“CAMINHO SINODAL” ALEMÃO FORA DO CAMINHO?

Os Críticos do Caminho Alemão mobilizaram o Papa

A declaração do Vaticano, de 21 de julho, avisa que a Igreja na Alemanha não pode adoptar novas formas de governo ou mudar a doutrina e a moral, porque isso constituiria uma ameaça à unidade da Igreja.

O Caminho Alemão, lançado em 2019, procura reformas da Igreja Católica no uso do poder, na moral sexual, na posição das mulheres e no celibato obrigatório para os padres, quer a bênção dos casais homossexuais, o diaconado para as mulheres e quer também ter uma palavra a dizer na nomeação dos bispos.

O Papa já tinha dito que na Alemanha já temos uma Igreja Protestante, “não precisamos de duas”. O Vaticano não quer ver reservado um caminho especial para os alemães; estes devem contribuir com as suas próprias ideias. Os alemães estão demasiadamente preocupados com as estruturas e não o suficiente com a proclamação activa da fé. A crise da Igreja é uma crise de fé e não apenas uma crise de credibilidade.

O documento condiciona mudanças só a partir de uma aceitação da igreja universal (Sínodo da sinodalidade): “Não seria admissível introduzir novas estruturas ou doutrinas oficiais nas dioceses antes de ter sido alcançado um acordo a nível da Igreja universal” …. Este parágrafo apesar da sua intenção conciliadora causará bastante discussão atendendo à qualidade da Igreja como Depósito da Fé ((Dei Verbum 7 e não submetida a acordos) e por outro lado corresponde aos artigos 91 e 92 do Catecismo da Igreja Católica (baseada no sacerdócio comum do povo de Deus).

Segue a tradução da Declaração da Santa Sé:

“A fim de salvaguardar a liberdade do Povo de Deus e o exercício do ministério episcopal, parece ser necessário esclarecer: A “Via Sinodal” na Alemanha não tem autoridade para obrigar os bispos e os fiéis a adoptar novas formas de governo e novas orientações de doutrina e moral.

Não seria admissível introduzir novas estruturas ou doutrinas oficiais nas dioceses antes de ter sido alcançado um acordo a nível da Igreja universal, o que constituiria uma violação da comunhão eclesial e uma ameaça à unidade da Igreja. Neste sentido, o Santo Padre recordou na sua carta ao povo peregrino de Deus na Alemanha: “A Igreja universal vive nas e das Igrejas particulares, tal como as Igrejas particulares vivem e florescem na e da Igreja universal; se fossem separadas da Igreja universal, enfraqueceriam, pereceriam e morreriam. Daí a necessidade de manter sempre viva e eficaz a comunhão com todo o corpo da Igreja”[1]. Portanto, espera-se que as propostas do Caminho das Igrejas Particulares na Alemanha fluam para o caminho sinodal a ser seguido pela Igreja universal, para enriquecimento mútuo e um testemunho dessa unidade com que o corpo da Igreja manifesta a sua fidelidade a Cristo Senhor.” Texto original em nota (1)

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo, https://antonio-justo.eu/?p=7732

(1) Texto original: https://press-vatican-va.translate.goog/content/salastampa/it/bollettino/pubblico/2022/07/21/0550/01133.html?_x_tr_sl=de&_x_tr_tl=es&_x_tr_hl=es&_x_tr_pto=wapp

A respeito do tema:

Caminho sinodal alemão um desfio: https://www.gentedeopiniao.com.br/opiniao/caminho-sinodal-na-alemanha-um-desafio-a-outras-vias-sinodais-energia-nuclear-guerra-fria

As cinco tentações do Caminho sinodal alemão: https://antonio-justo.eu/?p=7135

Matriz política masculina: https://bomdia.be/matriz-politica-masculina-nao-pode-ser-norma-para-a-instituicao-eclesial/

Nem sacerdotes casados nem diaconisas: https://bomdia.eu/nem-sacerdotes-casados-nem-diaconisas/

NOSSO TEMPO RETRATADO

De facto, como bem descreve Vila Verde, parece vivermos na armadilha de uma complicação armada:

“Vivemos numa época complicada. Querem que os padres se casem e que os casais se divorciem. Querem que os héteros se juntem sem casar e os homossexuais se casem. Querem que as mulheres se vistam como homens e os homens como as mulheres. Não há vagas para os doentes nos hospitais, mas há incentivos e patrocínio para quem quer fazer mudança de sexo. Ser a favor da religião é ditadura, mas urinar em cima de crucifixos é liberdade de expressão. Se isso não for o Fim dos Tempos, deve ser um ensaio.” Gabriel Vila Verde

Em tempos de crise, é utilizada a complicação que justifica a proliferação de armadilhas e armaduras. Tudo anda distraído, apressado; tudo se perde em si mesmo, tudo vai vivendo dos sons que vêm do andar da mente, sem descobrir a ressonância da caridade para aqueles que vivem mais perto da vida!

