ESTA É A HORA DOS ICONOCLAUSTAS

Outrora eram as hordas bárbaras que assaltavam os povoados, hoje são as bárbaras hordas que assaltam a praça pública em pleno dia.

O escritor Miguel Torga descreve uma realidade sempre actual que escapa à visão do Zeitgeist de cada época.
Os ventos arquejados nesta Europa , que precisamos, desviam-nos de nós mesmos, do nosso processo histórico e do nosso universalismo, para nos alinhar numa outra fila, com esta ou aquela ideologia ao serviço do Mamon e do poder pelo poder.
Deixe-se passa a onda dos iconoclaustas!

A imagem pode conter: 1 pessoa, texto que diz ""Ninguém me encomendou sermão, mas precisava de desabafar publicamente. Não posso mais com tanta lição de economia, tanta megalomania, tão curta visão do que fomos, podemos e devemos ser ainda, e tanta subserviência às mãos de uma Europa sem valores." Miguel Torga 1993"

António Justo

Social:

APESAR DE NÃO HAVER RAÇAS HUMANAS HÁ E HAVERÁ RACISMO 

 Racismo-discriminação-exploração andam de mãos dadas

António Justo

A divisão dos humanos em raças é refutada pela genética moderna, como declaram zoólogos, investigadores da evolução e geneticistas na Declaração de Jena de 2019 (1). Aí se constata: “O conceito de raça é o resultado do racismo e não a sua condição prévia”. De facto, “não há raças humanas… Nos seres humanos em particular, as maiores diferenças genéticas são encontradas dentro de uma população e não entre populações” … “A cor clara da pele das pessoas no norte da Europa tem menos de 5000 anos “.

Ernst Haeckel (“o Darwin alemão”), fundador da investigação da história tribal contribuiu fatalmente para o “racismo científico” do darwinismo social, através do seu arranjo alegadamente científico de “raças” humanas numa “árvore genealógica”.

Implementou-se uma ideologia que fazia uma leitura da sociedade organizada em grupos de pessoas biologicamente superiores e inferiores.

A aplicação do termo raça aos humanos é enganadora. Isto não significa que não possa haver diferenciação genética ao longo de uma zona geográfica, mas a avaliação taxonómica desta diferenciação (como raça ou subespécie) é arbitrária.

No caso de cães e de macacos, dada a sua diversidade de espécies e características distintivas, aí sim, seria apropriado falar-se de raças.

Quanto aos humanos, não é este o caso porque existe apenas um tipo de humano que povoa a terra desde há muitos milhares de anos.

 A Universidade Friedrich Schiller descobriu que dos 3,2 mil milhões de pares de base do genoma humano, não se encontrou um único par que constitua uma diferença racial. Assim, o conceito de raça, em ligação com a espécie humana, não deveria continuar a ser utilizado futuramente na linguagem exata ou científica.

Racismo, discriminação, exploração e preconceito andam de mãos dadas.

A hierarquização de grupos ou pessoas é um fenómeno que se observa de maneira mais ou menos explícita em cada pessoa. A Declaração de Jena conclui que “a simples eliminação da palavra ‘raça’ da nossa língua não impedirá a intolerância e o racismo”.

A Declaração de Jena de 2019 pretende, certamente, desencorajar explicações raciais para diferenciações coletivas em relação a traços físicos e/ou comportamentais!

Somos todos da mesma espécie. A palavra raça pode ter diferentes interpretações.

Na Alemanha houve e há a proposta de se excluir da Constituição a palavra raça. Penso que, por vezes, a semântica nos continua a preocupar demasiado correndo-se o perigo de ela nos desviar as atenções! O Racismo não é um específico de uma cultura ou civilização. É um vício comum ao humano a ser sanado com o esforço de todos.

Socialmente, racismo continuará a ser a discriminação de indivíduos ou grupos por causa de sua etnia ou cor.

 

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

  • (1) Declaração de Jena em alemão:

https://www.shh.mpg.de/1464864/jenaer-erklaerung

Social:

USO E ABUSO DA LÍNGUA

De uma maneira geral, assiste-se a um crescente embrutecimento da linguagem. As palavras cada vez perdem mais a sua vida íntima!

Urge o cuido de uma língua que não reduza as pessoas a categorias, uma forma de falar que permita que a língua exista nas suas muitas facetas e que expresse na sua diversidade o pensamento verdadeiramente aberto e assim contrariar um mundo que a quer polarizar, para mais facilmente colocar as pessoas em gavetas préfabricadas!

Para pessoas sensíveis e honestas tudo se torna mais complicado porque a brutalidade já parece ter foros de cidadania!

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

Social:

MOTIM EM ESTUGARDA

Nem a  Alemanha se encontra a caminho do caos nem o acontecido pertence à teoria da conspiração!

O motim começou, de sábado para domingo (20/21.06), com um controle de drogas, e talvez por solidariedade, viram-se 500 pessoas envolvidas nele! Houve lutas nas ruas, janelas partidas e lojas saqueadas. 280 polícias estiveram de serviço; 19 deles ficaram feridos e 24 pessoas foram temporariamente presas; doze delas são alemãs,  tendo três delas um passado de imigrantes. A outra metade veio da Bósnia, Portugal, Irão, Iraque, Croácia, Somália, Afeganistão.

Durante os fortes tumultos em Stuttgart, alguns desordeiros gritaram “Allahu Akbar” (Alá é grande).

“O que o homem antes semeia, é o que depois colherá!”

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

Social:

A RAIVA DESCE À RUA E A INQUISIÇÃO IDEOLÓGICA AFIRMA-SE

O Desfio a uma Cultura irrefletida e enfraquecida possibilita a Anarquia

António Justo

À era pós-colonial segue-se a era do globalismo, com a formação de novas estruturas de poder no mundo. O socialismo e o capitalismo encontram-se em luta rival pela supremacia. Hoje, como no passado, as pessoas estão a ser alinhadas em fileiras rivais. Nem uma amnistia do colonialismo nem a preferência pelo domínio capitalista ou pelo domínio marxista do mundo podem legitimar a opressão de pessoas nem a continuação da tradição da violência como meio de se construir futuro.

A estátua de Cristóvão Colombo foi “afogada” na Virgínia (USA), a estátua de Churchill foi entabuada em Londres, a estátua do Gil (mascote da Expo 98) em Lisboa foi derrubada, a estátua do Pe António Vieira em Lisboa foi vandalizada; tudo isto acontece numa onda de fúria a debater-se nas praças públicas do mundo ocidental num cenário contrarracismo e contra a discriminação. Se não fosse a bandeira antirracista, o accionismo destrutivo desta onda apenas patentearia uma rebaldaria de ocidentais contra ocidentais. Antirracismo tão fundamentalista é de ser qualificado na mesma categoria daqueles que diz combater.

Os novos bárbaros derrubam estátuas para se colocarem nos seus pedestais, conscientes da fraqueza e incongruências dos sistemas que nos regem e que dão continuidade, de maneira mais velada, a velhas discriminações.

É verdade que algumas estátuas não merecem estar num pedestal, mas também elas, sem pedestal, poderiam testemunhar as partes fracas de tempos e povos na sua expressão histórica.

Submeter mentalidades de tempos passados ao crivo do espírito do tempo atual, com a agravante de se usar uma atitude de ânimo igual (preconceito) à que se condena, torna-se ridículo e contraprodutivo. Pelos vistos, a perspectiva histórica deve ser substituída pela atual inquisição ideológica.

O racismo e a opressão continuam hoje como ontem presentes só que de maneira por vezes mais sofisticada (Como o Homem é feito dele mesmo e das suas circunstâncias o mesmo homem continua só variando nas suas circunstâncias…). Hoje expressa-se mais a superficialidade da praça dado muitos pensadores serem tentados a andarem atrás dela. Seria óbvio analisar-se, com bonomia, os valores e contravalores de uma época passada para melhor se poder conseguir os pressupostos para compreender a medida dos valores e contravalores da época atual, doutro modo perdemo-nos no processo de roda de hamster de tese e antítese sem a possibilidade de mudar a atitude nem de mudar de sentido.  Com a intenção de mudar o presente quer-se até acabar com o que a história nos tem para dizer e ensinar sobre o passado; em vez disso prefere-se dar continuidade aos erros do passado no presente. O objectivo em via não é acabar com a exploração do homem pelo homem, o que se quer é acabar com a História como se quer acabar com a natureza para se  instalar uma cultura materialista marxista e para isso construir uma mentalidade negativa construtora de um presente sem memória e sem futuro.

Em épocas anteriores assistia-se à guerra ideológica do proletariado anti patrão, que evoluiu para um proletariado anti cultura.  As redes das ONGs da ideologia parecem funcionar segundo o mesmo esquema que se observou nas reações em torno das mesquitas do mundo árabe nos protestos contra as caricaturas de Maomé. Ativistas incultos movimentados pelo instinto destrutivo de agressão, já sem povoados nem casas para assaltar, (os novos bárbaros) tentam apagar os vestígios da civilização ocidental no que ela tem de bem e de mal. Em jogo, tal como em passadas estruturas de poder, não está o bem das massas mas o dos seus lideres e de suas instituições.

Ideologias não só são instrumentos do poder, elas são também meios para chegar a ele. Por isso o centro da sociedade não se pode ficar em lamentar os extremismos. Enquanto a democracia vive do compromisso, os extremismos vivem de roturas e do contra pelo contra, aquilo que engrossa o extremismo de uma esquerda que em termos de poder se revela conformista (Veja-se a ditadura comunista chinesa: a razão não segue a moral, a moral segue a economia). Esta será uma luta da esquerda para a esquerda enquanto os antirracistas do centro direita não se declararem expressamente antirracistas em vez de se limitarem a condenar os excessos.

De repente encontramo-nos numa situação do tudo vale e  “Tudo o Vento Levou” em que poderes anónimos determinam, com muitos Zés-Pereiras da comunicação, o que é permitido e o que é proibido em massas sem cabeça onde o medo e a ignorância se tornam em reguladores da coisa pública. Isto que agora vemos por todo o lado já foi praticado em Portugal com a Revolução, só que ninguém fala disso, porque são os mesmos actores.

Os novos bárbaros (soldados activistas) não encontram resistência por parte dos Governos e, na sua luta, estão conscientes que  se assenhoreiam de governos, universidades e povo porque deparam, quando muito, com uma resistência envergonhada e só balofa na expressão; por isso  podem contar até com apoio nos meios de comunicação social, que chegam, por vezes, a funcionar como Zés-Pereiras, a acompanhar o ritmo dos instintos populares poupando no rigor e no investimento jornalístico. O património coletivo é colocado a leilão e a política, por interesse, medo ou cinismo, cala numa de assistir ao passar da enxurrada.  A cultura da violência e a desordem vão-se tornado num negócio também para as TVs, etc.

 

Cada época precisa das suas ideologias como moletas de identidades para menos fortes e como meios para servirem o poder estabelecido ou a estabelecer. Cada época tem o seu Zeitgeist; importante é que haja suficientes forças relevantes que ousem dar-se conta disso. A complexidade da vida social e política é demasiadamente difícil e o geral do cidadão anda tão ocupado e com tantas coisas que chega a perder-se nelas.

Estas ondas que se propagam como incêndios por todo o mundo ocidental têm método e sistema; são reacções de um incauto proletariado cultural ao serviço de agendas e ideologias que eles próprios desconhecem. Há muita gente interessada no caos e na desconstrução da cultura ocidental. Por isso se encontram tão activos só no Ocidente marimbando-se para o que acontece noutras culturas onde a opressão (colonialismo interno e externo), a exploração e a discriminação bradam aos céus!

A interpretação e a valorização dos actos sociais têm a ver com a mundivisão do interpretador que os ordena e justifica na sua determinada lógica; no meio de tudo isto encontra-se o poder que consolida uma ou outra interpretação que as massas seguem durante um circunstanciado tempo.

Ao lado da violência da rua existe a dos sistemas; aquela a que assistimos é sistémica e o povo contenta-se a abanar a cabeça julgando que se trata apenas de pessoas desmioladas um pouco estimuladas por agressões acumuladas durante o reinado de Dom Covid-19. As massas são levadas hoje por uma opinião pública que louva como anti-heroi George Floyd brutalmente assassinado aos olhos do público como ontem foi levada a louvar indecorosamente a morte sacana em directo de Kadafi e de Saddam Hussein.

Um sistema derruba o outro, e ao afirmar-se o povo bate palmas e tudo em nome da justiça. Nos USA onde povo e polícia se encontram armados até aos dentes a herança racista cultivada só poderá ser superada mediante uma mudança de consciência pronta a erguer-se contra o rearmamento policial e, pronta a atuar preventivamente, investir nas causas sociais.

O extremismo e fundamentalismo costumam andar de mãos juntas.

Nem o ódio à esquerda nem o ódio à direita justificam a tolerância do racismo e da opressão. O ódio desliga a razão e a inteligência, quer de pensantes à esquerda quer à direita. O problema intensifica-se quando é posto a funcionar ao serviço de partidos e mundivisões! É legítimo ter uma opinião, mas sem ser necessariamente intolerante com pessoas que têm um pensar diferente.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

 

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