OS FUNDAMENTOS DO DIREITO E AS COLUNAS EM QUE ASSENTA A CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL

Cito aqui apenas uma frase de um texto admirável de Bento XVI, proferido aos parlamentares alemães e que poderá ser lido por quem quer entender e ver mais além:

“…Estes conhecimentos da razão constituem a nossa memória cultural. Ignorá-la ou considerá-la como mero passado seria uma amputação da nossa cultura no seu todo e privá-la-ia da sua integralidade. A cultura da Europa nasceu do encontro entre Jerusalém, Atenas e Roma, do encontro entre a fé no Deus de Israel, a razão filosófica dos Gregos e o pensamento jurídico de Roma. Este tríplice encontro forma a identidade íntima da Europa. Na consciência da responsabilidade do homem diante de Deus e no reconhecimento da dignidade inviolável do homem, de cada homem, este encontro fixou critérios do direito, cuja defesa é nossa tarefa neste momento histórico.”


O texto sobre os fundamentos do direito e as colunas da Civilização Ocidental pode ser lido em português no primeiro lik e ouvido em alemão no segundo.


http://www.vatican.va/…/hf_ben-xvi_spe_20110922_reichstag-b…

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O DIA DOS NAMORADOS

Dia dos namorados é também um dia que proporciona uma especial oportunidade para manifestarmos o carinho e o agradecimento às pessoas mais chegadas, aquele agradecimento que muitas vezes esquecemos de fazer no dia a dia.
As lojas usam o dia também com a intenção de atrair pessoas e assim impulsionarem as vendas. A “economia do amor” usa aqui o amor como um modelo de negócio. Isto não tem nada a ver com a mensagem de amor.

O essencial é que felicidade é amor, como já aprendemos na Catequese e todos estamos chamados a ela.
António Justo.

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A EXORTAÇÃO PÓS-SINODAL “QUERIDA AMAZÓNIA” QUER UMA IGREJA MAIS FEMININA E MENOS CLERICAL

Nem Sacerdotes casados nem Diaconisas

Por António Justo

A carta de Roma travou as expectativas dos reformadores que punham as esperanças de renovação da igreja apenas na reforma de funções clericais (celibato frouxo e ordenação de diaconisas).  O Papa com a sua Exortação “Querida Amazónia” advoga, contrariamente aos reformistas, uma reforma a partir da base. Para o papa, certamente que não se trata aqui de masculinizar as funções da mulher, mas de feminizar a praxis eclesial. Neste sentido o apelo dirige-se às igrejas locais para que criem mais espaço para as mulheres e deem resposta aos problemas das pessoas. Quer menos clericalismo e mais leigos em missões de responsabilidade.

Depois do susto provocado pelo documento final do Sínodo Amazónico que tinha, por um lado entusiasmado os progressistas e por outro colocado em estado de alarme os mais conservadores, chega agora a posição magisterial do Papa no sentido moderado mas aberto; facto é que a exortação, ao não se referir direitamente aos temas do documento final do sínodo amazónico, relega-os para uma questão longínqua de moral local. A reação natural dos apologistas das conclusões do sínodo amazónico será tentar colocar novamente, ao nível central de Roma, a questão do celibato e da ordenação de diaconisas.

Num tempo de confusão social em que os sentimentos epidérmicos e um progresso social forçado têm travado a capacidade de análise e de reflexão, talvez não venha a despropósito o facto da Igreja Católica se contrapor ao mainstream da moda e do Zeitgeist que pretende levar tudo na enxurrada. O atuar da Igreja também não pode ser reduzido a um estado de consciência europeia temporal. E como bem diz a sabedoria popular portuguesa: “devagar se vai ao longe”!

Nesta exortação sobre o sínodo dos bispos das amazonas, o Papa Francisco manifesta-se muito mais reservado que em exortações anteriores; na exortação “Querida Amazónia” verifica-se que as ondas mais centradas na acentuação da pastoral (numa igreja de cunho nórdico e da teologia da libertação) são enfraquecidas em favor da doutrina tradicional (de cunho mais latino). Também Francisco deixa a entender que a atual consciência eclesial não quer uma igreja católica protestantizada. Os progressistas que advogam o fim do celibato e defendem a ordenação de mulheres têm de recuar nas suas pretensões.

O melhor sinal disso pode ser verificado na decisão do Cardeal Marx, um dia antes da Exortação ser publicada.  O atual presidente da Comissão Episcopal da Alemanha, Cardeal Reinhard Marx, que se encontrava à frente dos reformadores na Alemanha, anunciou a renúncia à sua recandidatura para presidir à Conferência episcopal; a eleição está prevista para março. Para os reformistas foi um desengano; na Alemanha o movimento “caminho sinodal” (“Synodale Weg“) do processo de reforma que tinha como objetivo o relaxe do celibato e a ordenação de diaconisas perdeu o seu sentido.

Antes da apresentação da Exortação “Querida amazónia” o Papa já tinha indiretamente manifestado que não queria a clericalização das mulheres, explicando: „Na minha opinião, lemos a questão feminina e a questão do sacerdócio em termos funcionais, esquecendo que, em termos de importância, Maria tem um papel e uma dignidade superior à dos apóstolos” e que “o celibato é uma graça decisiva que caracteriza a Igreja Católica Latina”.

Além disso, o voto de castidade também é comum em personalidades com funções noutras religiões, por exemplo no budismo. O celibato é sinal e expressão do chamamento que o candidato sente. Abolir o celibato não seria certamente uma solução como se pode constatar nas igrejas evangélicas onde há falta de pastores, embora os pastores e as pastoras sejam casados. Importante seria que o celibato fosse apenas a forma exterior de uma entrega especial a Deus e ao seu povo.  Texto completo de “Querida Amazónia”, que se dirige “ao povo de Deus e a todos os homens de boa vontade “, em nota (1).

O pontífice apela à proteção ambiental e a um novo impulso missionário e a uma maior responsabilidade para os leigos nas comunidades eclesiais: adverte que a conservação da natureza não deve preocupar-se apenas com o meio ambiente, mas também com as pessoas da região. Francisco denuncia “injustiça e crime” (9-14), ou seja, a destruição ambiental e a ação impiedosa contra o povo da Amazónia por “interesses colonizadores” e solicita que se deixem “os pobres terem uma palavra a dizer”. A “colonização pós-moderna” deve ser combatida, as “raízes” (33-35) devem ser protegidas; condena “a visão consumista do homem” que tende a “uniformizar as culturas”. Cita poetas entre eles Pablo Neruda: „eles ajudam-nos a libertar-nos do paradigma tecnocrático e consumista que sufoca a natureza e nos rouba uma existência verdadeiramente digna”.

Rejeita a internacionalização política da amazónia, vendo a solução apenas na crescente responsabilidade dos governos nacionais. De facto, na amazónia há muitas ONGS que trabalham no sentido de interesses de potências que desejariam para si o poder sobre a Amazónia.

No último capítulo adverte que não se deve desligar a “mensagem social” da missão espiritual e que os povos da amazónia têm “direito ao anúncio do evangelho”, doutro modo “toda a estrutura eclesial se tornaria apenas em mais uma ONG”.

Apela à inculturação da espiritualidade cristã nas culturas dos povos indígenas que se devem refletir também na celebração do serviço litúrgico: “Isto nos permite retomar na liturgia muitos elementos da intensa experiência da natureza dos povos indígenas e estimular suas próprias expressões nos cantos, danças, ritos, gestos e símbolos”.

Defende a criação de novos serviços eclesiais para as mulheres, que devem ser reconhecidos publicamente pelos Bispos e que envolvam a participação no poder de decisão nas comunidades (criação de novos “serviços e carismas femininos”). Não faz referência ao documento conclusivo sinodal editado em outubro 2019, mas convida a que o documento seja lido na íntegra (isto poderá ser um sinal de que a discussão poderá continuar a nível regional). Francisco segue a linha dos papas anteriores limitando-se a convidar à valorização do ministério diaconal e do serviço das religiosas, leigos e leigas, pedindo novas formas de liderança e mais missionários.  

© António da Cunha Duarte Justo

Teólogo

In Pegadas do tempo

 

 

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CULTURA DA CULPA E DO CASTIGO – O FLAGELO QUE DOSTOIEVSKI NÃO ACEITOU DA EUROPA

 

Culpabilização da Cultura ocidental na Agenda do politicamente Correcto

Por António Justo

Depois da II Grande-guerra, as forças de ocupação aliadas implementaram programas de reeducação dos alemães, para fomentarem no povo vencido o sentimento de culpa da guerra.  Esta pressão mediática ainda a senti como estudante estrangeiro nos anos 70 (e posteriormente também) ao verificar que as TVs e outros meios de comunicação social, todos os dias, falavam das tiranias nazis na guerra; também as aulas de História se transformavam, por vezes, em pedagogia educativa tematizando sobretudo a desumanidade da guerra e do nacional-socialismo de Hitler. Perante tal insistência mediática cheguei a ter a impressão que os alemães tinham medo deles mesmos. (Não sou contra o cultivo da memória histórica como meio de aprendizagem e de aferimento do presente, o problema está em encontrar uma via justa do meio termo sem que se chegue a instrumentalizar nem a História nem as pessoas). Facto é que o programa de reeducação dos alemães levou a Europa à cultura da culpa histórica.

O complexo de culpa alemã e a escola de Frankfurt contribuíram para o fomento da culpabilização do passado europeu. Na ordem do dia político-social ocidental revelam-se como temas prediletos, o colonialismo europeu, a escravidão europeia e outros males que questionem as próprias raízes Históricas; isto nem daria nas vistas se estes problemas não fossem tratados unilateralmente como problema específico da cultura ocidental; o pensar politicamente correto investe assim no seu rendoso negócio com a culpa moral e política. Sabe que uma vez instalada a dúvida, esta castiga. Nota-se que a agenda política internacional de fomento da cultura marxista anti-ocidente tem grandes cabeças ao seu serviço conscientes que, a nível socialm, se torna muito mais eficiente mover a emocionalidade das populações do que usar a racionalidade.

No âmbito das nações unidas e de organizações internacionais segue-se a agenda de contraporo remorso, a vergonha e a culpa” às grandes aquisições da cultura ocidental. 

É próprio da lógica do poder não aceitar as próprias sombras que combate nos outros! Se assumissem o bem e o mal, também em si, tornar-se-iam mais moderados e fomentadores da paz.

Também em Portugal se quer instalar um ensino da História penitenciada, (1)  com acentuação no negativo da História e que favoreça o aspeto rebelde de ativistas, aquilo a que chamam as “questões socialmente vivas”( a escravatura); querem ver manipulada neste sentido a nova disciplina de História, Culturas e Democracia, do 12º ano. Querem uma interpretação da História que os legitime e sirva. Servem-se das universidades e da política para melhor colonizarem o pensamento ocidental para, sub-repticiamente, se irem tornando nos donos disto tudo.

Há que impor a emocionalidade contra a racionalidade na formação dos alunos passando os acusadores da História a fazer o seu negócio. Por outro lado, a culpa, desde que reconhecida, não legitima ninguém (o outro) a usá-la como crédito de autoafirmação perante o concorrente ou como justificação moral perante o outro. A culpabilização impede a expiação da culpa assumida sob a forma de responsabilidade.

