A MASMORRA DA TORRE DE VIGÍLIA

Desce do alto, pois o olhar do mirante
é vidro espesso que te separa do mundo.
A vida corre em baixo, ofegante,
e a pedra é dura só no olhar profundo.

Se a tocas, é calhau que a água molha,
se a evitas, é muralha que te cerra.
A noite que na tua alma se recolhe
é o eco da razão que faz da terra
um campo estéril onde a mente semeia
areia grossa em vez de branda relva.

A cruz que pesa e que o teu dorso encadeia,
se a ergueres com braços, torna-se em selva,
mas se a arrastas no chão, feita corrente,
enforca o coração na própria gente.

Vai, toca a folha que o sol chama e sente,
e deixa o pé na água que não mente.
O sério da vida é não levá-la a sério,
sê água, sê raiz, sê sol, sê ar,
que o todo cabe num só hemisfério
se o deixares sentir, não explicar.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

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António da Cunha Duarte Justo

Actividades jornalísticas em foque: análise social, ética, política e religiosa. Prajetória marcada pelo ensino, pela escrita, poesia e pelo jornalismo cultural, com particular relevo para o diálogo intercultural e a promoção da língua e cultura portuguesas em Portugal, mundo lusófono e na Alemanha.

2 comentários em “A MASMORRA DA TORRE DE VIGÍLIA”

  1. Antonio, ich habe 3x gelesen. Die letzte. Strophe ist wunderschön. Das ganze Gedicht sehr tiefsinnig ,,, voller unsichtbarer Wellen in uns… Sehr schön. Danke !!!

  2. Liebe Ksenija, ich schrieb das Gedicht nach dem Besuch eines lieben Freundes, der eine existenzielle Krise durchmacht. Ich dachte an ihn und an so viele andere Menschen, die den Schmerz des Lebens im Herzen spüren, und jedes Mal, wenn ich mich hinsetzte, um das Gedicht zu schreiben und zu überarbeiten, spürte ich den Schmerz der Welt in meinem Herzen widerhallen. Vielen Dank für Dein Feedback.

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