O DILEMA DA ALEMANHA É O IMPASSE DA UNIÃO EUROPEIA

Paradoxo do Centralismo francês versus Federalismo germânico

António Justo

O dilema da EU resume-se no confronto de dois sistemas de organização político-administrativa e na dualidade de interesses de uma Alemanha que é demasiado grande para ser só nação e demasiado pequena para ser império! A Alemanha como fulcro da Europa teria de estar, por natureza, virada para leste (Rússia) e para o ocidente (países latinos), o que implicaria a consequente implementação dos seus interesses económicos nos dois sentidos e consequentemente uma desquitação europeia dos EUA, o que inquietaria a França e outros países da EU. Devido à sua situação geográfica e social-histórica, a Alemanha, a longo prazo, não poderá deixar de oscilar entre o expandir da sua influência no sentido do Leste e no sentido do ocidente (e sul), o que constitui problema para uma França (A mudança da Capital de Bonn para Berlim é também consequência da sua resposta à fidelidade histórica). Um outro aspecto que, no meu entender, a opinião pública publicada tem menosprezado é o facto de a Alemanha resumir federalmente nela a grande ideia europeia de Carlos Magno, “o pai da Europa”. A Alemanha federal já realizou de maneira exemplar o caminho que a EU terá de realizar, não por convicção, mas por força das circunstâncias económica e estratégicas mundiais (o afirmar-se de novas constelações concorrentes, como China e grupos supranacionais).  

A atual filosofia centralista de Bruxelas corresponde a uma violação dos seus interesses e do seu génio pois quer amarrá-la definitivamente aos romanos e por outro lado despreza os processos de desenvolvimento da independência histórica das diversas soberanias europeias.

Os países latinos de pensamento mais abstrato e centralista não estão dispostos a aceitar a realidade da influência económica germânica nem a compreender a dicotomia dos interesses de um país forte no centro e norte da Europa.  A União Europeia, fora de sentimentalismos bairristas, para ser construída com os pés na terra, terá de ser construída a partir da Alemanha e para já no sentido de uma confederação de Estados.

O Brexit é um aviso e terá de constituir para a Alemanha, um grande momento de reflexão crítica sobre o constructo da EU até agora artificialmente produzido. Consequentemente, a EU que temos, precisa de uma substancial remodelação a nível de concepção e de modelo de realização (repensar a organização política de vários Estados num „Estado federal” que, a nível internacional, perdem autonomia, porque as constituições estatais se teriam de subjugar a uma constituição central). De considerar que o que hoje a inteligência não vê, amanhã a necessidade obrigará.

Trump que joga com dilema germânico, que se torna também no dilema da Europa, tenta cativar o Reino Unido no sentido do império anglófono e ao mesmo tempo enfraquecer a Europa, debilitando a Rússia, com o aumento da presença militar da NATO na sua fronteira e com a implementação de sanções económicas. De notar também a agressividade do governo dos USA contra o actual empreendimento russo-alemão de construir um gasoduto entre os dois países. As guerras são sempre de base económica e ideológica no sentido de formar hegemonias…

O problema alemão não resolvido historicamente será o de se decidir por expandir no sentido leste ou oeste. Os USA e a França farão tudo por tudo para que a Alemanha se vincule exclusivamente ao Ocidente europeu. Forçar a Rússia a unir-se à China constituirá, porém, um erro europeu histórico que adiarão o natural processo de desenvolvimento e definição europeia.

A EU tem de arredar caminho na sua estratégia de desautorizar nações membros e de se armar em juiz sobre os países a ponto de os humilhar, como tem acontecido a membros que se manifestam ainda adolescentes nas suas atitudes e exigências. A estratégia de fomentar oposições ou de se castigar grupos rebeldes num país membro corresponde a uma estratégia de guerra e não de paz, ao contrário do que pretende defender com a criação da EU como espaço de paz. A Europa, atendendo à sua História e à história dos diferentes países, está vocacionada a tornar-se antes numa confederação de Estados e não primeiramente numa apressada federação em que estes teriam consequentemente de renunciar à sua soberania, historicamente alcançada depois de muitos séculos de lutas.

