“PORTUGUESES”!

UM TESTEMUNHO DO ESCRITOR LOURENÇO FARIA
«Os Portugueses não convivem entre si, como uma lenda tenaz o proclama, espiam-se, controlam-se uns aos outros; não dialogam, disputam-se, e a convivência é uma osmose do mesmo ao mesmo, sem enriquecimento mútuo, que nunca um português confessará que aprendeu alguma coisa de um outro, a menos que seja pai ou mãe».
Eduardo Lourenço de Faria (Erudito literário, ensaísta e filósofo português)

EDUCAÇÃO PARA UM PROLETARIADO GLOBALIZADO

Os novos Deuses castigam quem seja solidário com a Humanidade (1)

António Justo

Um povo que pensa serve o bem comum, mas torna-se numa ameaça para a classe dominante. Por isso é de todo interesse desta (especialmente da classe política) que o povo frequente muitos anos a escola, mas sem aprender a pensar nem a discutir o que se encontra por trás da chamada liberdade e livre arbítrio.

Em questões do saber Olímpico, Prometeu é castigado pelos deuses do Olimpo sempre que tente levar o saber dos deuses ao povo!

A lição do velho mito é: o saber quer-se só nas mãos de poucos oligarcas conscientes de que saber não só faria doer como também se tornaria perigoso para quem desgoverna!!!…

Esta premissa que já vem dos Gregos, em tempos de globalismo, tornou-se mais que certa! Sim, porque se nas calendas gregas ainda havia uma sociedade média pensante com muitas figuras Prometeu no seu meio, hoje assistimos a uma sociedade em que a classe média se encontra em processo de transformação no sentido dependente-proletário.

Quanto ao processo educativo e informativo a que estamos votados recomendo a leitura do texto em nota (1) que é muito atual, embora falhe um pouco no que toca às “tias de Cascais”! O texto sobre educação, de Desidério Murcho, aponta no sentido do que o povo português deveria saber: aprender a pensar para abandonar o estado da “Bela Adormecida”.

A nível político-social quer-se um saber descritivo (feito de factos alternativos que embalem o sentimento) e não analítico! A interpretação serviçal é que vale; a competência complicaria.

Antigamente o aluno aprendia, na escola, a tirar a prova dos nove para saber se os cálculos das contas que fazia estavam certos ou errados. Hoje não aprende isso porque a prova dos nove foi substituída, democraticamente, pela opinião!

Tem uma vantagem: o aluno cidadão (3), ao ficar no estado de indecisão, qualifica-se para andar de cócoras!!!

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

  • (1) Prometeu foi um Titã defensor da humanidade, responsável por roubar o fogo dos Deuses e dá-lo aos mortais. O pai dos deuses, Zeus, que temia que com isso os mortais ficassem tão poderosos como os próprios deuses, puniu Prometeu por esse crime, deixando-o amarrado a uma rocha por toda a eternidade enquanto uma grande águia comia todo dia seu fígado — que se regenerava no dia seguinte. Por vezes tem-se a impressão que, hoje como ontem em sociedade,  o povo é esse Prometeu em que as águias (os grandes) se alimentam do seu fígado! 
  • (2) “A tia do eduquês”, de Desidério Murcho – Sobre a filosofia nas escolas: https://dererummundi.blogspot.com/2007/07/tia-do-eduqus.html
  • (3) Nova Cidadania: https://antonio-justo.eu/?p=6238

 

Nova Cidadania – A Cidadania Proletária

Nova Cidadania – A Cidadania Proletária
2007-09-30

Aulas de Educação Cívica – Aulas da Religião do Estado?
Esta semana, Rui Pereira, ministro da Administração Interna, discursou na Escola Superior de Educação de Leiria, sobre as aulas de Educação Cívica e seu significado para ” a mudança de mentalidades e a construção de um Portugal melhor”. O senhor ministro da Administração atribui ao Estado não só a missão de transmitir valores como também a de mudar mentalidades.

Isto corresponde à visão marxista dum estado proletário. Longe de qualquer visão democrática abre-se aqui caminho para o estado nacional-socialista, para o estado estalinista e para toda a forma de governo fascista. Que mentalidade quer ele e que Portugal? Não seria também oportuno a introdução duma disciplina onde se aprenda a ser feliz?!!! Isto traz água no bico. Até faz lembrar os velhos tempos da ditadura. Ou será isto um sinal de que já chegaram com o seu latim ao fim!

O direito de mudar mentalidades não pode ser reduzido a nenhuma forca social ou estatal; a mudança de mentalidade é resultante da competição de interesses, ideias e práticas no seio da sociedade. A intenção anunciada pelo senhor ministro pressuporia uma coarctação da liberdade de pensamento e de expressão. Um estado democrático que esteja consciente dos princípios em que assenta não está legitimado para impor qualquer ideologia nem tão-pouco os valores da maioria.

Que ideologia irá então ser beneficiada? Será que em Portugal a proveniência dos alunos é homogénea a nível social e de mundi-visões?

Um exemplo do fracasso duma tal ideologia que confia na estratégia dum Estado orientador, temo-lo no resultado do montão de cacos partidos deixados pelos sistemas do socialismo real e semelhantes fascismos.

Mesmo o reconhecimento comum de certos valores implica várias interpretações e aplicações em relação aos mesmos.

Em democracia quem mais ordena é o povo, ou deveria sê-lo, e não a ideologia da nomenclatura que não respeita ética nenhuma e muito menos a dignidade humana. Para ela não há povo, apenas conhecem proletários e massa desprezível. Por onde passam deixam sempre o rabo de fora! Naturalmente que têm direito de defender os seus interesses e credos; o problema é se o povo dorme. No fim teremos Estado e massa sem cidadãos.

Boçais, em nome do proletariado e do futuro de Portugal, lá vão iludindo o povo. Convencidos que para este chega um pouco de futebol, de sexo e de pão tornam-se em redutores da vida na sua acção de vulguizar a privacidade humana. Já não lhes chega a praça pública, apoderam-se da administração para imporem a sua ideologia e disciplina.

Uma democracia começa a sofrer gravemente quando a disciplina do povo permite a indisciplina dos governantes.
O que precisamos é dum Estado que garanta e defenda a prática dos valores fundamentais. Não queremos um estado crente apenas interessado em alguns aspectos meramente ideológicos da revolução liberal, da forma de governo republicana ou do exemplo estalinista.

Tirem as mãos dos professores. Não queremos ministros da administração dos professores mas sim ministros dos cidadãos. A preocupação do Governo deve ser gerir e não assumir a função de patrão. Deve naturalmente intervir mas sobretudo como árbitro.

Uma certa visão marxista superficial, mais visível nas periferias da civilização, quer um estado árbitro e jogador. As claques compra-as com benesses e camisolas atiradas à multidão. Esta mentalidade encontra-se ainda muito impregnada nalgus funcionários do partido socialista. Estes em vez de o servir, servem-se dele.
Portugal merece mais.

António Justo

Publicado em Comunidades:

http://web.archive.org/web/20080430103616/http://blog.comunidades.net/justo/index.php?op=arquivo&mmes=09&anon=2007

António da Cunha Duarte Justo


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Comentários:

Nova Cidadania – A Cidadania Proletária – – – 2007-11-10
Caríssimo
Professor António Justo,

Antes de mais, aceite as minhas saudações fraternas.

O tema que, hoje, nos propõe para reflexão é oportuno e actualizadíssimo.

O Partido Socialista, em Portugal, está a assumir atitudes de quem se quer, à viva força, se perpetuar no Poder. Quem sabe, influenciado pelo que está a passar, na Venezuela, com Hugo Chavez e a sua Revolução Socialista, tão aplaudida e elogiada pelo Dr. Mário Soares!

O problema educacional, em Portugal, é, quer se queira quer não, a par de outros de natureza social, um problema gravíssimo, sem solução à vista e, muito menos, a existência de agentes com competência e credibilidade para lhe dar a volta por cima…

O Partido Socialista caminha abruptamente para a assunção da sua verdadeira vocação,a vertente totalitária, depois de todo este pseudo “intermezo” de democracia ao longo de mais de 33 anos!

Só não foi mais cedo, porque, ao longo de alguns anos, encontrou pela frente um Partido Comunista Português que lhe conseguiu fazer frente nos momentos mais decisivos, no início da nossa Revolução dos Cravos.

Pois, quer se queira quer não, os últimos anos de Governo José Sócrates serviram para pôr à evidência o seu nervosismo e a sua vocação “nacional-socialista”, que, na sua origem, aí, na Alemanha, com Adolfo Hitler, até se afirmava democrático e praticava a democracia… Depois, foi o que se viu e, hoje, ainda se enxerga…

Por essas e por outras, não é de admirar o discurso do Ministro da Administração Interna, a que muito bem se refere, e de outras personalidades socialistas…

De resto, com a evolução que se está a verificar em Portugal, a qualquer momento a emissão da RTP pode ser interrompida, com o aparecimento de um funcionário político socialista a dizer:

– Senhores espectadores, pedimos desculpa por esta interrupção. A LIBERDADE e a DEMOCRACIA seguem dentro de algum tempo!… Agora, vamos dar início ao novo Programa de Governo ‘Nacional-Socialista’! A baderna instalada na sociedade civil chegou ao fim!

Com um Primeiro-Ministro, como é José Sócrates, a distribuir computadores, pelas escolas, às crianças a preços mais caros do que nomercado; com o Ministro da Administração Interna a dar aulas de “Formação Político-Partidária”; com uma Ministra da Educação a desvalorizar totalmente o ensino e o aprendizado da Língua Portuguesa e a conduzir o ensino e a educação para o “avacalhamento” total; com o Ministro da Saúde a favorecer a IVG – Intervenção Voluntária da Gravidez (vulgo liberalização do aborto)e a despromover o SNS – Seviço Nacional de Saúde a favor da estimulação da iniciativa privada, com alguns paliativos de permeio, de entre outros, urge questionar seriamente:

PARA ONDE VAIS PORTUGAL?

Mas, como se todas estas misérias humanas não bastassem, esta semana, segundo as notícias veiculadas pela Comunicação Social, o Presidente da República, Professor Aníbal Cavaco Silva, no Chile, onde se encontra a participar a Cimeira Ibero-Americana, veio a público elogiar e aplaudir as virtudes das grandes reformas em Portugal levadas a cabo pelo actual Governo!…

Mas, importa, também, referir o que se passou na Assembleia da República com a aprovação do Orçamento de Estado para 2008.

Onde estão os partidos e os deputados da oposição?

O novo líder parlamentar, Pedro Santana Lopes, andou toda a semana a fazer passar para a Comunicação Social que se iria confrontar o Primeiro-Ministro José Sócrates com algumas questões, fazendo antever que seria um ajuste de contas… Momentos depois, logo no primeiro dia de debates, após o ‘KO – knock out’ infligido por José Sócrates, veio dizer aos jornalistas que o debate lhe tinha corrido mal. E o novo líder do PSD, Luís Filipe Menezes, também não lhe ficou atrás, quando, no dia seguinte, disse que, futuramente, os debates têm que ser acompanhados…

Pelos vistos, o novo lider da bancada social-democrata, Pedro Santana Lopes, não esteve à altura dos seus tão apregoados pergaminhos, e não conseguiu levar a carta a Garcia…

Será que estamos perante “aprendizes da política”?…

Desde quando, um líder parlamentar anuncia e propagandeia publicamente e com antecedência as questões que vai suscitar num debate, mais a mais com o Primeiro-Ministro? Será isto visão de Estado? Ou é a nova forma de conduzir as “coisas” do Estado?…

E, perante esta pequena amostra da “política à portuguesa”, teremos que concluir que faz parte do novo modelo de Cidadania?

No meu conceito, Direito de Cidadania passa por um dever do Estado face a um direito do Cidadão!

Agora, isso sim, assistimos ao relegar dos Direitos de Cidadania para o privilegiar dos chorudos lucros dos Bancos (mais parecendo puros especuladores e obstinados usurários autorizados e apoiados pelo próprio Governo) e não só, em detrimento do exercício da função social do próprio Estado em prole dos Cidadãos e das Famílias portuguesas.

Estamos perante uma, pura e simples, inversão de valores!

Agora, de fuga em fuga para a frente até à “vitória final”, o Partido Socialista oferece-nos este tão deprimente quanto “deslumbrante” espectáculo…

De resto, não é de surpreender, pois é a ascenção da “geração rasca”, como um dia lhe chamou, e muito bem, a Dra. Manuela Ferreira Leite, quando Ministra da Educação!

Portanto, com esta evolução tão “qualitativa”, obviamente, os valores tendencialmente invertem-se ao nível de todos os domínios…

Assim sendo, não lhe chamaria “Cidadania Proletária”, mas, isso sim, “Nova Cidadania – A Cidadania Rasca”!

É que, pessoalmente, tenho um conceito não pejorativo di significado de “proletário”, e, como tal, respeito-o. Eu próprio considero-me um proletário. Pois tenho “prole”, tenho dois filhos, mas que, felizmente, não afinam pelo diapasão do “rasca”.

Caríssimo Professor António Justo, aqui, lhe deixo o que penso sobre o tema que nos propôs para reflexão…

Infelizmente, é a fruta do tempo!…

Melhores dias, se Deus uizer, hão-de vir!

Quando, não sei…

Grande abraço solidário!

___________________

Paulo M. A. Martins
Fortaleza (CE)
Brasil

Paulo M. A. Martins
Nova Cidadania! – – – 2007-10-03
Prezada Rosa Maria Tomás Sá!
Gostei imenso da sua frase: “termos consciência que aquilo que nos aflige não são preocupações isoladas, pois se assim fosse este caminhada não faria qualquer sentido”. É precisamente o que penso ou vivo!
Atenciosamente
António Justo

Não podia estar mais de acordo – – – 2007-10-03
Sem dúvida alguma que tem muita lucidez na sua análise e eu não poderia estar mais de acordo. Coincidência ou não sobre o tema reflectido,esta semana dou comigo a refectir sobre o assunto sem ouvir qualquer noticia ou comentário. Nesta sociedade desprovida de valores a todos os níveis é bom percebermos que há Homens(Mulheres), como o senhor e termos consciência que aquilo que nos aflige não são preocupações isoladas, pois se assim fosse este caminhada não faria qualquer sentido.

Rosa Maria Tomás Sá

Incesto – dois irmãos juntam-se e geram quatro filhos

Incesto – dois irmãos juntam-se e geram quatro filhos
2007-02-28

Na França não há pena judicial para o incesto e na Alemanha espera-se a decisão do tribunal constitucional para se saber se as relações sexuais entre familiares do primeiro grau e o casamento entre irmãos serão peníveis.

É a eterna questão de Édipo que teve 4 filhos com a sua mãe. Na Alemanha avaliam-se em 10.000 pessoas fruto de relações incestuosas.

Em Leipzig dois irmãos que antes não se conheciam juntaram-se e tiveram já quatro filhos. Patrick (hoje com32 anos) que depois duma odisseia passada em lares para crianças consegue descobrir a sua mãe e conhece pela primeira vez a sua irmã Susann (hoje com 22 anos). Meio ano depois morre a mãe e o amor nascido do encontro entre os dois irmãos cimenta-se.

Juntam-se e têm filhos sendo Patrik, por isso, condenado pelo tribunal a dois anos de prisão. Uma vez cumprida a pena de novo têm uma filha agora de dois anos. De novo à pega com a justiça apelou para o tribunal constitucional, aguardando decisão deste.

O seu advogado argumenta que a lei além de constituir uma usurpação do direito fundamental de autodeterminação vai contra a liberdade de opção em questões de sexo e de organização da vida familiar. Para o defensor o incesto não está na origem de problemas na família como antigamente se cria sendo pelo contrário a consequência de problemas familiares. Argumenta também que os riscos hereditários provenientes de relações incestuosas não constituem argumento dado não haver proibição de relações sexuais a pessoas com doenças hereditárias. Patrick já se esterilizou porque quer viver com a irmã.

A tradição comum de todas as religiões considerarem o incesto como tabu corresponde a uma necessidade de protecção importante da família e da espécie.

Em tempos em que todos os tabus sexuais caem ainda faltava este da relação sexual entre pais e filhos e entre irmãos.

A proibição universal do incesto em todas as religiões é importante porque debaixo da proibição se esconde a ideia de protecção, dignidade e respeito. Protecção contra as doenças genéticas hereditárias que resultam de relações incestuosas. Protecção dos filhos e da intimidade e da paz na família. As crianças estariam indefesas perante os pais. Hoje é por demais conhecido o crime com crianças vítimas do abuso sexual de pais e as consequências psíquicas de que as vítimas sofrem.

O ser humano é tanto mais livre quanto mais conseguir não ser vítima ou objecto dos seus instintos e necessidades exageradas. Confunde-se liberdade com libertinagem à margem da responsabilidade social e natural. Dá-se uma desnaturalização do órgão que em vez de passar a existir em função dum organismo ou de um todo, em função duma necessidade telelógica, passa a existir em função de si mesmo como acontece com o tumor canceroso.
Não será que nos encontramos a caminho do embrutecimento? Os nossos avós ainda sabiam que “valores eram verdades morais mergulhadas no sagrado”. Uma sociedade desorientada não quer saber de medidas de orientação para o comportamento e menos ainda de normas. Estas cheiram a responsabilidade ou a bafio religioso.
António Justo

Publicado em Comunidade:

http://web.archive.org/web/20080430103235/http://blog.comunidades.net/justo/index.php?op=arquivo&mmes=02&anon=2007

António da Cunha Duarte Justo

RAÍZES

 
Encontramo-nos numa época em que a tendência é desenraizar as pessoas, desarreigar as famílias e alhear a pessoa da sua ligação à terra (fazer com que ela deixe de andar com os pés na terra!).
 
Deste modo, tornar-se-á mais fácil controlarar os cidadãos à distância, através de ideias e de regulamentações!
As pessoas passarão a ser mais dependentes e mais passíveis de doenças psicológicas.
As ideologias fomentadoras de fanatismo colocam a ideia sobre a pessoa, ontem como hoje e, assim, a pessoa passa a ser subjugada à ideia tornando-se seu mero objecto, a ponto de ser aniquilada (exemplos: comunismo, nazismo, islamismo, etc.).
 
Já o Diplomata e Psicoterapeuta Conde de Karlfried Dürckheim advertia:
“Tal como a copa de uma árvore desenvolve a sua vida apenas na medida do seu enraizamento, também o desenvolvimento do espírito depende da lealdade às suas raízes”.
António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo