PANENTEISMO NO DENTRO E FORA DO OCEANO
Escuta, não sou mais que uma breve gota,
Mas trago o mar no sangue e na medida.
Não sou o Todo e, no entanto, ele em mim habita,
Pois Deus é mais que a soma da existência.
Que outro oceano me diria: “és minha espuma,
Mas nunca perderás a tua forma breve”?
Que vento me traria, sem me destruir,
O gosto do eterno, o sal do que não finda?
Eu não me perco em Ti, nem me anulas;
Em Ti me encontro, inteiro, singular.
Danço contigo a dança da Presença,
Onde o Teu e o meu, juntos, podem cantar.
Pois se crio em Ti, Teu hálito é meu chão;
Mas Tu és mais que o gesto e a canção.
António da Cunha Duarte Justo
A DANÇA DA TRINDADE QUE NOS CHAMA
O Pai é fonte, o Verbo é o espelho,
E o Amor que os une é o Espírito que tudo inundou.
E Tu, ser humano, não és rotina;
És palavra única no meio da poesia.
A criação não é tela que se gasta,
Mas o próprio olhar de Deus, em pleno dia.
Por isso o mundo é templo, e não se esgota;
O mal não é divino, mas batalha que se trava.
E o Tempo caminha para a festa onde o Cristo é a nota,
Onde se escuta enfim a música mais clara.
Oceano em nós, que nada afoga,
Trindade que nos salva e nos convoca.
António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo 2025