CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA, AO PARLAMENTO E A TODAS AS INSTITUIÇÕES AINDA EMPENHADAS NA SUSTENTABILIDADE DA CULTURA MILENÁRIA PORTUGUESA

A memória dos antepassados não é um fardo do passado, mas a bússola do futuro. Integrar sem apagar, abrir sem se perder, construir com a sabedoria de quem nos precedeu, é o que move o desafio perene que vos traz esta carta. Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados e Instituições da Nação, é a vós que me dirijo, na certeza de que a integração plena do passado e do presente é o único caminho para edificarmos uma sociedade verdadeiramente humana e universal.

A verdadeira integração nunca se edifica sobre os escombros da cultura que pretende abraçar. Quando, em nome de uma pretensa abertura, se suprime a identidade que nos define, o que se obtém não é coesão, mas sim uma fratura silenciosa e profunda. É precisamente este o cerne da questão que opõe o Presidente da República, António José Seguro, ao decreto do Parlamento e que expõe, de forma crua, o embate entre a defesa do interesse coletivo e a imposição de agendas ideológicas fragmentárias.

Em junho, o Chefe de Estado vetou o diploma que visava proibir o hastear de bandeiras “de natureza ideológica, partidária ou associativa” nos edifícios públicos. Sob o argumento aparentemente plausível de que o texto encerra conceitos vagos e que as causas humanitárias ou ambientais gozam de acolhimento constitucional, o Presidente oferece, na verdade, um flanco perigoso: o da relativização do próprio símbolo máximo da Nação. Ao fazer tábua rasa da distinção entre o que é estruturante e o que é acessório, ele e as forças que o apoiam abrem caminho para que a bandeira nacional seja remetida para um plano secundário, enquanto os estandartes sectários ocupam o espaço público, sem resistência e sem pudor.

Ora, a bandeira de Portugal não é um mero pedaço de pano; é a condensação viva da nossa liberdade democrática, da autoconfiança do Estado de Direito social e da memória coletiva de um povo. Criticá-lo por, de forma velada, alinhar com um ideário globalista maçónico e contestável não é uma acusação leviana; é constatar que a contenção interior que é a base de qualquer estabilidade, se desvanece quando a totalidade é colocada ao mesmo nível da exceção. Quem detém a força da totalidade sabe integrar a diferença sem a exaltar de modo a humilhar a maioria silenciosa que se revê na tradição.

É certo que a afirmação identitária baseada apenas no ímpeto emocional, como a que se vê nos recintos desportivos, comove, mas fomenta um nacionalismo abstrato e estéril, desligado da vida real do povo. A verdadeira lealdade à Pátria não se esgota no grito, mas radica na continuidade de uma herança cultural que nos precede e nos ultrapassa. Nenhum esforço de integração triunfará se, em seu nome, se reprimir a cultura própria ou se menosprezar o pendão que nos congrega. Cabe perguntar, em que podem os cidadãos basear-se, se os seus valores mais caros forem sacrificados no altar da sensibilidade ativista? Não podemos, por respeito a minorias efémeras, abdicar da nossa matriz civilizacional, nem tão-pouco diluir todos os valores num relativismo que iguala o todo à particularidade de um dia.

O Presidente deve ao país uma explicação cabal sobre esta aparente submissão às correntes “woke”. Colocar as bandeiras ideológicas ao mesmo nível da bandeira nacional não é um gesto de pluralismo; é um ato de desrespeito pela coletividade e pela cultura portuguesa. Esse zelo desmesurado, longe de revelar tolerância, denuncia uma confusão estratégica que alimenta o caos simbólico, com o claro propósito de relativizar tudo o que nos é sagrado. Por detrás desta posição, adivinha-se a ação de forças que atuam contra a integridade da Nação, banalizando o seu génio histórico para o entregar, sem defesas, às voragens do globalismo mais raso. Para tal, recorrem ao desmantelamento sistemático dos símbolos e das tradições que floresceram na Europa e que constituem a nossa singularidade.

É profundamente desolador constatar que já não se distingue a regra da excepção. A excepção é legítima, mas quando é alçada à condição de regra, deixa de enriquecer o todo para passar a destruí-lo. Este é o cerne da tragédia que se anuncia: a inversão de valores, onde o acessório prevalece sobre o estruturante e o efémero se sobrepõe ao perene.

Em nome da Razão, que exige clareza e hierarquia; e em nome do Coração, que pulsa pela dignidade do nosso povo, urge que António José Seguro e os representantes do Parlamento reflitam sobre o legado que pretendem deixar. A integração que não respeita a alma de uma Nação está condenada ao fracasso, pois uma Pátria que se envergonha dos seus símbolos é uma Pátria que prepara, em silêncio, a sua própria dissolução.

Com os profundos votos de que a lucidez prevaleça sobre a moda ideológica,

António da Cunha Duarte Justo

PRESIDENTE SEGURO ABRE PORTAS SEGURAS PARA A VORAGEM DO GLOBALISMO WOKE

Um contra-ataque político do presidente António José Seguro ao serviço do movimento Woke

A verdadeira integração nunca se edifica sobre os escombros da cultura que pretende abraçar. Quando, em nome de uma pretensa abertura, se suprime a identidade que nos define, o que se obtém não é coesão, mas sim uma fratura silenciosa e profunda. É precisamente este o cerne da questão que opõe o Presidente da República, António José Seguro, ao decreto do Parlamento e que expõe, de forma crua, o embate entre a defesa do interesse coletivo e a imposição de agendas ideológicas fragmentárias.

Sem pudor, no dia 10 de junho de 2026, o Chefe de Estado vetou o diploma que visava proibir o hastear de bandeiras “de natureza ideológica, partidária ou associativa” nos edifícios públicos. Sob o argumento aparentemente plausível de que o texto encerra conceitos vagos e que as causas humanitárias ou ambientais gozam de acolhimento constitucional, o Presidente oferece, na verdade, um flanco perigoso: o da relativização do próprio símbolo máximo da Nação. Ao fazer tábua rasa da distinção entre o que é estruturante e o que é acessório, ele e as forças que estão por trás dele abrem caminho para que a bandeira nacional seja remetida para um plano secundário, enquanto os estandartes sectários ocupam o espaço público, sem resistência e sem pudor.

Ora, a bandeira de Portugal não é um mero pedaço de pano; é a condensação viva da nossa liberdade democrática, da autoconfiança do Estado de Direito social e da memória coletiva de um povo. Criticá-lo por, de forma velada, alinhar com um ideário globalista maçónico e contestável não é uma acusação leviana; é constatar que a contenção interior que é base de qualquer estabilidade, se desvanece quando a totalidade é colocada ao mesmo nível da exceção. Quem detém a força da totalidade deveria saber integrar a diferença sem a exaltar de modo a humilhar a maioria silenciosa que se revê na tradição.

É certo que a afirmação identitária baseada apenas no ímpeto emocional, como a que se vê nos recintos desportivos, comove, mas fomenta um nacionalismo abstrato e estéril, desligado da vida real do povo. A verdadeira lealdade à Pátria não se esgota no grito, mas radica na continuidade de uma herança cultural que nos precede e nos ultrapassa. Nenhum esforço de integração triunfará se, em seu nome, se reprimir a cultura própria ou se menosprezar o pendão que nos congrega. Cabe perguntar, em que podem os cidadãos basear-se, se os seus valores mais caros forem sacrificados no altar da sensibilidade ativista? Não podemos, por respeito a minorias efémeras, abdicar da nossa matriz civilizacional, nem tão-pouco diluir todos os valores num relativismo que iguala o todo à particularidade de um dia.

O Presidente deve ao país uma explicação cabal sobre esta aparente submissão às correntes “woke”. Colocar as bandeiras ideológicas ao mesmo nível da bandeira nacional não é um gesto de pluralismo, mas sim um acto de desrespeito pela coletividade e pela cultura portuguesa. Esse zelo desmesurado, longe de revelar tolerância, denuncia uma confusão estratégica que alimenta o caos simbólico, com o claro propósito de relativizar tudo o que nos é sagrado. Por detrás desta posição, adivinha-se a ação de forças que atuam contra a integridade da Nação, banalizando o seu génio histórico para o entregar, sem defesas, às voragens do globalismo mais raso. Para tal, recorrem ao desmantelamento sistemático dos símbolos e das tradições que floresceram na Europa e que constituem a nossa singularidade.

É profundamente desolador constatar que já não se distingue a regra da exceção. A exceção é legítima, mas quando é alçada à condição de regra, deixa de enriquecer o todo para passar a destruí-lo. Este é o cerne da tragédia que se vai anunciando e se encontra em franco progresso através da implementação de um globalismo woke e se anuncia na inversão de valores, onde o acessório prevalece sobre o estruturante e o efémero se sobrepõe ao perene.

Em nome da Razão, que exige clareza e hierarquia e em nome do Coração, que pulsa pela dignidade do nosso povo, urge que António José Seguro reflita sobre o legado que pretende deixar. A integração que não respeita a alma de uma Nação está condenada ao fracasso, pois uma Pátria que se envergonha dos seus símbolos é uma Pátria que prepara, em silêncio, a sua própria dissolução.

António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo

PS: Não é por acaso que o movimento «woke» se interliga e se expande com a ajuda de órgãos governamentais e administrativos. Isso deve dar-nos que pensar e urge fazê-lo, mesmo que pensar nos custe e até cause dor!

A REDESCOBERTA DE CABO VERDE PELO FUTEBOL

A história tem destas coisas inteligentes que é nunca se deixar encerrar numa só narrativa, por vezes confinada pelos grandes. Para ser verdadeiramente fiel à cronologia e a uma consciência sempre reavivada, a História serve-se, também da FIFA para mostrar o mundo na perspectiva de um outro jogo. Foi assim com a Islândia, redescoberta no Europeu de 2016 e no Mundial de 2018, e depois compensada com uma vaga de turismo que transformou o país. Agora, chegou a hora de Cabo Verde.

No dia 13 de outubro de 2025, os “Tubarões Azuis” escreveram a página mais bonita da sua história desportiva. Ao vencer o Essuatíni por 3-0, no Estádio Nacional da Cidade da Praia, a seleção cabo-verdiana garantiu, pela primeira vez, um lugar no Campeonato do Mundo da FIFA. Com golos de Livramento, Semedo e Stopira, o país insular liderou o Grupo D das eliminatórias africanas, superando a favorita Camarões. Uma conquista ainda mais notável se considerarmos que Cabo Verde, com os seus cerca de 525 mil habitantes, se torna, depois da Islândia, o país menos populoso de sempre a marcar presença num Mundial. O governo local declarou até tolerância de ponto para que todo o país pudesse apoiar os seus heróis.

Este feito desportivo ecoa, de forma poética, a própria história do arquipélago. Cabo Verde foi descoberto em 1460 por Diogo Gomes e António da Noli, ao serviço do Infante D. Henrique. Quando chegaram, as ilhas estavam habitadas apenas por aves e vegetação selvagem, sem qualquer indício de presença humana anterior. A primeira ilha a ser descoberta foi a de Santiago, e em 1462 teve início o povoamento, com a fundação da Ribeira Grande, hoje Cidade Velha, a primeira cidade europeia nos trópicos. Durante séculos, o arquipélago foi um ponto estratégico nas rotas do Atlântico, mas permaneceu, durante muito tempo, uma realidade distante no imaginário global.

O paralelismo com a Islândia é inevitável. Tal como os islandeses, os cabo-verdianos provaram que a grandeza não se mede pelo tamanho do território ou pela população, mas pela força da vontade e pela união de um povo. A Islândia foi redescoberta no campeonato das nações e depois foi recompensada com muito turismo; o mesmo haverá de contar-se para Cabo Verde.

Agora que o futebol recolocou Cabo Verde no mapa do mundo, é tempo de olhar para os seus filhos que, tal como os navegadores de outrora, partiram à procura de um futuro melhor. A comunidade cabo-verdiana em Portugal é uma das mais expressivas e antigas, com cerca de 48 mil residentes legais só com nacionalidade cabo-verdiana, um número que ultrapassa largamente os 100 mil se contarmos os naturalizados e descendentes. A impressão que muitos têm dos cabo-verdianos em Portugal é que são pessoas ordeiras e religiosas, trabalhando elas como empregadas domésticas e nos lares de idosos, e eles nas obras. No entanto, a realidade que muitos enfrentam é dura pois as dificuldades no acesso à habitação, exploração laboral e a incerteza de viver em situação irregular.

Cabo Verde, no que toca à emigração, manifesta grandes semelhanças com Portugal. Como país também de imigrantes, que acolhe cada vez mais cidadãos da África Ocidental, Europa e Ásia, Portugal teria, em consciência, o dever de beneficiar e privilegiar os migrantes das antigas colónias/províncias ultramarinas, promovendo mais construções que lhes facilite o viver. Afinal, a língua e a história comum são pontes que não podem ser ignoradas e, a partir da multipolaridade da mesma língua, até poderia ser o incentivo para se formar dos países lusófonos um novo polo num mundo geopolítico que se está a orquestrar.

Portugal tem de mostrar inteligência nas prioridades que coloca, mesmo em relação à imigração e não se deixar levar por políticas meramente económicas de Bruxelas. Naturalmente, a acentuação da prioridade da imigração para migrantes que provenham de países lusófonos seria um passo lógico e humano. Parabéns aos cabo-verdianos que mostram o progresso em que se encontram empenhados, também no futebol. Que a redescoberta de Cabo Verde pelo desporto seja o prenúncio de uma redescoberta mais profunda, a descoberta de um povo que, tal como a sua seleção, merece um lugar de destaque no palco do mundo.

 

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

NA BRUMA DA ALVORADA LUSÓFONA

Trago no peito muitas pátrias,
e cada uma chora um dialecto.
Mas a língua que as reúne
é a humidade amorosa do nevoeiro.

E quando volto à mesmidade
depois da circunstância me ter sido inteira,
sinto aquela névoa portuguesa
que impregna a realidade de saliva e de poeira.

Nesse nevoeiro, as casas perdem bicos,
as ruas dissolvem-se em lembrança.
E eu entendo que não sou só aquilo que decido,
mas também o que a distância me alcança.

Não sou só o carácter claro,
não sou só o jeito poético de ser.
Sou o “entre” a linha que não vês
e que me ensina a não me esquecer.

Eis o que resiste ao esquecimento:
não um nome, não uma data,
mas esta humidade de madrugada
onde muitas almas são uma só estrada.

Neste mar sem nome que a todos nomeia,
do Brasil a Angola, Moçambique a Portugal,
no espelho da bruma, cada um se rodeia
a ser plural, mas sendo o mesmo afinal.

António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo

5 de Maio 2012, dia da Lusofonia

MOINHOS DO MAL

Eles atearam a discórdia na praça,
fizeram do verbo uma lança e uma couraça.
“De que lado estás?”, grita o vento anónimo,
e o homem esquece que o bem é unânime.

Há moinhos que moem a noite e o dia,
mas não fazem farinha de melodia;
moem o medo, moem a cor emprestada,
e devolvem ao povo uma alma fechada.

Não tragas água, companheiro cego,
para a roda que gira no mesmo sítio.
O ódio que atiras no rosto do amigo
é o mesmo que guardas no teu abrigo.

Racismo não é branco, nem preto, nem verme:
é o espelho partido onde o tolo se afirma.
Olha para dentro, não aches que é tarde,
e tira o carimbo que a nuvem te guarda.

António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo

(Num dia de insónias depois de um plenário do
Conselho de Estrangeiros, 1998)