CONFERÊNCIA DE AJUDA AO AFEGANISTÃO

Na Sequência de uma Intervenção e Deserção cega

A situação no Afeganistão é dramática; Segundo a ONU, metade dos 38 milhões dos habitantes do país não têm o suficiente para comer e necessitam urgentemente de alimentos, medicamentos e outros fornecimentos humanitários.  

 Foi convocada uma conferência de ajuda das Nações Unidas ao Afeganistão em Genebra. Os países doadores reunidos a 13.09.2021 já fizeram uma promessa de um montante provisório de 846 milhões de euros. A finalidade dos países doadores é “evitar que as pessoas no Afeganistão passem fome e evitar o colapso dos serviços públicos”.

O Chefe da ONU, Antonio Guterres, manifesta-se contente com os resultados da conferência: “Esta conferência correspondeu plenamente às minhas expectativas em termos de solidariedade com o povo do Afeganistão”.

Difícil será conseguir os mecanismos de ajuda directa ao povo. Dar dinheiro aos talibã para que estes concedam um pouco de direitos às mulheres seria deitar manteiga em focinho de cão e significaria a continuação de uma política do Ocidente, de ingenuidade/conhecimento erróneo e indiferença.

A ajuda tem, realmente, de ser limitada a alimentos, cobertores, vestuário e medicamentos através dos restantes canais da ONU em território afegão.

Conferências internacionais de doadores para o Afeganistão têm sido realizadas repetidamente, em que se recolheram dezenas de biliões de euros para um país predestinado, com outros, a viver dependente da ajuda internacional.

Pelos vistos a ONU terá assegurada, de maneira sustentável, a condição de pedinte, enquanto os interesses de empresas e nações tiverem prioridade perante as necessidades e desejos das populações. Parece trata-se mais de uma política de remediar injustiças e não de uma política de impedir a miséria e a injustiça.

Durante os últimos 10 anos morreram em média, 238.797 pessoas por ano no Afeganistão e o número de nascimentos foi de 1.190.191 anualmente.

Até que ponto estas acções humanitárias não significam também uma estabilização dos Talibã e um apoio aos seus novos amigos China, Rússia e Paquistão, será escrito, posteriormente, numa outra página! A urgência humanitária e a defesa do rosto dos políticos ocidentais desculpam algum erro que possa agora surgir!

As grandes quantidades de ópio que os terroristas têm exportado não parece ser assunto de discussão política nem jornalística e também não tem contribuído para que os talibã se torem mais mansos!…

António CD Justo

Pegadas do Tempo

A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR E A DEUS O QUE É DE DEUS

O nó górdio do islão é a união de cultura e religião! E isto é que os políticos ocidentais parece ainda não terem percebido e por isso cometem tantos erros em relação à cultura de cunho árabe e às próprias iniciativas que tomam no sentido da sua emancipação.

O poeta muçulmano, Adonis, diz numa entrevista a El País: “O problema árabe é não ter separado a religião e a política”.  “Não pode haver uma revolução árabe sem uma separação total e radical  entre a religião e a cultura, a sociedade e a política”.

Esta é a realidade que não justifica que se ande a empregar demasiadas forças em soluções ocidentalizadas que teriam de rever a sua estratégia de apoio ao desenvolvimento humano também no que toca à estratégia de emancipação feminina nos estados muçulmanos! Facto é que as afegãs mais emancipadas são agora alvo do ódio dos extremistas.

A luta pela libertação da mulher, num sistema tribal patriarcal, seria talvez mais eficiente se viesse através da humanidade e empenho dos homens, que é preciso motivar! Enquanto a sociedade islâmica não reflectir suficientemente sobre as partes sombrias do Islão (iliteracia, dogmatismo, abdicação da individualidade no grupo, e carência de liberdade), a cultura árabe continuará a ser mal considerada (o que não ajuda ninguém!) e verá o problema humanitário continuado, enquanto em nome da religião, o sistema prosseguir oprimindo indefinidamente a pessoa humana. O povo persa e outras sociedades muçulmanas de origem não árabe e em especial uma elite cultural masculina e feminina a formar-se dentro do islão poderão contribuir para o seu progresso e criar uma nova matriz cultural. Nisto teria mais sentido, que o Ocidente centrasse as suas energias, a longo prazo.

Enquanto o Ocidente se comportar para com a civilização de cunho árabe, como se tem comportado até aqui, os povos islâmicos ver-se-ão obrigados a continuar a sua luta ad extra descurando a reflexão e transformação interna. Certamente a maioria dos muçulmanos já se encontra de consciência e de comportamento mais elevado do que muitos dos princípios maometanos advogam a nível institucional e propagado através das mesquitas.

Uma análise proveitosa para a cultura árabe pressuporia uma reflexão profunda por parte das elites muçulmanas e uma abordagem sem preconceitos por parte dos não islâmicos. O islamismo é uma realidade e tanto a islamofobia, como a islamofilia só ajudam o extremismo.

António CD Justo

Pegadas do tempo

FIM DO MODELO OCIDENTAL

O poeta sírio Adonis (muçulmano exilado em Paris), mostra o fim do modelo Ocidental, no seguinte poema:
“O Oriente fez perguntas infantis
Pedidos de ajuda
Enquanto o Ocidente, era para ele,
Um homem sábio que nunca erra.
Mas o mapa mudou
Agora o mundo está inflamado
E, Oriente como ocidente,
São uma sepultura, um amontoado
De ambas as cinzas”.
Uma boa semana para todos!
Tudo passa! A pessoa, essa vai prevalecendo!
António CD Justo
Pegadas do Tempo

11 DE SETEMBRO 2001 INICIA UMA ÉPOCA SOMBRIA DA HISTÓRIA

Fortalecimento do Terrorismo e do Controlo das populações

No vigésimo aniversário dos atentados às Torres Gémeas e ao Pentágono seria boa altura para uma análise séria sobre as medidas tomadas em nome do terrorismo internacional e o resultado a que conduziram durante os últimos 20 anos!

Resultado decisivo: as populações ocidentais encontram-se sob muito mais vigilância e controlo por parte dos Estados e de grupos multinacionais, do que antes; o terrorismo islâmico aumentou na Europa com a chegada dos refugiados das insurreições criadas em África e no Afeganistão; a democracia é cada vez mais ameaçada. Neste aniversário, as populações sofrem por todo o lado, agora, ao som dos altifalantes dos Talibã que cantam: vencemos, “óh tempo, volta pra trás”!

A armadilha do 11 de Setembro conduziu à intervenção no Afeganistão e às esparrelas do Iraque, da Líbia, da Síria e do Líbano e tudo isto produziu uma situação mundialmente mais instabilizada que nunca.

Com a retirada dos USA e a consequente derrota, é uma boa ocasião para a Europa começar a designar e seguir os próprios caminhos e deixar de andar atrelada aos USA, uma vez que os interesses das partes são tão divergentes. As palavras do Coronel americano Ralph Peters ao dizer que “A estabilidade é o inimigo da América” deveria ser um motivo para a União Europeia e participantes da Nato acordarem. De facto, a União Europeia parecia estar mais interessada em fazer do Afeganistão um Estado do que os USA.

O argumento usado para criar democracias através do poder militar e da ocupação é uma loucura e só pode servir interesses camuflados.

Como chamada de atenção poder-se-ia concluir que autocratas e extremistas se encontram unidos no objectivo comum de desmantelamento dos direitos humanos; concretamente são eles os vencedores.

De facto, os 20 anos de intervenção produziu uma grande perda de direitos civis/humanos no Ocidente e nas regiões onde o Ocidente interveio criou-se mais injustiças e instabilidade política e social.

Não nos resta senão esperar por melhores tempos e como dizia Hegel, o filósofo do idealismo alemão: “A toupeira da história continua a cavar o seu caminho através do túnel em direcção à luz”.

Tudo isto é triste! Às vezes, saber mais confunde e geralmente faz sofrer!

António da CD Justo

Pegadas do Tempo

 

A POLÍTICA MULTICULTURAL DA UNIÃO EUROPEIA BENEFICIA O GUETO ISLÂMICO

Imigração continua a ser um assunto tabu no discurso público

Não é justo generalizar os perigos trazidos à sociedade e à cultura de um país por imigrantes!

Estou farto de ser tratado como “pessoa de contexto migratório” e deste modo ser envolvido na generalidade dos muitos crimes praticados na sociedade alemã e que são comprovados e excessivamente realizados por imigrantes de cultura árabe!

Não mereço ser discriminado pela negativa ao ser metido no mesmo saco! Como referência chegaria a minha pessoa e o ser português!

Para se ser justo com imigrantes, a imprensa e os multiplicadores sociais poderiam diferenciar  entre imigrantes e imigrantes: é um facto que certos problemas sociais e culturais vêm mais da migração muçulmana e de imigrantes traumatizados pela guerra; de facto, a cultura e a sociedade islâmica afirmam-se, em regra, através do Gueto e da contraposição da sua cultura em relação à cultura onde se introduz! A excepção de alguns só confirma a regra!  

Por que será que para se encobrir e desobrigar parte do grupo maioritário, que é o muçulmano, se recorre, na opinião pública, a uma generalização dos problemas deste grupo utilizando, para isso, a designação “pessoas de contexto migratório” como qualificação abstrata para englobar todos os imigrantes e seus descendentes e assim não se poder saber a origem específica de quem é quem.

Porque esconder o erro em vez de valorizar a virtude?  Porque não dar preferência a uma política intercultural que seria inclusiva e, em vez disso, se persiste em continuar a manter na ordem do dia a política multicultural que é exclusiva, sendo esta mais propícia a introduzir cavalos troianos?

A política multicultural, na prática, só beneficia a cultura árabe e isto sob o pretexto de se querer fomentar a multicultura. A quem serve esta política? Aos imigrantes não!

Porque não sermos mais justos também para com os migrantes/exilados se, o que está na base da sua boa ou má recepção, são interesses não declarados, isto é, a falta de mão de obra para a economia europeia e compensar a falta de população jovem de Estados com fraca quota de fertilidade, etc (Deste modo, através de uma política de informação confusa, fomentam-se agressões contra estrangeiros quando o que está em jogo são interesses de grupos da sociedade acolhedora, interessados em ter clientes ou em ter os estrangeiros como massa de manobra barata a poder ser usada como arma na concorrência.

Que os grupos muçulmanos se fechem em Guetos não é de criticar porque desse modo defendem os seus interesses culturais para a posteridade. A chamar à responsabilidade seria a classe política europeia, a economia e ideologias a ela atreladas. Mal dos imigrantes e do povo quando são instrumentalizados para encobrir a exploração em jogo, que não é, na sua essência diferente da de séculos passados!

Já chega da cega política multicultural! Esta só interessará à cultura árabe e a uma ideologia internacionalista com a finalidade de desestabilizar a cultura ocidental! É dever das elites de cada país – legitimadas pelo povo para defenderem o bem-comum –  assumirem responsabilidade e, para tal, criarem regras e condições que levem a evitar que se instalem cavalos troianos nele; para isso seria necessário questionar o nosso sistema económico e o agir da classe política (Que mudou? Antes os senhorios viviam das terras arrendadas e dos servos da gleba, e hoje os Estados ricos vivem da exploração dos habitantes de outros países!)! Facto é que os coitados serão sempre as pessoas da gleba, o povo seja ele nacional ou imigrante.

O Zeitgeist do pensar politicamente correcto europeu, para defender a classe dominante, tem criado tabus na comunicação social (e até dentro do pensamento!) tornando perigoso falar-se em público de temas como este e assim serve um poder e um senhor não declarado à custa da pessoa humana e da própria tradição. Entretanto incorre na contradição de, para aceitar outras culturas, se ver obrigado a negar a própria (negação da cultura que deu origem aos valores de humanidade e democracia, que pretende impor lá fora)!

Chega de discursos de embalar! O discurso sociopolítico tem que começar a tomar a sério o islão e a própria cultura! Chega de criar ilusões e enganos! Ilude-se o povo com esperanças balofas que a situação das mulheres muçulmanas melhorará e que a cultura muçulmana evoluirá! Facto é que através dela e das medidas de combate ao terrorismo a liberdade do cidadão é cada vez é mais coartada.  A cultura muçulmana, enquanto não se abrir ao outro, será muito boa para ficar em casa.

O socialismo islâmico aliado ao princípio base da evolução, que é a afirmação e confirmação do mais forte, tem em si a coerência necessária para um futuro sustentável! Erra quem pensa que, em geral, as mulheres islâmicas pretendam a emancipação (há, de facto, algumas excepções devido a “contaminações”)! O espírito do islão implica a sujeição e esta está antropológica e sociologicamente internalizada tanto em homens como em mulheres (daí não se poder esperar grande contributo das mulheres muçulmanas para a igualdade de Homem e de mulher, à maneira da mundivisão ocidental)!

Esta é a tragédia que confirma o futuro e justifica a posição dos Talibã, EI e outros movimentos extremistas islâmicos. E nós vamos falando destas coisas enquanto outros usam e abusam delas!

Não falo do que ouvi dizer, falo do que experimentei e sei, também na minha qualidade de ex-porta-voz do Conselho de Estrangeiros de Kassel.

A imigração pode, porém, tornar-se num grande enriquecimento social e cultural de cada país.

António CD Justo

Pegadas do Tempo