O CORDEIRO DE DEUS

O Cordeiro desceu às imperfeições,
às fendas da matéria e da memória,
e teceu, de fragmentos e ilusões,
o fio luminoso de outra história.

Não com lã intacta, mas com o quebrado,
cada nó, cada falha, cada ferida,
tece o que nunca foi, nem foi sonhado:
a ponte sobre a noite da descida.

E quando o fio rompe, no mesmo instante
o Cordeiro reúne os cacos dispersos;
a luz não vem de fora, vem do antes
que se fez frágil para abrir universos.

Assim o fio desce, sobe, e ensina
que a tecelagem é comunhão de estrada:
quem tece com o outro não termina,
porque a mão que dá nó fica entrelaçada.

António da Cunha Duarte Justo

Social:
Pin Share

Social:

Publicado por

António da Cunha Duarte Justo

Actividades jornalísticas em foque: análise social, ética, política e religiosa. Prajetória marcada pelo ensino, pela escrita, poesia e pelo jornalismo cultural, com particular relevo para o diálogo intercultural e a promoção da língua e cultura portuguesas em Portugal, mundo lusófono e na Alemanha.

7 comentários em “O CORDEIRO DE DEUS”

  1. Gostei muito do teu poema. Tem uma beleza profunda e uma forma muito especial de transformar a fragilidade em algo luminoso. Obrigado por partilhares.❤️

  2. Bom dia amigo ! Obrigada pela excelente partilha ! Feliz domingo para si e família ❤️

  3. Nunca no caminho se perde nada . Quando o amor , se dá em caridade. O fio desce , sobe e ensina que a tecelagem , é comunhão da vida em aprendizagem , que o amor não dorme …. achei maravilhoso. O Deus que desce ás imperfeições , nossas

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *