POR QUE RAZÃO NOS MANTEMOS CALADOS?

O Respeito ao Medo legitima o Poder sobre o Rebanho

António Justo

 
Ao fazer o meu passeio habitual nos parques junto a minha casa, vi, de novo, o rebanho cujas fotos aqui coloco!
De repente senti-me ser um da gadaria! Ao observar o rebanho mais de dentro, reparei que as ovelhas eram tão ordeiras e caladas porque só estavam interessadas no pasto e só por isso guardavam respeito ao barulho dos cães de guarda. Pensando um pouco mais notei que não era o respeito mas sim o medo que conseguia a beleza de tanta ovelha alinhada! Na altura nem sequer pastor se encontrava lá! Apenas vislumbrei uma samarra ensebada e um cajado sob uma árvore, onde só os cães de guarda repousavam como que a saborear a sombra do respeito ao dono e o seu poder sobre o rebanho!
Não me atrevi mais a continuar um pensamento que pendia para a nefasta emoção de que também eu me atemorizava por constatar que o medo e a ração continuam a ser o alimento de quem obedece e o instrumento de quem quer poder e principalmente de quem manda!
Reconheci também que, se não fosse a disciplina e a ordem e outros males menores, o rebanho passaria a deixar de existir porque ovelha isolada seria reduzida a só carne em dentes de lobos!
A propósito de pastores ou governantes, o facto de eu não ter avistado nenhum pastor, é mais que natural! Eles sabem que o medo e o respeito se complementam e se dobram um ao outro, de maneira que quem governa não precisa mais de se preocupar com eles. Eles estão cinicamente conscientes que o medo é a sua segurança no sistema de medo instalado!
O instrumento do medo funciona no rebanho de forma semelhante como funciona qualquer sociedade e governo, seja ele democrático ou ditatorial. Os governantes só têm um tipo de medo: o medo que o povo chegue a não ter medo!

 

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

A imagem pode conter: céu, nuvem, ar livre e natureza

TRIBUNAL ANULA A OBRIGAÇÃO DE QUARENTENA A VIAJANTES DO ESTRANGEIRO

A Alemanha abre todas as Fronteiras a partir de 15 de Junho

António Justo

A Europa está de regresso e este está a dar-se a partir das regiões!

O Tribunal Administrativo Superior (OVG) de Lünebürg declarou nulas as obrigações de quarentena de 14 dias para pessoas que venham do estrangeiro, e entrem na Baixa Saxónia (Alemanha), informa a imprensa alemã.

Os números dos casos corona a nível mundial já não permitem declarar uma obrigação de quarentena para os viajantes que entram na Baixa Saxónia. De facto, os vindos do estrangeiro que entram na Baixa Saxónia “não podem ser considerados, de uma maneira geral, como casos suspeitos de doença ou infecção”, admoesta o tribunal.

O Tribunal admite que poderiam, porém, ser feitas regulamentações jurídicas específicas que tivessem em conta a identificação de áreas de risco que justificassem uma obrigação de quarentena.

Esta decisão do tribunal terá muitas consequências em todos os outros estados da Alemanha e certamente também noutros países da União Europeia!

Decisões de tribunais podem contribuir para uma situação mais saudável da economia!

Fronteiras abertas

A partir do dia 15 de junho são abertas todas as fronteiras alemãs, sob a condição de não agravamento substancial dos casos de infecção.

O pequeno tráfego fronteiriço entre a Áustria e a Alemanha já está a funcionar.

Uma Europa com fronteiras entre os seus membros deixa de ser Europa. De facto, a essência da União Europeia é a Europa sem fronteiras e a Europa do Euro. O que tem ficado para trás na construção da Europa é a Europa dos sentimentos (e estes criam-se no fomento e respeito das diferentes expressões culturais para as quais não deve haver regulamentações centralistas).

A recuperação da liberdade chega lentamente, mas, esperemos abraçá-la, já no Verão

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo,

25 DE ABRIL “A BEM DA NAÇÃO”

Viva tudo e todos e os outros 25 também

António Justo

A revolução de abril tem sido uma História mal contada (1). A celebração não é para consagrar nenhum enterro, sirva ele a quem servir, nem tão pouco para oferecer novos coveiros ou mesmo consagrar um novo sacerdócio por muito bem aparamentado que este esteja em torno da mesa do Estado e com o novo ritual do pensamento politicamente correto.

Se há algo a enterrar é a prepotência e o poder totalitário antigo e novo, direito e torto, independentemente de se tratar da ditadura de uma minoria ou de uma ditadura de maioria por mais louvada que esta seja pela piedosa vontade de votantes. Já seria chegada a hora de abandonarmos aquela pieguice lusa bem cuidada pelos homens do avental na república ou pelos nobres da corte real. Nem a aventura fanática nem as aspersões da água benta do poder político nos tiram da posição económica em que nos encontramos no mercado do Euro. Se a nossa elite portuguesa passasse a ser menos ideológica e mais pragmática; se fomentasse o respeito pelo trabalho, por patrões, trabalhadores e empregados certamente que hoje poderíamos ser um país ao nível da Suiça ou de países nórdicos e não na cauda da Europa, economicamente, tal como o éramos no tempo de Salazar. A sangria a que assistimos dos nossos emigrantes para o Estrangeiro no velho e no novo regime continuam a ser um testemunho da nossa ineficiência política a nível de produção e distribuição de riqueza. Defender um regime ou outro torna-se comprometedor. O que importa superar são os erros de um e do outro.

Heróis do povo são os que se sacrificam ou são sacrificados por defenderem os direitos humanos. Vítimas há-as nos dois regimes!  Os lutadores por poderes não merecem tal epíteto porque o poder ou se constrói à custa do povo ou à custa do mais fraco. A revolução tem estado para os aquistastes do poder político como o capital para os capitalistas. Tudo passa a ser simbólico/metafórico e como tal só a ser percebido por iniciados, os tais que o poder cultiva. Não seria útil para o povo continuar a apostar tudo em orgasmos do momento sejam eles sexuais ou intelectuais.

Um testemunho do tempo

Nós os mais velhos fomos os construtores da sociedade portuguesa de hoje. Fomos nós que assistimos ao regime de Salazar e que ajudamos a construir a democracia em via; sentíamos correr em nossas veias aquela esperança que tanto num regime como no outro corria nas veias de um Francisco Sã Carneiro e noutros do género.

Sentimo-nos todos empenhados em desenvolver um “25” de Abril digno e temos  a vantagem de não necessitarmos de amarrar a História de Portugal a uma só época,  nem tão pouco de nos fixarmos num ou noutro regime, num ou noutro período, como pretendem alguns dançarinos do poder; sim,  até porque na realidade, assistimos ao bem e ao mal de um e do outro regime político, o que nos poderá possibilitar maior capacidade de discernimento e a certeza de que não há carne sem espinhas! Como tais somos livres e reconhecemos com tolerância que haverá espaço para todos; espaço também para amigos e adversários, para o povo rogado a festejar e para os festejados ou que se festejam! Também em democracia isto é natural pois também ela usa e abusa do palco e já a existência deste pressupõe teatro para a assistência, como a história confirma na sua constante existencial dos de baixo e dos de cima!

Estou convencido que tal como se não pode justificar o regime de abril atirando pedras contra a bandeira do Estado Novo também não se constrói a democracia atual atirando pedras contra a bandeira que a revolução foi possibilitando.  Uma coisa boa, no sentido da poesia, seria juntarmos as pedras de um lado e do outro e com elas construirmos o prédio da democracia. Condição para isso seria considerarmo-nos povo!

Uma coisa de que poderemos estar certos é que a qualidade de vida que temos hoje não é tão reluzente como parece. Uma coisa é certa: em toda a Europa, a geração dos nossos filhos não tem o futuro que nós temos e terá mais dificuldades que nós tivemos em organizar e administrar a sua vida; se o nosso futuro  era esperançoso, o que lhe deixaremos já se encontra empenhado.

Seria arriscado partir-se do princípio que tudo o que a História Portuguesa teve de bom, depois da demissão do Governo de Marcelo Caetano, se deve ao 25 ou a um grupo político; isto pressuporia partir-se do princípio que o desenvolvimento da História de Portugal e da Europa tivesse acabado em Marcelo Caetano e apenas começado com o golpe de Estado do 25 de Abril; uma tal argumentação em via na sociedade portuguesa, só poderia ter como fim estupidificar o povo português, como se a revolução de Abril não tivesse sido o fruto do desenrolar de todo um processo de desenvolvimento de todas as forças vivas de Portugal e das influências da Europa, entre elas o Concílio Vaticano II,  a revolução cultural 68 (que a nossa geração seguiu com tanto entusiasmo!) e de forma especial também os interesses estratégicos ideológicos e económicas de forças internacionais nas colónias portuguesas.

Os heróis de um regime não são os que levantam a bandeira nem os que a calcam aos pés! Herói é o povo que tudo suporta com o seu trabalho humildade e sofrimento; aquele que deste modo tem possibilitado a vanglória e o triunfo dos que se encontram na ribalta da sociedade. Se neste momento de pandemia há algo a celebrar seria o povo que possibilita aos dançarinos do poder o palco das suas costas!

Por mal dos nossos pecados, hoje como ontem eles fazem tudo “a bem da nação”!

Liberdade e Responsabilidade Sim, mas só 25 de Abril Não

O 25 de abril de 74 queria instituir um regime ditatorial socialista em Portugal: um regime do tipo da União Soviética com a força militar como íman e doutrinador do sistema político e do povo, pretendendo a nacionalização (PREC) dos bens de produção. O 25 de Novembro de 75 possibilitou o regime democrático pluripartidário que temos e uma economia não coletivista!

Sob o conceito 25 de abril e sua comemoração juntam-se posições contraditórias e interesses que não morreram com o PREC. Ativistas políticos não estão interessados em explicar o verdadeiro significado do 25 de Abril para assim manterem o povo num engodo de palavras que se querem confusas escondendo sob o seu manto estratégias duvidosas.

Quem fala do 25 de abril que tinha como programa a instauração da ditadura socialista sem falar da evolução política até ao 25 de novembro certamente faz uso dos palcos do Estado para a defesa de uma ditadura que com eufemismos poderão querer encobrir. Daí a necessidade de diferenciação!

Uma análise independente da História da “revolução dos cravos vermelhos” em Portugal um dia mostrará como os beneficiados do regime conseguem manipular o povo através do equívoco! A encenação de personalidades de abril que tinham a intenção de implantar a ditadura comunista em Portugal tira muita da inocência à celebração. Muitos deles, que se infiltraram em muitas instituições do Estado e de organismos civis, pretendem celebrar um outro abril que não o democrático! Daí a sua insistência em colocá-lo sobre tudo e sobre todos nesta época de pandemia deixam de lado o bom senso comum. Com os seus festejos vão mantendo no inconsciente do povo o seu verdadeiro intento revolucionário. O povo parece andar equivocado ao querer festejar o seu abril quando muitos da festa querem implantar um outro (não notaram ainda que muitos dos beneficiados do sistema partem do princípio que o festejo pertence à esquerda)!

O 25 de Abril de 1974 foi democratizado pela sociedade portuguesa no 25 de novembro de 1975.

Se é verdade que o 25 Abril de 74 deu início ao processo da democratização, também é preciso não esquecer que ele pretendia instaurar uma ditadura comunista em Portugal; o 25 de novembro possibilitou uma democracia do tipo ocidental (democracia pluripartidária).

Por vezes tem-se a impressão que em tempo de Coronavírus 19 o que estará no programa será a China!

Em tempos de pandemia viral e ideológica, haverá que prestar atenção às nossas certezas e aos créditos que elas nos querem garantir! Isto porque aquela parte da razão que as fundamenta só é possível devido à parte do conhecimento que temos e à outra parte que é o desconhecimento que nos domina; a não ser que seja de interesse servir o preconceito. Assim, uma atitude de honestidade sobre certezas lógicas ou percetuais terá de ser sempre acompanhada pela dúvida (humildade intelectual!).  Isso tornará o brilho da festa mais repartido, menos partidarizado e mais democrático (2).

Viva o genuino 25 de abril!

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo, 25.04.2020

 

Repensar a Revolução – Recriar Portugal : https://triplov.com/letras/Antonio-Justo/2014/abril.htm

Falta um novo “25 de Abril”: https://www.jornaldeoleiros.com/2012/04/30/comunidades/falta-um-novo-25-de-abril-por-antonio-justo.html

25 de Abril uma Estação na Via popular: https://antonio-justo.eu/?p=1826

Aniversário do 25 de Abril: do abuso da ideologia: https://bomdia.eu/aniversario-do-25-de-abril-do-abuso-da-ideologia/ ; https://bomdia.lu/author/antoniojusto/

25 de Abril – O Despertar duma Ilusão (1): https://docs.google.com/document/d/1AgmPalAgzFyuxFtgWmWOn-zLTDEsVWu9TbdCx83VQ-8/edit

 

Falta um novo “25 de Abril”: https://luis-eg.blogspot.com/2012/04/

 

O 25 DE ABRIL DE BAIXO CONTINUA POR FAZER: http://poramaisb.blogspot.com/2015/04/paginas-inesqueciveis-de-antonio-da.html

 

A RESPEITO DO CORDEIRO E DAS OVELHAS

 

A ovelha tem um forte sentido de pertença! É um animal frugal e muito rico pela carne, pelo leite e pela lã (Na Alemanha em 2010 havia 22.300 explorações com 2,1 milhões de ovelhas).

A sua utilidade fez dela uma grande acompanhante da humanidade e isto já desde há 11.000 anos, altura em que era domesticada na região do Iraque.

Com o andar do tempo tornou-se também num objecto de culto e num animal de sacrifício (ainda hoje no islão).

Na Páscoa o cordeiro, desempenha um grande papel como símbolo, (cordeiro de Deus) e em lugares cristãos, na páscoa, à mesa, é usado um bolo em forma de cordeiro com uma bandeira.

A ovelha ou cordeiro encontra-se referida na Bíblia em 196 lugares, 159 no Antigo Testamento e 37 vezes no Novo Testamento. Abraão imolou ao seu Deus, um cordeiro, em vez do seu próprio filho (documenta-se com isto o passo dado no desenvolvimento da consciência da pessoa humana!).

Também na fuga do Egipto, do povo de Israel, os israelitas colocaram sangue de cordeiros nos umbrais das portas para que o anjo da morte poupasse as suas casas (origem da festa judaica Pessach).

O cordeiro indefeso tornou-se na imagem de Jesus; ele é o cordeiro de Deus que é abatido e supera a morte; nele o mundo deixa de ser culpabilizado.

A imagem do cordeiro com a bandeira da vitória simboliza a ressurreição de Cristo.

Jesus não é só apresentado na tradição religiosa como o cordeiro de sacrifício mas também o é como o bom pastor que apascenta as suas ovelhas atribuladas e dá a sua vida por elas.

Ficando ainda na simbologia, há que acautelar as ovelhas dos lobos e que reconhecer quando os lobos se vestem de cordeiros.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

A MODO DE BALANÇO ENTRE A ERA DA ENERGIA FÓSSIL E A ERA DA ENERGIA RENOVÁVEL

Na Passagem da Era do Petróleo e do Carvão para a Era das Energias renováveis

Por António Justo

Com 2020 iniciamos um ano redondo de fim de década, o que convida a fazer uma tentativa de balanço sobre o passado e o que nos espera no futuro.

Como pontos relevantes de referência básica temos a primeira guerra mundial que iniciou o fim das nações na qualidade de potências individuais. Temos o comunismo a tornar-se no elo de ligação e coerência que deu expressão mundial à União Soviética como grande potência que hoje se prolonga na influência ideológica; por outro lado os USA com o capitalismo que deixaram de ser apenas um país para se tornarem na superpotência mundial, a partir da sua intervenção na I e II Guerra mundial. Ficaram assim a atuar no subconsciente dos povos e nos bastidores do palco mundial, de um lado, o capitalismo americano e do outro, o socialismo facetado.

A uma Europa enfraquecida pelas guerras e reduzida ao mero âmbito de nações, para poder sobreviver em relação aos USA, à Rússia, às potências surgentes da Ásia só lhe resta a alternativa de se organizar através de convenções e contratos na União Europeia.

À II Guerra Mundial seguiu-se o grande crescimento económico europeu, tendo dado origem ao maior período de paz na História da Europa e consequentemente houve um grande desenvolvimento no que se refere aos direitos humanos, responsabilidade social, espírito democrático, liberdade de imprensa e de mercado e à revolução tecnológica em via.

Temos pela frente o grande dilema climático e a necessidade de produção de energia sem base no carvão e no petróleo (grande problema tecnológico a solucionar será o do armazenamento de energia em baterias) para apostar certamente no desenvolvimento e construção de reatores de fusão à base de hidrogênio, como os ingleses já procuram fazer.

Como a vida social e política costuma andar atrelada à económica, tudo dá a entender que, no futuro, as zonas geradoras de riqueza e de conflitos passarão do Ocidente para o Oriente, como se observa na afirmação mundial da China em relação aos USA. As tempestades económicas são sempre acompanhadas por devastações sociopolíticas.

A destruição do Globo não tem que acontecer, talvez as nossas esperanças se encontram mais flutuantes nesta era muito caracterizada pela mudança e pelo receio do domínio de “dinossauros „económico-políticos.

Já não serão as políticas nacionais a determinar o desenvolvimento das regiões, mas sim grandes empresas anónimas (Google, Apple, Facebook, Amazon, Tencent, Alibaba, Visa, AT&T e outros que surgirão, chamarão a si as atenções e os interesses); estas concorrerão entre elas na tentativa de concentração de capitais e de poder ao lado do poder ideológico político na disputa comum pelo domínio das grandes massas.

A inovação tecnológica necessária, se acompanhada por uma cultura do senso comum e da honestidade, prometerá um futuro melhor e ainda mais agradável do que o de hoje. Para isso seria necessário que os valores surgidos da civilização judaico-cristã e greco-romana (baseados em relações pessoais humanas) não sejam substituídos por relações individuais baseadas no útil comercial (influência asiática).

A vida é contínua mudança e a plataforma que lhe dará consistência e sustentabilidade é a fé/esperança que nos acompanha no caminho, não nos deixando ficar sozinhos! Um povo, que não cultive a fé e a esperança, patina em si mesmo e não avança.

A esperança assemelha-se ao nadador que, para se afirmar em frente, se apoia na resistência que lhe oferece a fragilidade da própria água que o sustem.

A atitude da classe política europeia ao transpor para o povo o peso das dívidas e ao reservar para as elites o luxo descomunal, fomenta assim a chamada reação do “populismo” e dos ‘coletes amarelos’; estes são muito sensíveis à mudança axial que paira no ar e de que muitos ainda se não deram conta e por isso se limitam, por vezes, a discursos do medo do medo!

O Brexit pode ser interpretado como uma reação de medo no mesmo contexto e também um sinal da falta de coesão de uma Europa envelhecida incapaz de dar respostas de caracter orientador e de sentido para o tipo de nova sociedade que vai surgindo (O Papa Francisco poderia servir de modelo para o novo homo politicus que urge criar – as peias ideológicas impedem, porém, os políticos de reagir aos sinais do tempo. A mentalidade extremista e exclusivista de uma esquerda ativista e de extremistas da direita mais não são que a continuação do fanatismo das antigas guerras de religião só que encoberto com indumentárias de democracia e de luta em nome de algum bem desgarrado.

Pelo seu lado, o mundo do operariado do sector produtivo sente-se inseguro perante a inteligência artificial que o vai arrumando pouco a pouco. O capital que o trabalhador possuía era a energia do seu trabalho manual sublimado no Dinheiro. Atendendo à dicotomia entre economia produtiva e a economia financeira e correspondente anulação dos juros, desvaloriza-se também a energia laboral do trabalhador em benefício da energia das máquinas e do anónimo. As inovações tecnológicas já se fazem sentir também no clima dos trabalhadores e seus receios em relação ao futuro; cada vez se torna mais seu anseio serem funcionários do aparelho estatal.

Por seu lado, as elites já incluem no seu agir a instabilidade social e o incómodo social; elas vão dando um passo de cada vez, tendo assim já abdicado da História.

Embora a pobreza mundial diminua, nunca houve uma época com tão grandes desigualdades sociais como a de hoje: regentes e oligarcas permitem-se a nível de salários e de gestão da vida (energia desviada) o que não se permitiam reis em relação aos seus súbditos: hoje estamos a ser cada vez mais burilados, através também do pensamento politicamente correto, como massa súbdita e anónima na grande máquina da anonimidade económica e política, que vê o seu trabalho simplificado através do controlo total de tecnologias e cabecilhas.

Estamos a passar do século do petróleo para a era das energias renováveis… O expansionismo económico chinês em rivalidade com o americano obrigar-nos-á, pouco a pouco, a desquitarmo-nos do domínio americano e também de muitos dos valores da sociedade ocidental. A não ser que o poder asiático se torne tão forte que provoque a união dos povos do ocidente com a Rússia.

Por enquanto a sociedade ocidental encontra-se numa fase de desconstrução não só por fraqueza própria, mas pela concorrência de novos protagonistas mundiais e por interesses estratégicos da ONU, interessada em desvalorizar a influência cristã no mundo no sentido de adquirir o controlo total sobre as sociedades para ir substituindo a concepção cristã da pessoa pela de indivíduo da China (relação mais de serviço). Se olharmos para os dados estatísticos do desenvolvimento económico dos países neste século, será de esperar que depois dos anos 70 já não será relevante a problemática política e económica entre a China e os USA, mas sim entre a China e outros países asiáticos.

© António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo