A TINTA E O HORIZONTE

Meu pai era a força que lavra o chão,
a onda que fecunda a imensidão,
energia em transbordo, chama viva,
a imaginação que nos cativa.

Foste, aos doze, caminheiro a sós,
de Gaia a Arouca, guiado pelo sol,
nas encruzilhadas, a sombra do pinhal
hesitava o passo, mas não o teu sinal.

Tu, homem encoberto que a vida não poupou,
no teu sorrir a minha veia se formou.
És a tinta que na caneta vai correr,
à procura de um espírito que a saiba ler.

Se em ti era a ideia, o horizonte a desenhar,
na mãe era a terra que o fazia ancorar.
E no meu pulso, em cada verso que se lança,
ouço o vosso eco, a herança que não cansa.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

Social:
Pin Share

Social:

Publicado por

António da Cunha Duarte Justo

Actividades jornalísticas em foque: análise social, ética, política e religiosa

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *