Jesus ensina que o verdadeiro senhor se faz servo
Na noite em que se consuma o mistério da sua entrega, Jesus de Nazaré realiza um gesto inaudito: levanta-se da mesa, tira o manto, cinge-se com uma toalha e começa a lavar os pés aos discípulos. O verdadeiro Senhor torna-Se servo dos outros. Assistir e ajudar: eis o centro da renovação, que depende apenas da boa vontade de cada coração.
Pedro resiste, por humildade mal compreendida. Mas Jesus ensina: amar é abraçar, é inclinar-se sobre o outro, desde que o outro o permita. Com o exemplo, o Mestre resume a sua máxima: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.” Nesse gesto, Ele resume todo o caminho do humano e da humanidade.
N’Ele se unem o céu e a terra. A cruz, que se avizinha, não é um palco de derrota: é a árvore da vida, assim como a árvore do paraíso terreno foi a árvore do conhecimento. No humano, encontramos ao mesmo tempo o Cristo abandonado e o Cristo ressuscitado. E n’Ele está presente o Deus que não abandona, mesmo quando as circunstâncias parecem gritar o contrário.
À mesa, porém, acompanha-O também Judas, mais interessado na realização de ideologias políticas do que na comunhão do amor. Judas torna-se símbolo daqueles que, em nome de uma pretensa verdade, procuram desmontar o que existe apenas para se instalarem nos andores da idolatria egocentrista.
Jesus veio superar os dualismos e os maniqueísmos que, ainda hoje, persistem nos seguidores de Judas: todos os que trabalham para outros senhores, movidos por um coração tóxico que nunca é construtivo. O lava-pés permanece, pois, como antídoto e memória: a grandeza está em servir, não em dominar.
António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo
Caro amigo António,
Adorei a sua mensagem!
Até à comoção. Nem sei se mereço as suas palavras amigas. Sei que me confortam. Peço desculpa por só agora responder, o cansaço é muito. Nesta altura em se sente mais intensamente o sofrimento da Paixão de Jesus, não justo queixarmo-nos.
A minha cruz fica pequenina diante da Cruz e sofrimento
Minha querida amiga Mafalda,
As suas palavras tocaram-me profundamente. Agradeço do fundo do coração a sua mensagem, tão cheia de fé e de amor. Não precisa de pedir desculpa, compreendo-o bem a sua situação, e também sei que o Senhor compreende. Afinal, Ele próprio, na agonia do Horto, sentiu o peso da nossa fragilidade.
Que linda lição que a Mafalda comunica ao dizer que a nossa cruz se torna pequena diante da Cruz de Cristo. Mas não é por ser pequena que dói menos; é por sabermos que não a carregamos sozinhos. Ele caminha ao nosso lado, e pessoas como você são verdadeiros sinais da sua misericórdia.
Muito obrigado pelos seus votos que revigoro para si também. A viagem correu muito bem. No Domingo de Páscoa vou-me encontrar com toda a família.
Rezo para que o Senhor lhe renove as forças e lhe conceda a paz que só Ele pode dar. Que esta Semana Santa nos una ainda mais ao Coração de Jesus, e que a Sua Paixão nos ensine a esperar a alegria da Páscoa. A Mafalda actualiza e continua a paixão de Cristo no sentido de salvar a humanidade e também nesse sentido se torna corredentora.
Com muita gratidão e um abraço fraterno,
António Justo