O Presidente francês Emmanuel Macron disse na TV suíça (11.06.2019) que daria o seu voto a Ângela Merkel para Presidente da Comissão Europeia, embora a chanceler alemã tenha já excluído essa hipótese. Mácron disse aí que a “Europa precisa de personalidades fortes que tenham uma credibilidade e competência pessoal para preencher as posições” (Talvez sob esta proposta se encontre a esperança de uma mulher germânica amarrar mais a Alemanha aos interesses da Europa do Sul!). A concretização dessa proposta resolveria o empasse da escolha em via para tal posto, mas não resolveria a questão de fundo da EU. A questão a resolver será a de transformar o constructo EU numa instituição orgânica europeia. O Povo a acordar não quer que Zeus desvie a Europa para fora dela… Segundo a mitologia grega a Europa era uma princesa fenícia que deu o nome ao continente Europeu. O Deus Zeus apaixonou-se por ela e para passar desapercebido aos ciúmes de sua mulher transformou-se num touro misturando-se nos reses de touros do pai de Europa e como era brilhante e manso seduziu a princesa Europa, que ao colocar-se no seu dorso se viu transportada rapidamente para Creta onde desfrutou dela, abandonando-a mais tarde.

Nos últimos 70 anos, o crescimento económico tem garantido a Europa pacífica… agora que “outros valores mais altos se levantam” como a (China) e em que o povo se começa a intrometer no processo da EU instam grandes transformações. Um aparelho burocrático a que falta a alma (povo), se não arrepia caminho, corre, cada vez mais o perigo de se transformar numa ilusão…

O centralismo exagerado foi o coveiro de grandes civilizações. O que está em jogo na EU é a velha luta europeia entre o centralismo francês e o federalismo germânico e entre a hegemonia americana na Europa e uma Europa que possa olhar de olhos nos olhos os EUA, além da falta de realismo de que grande parte da Rússia é europeia (ao contrário de uma Turquia que já o foi e cujo movente é puramente económico).

A experiência feita dos nacionalismos como fonte de guerra e o seu ressurgimento atemoriza muitos bons pensantes europeus (de momento, porém, tais movimentos não expressam mais que a necessidade de correcções num conceito de EU talvez demasiado capitalista-socialista).

A EU como a Europa encontram-se em contínuo processo de mudança tendo, depois da II Grande Guerra, criado vários laços circunstanciais (1).

A EU tem estado a ser construída em contradição com a dinâmica da formação orgânica das estruturas de um Estado. Daí o Brexit e os movimentos nacionalistas surgentes como sintoma de um problema maior: o da oligarquia burocrática de Bruxelas atrelada a um globalismo liberal anónimo e sem limites. Tem-se feito muito trabalho louvável, mas falta a coesão que lhe daria vida e esta chama-se povo.

A EU tem de ser refeita; o permanente estado de crise de Bruxelas vem principalmente do facto de os seus actores terem querido fazer do cume da pirâmide a sua base ao ignorar povo e a tradição. A oligarquia transforma-se assim numa espécie de Olimpo longínquo em oposição aos terráqueos. Tudo seria mais fácil se não fossem as duas almas da europa a terem de ser metidas num só corpo (EU): o génio federalista alemão ligado à terra e o génio centralista francês mais um parto de cabeça e por outro o génio católico latino em confronto com o protestantismo nórdico. 

Não admira que o Presidente francês Mácron esteja a avançar com o seu desejo de liderar o discurso sobre a reorganização de uma UE (2) a fim de a modelar no sentido centralista do tipo francês (3); é também compreensível que os alemães se mostrem reservados, embora uma verdadeira União Europeia possa ser mais bem acomodada, posteriormente, num molde federalista à semelhança do alemão.

