ISLÃO E SOCIEDADE OCIDENTAL – MASCULINIDADE CONTRA FEMINIDADE

O Corão constitui um progresso para as tribos árabes e um atraso em relação aos povos da Bíblia

Por António Justo

Os maometanos não permitem a dúvida no seu sistema de pensamento, não se sentindo estimulados a procurar a verdade porque a sua cultura reduz a verdade à letra do Corão, à Sharia e à Suna – um sistema fechado que se afirma pela ambivalência e uma autoridade subjugadora.  O Corão, a Sharia e a Suna fixam conceitos e práticas, de formato antropológico e sociológico próprio da região árabe e do século VII. Estes, aliados ao patriarcalismo transmitido nas tribos daquele território, expressam-se numa vontade firme de transformar o mundo numa província árabe e de tornar todo o cidadão do mundo num fiel de Alá e de Maomé (1).

O islamismo, como tem um caracter masculinizante acerbado, subjuga também o caracter da feminilidade religiosa à sua maneira masculina de ser e de estar política, social e individual; consequentemente a religião passa a ter um caracter mais público e institucional que pessoal: o Homem é concebido em função de uma ideologia-instituição que se identifica só em termos religiosos. A cultura consegue assim afirmar o caracter institucional masculinizante sem ter a contrapartida da força do indivíduo moderadora do colectivismo nem o contributo religioso feminizante que incremente a sua evolução.

 

Feminidade invertida

A estratégia religioso-política serve os interesses do poder, pelo que o seu princípio motor machista é levado até às suas últimas consequências; o seu exemplo original encontra-se, no estilo de governação, nas invasões islâmicas e na sua base da economia (2) baseada na escravização, pagamento de impostos pelos vencidos e saque: matavam os homens vencidos para disporem das mulheres como escravas do sexo e mercadoria de venda.  Nesta vida a mulher islâmica, no espírito da referida trilogia, não tem valor em si e é inferior ao homem (3).

A sociedade ocidental conseguiu uma certa moderação do princípio masculinizante, mas parece agora ter chegado a um estado de desenvolvimento patinante que, em vez de desenvolver a feminidade, acentua uma feminilidade invertida; nela parece revelar-se uma certa nostalgia dos tempos em que a masculinidade criava posições/papéis claros na sociedade ( masculino domado não a estimula pelo que parece tender a voltar ao tempo de matriz puramente masculina e que hoje se revela numa autoagressão cultural transportada por uma esquerda radical  como se afirma na deputada alemã Stefanie Von Berg que confessa: “a nossa sociedade mudar-se-á e o nosso Estado mudar-se-á radicalmente… Sou de opinião  que dentro de 20 a 30 anos já não teremos nenhuma maioria étnica… e é bom que seja assim”. O brilho e o vigor dos imigrantes barbados parecem criar fulgores em mentes femininas e medos em mentes masculinas.  Uma autodepreciação fermenta a cultura e uma forma nostálgica do caos e da guerrilha; parecem exercer grande atracção e motivar muito do pensamento, hoje propagado, pela esquerda que, por outro lado, provoca o surgir de uma reacção exaltada da direita que luta pelo equilíbrio da balança exagerando no outro polo. A História é como uma balança que se alterna no sobrepeso dos seus pratos e onde uma força de razão nela encoberta faz surgir sempre uma contra-força que fomenta o equilíbrio de forças dos polos para um novo continuar da accao humana. Umas vezes é o espírito conservador que domina outras vezes é o espírito progressista, numa competição que dá forma à vida.

O guerreiro-estratega Maomé teve o mérito de unir as tribos da região sob uma língua comum e de lhes dar um livro sagrado (o Corão) que lhe possibilitasse a unidade; para o efeito imitou os povos da Bíblia (judeus e cristãos), adaptando a Bíblia em função do seu projecto – o livro (Corão) a criar para os seus destinatários, os clãs árabes.

Maomé, a princípio, tinha-se entusiasmado com a espiritualidade e com a superioridade dos povos do livro (Bíblia) como revelam os escritos do seu tempo espiritual de Meca. No contacto com a masculinidade excessiva dos clãs árabes, que não reconheciam os seus ensinamentos, chega à conclusão que, para os dominar, terá de usar da brutalidade e da violência que então passa a legitimar com as suras de Medina no Corão (Com a mudança de Maomé de Meca para Media, Alá mudou de opinião, abandonando, o espírito poético,  o seu caracter espiritual feminino. Comparando as suras de Meca com as de Medina chega-se à conclusão que Deus mudou de opinião; abandonou o espírito mais próximo do NT para afirmar o AT: um Deus conciliador e pacífico passa a ser um Deus guerreiro!). O problema da interpretação do Corão vem também do facto de os imãs receberem a orientação de seguirem e pregarem nas mesquitas as suras de Medina (A feminilidade é subjugada à Umma)!

No islão, a falta de equilíbrio entre a polaridade da masculinidade e da feminilidade ainda é mais acentuada e perturbada que noutras culturas; nele sobressai uma relação revolta com o feminino, com o princípio da feminilidade, que é relegado para o plano meramente particular e privado e para as fantasias masculinas do Harém e das virgens no paraíso (paraíso em função do homem). Esta evasão no sentido de satisfazer as necessidades de prazer do homem conduz a uma vivência extrema da polaridade masculina em desperdício da feminilidade contida na mulher real. Para a vida real reserva-se a funcionalidade! A afirmação exacerbada das energias da masculinidade sobre as energias da feminidade (do princípio masculino sobre o feminino), que se encontra de forma sistemática e coerente no islamismo, tem criado um certo fascínio em pessoas, instituições e ideologia de matriz acentuadamente masculina. A confissão dos Alevitas, embora muçulmana, consegue salvar a feminilidade da espiritualidade religiosa refugiam-se na mística, interpretando para isso o Corão alegoricamente, não o seguindo à letra.

As religiões, em geral, têm um caracter feminino (a espiritualidade) enquanto a política é de caracter masculino e o princípio da masculinidade política tem-se revelado como o princípio dominador no exercício do poder de modelo patriarcal.

Em Medina, Maomé redirecionou as revelações, deixando o carácter mais feminino e poético das suras de Meca, em serviço de uma masculinidade política de confronto e de oportunismo (hommo religiosus é transformado em homo politicus). A partir de Medina (622) já não domina a espiritualidade, mas sim o mero interesse político: o código, a lei. onde se manifesta a agressividade politica sem qualquer espírito feminino nem qualquer tempero de uma religiosidade integradora dos polos. A religião é masculinizada e empregada no sentido do poder político e da subjugação individual e social; as próprias orações assumem um caracter meramente ritual diário que serviam também para poder controlar (através da presença na oração) o grau de fidelidade política a Maomé. Por isso se pergunta com razão, ao ler-se o Corão; como é que Deus mudou de opinião passando de uma mensagem ainda pacifica em Meca para uma revelação guerreira e agressiva em Medina?

Maomé entendeu mal o Novo e o Antigo Testamento ao tentar adaptá-los ao seu projecto político e militar de unificar os clãs árabes através do Corão. Com o Corão, a Sharia e a Suna, efectua-se um retrocesso histórico do desenvolvimento antropológico e sociológico em relação à História (da filosofia espiritual) do tempo, ao retroceder para o patriarcalismo do AT sem contemplar o desenvolvimento deste, entretanto operado pelos judeus nos seus comentários. Este atraso foi o preço a pagar pela unificação dos povos árabes.

O cristianismo, embora existisse numa sociedade de matriz masculina, conseguiu, de certa maneira, defender a mulher e deste modo colocar a feminilidade na ordem do dia ao individualizar a espiritualidade e ao impor a monogamia ao homem; a indissolubilidade do casamento tornou-se num grande passo também pedagógico em defesa da feminidade. Naturalmente, povos com matriz vincadamente patriarcalista, apesar do equilíbrio da feminidade e masculinidade em Jesus, continuaram a fazer sobrepor a masculinidade à feminidade nas instituições e na política.

(De não esquecer o caracter dinâmico e de desenvolvimento inerente a uma certa disputa dos dois princípios/energias – masculinidade e feminilidade: o equilíbrio dos dois princípios/energias suporia uma sociedade altamente desenvolvida na vivência da solidariedade e irmandade em que o princípio motivador de desenvolvimento externo deixaria de ser o princípio do poder para se tornar no princípio do amor).

O meio em que Maomé atuava era rude e ele estava muito preocupado com a união dos clãs árabes sob um mesmo tecto cultural (religião e língua); neste sentido não podia incluir no seu ideário o caracter revolucionário da filosofia Jesuína que era de caracter muito feminino e como tal crítico em relação à instituição; o seu plano era outro.  Por isso, para impedir a complicação que reinava na cristandade e nas lutas entre o império romano do ocidente e o império bizantino, onde o poder secular e o poder religioso não eram inequívocos, ele cria uma religião – o islamismo – onde poder político e poder religioso se identificam. Deste modo a identificação individual, política e religiosa torna-se clara; não interessa a multicultura secular e religiosa, o que importa é instalar um só latifundiário, à maneira do deserto sem grandes altos nem baixos. Para isso a rasoura da obediência e da submissão tornam-se em meios eficazes para uma estratégia de guerra (Jihad) e consequente economia do saque e da escravização que a apoie.

Maomé estava interessado numa língua do poder (mensagem político-religiosa) com lugar para a violência e para a ambivalência; por isso reduz a espiritualidade a rastos de feminilidade visível na forma poética da expressão. Esta lírica é usada como casca para envolver o Jihad e no sentido de fortalecer a sua narração meramente masculina (de poder).

Além das razões políticas que Maomé tinha para afirmar a brutalidade masculina, ele tinha sido abandonado pela mãe que odiava. Casou com Chadidscha judia/cristã muito mais velha que ele e que poderia ser considerada a mãe do Islão (Maomé duvidava dele mesmo e das visões que tinha, mas Chadidscha apaziguava-o e encorajava-o no sentido de construir uma espiritualidade, que com a sua morte sofreu). Quando Chadidscha morreu (619), antes da Egira para Medina, Maomé tornou-se mais agressivo. Segundo o autor islâmico Hamed Abdel-Samad, no seu livro “Maomé” o mundo árabe revive a doença de Maomé.

Acentua o polo da masculinidade e com a tradição social e mina a revolução operada por Jesus Cristo (Novo Testamento) que em parte se tinha distanciado da instituição farisaica do Templo (poder da instituição) e introduzido uma nova compreensão e consciência de pessoa que se tempera em termos da feminilidade e da masculinidade, numa relação equilibrada entre indivíduo-instituição, indivíduo-comunidade. Jesus introduz o princípio da domação da masculinidade patriarcal desenfreada (domínio do mais forte) apresentando a vivência de uma divindade que já não se define em termos de instituição nem de poder violento; ao contrário de Alá, o Deus de Jesus Cristo, embora tenha sido muitas vezes abusado,  não é definido em termos nem em função de uma raça ou cultura (embora não tenha faltado tentativas de o funcionalizar!); de facto Jesus – o filho do Homem – apresenta toda a humanidade como filha de um só Deus, independentemente da sua origem, confissão e cultura; deste modo provoca a desfuncionalização do divino, uma certa desinstitucionalização de Deus, que não é reduzível a uma mera instituição externa ou cultural nem a uma só interpretação sua, mas acentuando nele o caracter pessoal e comunitário; privatiza (familiariza) Deus a quem chama Pai (independentemente da sua instituição ou cultura) de maneira a Deus poder ser encontrado no íntimo do coração de cada um e ser experimentado também em comunidade (“onde dois ou três se encontram em meu nome lá está Deus”). Jesus Cristo, homem-Deus, é o protótipo do Homem e da humanidade.

O que faz da Cristandade cristianismo é o amor pela pessoa, pelo povo, por todos os animais, pela criação; amor que Jesus Cristo personificou e através dele experimentado, e intuído, na fórmula da Trindade, onde o amor divino está presente em tudo, até ao último átomo (na tridimensionalidade formulada em Deus Pai-Filho-Espírito Santo que supera a visão patriarcal da bidimensionalidade Céu/Terra, Todo-Poderoso/escravo, homem/mulher, quando a visão de um Deus uno e trino possibilita a ponte entre o criador e o criado através da filiação). O criado traz em si a semente, o gene divino (filiação) que se encontra já preanunciada no génesis na maçã da árvore da vida e na relação ente Adão e Eva que depois se matura no novo Adão (JC). Deus Pai cria, os frutos da vida, acto esse que se repete no dar à luz.