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

ABORTO UM DIREITO FUNDAMENAL NUM DIREITO TORTO

O Parlamento europeu aprovou uma resolução que pretende ver  o “direito ao aborto” incluído na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia. O resultado da votação de 7.07.2022 foi 324 votos a favor e 155 contra.

Embora um direito não implique obrigação, nem   dever, o direito ao aborto elevado a direito fundamental, em termos  de Estado, implica o enfraquecimento de outros direitos fundamentais e é uma posição contra a vida que, no meu entender, deveria ser considerada o direito dos direitos!

Que uma pessoa grávida, no seu foro individual, tenha o direito de decisão em consciência é um assunto,  mas que para a sociedade o direito à vida da criança por nascer seja indiferente e o aborto consagrado como direito fundamental, torna-se desumano e antissocial ; que se proteja a saúde e os direitos das mulheres é importantíssimo mas ao questionar-se o direito da criança à vida concede-se aos Estados direitos que não lhes pertencem; já tivemos o exemplo disso nas leis e práticas nazis.

É um sinal de decadência quando parlamentos se tornam palcos de guerra de trincheiras ideológicas e pior ainda quando isso surge como reacção à legislação antiaborto dos EUA. O importante não é querer criminalizar o aborto, mas a defesa do direito fundamental da vida (da criança)!

É verdade que a resolução parlamentar não se torna facilmente vinculativa a nível jurídico, porque para isso os Estados-Membros da UE teriam de ser unânimes em aceitar tal lei. Além do mais, um tal direito fundamental põe em risco a reforma dos tratados da EU. Por estas e por outras, os países mais fortes da EU querem revogar na carta da União Europeia o direito de veto a países pequenos. Como se assiste na discussão política de países fortes como a Alemanha e a França, o direito dos mais fortes encontra-se em vias de validação na UE.

A Conferência episcopal alemã declarou que o direito ao aborto “desconsidera completamente a proteção da vida do nascituro e de forma alguma faz justiça à complexidade da situação”(1).

Sobre o assunto ainda: “Dignidade humana e direito à vida” em https://bomdia.eu/dignidade-humana-e-direito-a-vida/  e “Na Época das Contradições o Contrário torna-se habitual”: https://antonio-justo.eu/?p=7021

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

(1) https://www.kirche-und-leben.de/artikel/abtreibung-als-grundrecht-kirche-ruegt-resolution-des-eu-parlaments

PERSEGUIÇÃO EM HONG KONG

O cardeal Zen bispo emérito de Hong Kong, foi preso e acusado, em  tribunal (24 de maio) pelo governo chinês, de ter apoiado os manifestantes contra a ditadura chinesa.

A  opressão comunista chinesa não respeita a liberdade e os direitos democráticos de Hong Kong, garantidos na Lei Básica de Hong Kong.

Por todo o mundo fora os direitos humanos estão cada vez mais em perigo! De considerar também que na Arábia Saudita é pior do que na China e ninguém se rala com isso!

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

O REGIME DE DANIEL ORTEGA EXPULSOU DA NICARÁGUA AS FREIRAS DA CARIDADE

O Regime de Daniel Ortega e esposa Rosário Murillo (no poder desde 2007) expulsou da Nicarágua 18 Missionárias da Caridade no dia seis de julho. Entre as freiras encontram-se sete indianas, duas mexicanas, uma espanhola, duas guatemaltecas, uma equatoriana, uma vietnamita, duas filipinas e duas nicaraguenses.

A Assembleia Nacional da Nicarágua é controlada pela Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN).

Daniel Ortega odeia a Igreja católica e tudo o que reflecte a fé cristã. Isto pode ver-se confirmado no relatório documental de 190 ataques à Igreja católica nos últimos quatro anos: “Nicaragua: ¿una iglesia perseguida?: https://www.aciprensa.com/pdf/profanaciones-y-ataque-a-la-iglesia-catolica.pdf  . O relatório é da autoria da advogada investigadora Martha Patricia Molina Montenegro, integrante do Observatório Pro Transparência e Anticorrupção.

O facto de a Igreja católica não estar disposta a lisonjear ninguém move os ataques da parte dos que exigem lisonjeio.

As freiras foram acolhidas de braços abertos na Costa Rica.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo