemas e factos no sentido de procurar uma solução comum, cada parte fixada apenas nos seus interesses divide para imperar. O problema agudiza-se numa situação em que os meios de comunicaç1bo social dançam no mesmo ritmo, a mesma música. Por isso o conteúdo dos Media deixa muitas vezes a desejar; o conteúdo de uma boa mensagem (informação) deve, de certo modo, destacar-se da vida quotidiana e de interesses imediatos.

O marxismo ocidental torna tudo igual (quer tudo proletário), por isso investe no desmatamento espiritual. Ao deplorável desmatamento da floresta e ao corte das árvores da Amazónia corresponde o derramamento de valores culturais (chamem-se eles ocidentais, pessoais, familiares ou nacionais) O internacionalismo socialista tal como o turbo-capitalismo uniram-se e atrás do islamismo vão conquistando terreno, espalhando assim a desertificação cultural ocidental para criarem apenas uma vegetação de latifúndio monocultura (a cultura marxista universal).

O povo inocente mata-se a correr atrás das canas ou à procura de incendiários quando o problema engendrado é mais do fumo e dos ventos e das pressões que os interesses determinam! Cada parte pretende ver o argueiro no olho dos outros sem notar a trave que tem nos próprios olhos. Os ativistas do clima veem o problema nos governantes, que supostamente se deveriam afirmar contra a vontade das massas, mas estas querem continuar a viver como até agora com carne barata, para que todos justamente participem da prosperidade. No que toca a Trump, ele é um achado para alimentar a imprensa e entretimento para os leitores (O povo precisa de símbolos para poder ser motivado a correr atrás deles: não importa se o punho cerrado ou de Trump, Bolsonaro e outros mais!). E viva a festa!

O fumo internacional é tanto que já atravessou o Atlântico, do Brasil a Portugal, de modo que até políticos bombeiros de Portugal (Ministro do Ambiente) para não ficarem fora da procissão, já se atrevem a criticar os bombeiros do Brasil e isto sem se preocuparem com a barracada das queimadas em Portugal com tantos mortos e feridos, nem com outros fogos que atualmente afligem também outros países da América do sul; não se fale já da África e da Ásia (Há muito pasto que não interessa pôr na manjedoura pública para que, de maneira repartida, se vá mantendo o povo na fileira!).

Há por aí muita gente a viver à gosma, como o cuco a viver do “ovo” que colocam no ninho dos outros. Pena é que, no meio de tantos cucos vai-se tendo a impressão que no fim cada um fica a zurrar para seu lado e quem fica a sofrer é um povo atordoado e uma natureza doente!

Para lá de uma cidadania catavento

É triste verificar-se como o povo e seus interesses são adiados através de ondas de informação que os condicionam à situação de cataventos dependentes do sopro dos ventos que surgem da esquerda e da direita, quando o melhor seria que a direita e a esquerda se entendessem como membros do mesmo corpo que é a nação e entrassem numa relação de inclusão passando a usar as duas pernas para o país possa andar direito.

A situação mundial e do clima não dá para brincadeiras, mas pior ainda se torna ela, quando os seus actores se aproveitam da crise para fazerem o seu jogo.

Penso que hoje, tão grave como a crise da amazónia, é a crise provocada que se vive também devida a uma informação manipuladora com a consequente influência decisiva que provoca na opinião pública uma quase histeria. Por trás encontram-se os interesses de um turbo capitalismo e de da estratégia da expansão do marxismo cultural contra a cultura ocidental: uns em nome dos interesses individuais, outros em nome dos internacionais.

A política dos países e as democracias são cada vez mais condicionadas por grupos de interesses que se organizam em ONGs numa estratégia de afirmação de interesses contraditórios para deste modo pressionarem os governos; apelam para um direito nada inclusivo de se encontrarem ao serviço de interesses internacionais contra os nacionais; isto legitima-os a não respeitarem nem reconhecem a vontade de um povo democrático embora legitimado por eleições; como não reconhecem povo apostam na guerrilha e na guerra civil; deste modo esvaziam os direitos democráticos e as consciências regionais. Hoje em dia encontramo-nos numa guerra ideológica e o povo não nota o que se está realmente a passar, sendo até muitas irregularidades cobertas ou até fomentadas pela ONU!

Outrora, os jacobinos marxistas usavam-se do pretexto do capitalismo para continuarem a sua guerra, agora aproveitam-se, dos direitos humanos, da sexualidade, do “género “, da ecologia (CO2), da ONU, para se intrometerem a nível internacional no negócio dos países; agora que veem a sua guerra a perder-se no Brasil e com ele potencialmente na América do Sul criam um clima de alarme por todo o lado. A solução só pode ser encontrada através de compromisso e não de uma posição ditadora de um só lado possuir o direito e a razão.

Muitas ONGs operam hoje como operavam antes os serviços secretos estrangeiros dentro dos países. Alarmismo e movimentação dos sentimentos das massas contra a luz da razão, podem tornar-se em novas formas de invasão.

© António da Cunha Duarte Justo

Teólogo e Pedagogo (Português e História)

In Pegadas do Tempo

G7 ENTRE REGIONALISMOS E GLOBALISMO

Jogos e Fintas no Grupo dos Sete (Cimeira G7)

Por António Justo

Numa altura em que os estragos do globalismo liberal e do centralismo deveriam ser reconsiderados, debatem-se os senhores do globalismo contra os do regionalismo num jogo de interesses económicos em Biarritz; aproveitam-se uns e outros do escuro da fumarada que domina nos baixios populares para, cada um, longe de qualquer compromisso, levar a sua a melhor! O bem é que falam uns com os outros, o clima parece ser melhor que na última cimeira. O G7 continua a excluir a Rússia apesar de Trump a desejar como futuro membro de um G8. Surpreendente foi a visita inesperada do ministro dos negócios estrangeiros do Irão a Biarritz, talvez uma esperança dos europeus sonharem um encontro entre ele e Trump (Certamente uma tentativa em vão)!

De 24 a 26 de agosto a Cimeira G7 chega ao cume dos imprevistos; de um lado homens imprevisíveis como Donald Trump e Boris Johnson que não querem entrar completamente no jogo do clube globalista e do outro lado os temas quentes:  combate à desigualdade, injustiça globais, Caos-Brexit, clima, Irão, motins em Hong Kong, conflito de Caxemira Índia-Paquistão, a guerra na Síria e o conflito, de não menos relevo, entre EUA -China que se pretendem reservar para si o direito de guiar o rebanho!…

Macron, com algumas propostas boas, encenou para a opinião pública o tema Amazónio para desviar as atenções da desolada situação em que se encontra a EU apelando aos países membros do G7 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido), para que discutam os incêndios da Amazónia. Doutra maneira não conseguiria tirar do foco da comunicação social o fogo que já se avista nas janelas da casa EU. Também, uma boa maneira de desviar as atenções dos Media da crise em que o Ocidente se desintegra, a Turquia provoca a Nato, o Brexit divide a Europa e os membros da EU se encontram uns contra os outros; por outro lado o problema da China à porta de casa, as políticas falhadas com a Rússia e o Irão e ainda por cima o desmancha-prazeres Trump, o malvado que quer travar o autocarro da globalização!

Mácron para legitimar a intromissão no Brasil, um estado soberano, não receia em dizer dias antes da Cimeira algo para entreter a imprensa e satisfazer os desejos jacobinos entre o soberano povo que inconscientemente se deixa conduzir pela trela de quem alcança a dianteira: “Devemos responder ao apelo da floresta (…) da Amazónia, nosso bem comum (…) e por isso vamos agir”… a “nossa casa está pegando fogo. É uma crise internacional”(1), anuncia o Presidente

A Intervenção em questões internas de um país revela-se como oportunisticamente justa porque na continuação do velho colonialismo europeu: outrora em nome do cristianismo e hoje em nome dos direitos humanos e dos problemas ambientais chama a si a razão e legitimação para intervir; com o seu agir, legitima actividades, por trás das quais se escondem interesses colonialistas de caracter económico e ideológico.

É preocupante a reacção política aos fogos no Brasil sem ter havido uma análise objectiva dos mesmos, (fogos estes, como consta, ateados entre outros por ONGs internacionais a operar na Amazónia e a quem a Alemanha e outros deixaram de apoiar), que provocou a intenção precipitada   do Presidente francês e da UE que consideram legítimo um boicote a importações do Brasil, não faltando até a ameaça de se questionar o acordo UE/Mercosul. A divindade continua a precisar de bodes expiatórios!

Com se vê, Macron e a EU querem agir à velha maneira de senhores no estilo imperialista e colonialista. Antigamente intervinha-se num outro Estado em nome de interesses do mais forte ou dos próprios interesses lesados, hoje os mais fortes intervêm nas nações em nome dos direitos humanos e do que nos “pertence a todos”.

Em nome da globalização países e povos abdicam do direito à autodeterminação; a subordinação a supraestruturas marginaliza até o pensamento. O domínio e a censura que políticos autoritários aplicam e aplicavam em nome do bem da nação hoje aplicam-no Estados democráticos mais fortes em nome da globalização.

No meio de tanta confusão espalhada na opinião pública, parece andar muita gente desvairada como se já tivéssemos chegado ao cume da montanha globalista turbo-económica e cultural marxista e do cimo da convicção hegemónica já não houvesse espaço para avistar a diferença quer a nível de género, de comunidades, de países ou de regiões. Querem uma via única, a via do igualitarismo que leve ao desmoronamento da civilização e tudo ainda em nome de motivos nobres e universais.

Assim, em vez de se preocupar com os problemas causados pelo globalismo, o nosso mago Mácron surge como salvador da honra da nova Europa ao pegar na sua varinha mágica para enfeitiçar os membros da G7 e os Media; assim para divertimento de um povo espectador consegue que se olhe para o fumo de fora para melhor poder combater os feiticeiros rivais e malvados Bolsonaro e Trump.

Toda a gente fala da Amazónia porque os interesses do socialismo marxista e os interesses internacionais económicos na América do Sul se juntaram e se encontram lá envolvidos.

Os desafios que a humanidade tem em mãos só poderão ter sucesso se todos se derem as mãos à mesa das negociações em que cada parte ceda na consciência de que a razão que advoga se deve sobretudo ao próprio ponto de vista e sem o dos outros é mera prepotência, por muito nobres que pareçam ser os seus ideais e argumentos.

Com tantos fogos e ventos a soprar de todo o lado já seria tempo de o povo da Europa acordar para notar que a guerra que se incendeia em torno da Amazónia também faz parte da luta contra a cultura ocidental.

 

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

(1)

A jovialidade entre Trump e Johnsons são o melhor sinal de uma visão comum contra um globalismo liberalista. A guerra comercial entre a China e os USA prejudicam as grandes economias europeias que se encontram dependentes de um negócio aberto e livre pelo facto de individualmente não terem grande relevância mundial ao contrário da China e dos USA.