À MINHA MÃE ROSA DO MEU JARDIM

Não por seres minha mãe, mas por quem eras:
Chamavas-te Rosa, a mais bela flor do meu jardim.
Partiste humilde e serena, como quem afaga a vida,
Entregaste a alma a Deus na paz da fé vivida.

Eras amiga de todos, e em ti todos confiavam,
Poço fundo que guardava tudo, em silêncio.
Águas puras onde nunca lavaste impurezas,
Nem as tuas, nem as do mundo, apenas as guardavas.

Tiveste a presença inteira de quem crê na vida,
Antes e depois da morte, sem medo da passagem.
Obrigado, mãe, por esse olhar que não se fecha.
Obrigado por servires, e nesse serviço, seres feliz.
Obrigado por dares ao mundo, em flor,
Quatro rosas e nove cravos, semente de amor.

Eu sigo contigo, sabendo que a cultura é uma ponte,
Um jeito de fugir à morte, de a adiar.
Vamos todos irmanados, a caminho da eternidade,
Andando devagar, sem pressa de chegar.

Este é um momento de gratidão e de esperança.
Minha mãe viveu com Deus, morreu em Deus,
Sempre em espírito de serviço, porque sabia:
O “eu” só se faz no “nós”. E fê-lo porque era boa.
Não se desculpava com a vida, aceitava-a como dádiva.
E foi assim, anónima e santa, que nos ensinou a viver.
António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo
PS. Fiz esta poesia num dia de nevoeiro, numa hora em que a alma precisava de âncoras e então procurei-te. Precisava de ti, do teu sorrir que erguia a alma. E eis que, como se a tua mão me guiasse, o nevoeiro que me envolvia se dissipou para dar lugar ao teu sorriso que agora guardo nestas palavras, neste poema que é teu. Quando duas almas se encontram a caminho, na admiração do que é belo, simples e verdadeiro, a linguagem deixa de ser um instrumento e passa a ser uma vivência comum, Obrigado mãe e alegra-me ver que este meu louvor é também o eco da poesia que plantaste em teus filhos, como tu bem sabes e observas. Em ti também um um agradecimento a todas mães que guardam em seu seio o sorrir do futuro.

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António da Cunha Duarte Justo

Actividades jornalísticas em foque: análise social, ética, política e religiosa

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