A IGREJA NÃO PODE TORNAR-SE UM SUPERPARTIDO

A missão da Igreja é transumana transcendente e não pode ser reduzida a mais uma voz no debate partidário

A presença pública de responsáveis eclesiásticos tem vindo a adquirir um tom crescentemente politizado nos últimos anos. Entre a pandemia, a guerra na Ucrânia e a ascensão de partidos da direita na Europa, setores da Igreja parecem inclinados a alinhar-se com posições partidárias, muitas vezes repetindo o discurso dominante.
Esse caminho, porém, é um erro que prejudica a própria Igreja e os cristãos que, na sua liberdade e soberania, participam na vida política. Na comunidade cristã, “não há estrangeiros”, mas também não há partidos.

Em alguns países, como a Alemanha, chegaram mesmo a existir instituições ligadas à Igreja que evitavam contratar pessoas com filiação partidária “desconforme” ou desalinhada com o poder instituído. Hoje, como ontem, assiste-se à tentativa de afastar certos grupos, ontem comunistas, hoje membros de partidos populistas da função pública. Este tipo de práticas, para além de dúbias do ponto de vista democrático, torna a Igreja cúmplice de exclusões que não lhe competem. Na prática, este tipo de comportamento político-punitivo fragiliza o próprio sistema democrático e a dignidade humana.

A missão transcendente da Igreja

A Igreja não é um poder temporal, deve ser o sal da terra. A sua missão é espiritual, moral e universal. Não lhe cabe indicar “o partido certo”, nem avaliar programas de governo. O espaço específico da sua ação é outro: formar consciências à luz do Evangelho.

Os leigos, esses sim, são chamados a participar ativamente na vida política.
A eles cabe filiar-se, debater, negociar e propor soluções.
Aos clérigos cabe iluminar com princípios, não “dar o voto” nem deixar-se utilizar por interesses partidários.

Quando sacerdotes ou bispos criticam publicamente partidos específicos, mesmo quando movidos por boa intenção, arriscam-se a:

            – partidarizar a fé,

–  alienar fiéis que pensam de forma diferente,

– transformar a Igreja num ator político previsível e parcial.

E isso contradiz a própria natureza da Igreja, que é casa para todos.

“A Igreja não se confunde de modo algum com a comunidade política e não está vinculada a nenhum sistema político.” (Concílio Vaticano II, GS 76)

“A Igreja respeita a legítima autonomia da ordem democrática.” (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 571)

O Papa Francisco lembra repetidamente que a Igreja deve evitar “colonizações ideológicas”, seja de direita, de esquerda ou de qualquer tipo.

Princípios são uma coisa; programas partidários são outra

A Doutrina Social da Igreja não propõe soluções técnicas, mas sim princípios: dignidade da pessoa humana, bem comum, fraternidade, solidariedade, subsidiariedade.
Estes princípios não se traduzem automaticamente numa única proposta política. Muito menos num único partido.

Dois cristãos igualmente sérios podem, a partir dos mesmos princípios, chegar a opções partidárias diferentes sem perder fidelidade à fé.
E isso é saudável.
O que não é saudável é a Igreja tratar como erro doutrinal aquilo que, na realidade, é apenas uma opção política legítima.

Confundir o Evangelho ou princípios universais com aplicações políticas contingentes (com um programa partidário) é reduzi-lo e instrumentalizá-lo, pois, torna-se fonte de conflitos.

O risco do reducionismo moral

Quando a Igreja entra demasiado no debate político, tende a reduzir a moral a dois ou três temas, esquecendo o conjunto mais amplo da sua mensagem: justiça económica, paz, cuidados dos mais frágeis, ecologia integral, liberdade religiosa, dignidade da pessoa em todas as etapas da vida.

O Evangelho exige uma visão integral.
Não existe um partido que encarne todos os valores cristãos e não compete à Igreja escolher um.

Profetismo, sim. Partidarização, não.

A Igreja tem, sem dúvida, o dever de denunciar tudo o que fere gravemente a lei de Deus: aborto, eutanásia, xenofobia, violência, corrupção, injustiças estruturais.
Mas deve fazê-lo partindo dos princípios, não dos partidos.

Há uma enorme diferença entre afirmar “O partido X está errado”
e afirmar “Toda política que viola a dignidade humana está errada”.

Na primeira formulação, a Igreja torna-se um ator político.
Na segunda, cumpre a sua missão e deixa aos fiéis a tarefa de discernir.

O papel central dos leigos

A transformação política da sociedade não é missão dos padres.
É missão dos leigos. A própria  Igreja ensina que o sujeito principal da ação política são os leigos.

A eles pertence o debate político; à Igreja pertence a formação das consciências.
Quando esta ordem se inverte, ambos perdem:
a Igreja perde a sua universalidade; os fiéis perdem a sua autonomia. Os fiéis, bem formados, julgarão por si mesmos os programas partidários e evitarão entrar na polémica divisionista própria de estratégias partidárias.

Uma Igreja livre para todos

A Igreja deve ser uma consciência crítica da sociedade, e não um lobby disfarçado. Deve ser incómoda para todos os partidos quando necessário e dependente de nenhum.

Se cair na tentação de se transformar num “superpartido”, perderá a força profética e a capacidade de unir todos os que procuram Deus.

A política passa. Os partidos mudam e o Evangelho permanece.
E é a partir dele e não das lógicas partidárias que a Igreja deve continuar a iluminar a vida pública.

António da Cunha Duarte Justo

Teólogo

Pegadas do Tempo

 

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Publicado por

António da Cunha Duarte Justo

Actividades jornalísticas em foque: análise social, ética, política e religiosa

14 comentários em “A IGREJA NÃO PODE TORNAR-SE UM SUPERPARTIDO”

  1. muitos clérigos, pela forma como vivem, dão a entender que não acreditam na dimensão libertadora do Evangelho, daí a tentação a que muitos sucumbem de politizarem a mensagem…
    Em Portugal é por demais evidente. Então nos últimos anos nem se fala… até integram painéis de comentariado político e, mais grave ainda, de futilidades…
    Enfim, com pastores destes, nem precisamos de lobos, pois eles encarregam-se da tosquia…

  2. A política passa .Os partidos mudam e o Evangelho permanece. Sublime– são as suas palavras ! Do coração — Um bem haja. Muito obrigada . Parece , alguns da Igreja estão seguindo … herdaram do passado !!! Como o Senhor António Justo explica . Uma coisa é a politica, partidária , outra é a Igreja lhe compete “Sim” serem bons pastores , cuidadores da sua missão iluminar o povo é essa a sua missão nos caminhos do evangelho . Obrigada

  3. A missão da Igreja é a de Jesus: anunciar o Evangelho aos pobres e denunciar as injustiças. Acolher os estrangeiros, como está escrito no Evangelho segundo S. Mateus.
    Não sei quem é António Cunha Duarte… nem por que me apateceu esta publicação, mas não posso deixar de a denunciar como herege.Jesus denunciou os fariseus, acusando-os como fariseus. Tal como sacerdotes, escribas, doutores ds lei. João Baptista foi decapitado por denunciar publicamente, não um princípio, mas o homem Herodes.

  4. Orlando De Carvalho, agradeço sinceramente o seu comentário e o interesse em participar neste diálogo. A missão da Igreja, como muito bem recorda, é anunciar o Evangelho, defender os pobres, acolher os estrangeiros e denunciar o pecado e a injustiça. A esse propósito estamos plenamente de acordo, como também pode depreender do meu texto.
    O ponto central do meu texto, porém, é outro:
    a Igreja não pode confundir a sua missão com a lógica dos partidos políticos.
    Quando a Igreja denuncia injustiças, como fizeram Jesus, os profetas e João Batista, ela fala a partir do Evangelho, não a partir de alinhamentos partidários. Essa distinção é essencial para que a Palavra de Deus não seja instrumentalizada por agendas humanas.
    Quando recordo que “na comunidade cristã não há partidos”, refiro-me precisamente à liberdade dos fiéis: o Evangelho ilumina a consciência, mas não impõe uma filiação política. A Igreja, enquanto corpo, também não se deve transformar em actor partidário. Isto não é heresia; é o ensinamento constante do magistério:
    “A Igreja não se confunde de modo algum com a comunidade política e não está vinculada a nenhum sistema político.” (Concílio Vaticano II, GS 76)
    “A Igreja respeita a legítima autonomia da ordem democrática.” (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 571)
    O Papa Francisco lembra repetidamente que a Igreja deve evitar “colonizações ideológicas”, seja de direita, de esquerda ou de qualquer tipo.
    Assim, denunciar injustiças, como fez Jesus, é parte essencial da missão cristã.
    Mas identificar essa denúncia com o alinhamento a um partido concreto (a favor ou contra) é algo que a Igreja sempre considerou redutor e perigoso.
    Agradeço uma vez mais a oportunidade de esclarecer e dialogar. Que este debate nos ajude a todos a permanecer fiéis ao Evangelho e a caminhar juntos na caridade e na verdade.
    Com os melhores votos em Cristo

  5. António Cunha Duarte Justo, estou de acordo. De facto, não é por um partido se denominar cristão que é cristão, como se vê com o envolvimento de movimentos protestantes nas políticas por exemo, dos Estados Unidos e Brasil. Interessa, na realidade, as pessoas. Fique bem.

  6. Orlando De Carvalho , muito agradeço a sua resposta e o espírito de concórdia que manifesta. Fico também contente por reconhecer que o simples uso do rótulo “cristão” por parte de um partido não garante a fidelidade ao Evangelho algo que a história recente, tanto nos EUA como no Brasil, de facto confirma e também na Alemanha que bem conheço.
    A Igreja, ao longo do seu magistério, sempre alertou para este risco: quando a fé é instrumentalizada por interesses políticos, perde-se a liberdade profética do Evangelho e confunde-se a consciência dos fiéis. Como refere o Papa Bento XVI, “a Igreja não busca poder político, mas a formação das consciências”. E o Papa Francisco foi igualmente muito claro ao criticar tanto a politização da fé como a “ideologização” do cristianismo.
    Por isso, quando defendemos que a Igreja não deve transformar-se num “superpartido”, não negamos a importância da intervenção social e ética. Pelo contrário: afirmamos que essa intervenção deve inspirar-se na dignidade humana, na caridade e na verdade, e não entrar em enredos partidários nem em alianças sejam elas declaradas ou tácitas que frequentemente dividem, em vez de unir.
    Agradeço sinceramente este diálogo fraterno. É desta troca respeitosa que nasce uma compreensão mais profunda do que significa ser cristão na vida pública. Que o Senhor nos ajude a todos a viver a fé com liberdade, discernimento e caridade.
    Um abraço em Cristo

  7. António Cunha Duarte Justo Igreja tomar partido nunca. A Igreja é de e para todos, mas também não pode ser apartidária! Tem e deve denunciar a favor dos inocentes desprotegidos, sempre…

  8. O certo é que Jesus foi o único crucificado ! Porque,me fáz espécie , e admirar.. Ele” era o único inocente… !!! Sofreu da Carne á terra e ás pedras . Deixa generosamente o teu Amor trabalhar em mim. A minha igreja aqui tão perto a ver despedaçada …A transformação política da sociedade não é missão dos padres . É missão dos leigos . ! Mas o povo não lhe caí em graça .. Valha-nos Deus e a todos ! Como é Verdade, o que diz, Senhor António Cunha . UM BEM HAJA .

  9. Conceição Azevedo, muito obrigado pelas suas palavras, que revelam sensibilidade, fé e dor diante da realidade que vivemos. É verdade: Jesus, inocente entre os culpados, mostrou-nos até onde vai o amor que se dá sem reservas.
    Também acredito que a missão de renovar a sociedade passa, sobretudo, pelos leigos, que vivem no meio do mundo e sentem na pele as suas feridas. Os padres têm a missão espiritual; nós, enquanto povo, temos a missão de agir, de construir, de cuidar. Mas, infelizmente, nem sempre se escuta quem tenta fazê-lo com verdade.
    Todos nós somos cúmplices, seja pelo silêncio, pela omissão ou pela incapacidade de transformar o que precisa de ser transformado.
    Que Deus nos valha, sim, e nos ilumine a todos. E que o Amor de Cristo continue a trabalhar em nós, apesar das pedras e do sofrimento. Bem-haja pelas suas palavras e pelo seu testemunho de fé.

  10. Afinal, não é o que os responsáveis pela Igreja católica ( papas, cardiais, bispos e até padres ) sempre fizeram? Houve tempos em que os papas católicos até nomeavam e destituiam os próprios Reis!!

  11. Luís Azevedo-Coelho, obrigado pelo comentário e a reflexão que traz. Quando falamos de história devemos respeitar a “cor local” e compreender cada época dentro do seu próprio contexto. Por isso mesmo, é importante distinguir entre o que aconteceu no passado com as suas dinâmicas políticas, sociais e religiosas e o que se vive hoje. E o que interessa é o que acontece hoje e a isso se referia o texto.
    Dizer que “a Igreja sempre fez” determinada coisa pode levar a uma generalização que já não corresponde ao presente. Houve, de facto, momentos históricos em que papas e outros responsáveis da Igreja tiveram um papel político significativo, incluindo na nomeação ou destituição de reis. Mas isso pertence a um tempo e a circunstâncias muito diferentes das de hoje. Imagine-se que hoje tivéssemos de ir responder por crimes dos nossos familiares e avós! O que importa é empenhar toda a energia em transformarmos o presente.
    Hoje, a missão da Igreja, e de quem a serve, é outra: é espiritual, pastoral e humana e não política. Por isso, quando falamos, é mais justo e mais claro referirmo-nos ao presente, evitando confundir épocas e responsabilidades.
    Agradeço o seu contributo para este diálogo.

  12. Meu caro amigo Justo. Obrigado pelas tuas reflexões. Gostei especialmente da tua reflexão sobre a relação da Igreja com o mundo contemporâneo, distribuindo os papéis, de certo modo diferentes entre o claro e os leigos: os primeiros, que por vezes são designados como a Igreja, actuando na esfera dos princípios, os segundos, mais comprometidos com a tradução desses princípios na prática. Estas sábias reflexões fizeram-me recuar aos longínquos anos sessenta e setenta em que a igreja se abriu para o mundo e arrastando muitos cristãos, padres e leigos juntos para a acção misturando-se tb com pensamento e a práxis contemporânea. Lembro, p. Ex., o padre e professor na Universidade salesiana de Roma, Júlio Girardi, que ouvi em Lisboa pouco antes do 25 de Abril de 1974, que escreveu sobre a necessidade da igreja se empenhar nas lutas sociais e políticas, contra a violência e a opressão (Fé Cristã e Violência Revolucionária) e se empenhou, como muitos, na acção. Lembro -me tb que no meu 1.o ano de Teologia em Sevilha, um sacerdote jesuíta relatou a sua actividade como capelão de guerrilheiros na América Latina, com a suavidade dum místico que encontrou o caminho da salvação. Muitas ditas “experiências” de viver e sofrer no meio do povo foram depois travadas, como aquela em que eu participei em Aruil.
    Pergunto: Será que a igreja no seu conjunto não deverá tb “sujar” as mãos, levando à prática os princípios? E como Jesus apontando não só para o mal mas para os maus – Ai de vós fariseus hipócritas… Será que a igreja, no seu conjunto, e não apenas os leigos,, não pode denunciar indivíduos e partidos pela sua actuação. P. Ex. Aí de ti Ventura que desprezas o estrangeiro, que procuras segregar e excluir as pessoas por causa da sua cor de pele ou etnia, que berras mentiras para que pareçam verdades, insultando os teus adversários, etc… Os riscos são grandes, às vezes podem custar a vida, como a Jesus e a tantos mártires.