A hora dos alemães só chegará depois de alguns erros economicistas e de alguns exageros latinos. Os movimentos nacionalistas, que se encontram de vento em popa apesar das anticampanhas da classe estabelecida nas capitais europeias, são a melhor prova de como tem sido mal encaminhado o discurso sobre a Europa: um discurso demasiadamente orientado no sentido autoritário e autocrático provoca o desrespeito nos relegados a espectadores. A agressão que durante anos se cultivava contra Angela Merkel e o seu Ministro da Economia, nalguns estados latinos, pode considerar-se em parte equivocada ao querer reduzir o espírito alemão ao aspecto económico.

Objecto de uma discussão séria seria a elaboração de um superestado central ou de uma confederação, e assim se ultrapassar um discurso público reduzido ao economismo. A observação das duas mentalidades pode ser constatada no partido francês de Le Pen que luta no sentido de uma soberania nacionalista centralista e no partido alemão AfD que centra o seu discurso mais num contexto europeu cultural que colmataria numa EU – uma confederação de estados que respeite a gene de uma europa das nações.

Que seria dos bons se não houvesse os maus e que seria dos maus se não houvesse os piores nem os melhores! Do desprezo recíproco surge a energia alimentadora da guerra que descrita na perspectiva do discurso de uns e dos outros só pretende o bem, o desenvolvimento.

© António da Cunha Duarte Justo

Teólogo e Pedagogo (História e Português)

In Pegadas do Tempo

 

  • (1) A crise do carvão na França levou a França a aproximar-se da Alemanha em 1950, através da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, considerada por Robert Schuman como a “primeira etapa da federação europeia”, a criação da OECE como resposta ao Plano Marshall (1948), a criação da NATO em 1949 sob gerência dos USA e que culmina no reconhecimento dos USA como a grande potência mundial, relativizando os tradicionais potentados nacionais internacionais vigentes até à primeira guerra mundial).
  • (2) ALEMANHA FEDERALISTA CONTRA FRANÇA CENTRALISTA NA REFORMA DA UNIÃO EUROPEIA? https://antonio-justo.eu/?p=5353
  • (3) MACRON QUER A REFORMA DA UNIÃO EUROPEIA QUE OS PAÍSES NÓRDICOS NÃO QUEREM https://antonio-justo.eu/?p=4764

 

 

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POLÍTICA EUROPEIA A CAMINHO DE “GERINGONÇAS”

A INSTABILIDADE DA CLASSE POLÍTICA CHEGOU À ALEMANHA

António Justo

Desenham-se novos cenários políticos para a Europa. Os tradicionais partidos populares ou “partidos do povo” (1), que faziam parte do arco do poder, encontram-se em decadência por já não poderem contar com a fidelização popular.

A Alemanha construiu, num equilíbrio federal de centralização e descentralização (regionalismo), um Estado social forte com alto padrão de vida, e do qual depende em grande parte o desenvolvimento da Europa; numa tal situação os objetivos, que o partido SPD originariamente tinha para o operariado, encontram-se em vias de realização ou com falta de aferimento social; hoje existem desafios que ultrapassaram o SPD porque não esteve atento à mudança da realidade social e do grupo alvo. Um motivo do mau resultado nas eleições estará na desunião dos dirigentes do SPD e dos adeptos rebeldes que pensam o bem-estar criado pelos tradicionais partidos de governo como natural, e ao mesmo tempo expressam exigências de uma juventude europeia que não se sente, devidamente, tomada a sério nos seus temas prediletos (2).

Uma sociedade, cada vez mais diferenciada e determinada por critérios de eficiência imediata, exige das elites e das centrais de pensamento maior atenção aos sinais dos tempos para a consequente celeridade na adaptação à mudança. O povo está educado para ser adepto e seguir estrelas, o que implica, nos partidos, grande capacidade de reagir às tendências em curso, e, para isso, pôr na linha da frente representantes jovens e carismáticos (em Portugal Sócrates fez o que fez, em grande parte devido ao seu charme narcisista, aquilo que hoje se consome muito!).  Por outro lado, o Zeitgeist da sociedade já não considera como prioritário o tema da justiça social: as preocupações são primeiramente clima, imigração, digitalização…; os partidos que tematizarem convictamente estes assuntos têm maiores probabilidades de ganhar eleições.

Numa sociedade cada vez mais descontextuada, em que a velocidade é determinante, desenraíza as pessoas a mudar-se, e a sentir-se até em fuga, sem saber para onde; e o problema é que, nesta fase histórica de transformações rápidas, a quem não muda acontece-lhe como à figura bíblica de Edite (mulher de Loth) que ao olhar para trás é convertida em estátua de sal.

O carrossel dos povos, puxado pela globalização, atingiu tal velocidade que as populações tripulantes perderam a visão do que se passa ao lado e ao longe, sendo condicionadas a agarrarem-se ao cesto que as transporta e deste modo a reagir de modo mais emotivo que racional. O imediato torna-se o óbvio e o factual destrona o pensamento. A reacção substitui a acção passando a chamada inteligência emocional a ter a soberania sobre o entendimento intelectual; o eleitorado reage criando novas situações de governos, um facto fruto da desconfiança num partido ou num sistema que tem ignorado muitos problemas essenciais e esse dado factual mostra que o partido já não serve e, para se tornar necessário, terá de se mudar radicalmente mas isto não é reconhecido pelos lideres devido ao próprio envolvimento no que fazem e que os torna míopes para uma realidade que se encontra sempre em processamento.

O recrutamento de membros do pessoal júnior para altos cargos de responsabilidade num partido já  não poderá ser orientado por perfis de fidelidade e mérito numa carreira longa dentro do partido; isso impede a resposta adequada ao Zeitgeist com pessoas carismáticas e fomenta  o abuso de carreiristas de longa duração que criam subserviências prejudiciais ao desenvolvimento do partido e da sociedade política (Veja-se o anacronismo do que acontece com o PSD e a maneira ainda antiga de um PS no seu jogo das escondidas com a sociedade).

Hoje juventude é trunfo e as pessoas desgastam-se rapidamente, o que exigirá novas estratégias na política do pessoal representativo dos partidos.

A líder do SPD (Andrea Nahles), devido às críticas na sequência do mau resultado do partido (15,8% nas eleições europeias), e segundo o princípio do bode expiatório, declarou a sua demissão da presidência do partido e da Fracção. Talvez se tenha empenhado demais pelos interesses da Alemanha e menos pelos do partido! (Em Portugal dá-se o contrário porque os governantes fazem mais política partidária militante, coisa que o povo não nota e são, consequentemente, premiados pelos votantes; o facto de em Portugal o sistema da geringonça ter aparentemente resultado, dever-se-á ao pouco peso da economia produtiva portuguesa para o andamento da europa!).  Na hora dos rebeldes é castigado um partido como o SPD que tem gastado demasiado tempo de discussão consigo próprio e não esteve atento ao desenvolvimento social (3); como diz o politólogo Prof. Dr. Jürgen Falter o SPD esqueceu que “o trabalhador clássico se tornou numa ocupação minoritária, no passado eram mais de 50% e hoje nem sequer 25% são”. Hoje, o sector dos salários baixos está a ser ocupado por muitos migrantes, que, frequentemente, não têm direito a voto.

Os partidos precisam de união e de novos conteúdos para poderem convencer o público. A chefe do SPD no governo de coligação (CDU/CSU e SPD, ao demitir-se das suas funções, (4) confessou: “o apoio necessário para o desempenho das minhas funções já não existe” (especialmente o dos deputados da sua Fracção no Bundestag!) e terminou a declaração de resignação com um recado aos membros do partido: “Espero sinceramente que consigam reforçar a confiança e o respeito mútuo e assim encontrar pessoas que possam apoiar com toda a vossa força”. O problema do SPD é também, de momento, não ter pessoas carismáticas.

Como se verifica no SPD a política é um negócio cruel que apenas conhece companheiros, mas não amigos e o espaço entre os partidos cada vez é menor.

É verdade que a grande coligação alemã (GroKo) irá sofrer alguns sobressaltos, mas manter-se-á porque nenhum dos tradicionais partidos de governo quer praticar haraquíri.

Atendendo à vertigem do desenvolvimento tecnológico e social, vão deixando de existir os partidos tradicionais em que as pessoas se ligavam de pais para filhos já no lar materno e em que escolhiam a filiação partidária como família alargada; hoje é mais visível a dinâmica dos interesses e estes mudam continuamente. Às ideologias dos sistemas ou de uma classe dominante, sucede-se uma sociedade de boys, estrelas e ONGs que reagem prontamente ao desenvolvimento do mercado e por isso não deixam lugar para descanso em posições cómodas nem em pensamentos adquiridos. O dinheiro é rei como podemos ver bem documentado também nas pessoas mais socialistas.

As novas tecnologias, com a digitalização do mundo laboral mudarão mais radicalmente a situação de trabalhadores, empregados e funcionários e com ela aumenta a exigência de transformações a nível de pessoal e de conteúdos nos partidos que pretendam interferir no futuro. Em política tudo é possível e os interesses e as circunstâncias é que determinam o agir (5).

Apostar num partido como algo imutável ou no Zeitgeist (pensamento politicamente correcto do regime do momento) implica pôr em risco o próprio desenvolvimento! Naturalmente o pertencer a um partido ou outro, além do mais, pode trazer vantagens pessoais que constituirão argumento para não pôr em risco um futuro ou uma vida beneficiada!

Em Portugal, na classe política, ainda domina o pensamento antigo tornando-se propriamente impossível mudar a situação de fundo porque Portugal, mais que uma democracia de cidadania vinculada ao povo, é uma República em que os corporativistas se apossaram do Estado, com a agravante de se desvincularem do povo! As pessoas agarram-se a pessoas bem-intencionadas, mas não notam que estas pouco podem fazer, devido a um sistema que, por natureza, as impede porque não está virado para o cidadão. O PS tem gozado ainda do carisma de alguns de seus lideres e também do facto de a sua ala social-democrata emparelhada com a ala ideológica de caracter marxista conseguirem o apoio nas urnas, muito embora 70% da população eleitoral não tivesse votado nas eleições europeias, de que o PS saiu maioritário. A crise dos partidos também está a chegar a Portugal em situação enviesada. (Com o tempo, apesar da constituição favorecer a esquerda, teremos um PS dividido à imagem do PSD e à imagem do que acontece hoje ao centro-direita: os egoísmos individuais são cada vez mais fortes.). Uma das consequências de uma sociedade cada vez mais diferenciada cria a necessidade de novas expressões de poder. O desenvolvimento social e a política atual trazem como consequência a dissolução das fronteiras entre os partidos. O factor osmose que outrora era lento torna-se hoje mais rápido porque a sociedade também, é mais rápida.

© António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo https://antonio-justo.eu/?p=5477

  • (1) Partidos do Povo em decaída: no dizer de politólogo Jürgen Falter, deixou de haver uma base eleitoral fixa de pelo menos 20, mais provavelmente 30%. Para o politólogo “um partido do povo tem um público bastante equilibrado socialmente e é um partido que maximiza os votos, visando todas as camadas da população”. No início do SPD o partido compreendia-se como partido dos operários. Desde há meio século, o SPD considera-se como o partido dos empregados e um partido de pessoas menos favorecidas e da justiça social (HNA).
  • (2) Não será de descurar o facto de o partido os Verdes (que conseguiu quase duplicar os votos em relação às eleições europeias de 2014, para 20,5% (https://www.bundeswahlleiter.de/europawahlen/2019/ergebnisse/bund-99.html ) beneficiarem dos votantes que viraram as costas ao SPD que só conseguiu 15,8% e à CDU (22,6%). Isto, aliado à boleia do Zeitgeist, está a tornar os Verde num “partido do povo” (O princípio orientador da política verde é a sustentabilidade ecológica, económica e social).
  • (3) Outrora o SPD tinha mais de um milhão de membros com forte representação da juventude (350.000 Jusos) e hoje os Jusos têm 70.000 membros num SPD com 440.000 membros (2): Desenvolvimento dos número de membros: https://de.statista.com/statistik/daten/studie/1214/umfrage/mitgliederentwicklung-der-spd-seit-1978/
  • (4) A líder do SPD (Andrea Nahles), demitiu-se das suas funções de presidente do partido e de chefe da Fracção no Bundestag devido às críticas, na sequência do mau resultado do partido (15,8% nas eleições europeias). Segundo a DPA Andrea Nahles não sai economicamente de mãos a abanar. Caso ela se demita também do Bundestag receberia da administração do Bundestag o vencimento de 9.780€ durante 14 meses (a partir de Julho o vencimento dos deputados é de 10.083€ mensais).Como esteve 18 anos no Bundestag e 4 anos como ministra federal, Nahles tem direito a uma pensão de velhice por cada ano do Bundestag de 2,5% do vencimento mensal dos actuais deputados, o que corresponderia a 4.537€ mensais. Segundo o Steuerzallerbund, também tem direito ao pagamento de uma pensão de reforma do período ministerial, o que corresponde aproximadamente ao montante da pensão de deputada. Segundo as minhas contas aproximadas, Andrea Nahles teria direito a 108.000 € anualmente.Os deputados que se encontram na fonte não se servem mal!
  • (5) Sou do tempo em que na Alemanha se considerava o partido comunista um perigo para o Estado e os Verdes eram difamados pelo politicamente correcto da altura (coisa que então eu não podia compreender!) e tudo mudou: hoje os Verdes são os candidatos a substituir o SPD no governo. Tudo muda!
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DEUSES DO OLIMPO POLÍTICO QUEREM CENSURAR O PENSAMENTO LIVRE

 

Plataformas YouTube, Twitter e Facebook obrigadas a substituir o Poder judicativo?

António Justo

Na mitologia antiga (o eterno hoje), no Olimpo, o Deus Júpiter castigou Prometeu por este ter dado o fogo dos deuses à humanidade.

Como outrora, a posse do fogo constituiu um passo decisivo para o desenvolvimento e independência da humanidade, o acto de Prometeu ter roubado o fogo do Olimpo abria perspectivas para os humanos se tornarem independentes dos deuses e a sua posse constituía uma ameaça ao poderio dos deuses; consequentemente Prometeu foi severamente punido por eles.

Também hoje o acesso do povo ao pensamento livre e a sua liberdade de expressão parecem constituir ameaça ao domínio da classe política que, embora de fraco pensamento, quer controlar a opinião e para isso castigar o novo Prometeu (Facebook, YouTube, etc.), vulgarizador de ideias e opiniões.

Hoje os “deuses” do nosso Olimpo político querem proibir-nos de pensar e de expressar o pensamento, com pseudoargumentos que escondem segundas intenções.

Até a ilusão do fraco povo de desejar pensar por cabeça própria é percebida como ameaça por parte de uma elite débil tão encarneirada nas filas do mainstream, como o povo que dirige.

Os detentores do domínio político, em vez de se dedicarem a uma melhor democratização da economia e da informação, não suportam a democratização do pensamento, arranjando para isso motivos falsos para censurarem as opiniões expostas. Naturalmente que há gente mal-educada que abusa desses meios virtuais tal como a classe dirigente abusa dos Media; também a manifestação emocional popular, muitas vezes, é injusta, mas para isso há leis para castigar os infractores e a elite não precisa de reagir como a Princesa deitada sobre a Ervilha!

As Plataformas YouTube e Facebook estão a ceder à pressão da política no sentido de censurarem previamente mensagens a postar. A “clerezia” e “fiéis” do politicamente correcto querem aos utilizadores menos felizardos lhes seja permitida uma expressão de indignação educada em seu favor, como se não houvesse leis para castigar os infractores. Pode considerar-se sintomática a reacção imediata da plataforma YouTube à influência que o YouTuber Rezo teve no desfecho das eleições na Alemanha em desfavor da CDU.

O Ódio e a má-educação nos meios digitais sociais

A procura de influência é cada vez mais agressiva numa sociedade de concorrência de interesses cada vez mais repartidos. Trata-se de Poder! Assiste-se à radicalização da linguagem política, à falta de nível, por nos encontrarmos cada vez mais distantes das convenções culturais e a responsabilidade social parecer estar a tornar-se numa palavra estranha.

Também é verdade que uma só pessoa, o jovem youtuber Rezo (1), à última hora, conseguiu influenciar as eleições na Alemanha em desfavor de Ângela Merkel. Isto não legitima, porém, o medo exagerado perante os influenciadores que usam da polarização e da emocionalização, para conseguirem o aplauso de pessoas não preparadas.

A intenção agora declarada pela plataforma YouTube (5.06.2019) é impedir “extremismo violento” e “proibir e eliminar vídeos que discriminem alguém pela sua idade, raça, cor de pele, religião ou orientação sexual” (2). A religião política de cariz tecnocrata e democrático pretende uma liberdade vigiada por um clericato laico que excomungue do seu reino (Democracia) quem não professar o credo do politicamente correto; para isso estabelece que sejam jogados para fora dos muros da cidade os denominados “islamófobos”, “xenófobos”, “extremistas”, “populistas” enfim, quem não siga o estatuto dos deuses e não professe uma verdade encarneirada.

Numa perspetiva do cidadão, será de pôr a pergunta: Quem discrimina quem? – a criança que berra para ter a sensação de ser ouvida ou o “irmão maior” que tudo quer sob o seu controlo? O propósito dos temas a censurar é de tal modo abrangente que esconde a soberania e arbitrariedade de interpretação em favor da censura e torna-se num criado de políticos que cinicamente querem ser confundidos como defensores da liberdade. Estamos a chegar a um ponto em que a indignação popular chega a ser considerada crime por não corresponder aos interesses de poder de quem dirige. Porque não se recorre ao poder legislativo? A missão de governar é cada vez mais difícil, mas não se pode deixar o comando superior à técnica e suas plataformas.

 À espionagem global através de Google e de outros segue-se a censura globalizada. Naturalmente que tudo o que incita ao ódio, ao assédio, à discriminação e à violência deve ser chamado à responsabilidade e até multado. Para isso há leis e tribunais; doutro modo passamos o foro jurídico da democracia para empresários ao serviço de interesses anónimos. Twitter e Facebook, que foram grandes beneméritos na democratização da informação, estão a tornar-se, devido a pressões políticas e a abusos organizados, em censuradores da liberdade de expressão e a discriminar uns usuários em nome dos interesses de outros!

Os representantes da democracia querem-se legitimar através do povo, mas não parecem querer ser confrontados com a indignação popular desordenada. Cada vez se observa mais que a classe política instalada num Olimpo de deidades intocáveis quer determinar como crime o pensamento não correcto, para tudo o que se encontra abaixo da sua nuvem. É naturalmente necessário prevenir, mas sempre no sentido da defesa da pessoa e da dignidade humana.

Também é de compreender a impaciência dos nossos políticos, em democracias cada vez mais complexas e com ideias à deriva e, como tal, mais difíceis de governar; a democracia sente-se ameaçada e o sistema democrático ocidental encontra-se em rivalidade directa com o sistema ditatorial chinês que se gaba de conseguir mais desenvolvimento, em pouco tempo, do que o que as democracias estão a conseguir agora! Daí não é de admirar que os detentores da democracia se encontrem cada vez mais em apuros e façam dela uma religião!

© António da Cunha Duarte Justo,

In “Pegadas do Tempo”

 

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JÁ SOLUCIONARAM O PROBLEMA “PORTUGAL LIXEIRA”? CLASSE GOVERNANTE COM OUTROS INTERESSES?

A Violação  da Mãe Terra – Portugal importa Lixo altamente poluente da Itália

Na Ásia já há países a exigir o retorno de lixo chinês para a terra onde é produzido. Em Portugal, um país europeu abre as portas aos comerciantes de lixo que enriquecem com a poluição da terra, procurando lugares onde o povo ainda dorme e os governos vivem mais virados para tais boys do que para o interesse do país! O cum quibus das declarações ministeriais revelam a total irresponsabilidade do governo em relação à defesa do ambiente!


Por onde andam os ecologistas?

As empresas em questão serão a Valor-Rib, a Rima e entre outras a CITRI do grupo Sapec em Setubal mas só fazem o que a política lhes proporciona.


Muito lixo na cabeça impede de ver a doença agravante a que a terra está a ser sujeita com tanto lixo a ser produzido e a ser levado para os países mais pobres e em que os políticos são ignorantes ou coniventes.

O governo deveria ocupar-se dos problemas reais e menos da ideologia na cabeça e no sistema!
As notícias passam e ninguém nota:hhttps://www.rtp.pt/noticias/pais/portugal-esta-a-receber-toneladas-de-lixo-italiano_n959122

Portugal importa Lixo altamente poluente da Itália, criando irresponsavelmente problemas para as gerações vindouras. Abusa-se da mãe terra, como se ela fosse apenas objecto para satisfazer devaneios.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do tempo

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VOTAÇÕES PARA AS EUROPEIAS EM PORTUGAL

A Abstenção de 68,6% não prova Consciência europeia

António Justo

O PS ganhou as eleições europeias com 33,38% dos votos (9 eurodeputados), o PSD 21,94% (seis deputados), a CDU (PCP) 6,88%, (dois deputados), o BE 9,82% (2 deputados), CDS: 6,19% (1 deputado), o PAN 5,08% (1 deputado), Brancos e nulos 2,1%, a Aliança 1,86% e outros 7,8% (1). Portugal tem 21 eurodeputados (a).

Houve 6,54% (brancos e nulos) que deste modo demonstram indignação, protesto ou desconfiança destes eleitores na classe política. Estes como os outros votantes revelam consciência de cidadania.

A abstenção de 68, 6% constitui um problema para a democracia, mas os partidos vivem com ela segundo a fórmula: o que conta é quem é eleito (b).

Com tal abstenção os prognósticos tornam-se difíceis em relação às votações futuras e deveria constituir um quebra-cabeças para a democracia partidocrática!

Talvez quando todos os partidos colocarem nos seus programas de eleitorado o combate à corrupção e se empenharem na defesa das causas ambientais e dos portugueses em geral certamente o eleitor terá mais interesse em votar. Culpar os absentistas por não votarem não é recomendável tal como o culpar o adversário, porque isso ainda é fruto que alimenta a viver à sombra da bananeira cómoda do não pensar. A fadiga eleitoral e falta de educação política das massas revelam-se como erros do sistema, tornando-se descabida a crítica generalizada contra o povo abstencionista.

Se é verdade que a abstenção não elege, pelo menos, deveria fazer pensar: não será que corremos o perigo de sob o nome de democracia abusarmos da partidocracia a ponto de não termos legitimidade para agir em nome do povo?!

No jogo em campo da democracia, abstenção é, para alguns, uma rasteira e uma tentativa de colocar os representantes dela em fora de jogo! Quem está descontente e a quem os programas dos partidos não agradam, deveria votar em branco ou voto nulo. Assim demonstraria o descontentamento e consciência de cidadania!

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

 

  • (a) https://observador.pt/especiais/eleicoes-europeias-os-resultados-pais-a-pais/
  • (b) Como Abílio Lousada bem resume em relação a Portugal, “a matemática não engana, porque, de facto: Eleitores Recenseados: 10.600.000
    Eleitores Votantes: 3.328.400
    ° ABSTENÇÃO – 68,6% [7.271.600]
    2. ° PS – 10,5% [1.111.650]
    3.° PSD – 6,9% [728.900]
    4.° BE – 3,1% [326.100]
    5.° BRANCOS/NULOS – 2,1% [230.000]
    6.° CDU – 2,1% [229.650]
    7.° CDS – 1,9% [206.350]
    8.° PAN – 1,6% [169.750]
    9.° Restantes Partidos (11) – 3,1% [326.000]”

 

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