De facto, para criarem no povo uma responsabilidade coletiva alemã, identificaram os nacional-socialistas com o povo alemão.  Porém, uma coisa é a culpa real e outra, os sentimentos de culpa criados. A culpa coletiva não pode ser assumida individualmente porque é atribuída ao grupo pelo facto de se ser membro dele (um mero assumir de responsabilidade por algo exterior ao próprio). No fundo, a questão da culpa coletiva alemã reduz-se a um assunto de perguntas sem respostas. Foram criados sentimentos de culpa nos vindouros alemães por uma culpa pessoalmente não cometida: isto pode originar reações precisamente no sentido oposto. Em questões de ética poder-se-ia aqui distinguir entre uma culpa moral e uma responsabilidade política; a culpa moral é decidida pela consciência. Que a Alemanha, por uma questão de responsabilidade coletiva histórica esteja “do lado de Israel” é muito natural, mas, que seja usada como refém no discurso político devido a uma culpa herdada, não é justo; isso deveria pertencer a padrões de pensamento autoritários já ultrapassados.

É verdade que, como diz o presidente alemão, “Os criminosos eram pessoas. Eles eram Alemães!” , ou melhor pessoas alemãs; um discurso que pretenda tornar-nos imunes contra o mal terá que reconhecê-lo individualmente em cada um de nós, como pessoas e não como membros de um Estado. Há que distinguir um discurso político e do poder, de um discurso ético individual. De facto, o segredo da salvação está na memória (por isso a igreja católica celebra no ritual da eucaristia a memória) mas o cultivo da memória não pode ser apenas aproveitado para gerir a história, mas principalmente para implementar a reconciliação. De resto, o mal e o bem são constantes, quer individualmente quer socialmente.

Os nazistas procuraram desumanizar os judeus atribuindo-lhes números (Tatuagem) em vez do nome e hoje corre-se o perigo de se desumanizarem grupos (os concorrentes da praça pública). Não é legítimo que os moralistas dos opostos partidários agitem o povo na praça pública com a chibata da própria ética como se fossem os cães de guarda de um rebanho que politicamente lhes pertencesse.

A solução antecipada em “Crime e Castigo”

O Romance “Crime e Castigo” de Dostoievski é um ponto alto da literatura mundial que li aos 18 anos e me ficou gravado na memória como uma parábola da vida. Por muito diferentes que sejam os caminhos que percorremos sempre nos deparamos com a realidade que Dostoievski tão bem soube descrever num género mítico universal.

Os pensamentos iluministas, que legitimaram a ação assassina do protagonista do romance Raskolnikow, não contaram com a consciência russa que o perseguiria, depois do ato sangrento.   Para ajudar sua mãe pobre e para ter dinheiro para financiar os próprios estudos, Raskolnikow deixou-se levar pelo ódio e matou a penhorista usurária no sentimento de que com o seu assassínio vingava a injustiça que grassava em Petersburgo. O inicialmente socialista Raskolnikow fazia parte dos que queriam importar o ateísmo e o racionalismo Iluminista europeu para a Rússia. Ele assassina a mulher em nome da razão e do progresso.

Contudo, a sua consciência russa cristã permanece indelével nele sobrevivendo à ideologia materialista racionalista; finalmente, no cativeiro, reconheceu a humanidade do cristianismo que leva a sério o Homem todo.

A brutalidade cria desespero e frieza de coração no herói do romance. A prostituta Sonja que se prostituiu para alimentar a família, representa a miséria social de Petersburgo (é interessante ver como Raskolnikow, perante a injustiça social, se torna cúmplice com a injustiça usando também ele da violência como meio de a vingar  e, por outro lado, Sonja (a alma russa) assume as consequências da injustiça em si mesma ao adotar o papel de prostituta para saldar a injustiça de que ela e a família eram vítimas). É encantador ver como o companheiro de Sonja, no cativeiro, vai aprendendo a questionar o seu comportamento agressivo (a ideologia) e a sentir a necessidade de mudança. Já o matemático e físico Blaise Pascal constatava: “O coração tem razões que a própria razão desconhece”.

É fantástico verificar como Dostoievski, em “Crime e Castigo” equaciona, nos dois protagonistas (Raskolnikow e Sonja), o problema da injustiça e da culpa e também a questão entre a ideologia modernista (estrangeira) e a mentalidade russa cristã.  A condição para se perdoar a si e aos outros pressupõe a consciência de que somos falíveis (virtude da humildade).

Consequentemente, Raskolnikow escolhe Sonja para lhe revelar o segredo do seu assassínio e ela ensina-lhe o caminho não só da confissão da culpa, mas sobretudo do reconhecimento dela para, assim se poder libertar da culpa. Por fim, no cativeiro, Raskolnikow e Sonja aprendem a amar-se e casam-se; deste modo Dostoievski resolve a questão da culpa e da expiação, de modo sublime, advogando para tal o espírito cristão.

O pecado original da humanidade (espécie de culpa coletiva) no pensamento cristão implica o assumir-se como pessoa portadora de bem e de mal. De facto, o mal moral não pode ser reduzido apenas a uma deficiência da matéria, mas sobretudo a uma desordem na liberdade humana (como defende a doutrina); a pessoa na qualidade de ser membro do género humano que também é pecador, assume-a também, mas na consciência de que já se encontra remida por Cristo. Um resto de culpa individual assumida é saldada através de expiação-penitência-perdão na plataforma da graça de Deus (redenção e remissão). A expiação e o perdão andam juntos; o arrependimento, no sentido católico, também paga o débito originado pela culpa. O reconhecimento prepara a mudança de atitude porque a ideia leva à ação.

A velha luta continua

A ideologia atualmente predominante de caracter iluminista materialista (socialismo radical) procura materializar a culpa histórica da Europa de maneira a poder tornar refém  a atual  cultura ocidental e instrumentaliza-la para implementar uma cultura ideológica própria!  Como filhos de um iluminismo exacerbado dão prioridade à lógica do poder como substituto dos princípios éticos.

A Alemanha é certamente o país que historicamente mais se penitenciou pelas barbaridades nela cometidas durante as guerras mundiais e em especial pelos crimes do regime de Hitler.

Assim, muita gente de ânimo leve interessada no derrotismo e para agradar procura esconder o próprio complexo de culpa, optando por temas de tensão colocando, para isso, na ordem do dia, assuntos culpabilizantes, como nazismo, islamofobia, escravatura, colonialismo, inquisição; temas do género são depois exageradamente papagueados por multiplicadores da política e do jornalismo no estilo de Pilatos; deste modo impede-se uma abordagem racional dos factos.

Em alguns meios sociais da Alemanha, após o nazismo, propagou-se um certo masoquismo (auto-castigo) que levou muitos alemães a satisfazer o seu complexo de culpa na negação da própria nacionalidade (ter vergonha de ser alemão!).  Este sentimento de culpa penhorado tem sido aproveitado para fomentar uma consciência europeia de cultura culpada; a ser sempre confrontada com o medo e a insegurança no horizonte de culpa nevoeirenta que não deixa ver o sol nem o amanhecer em si e o leva a procura-lo fora ou a viver na dúvida.

A Subtileza da Argumentação culpabilizante

Uma Europa complexada pelas maiores barbaridades da História europeia (Estalinismo e Nazismo) facilmente se tornou refém da culpa e dos que entenderam fazer dela o seu negócio.  Os ativistas internacionalistas reduziram a culpa à Alemanha capitalista e deste modo conseguiram alargar o sentimento de culpa a todas as nações da Europa (consideradas imperialistas e capitalistas), como se um problema alemão fosse necessariamente o problema europeu.  De facto, uma vez confinado o delinquente, torna-se fácil à ideologia marxista a demarcação da sociedade num mundo dos bons e inocentes, no mundo dos maus, os outros!

Cria-se uma lógica da culpa, um ciclo vicioso que dá razão a quem culpabiliza. O poder da lavagem cerebral social parece até atingir cérebros pacatos que passam a argumentar que os males que outros cometem são justificados porque nós já fizemos o mesmo ou até pior. Há-os que consideram a invasão islâmica como um castigo merecido e aceite como expiação dos pecados da Europa na História; outros mais positivos constatam que uma Europa habituada a superar crises também superará as crises atuais.

O pensar politicamente correto fala da culpa dos outros como se a Europa não fosse todos nós; cria-se um discurso destrutivo – de ativistas ilibados – que fomentam uma Europa de cultura dividida numa Europa dos bons e numa Europa dos maus.

Seria um absurdo tornar a cultura europeia no bode expiatório da má conduta doutros povos, mesmo pelo facto de muitos carenciados se refugiarem nela; mas para que a política não seja atestada de culpada então terá de passar a investir no desenvolvimento económico desses países porque o desenvolvimento de um povo não depende de apelos morais. Tanto o capitalismo exacerbado como o socialismo marxista são o problema e não a solução.

A ideologia racionalista não tem problema em matar em nome da razão e do progresso; como não acredita no Homem aposta na troica de um Estado marxista reduzida a uma luta de interesses por interesses. Por isso no romance “Crime e Castigo” a solução não vem do iluminismo nem do socialismo que o protagonista primeiramente advogava como meio de acabar com a miséria.

Uma viragem histórica responsável virá do ressurgimento moral individual que um dia atingirá os lugares altos da sociedade. Dostoievski acreditava que somente o cristianismo, levava o Homem a sério em todas as suas dimensões e, como tal, podia salvar a Europa da raiva cega do pensamento racionalista, económico e nacionalista.

O velho nacionalismo jacobino e o materialismo iluminista  encontram-se hoje expressos em ideologias do bota abaixo e no comportamento de muitos ativistas sociais. Com a sua contínua luta e protesto pela vida negam a própria vida. No dizer do cabaretista Kindler “As emoções negativas são a força motriz do movimento”.

© António da Cunha Duarte Justo

Teólogo

In “Pegadas do Tempo”

(1) https://observador.pt/opiniao/a-leitura-emocional-da-historia/?fbclid=IwAR14_i33vejwi_4eiYhsXFElJgivc8yzuOxgSGOGdfYijuPEKuHcpx2FxSk

 

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“NÓS ESTAMOS DO LADO DE ISRAEL”

Ontem (23.01.2020) comemorou-se em Israel a libertação do campo de extermínio de Auschwitz, há 75 anos.

No evento estiveram entre muitos outras personalidades internacionais, o presidente russo, o presidente francês, o Vice-presidente dos USA, e o presidente alemão.

O discurso do presidente alemão Frank-Walter Steinmeier em Israel pode considerar-se um discurso histórico (1).

Corajoso reafirmou: “a nossa responsabilidade alemã não passa”… “Esta Alemanha só fará justiça a si mesma se estiver à altura da sua responsabilidade histórica”. E especificou: “Nós combatemos o antissemitismo! Nós desafiamos o veneno do nacionalismo! Nós protegemos a vida judaica! Nós estamos do lado de Israel (Também poderia ser traduzido “Nós estamos ao lado de Israel)! Eu renovo esta promessa aqui no Yad Vashem perante os olhos do mundo.”

Este discurso foi acolhido com muito aplauso pela imprensa alemã.

Yad Vashem ( “monumento e nome” ) em Jerusalém é o memorial e museu mais importante para as vítimas judaicas dos nazistas.

António da Cunha Duarte Justo

In Pegadas do tempo

(1) Discurso em alemão: https://www.morgenpost.de/politik/article228221477/Die-Rede-des-Bundespraesidenten-in-Yad-Vashem-im-Wortlaut.html

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