    Gostei do ler o teu texto , um acto de “amor” por um bicho que te fez companhia durante 19 anos. Bonito! Confesso que eu não tenho, nem consigo experienciar essa filía pelos bichos. Quando foi eleito o novo papa fiquei até um pouco decepcionado com o nome escolhido, o último papa das nossas vidas, com nome de bicho. Penso que, mesmo assim , isto não deve ser grave porque o nosso pai Adão devia padecer do mesmo porque, ainda inocente, rodeado de bichos no paraíso, andava triste, sentindo-se só. E Deus que é infinitamente sapiente rapidamente lhe arranjou um adjutório. Que seria de nós se Adão andasse tão satisfeito como tu com a bicharada.
    Brincar com coisas sérias… Será que, no fim do mundo, quando o Filho do Homem vier e reunir toda a crianção, tb incluirá o teu gato nessa criação toda?
    Cumprimentos à tua filha de Eva, a tua bela Carola.
    Abraço grande

  13. Meu caro amigo Horácio,

    muito obrigado pelo teu comentário tão rico e generoso. As tuas recordações dos anos 60 e 70, tempos em que a Igreja se deixou interpelar pelo mundo e desceu, com coragem, à rua da história, são testemunhos que nos obrigam a pensar com seriedade sobre o que significa, hoje, uma Igreja verdadeiramente encarnada. Lembras figuras como Júlio Girardi ou tantos outros que, movidos por uma fé viva, se aproximaram das lutas sociais, por vezes até ao limite do risco. E fazes bem: a memória ajuda-nos a não simplificar o presente.

    A tua pergunta é legítima e profunda: a Igreja deve “sujar as mãos”? Deve ela própria, e não apenas os leigos, envolver-se na denúncia de injustiças concretas, de estruturas e até de pessoas cuja acção fere a dignidade humana?

    A meu ver, a Igreja não pode, nem deve, refugiar-se numa neutralidade asséptica. O Evangelho não é neutro; é vivo, cortante, às vezes incómodo. Jesus não fugiu ao confronto quando estava em causa a verdade e a defesa dos pequenos. Mas há uma diferença fundamental entre a Igreja assumir uma posição ética e profética e transformar-se num actor político-partidário. A primeira é um dever; a segunda é um desvio.

    Os pastores devem iluminar consciências, denunciar injustiças e chamar pelo nome o pecado onde ele existe. Já as escolhas concretas de combate político pertencem, sobretudo, aos leigos, cuja vocação própria é precisamente transformar a sociedade a partir de dentro, com liberdade e responsabilidade. Se a Igreja institucional começa a apontar directamente “indivíduos e partidos”, corre o risco de perder a universalidade que lhe permite ser mãe de todos, até dos pecadores que critica.

    O que não significa silêncio. Significa profecia sem partidarização; significa denunciar comportamentos, atitudes e discursos que atentem contra a dignidade humana, sem se confundir com a lógica de blocos que tantas vezes envenena a vida pública. É um equilíbrio difícil, mas é também a via mais fiel ao Evangelho e à própria Doutrina Social da Igreja.

    Quanto ao teu comentário mais leve e sempre espirituoso sobre o meu gato, agradeço o sorriso. É verdade que alguns de nós desenvolvem esta espécie de amizade silenciosa com os animais; outros, como tu, olham para eles com distância quase filosófica. Ainda bem: no fim, Deus fez-nos complementares. Quanto a saber se, no dia em que “toda a criação” for reunida, pode ser que o meu “espírito felino” também lá esteja… deixemos esse mistério para a misericórdia de Deus, que sempre surpreende.

    A Carola, que se lembra muito bem de ti gostou da tua saudação à “filha de Eva”, como tão poeticamente lhe chamas.
    E a ti, Horácio, agradeço mais uma vez a profundidade, a memória e o humor, ingredientes que fazem bem à alma.

    Abraço grande e tudo de bom também para os teus.

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