O AGRICULTOR E O ARCO-ÍRIS

Do espelho do coração à luz da relação

Tal como o agricultor cultiva a terra,
o Homem consciente, em silêncio, desenterra
a sua própria cultura e o seu ser:
cuida de si para poder crescer
e integrar-se no sentido da vida,
na seiva que nunca se encontra dividida.

O Sol é o chamamento à liberdade:
aquele fogo que em tudo nos invade
e consegue integrar, num só clarão,
o eu, o tu, o nós, três vozes, numa canção
de harmonias. Como o arco-íris enlaça
as diferentes cores numa só taça
para lhes dar sentido, harmonia e beleza
a quem desperta para a natureza
de um ser mais evoluído, que enfim aprende
que a libertação é o nó que nunca se rompe,
é a água que não vira gelo,
é a planta que cresce abrindo o seu cerco.

E o olhar do coração, então, se faz fé,
onde o eu é tu, e o tu é nós, e o nós é pé
para a dança do mundo, livre e inteiro,
como o agricultor que semeia o primeiro
sulco da bonança, sem medo de dar.

E assim todo aquele que aprendeu a dar
junta o nome a quem aprendeu a cantar
a liberdade que nasce do encontro e do susto
de ser relação. E assim o poema se fecha:
na terra, no sol, no arco que não se queixa.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo:

(1) Só um Nó Liberto desata corações alheios!

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António da Cunha Duarte Justo

Actividades jornalísticas em foque: análise social, ética, política e religiosa. Prajetória marcada pelo ensino, pela escrita, poesia e pelo jornalismo cultural, com particular relevo para o diálogo intercultural e a promoção da língua e cultura portuguesas em Portugal, mundo lusófono e na Alemanha.

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