 

A fantasia dos Haréns dá asas à masculinidade

São conhecidos os Haréns muçulmanos onde o Senhor pode ter 4 mulheres e quantas escravas/concubinas quiser. Harém é também o lugar reservado do palácio onde vivia a mãe do sultão, as irmãs e outros parentes do sexo feminino, as suas quatro esposas (kadın), as concubinas.

No Império Otomano as concubinas do harém eram quase exclusivamente não-muçulmanas; eram provenientes de muitos países dado ser proibido escravizar muçulmanas, o que levava ao corso. Este costume fazia parte da economia de costume muçulmano. A europa foi fustigada durante séculos pela pirataria e corso praticado especialmente pelos povos vizinhos muçulmanos.

O Palácio de Topkap em Constantinopla (Istambul), construído aquando da conquista de Constantinopla pelos muçulmanos em 1453, era a residência dos sultões, com 300 salas para o Harém do sultão, onde chegaram a  viver 2.000 mulheres.  Em 1633 estavam mais de 800 mulheres à disposição do sultão; o Harém não era apenas um lugar de prazer sexual para o sultão, era mais um lugar de reprodução dinástica ao serviço da política imperial. Os haréns estavam sob a guarda e instrução de eunucos pretos (escravos castrados na adolescência). A população pobre era monogâmica.

O Professor Robert Davis, da Universidade de Ohio, no seu novo livro, ”Escravos Cristãos, Senhores Muçulmanos: Escravidão Branca no Mediterrâneo, Costa Bárbara e Itália, 1500-1800”,  conclui que de um milhão a 1,25 milhão de cristãos foram escravizados por piratas e corsários muçulmanos, nesse espaço de tempo em que  saqueavam tudo o que encontravam (navios, cidades, etc.), reduzindo as populações à escravatura, e obtendo também enormes lucros com o regaste de cristãos. Usavam os escravos para venda, como remadores de galeras, trabalhadores braçais e concubinas de senhores muçulmanos, também para os Haréns.

Durante séculos, numa sociedade também ela de matriz masculina, os Haréns fascinaram a fantasia dos homens europeus que à vista da perspetiva de um Harém, com tantas mulheres e com cada uma à espera ansiosa da sua vez, criou uma literatura europeia própria. O Harém e toda a poesia nele esgotada era o paraíso terrestre como antecâmara do céu onde os folguedos se multiplicavam. Esta literatura cometeu, em grande parte, o mesmo erro da historiografia muçulmana: não dizer nada sobre a vida real das mulheres. Uns e outros reservam o seu melhor lugar para a fantasia. E a fantasia do homem ainda é o céu onde as mulheres por alguns instantes são deusas!

A economia do harém é uma humilhação para as mulheres. Em vez de ser criticada pela história, é aproveitada pela literatura europeia para excitar a fantasia de povos que se deliciam do que acontece fora e assim se desculpam da discriminação da mulher que acontece também dentro.

As amazonas, rainhas da imaginação masculina, tornam-se no lugar onde o homem procura a vida e esquece que o faz à custa da grande massa das mulheres que passam uma vida real de “mendigas”. (Sura 4, versículo 38) afirma: “Os homens são superiores às mulheres” pela ordem dada por Deus na terra e pelo facto de as alimentar. No Corão também se encontram versículos em que se recomenda ao homem moderação e generosidade.

Mustafá Kemal Atatürk fundador da Turquia moderna (1923) proibiu a poligamia, o mesmo fez a Tunísia. Noutros países muçulmanos é permitida.

A obra de Kemal Atatürk encontra-se a ser sistematicamente destruída pelo presidente Erdogan. Ele consegue fazê-lo porque embora o Ocidente declare com os lábios que é defensor da feminidade, de facto encontramo-nos num período extremamente masculinizante, apesar de alguns salamaleques em relação à mulher. A grande obra para mulheres e homens de boa vontade será conseguir uma melhor complementaridade de masculinidade e feminidade. (Um dia, se leitores interessados desejarem publicarei livro em que refletirei sobre a riqueza da feminilidade e da masculinidade num balance equilibrado).

© António da Cunha Duarte Justo

Teólogo e Pedagogo (história e português)

Pegadas do Espírito no Tempo,

  • (1) “E combatei-os até que  não  haja  nenhuma  perseguição  e religião  que  não  seja  inteiramente  por  Alá.  Mas  se  eles desistirem,  então  por  certo  Alá  está  vigilante  ao  que  eles fazem.”—Sura 8:40 “Oh  Profeta,  insta  com  os  crentes  para  que    Se houver vinte  de  vós  que  sejam  constantes,  eles  vencerão duzentos  e  se  houver  uma  centena  de  vós  que  sejam constantes,  eles  vencerão  um  milhar  dos  que  descrêem, porque eles são um povo que não compreende” Sura 8:66 “Matai os Mushrikun [idólatras] onde quer que os encontreis e fazei-os prisioneiros e sitiai-os e ponde-vos à espera deles em toda o lugar de emboscada. Mas se eles se arrependerem e observarem As-Salat [a oração] e pagarem o Zakat [imposto de caridade], então deixai livre o seu caminho.”Sura  9:5 “Combatei aqueles dentre o povo do Livro [Judeus e Cristãos] que [1] não crêem em Alá, [2] nem no Último Dia,[3] nem consideram como ilegítimo o que Alá e o Seu Mensageiro [Maomé] declararam ser ilegítimo [4] nem seguem a verdadeira religião [i.e. o Islão], até que eles paguem a Jizyah [imposto] com a sua própria mão e reconheçam o seu estado de sujeição.“Sura 9:29
  • (2) Maomé na sua despedida relatada pela sua história no discurso do monte Arafat, confirma que a economia islámica se baseie na espada contra o não islâmico:
    “Hoje, a vossa religião está concluída e a graça de Deus realizada na vossa vida. E dou testemunho de que o Islão é a vossa religião. Oh povo muçulmano, estais proibidos de derramar sangue entre vós ou de vos roubardes uns aos outros ou de vos aproveitardes uns dos outros ou de roubardes as mulheres ou as esposas de outros Muçulmanos. A partir de hoje, não haverá duas religiões na Arábia. Eu desci em nome de Alá com a espada na minha mão e a minha riqueza surgirá da sombra da minha espada. E quem discordar de mim será humilhado e perseguido”. Também quem morre no Jihad vai directamente para o Céu sem ter de esperar pelo juízo final, como interpretam a Sura 61:11-14. Maomé é o Mensageiro de Alá, E os que estão com ele são rigorosos contra os descrentes e afectuosos entre si próprios. —Sura 48:30
  • (3) Antes de rezar: quem se tornou impuro (por usar os sanitários ou por tocar numa mulher ou num cão, por exemplo) deve purificar-se. (Sura 49:11) O Corão diz que é preciso o testemunho de duas mulheres para se equiparar ao de um só homem: “E chamai duas testemunhas de entre os vossos homens; e se não houver dois homens disponíveis, então um homem e duas mulheres, de que vós gosteis para testemunhas, de modo que se uma das duas mulheres se enganasse por falta de memória, então uma pudesse recordar à outra. —SURA 2:283 Na Suna lê-se que Maomé explicou assim a razão desse ensino: O Profeta disse: “Não é o testemunho de uma mulher igual à metade do de um homem?” As mulheres disseram: “Sim”. Ele afirmou: “Isso é por causa da deficiência da mente da mulher” Noutra Hadith: É permissível ter relações sexuais com uma cativa depois de ela estar purificada (da menstruação ou do parto). No caso de ter marido, o seu casamento é anulado depois de ser feita cativa.

 

 

PRESIDENTE DA REPÚBLICA DA ALEMANHA PADRINHO DE HONRA DE 2.711 CRIANÇAS

O Estado alemão cultiva a relação humana com os seus cidadãos

António Justo

Na Alemanha é tradição os presidentes da República apadrinharem crianças de famílias numerosas a partir do sétimo filho. O Presidente cessante Joachim Gauck tornou-se padrinho de honra de 2.711 crianças, durante o seu mandato. Trata-se de um apadrinhamento honorário tradicional que não implica automaticamente uma ajuda direta à criança ou à família.

 

A ajuda pode consistir na mediação entre os organismos competentes e a família numerosa. O Presidente assina um documento de apadrinhamento da criança, que é enviado à família, tal como acontece com os casais que celebram o 60° aniversário de casados.

 

Uma das últimas acções no cargo do Presidente foi o assumir o apadrinhamento de uma criança de dez meses de idade, de Fuldatal. Neste caso o presidente da Câmara de Fuldatal entregou o documento assinado pelo presidente e entregou 500€ para apoio de despesas no jardim infantil.

Os eventos são referidos na imprensa local. Deste modo a sociedade alemã presta homenagem aos eventos, à família e às crianças. Em tais circunstâncias a imprensa aproveita para referir problemas específicos, por exemplo: o problema da habitação, alojamentos e outras necessidades de famílias numerosas.

 

 A relação Estado-cidadão não se extingue no contribuinte-votante

 

Como se vê e noutros casos parecidos, o Estado alemão está a atento mesmo ao pormenor e interessado em manter o elo de ligação familiar entre a instituição Estado e o povo. Veja-se neste sentido também: “Os Municípios alemães empenham-se no Cultivo da Cidadania” https://antonio-justo.eu/?p=2317

 

A Alemanha revela, a nível institucional, uma responsabilidade e empenho que constitui exemplo para outros países.

 

Deixa-se orientar por valores fundamentais e costumes tradicionais que lhe conferem humanismo e consistência. Outros países, perderam certas tradições, por um lado, por inconsciência e por outro, por se terem aninhado nas suas estruturas estatais, forças ideológicas sem consciência do que é um Estado orgânico. Mais que um organismo funcional, é um organismo vivo, com funcionários pessoais. com instituições orgânicas e tradições, inseridas no povo que lhe dão personalidade natural e mítica.

 

A Alemanha, com a exceção da época nazista, sempre se orientou por vistas largas, realismo e acção que a coloca na vanguarda dos povos.  Consegue fazer uma união eficiente da consciência individual com a consciência social e da razão com o coração.

O Estado honra, se quer ser honrado!

António da Cunha Duarte Justo

In Pegadas do Espírito no Tempo

PRATO VEGETARIANO OBRIGATÓRIO NAS CANTINAS PÚBLICAS PORTUGUESAS

Na Alemanha cerca de 5% da população é vegetariana

Finalmente, na Assembleia da República (3.03) foi aprovada uma lei que obriga à inclusão de um prato vegetariano nos menus das cantinas públicas do Estado. Os clientes passam a ter a possibilidade de escolher um prato sem produtos de origem animal. Esta medida torna-se cada vez mais óbvia. Também em todos os restaurantes de Portugal deveria haver a possibilidade de opção por um prato vegetariano. De facto há muitos portugueses que por razões de saúde ou por princípios éticos procuram, muitas vezes, em vão nos restaurantes um prato vegetariano. Há muitos turistas vegetarianos. Na Alemanha, cerca de 5% da população é vegetariana.

Espera-se que dentro de dois meses o Presidente da República promulgue a lei.

A lei resulta de uma petição de 15.000 pessoas, segundo informa o jornal Público. A lei pressupõe uma grande implementação porque abrange “refeitórios e cantinas de escolas e universidades, hospitais, prisões, lares, autarquias e serviços sociais da administração pública”.

Alimentação vegetariana é mais barata e torna-se numa medida em favor do clima e dos animais.

Quanto às cantinas privadas a lei não constituirá novidade, espera-se.

António da Cunha Duarte Justo

DIA MUNDIAL DA LÍNGUA MATERNA – UM PATRIMÓNIO CULTURAL A DEFENDER

Em vez de português erudito fomenta-se o português macarrónico

António Justo
21 de Fevereiro é o Dia Internacional da Língua Materna. Foi proclamado pela UNESCO como memorial para “promover a diversidade e o multilinguismo linguística e cultural”.

Segundo a UNESCO, metade das línguas maternas encontram-se em risco de desaparecer (entre elas o Bretão, Quechua e Nahuatl). Com a celebração do Dia da Língua Materna, pretende-se manter viva  a consciência das tradições linguísticas e culturais. A visibilidade de um espaço cultural manifesta-se através da língua e suas marcas.
Especialmente nos países da lusofonia há que ter isto em consideração. A protecção dos falares indígenas e das tribos não deve porém substituir o português como língua de comunicação nacional e internacional. Seria relevante manter uma relação equilibrada entre os interesses regionais e o interesse da identidade nacional que se expressa numa língua de comunicação para todos.

Fazer uma coisa não implica deixar de fazer a outra (Unum facere et alium non omittere). No contexto importa recordar o lema latino “E pluribus unum” (fazer de muitos um/unidade na diversidade); este lema fez dos EUA o país que é hoje. Sem integração não há unidade orgânica.

O idioma deve reflectir, pelo menos, nalguma das suas partes, a herança cultural do todo e do particular, como memória viva a gerar futuro.

Tanto uma olhadela sobre o Português, muitas vezes usado no dia-a-dia, como sobre a política da língua não permite grande satisfação a muitos os falantes lusófonos. Tem-se implementado o empobrecimento da língua com uma reforma ortográfica que na ortografia não favorece a especificação (exemplo: faz das palavras acto e ato uma só palavra (ato) para com um só vocábulo designar dois conceitos.

Com isto desejo alertar para o facto de o Acordo Ortográfico ter tocado com a etimologia das palavras, coisa que outras línguas (Itália, França e Espanha) não permitiram fazer ( as consoantes mudas, são também importantes para quem tem de escrever, por exemplo em Italiano ou Espanhol, dado estas línguas conservarem a etimologia que corresponde às nossas consoantes mudas). Com as mudanças operadas pelo acordo surgem dificuldades variadas .

O “português do brasil” ou português de expressão brasileira tem-se afastado das línguas de origem latina europeia (contrariando o desenvolvimento diferenciador destas) ao reduzir o emprego das pessoas gramaticais (no sentido de uma indiferenciação e como tal empobrecedora).  As línguas europeias de origem latina mantêm o alto nível da língua na sua riqueza de diferenciação, ao preservar as três pessoas gramaticais do singular e do plural: eu, tu, ele-ela, (você, a gente) e nós, vós, eles-elas, (vocês); permanecem assim fiéis à defesa da excelência da língua e contrariando a tendência simplista de se cair no uso de uma língua de carácter “macarrónico” (substituir o uso da segunda pessoa gramatical pela terceira, etc. e com o tempo acabar com o emprego da segunda pessoa verbal).

Por outro lado há demasiados anglicismos conferem um  tom estranho ao serem empregues no uso diário  sem o conveniente aportuguesamento.

Nos média sociais ( Facebook) espalha-se  paulatinamente uma comunicação abreviada e simplista que, com o tempo, poderá levar muitos a não conseguir escrever uma carta em português correcto.

Do mesmo problema se queixam professores universitários que constatam em muitos alunos grandes défices na expressa do português.

No mercado observam-se também cadeias de empresas que não se preocupam em traduzir os nomes dos produtos para as  línguas onde são vendidos.

Na França implementaram-se medidas para defesa e enriquecimento da língua. Em 1994, na França foi proibido o uso de conceitos ingleses sem serem traduzidos. Cada conceito introduzido na língua materna, que respeite o seu espírito, constitui um enriquecimento da língua. (Confesso que, por vezes, uso estrangeirismos por não encontrar ainda termos adequados em português).

A língua é um organismo vivo e como tal aberta ao novo, mas deve ser respeitada sem ser violada; naturalmente há também nichos usados por grupos étnicos, estudantes, estrangeiros, além de regionalismos, dialectos, etc.

Infelizmente o governo pretende diminuir o ensino da língua materna em favor de disciplinas sociais.

António da Cunha Duarte Justo

“Pegadas do Espírito no Tempo” https://antonio-justo.eu/?p=4146

Hora da lusofonia: http://www.uaisites.adm.br/iclas/pagina_ver.php?CdNotici=206&Pagina=Opiniao

Acordo ortográfico segue a via popular: https://antonio-justo.eu/?p=2190

Português para todos: http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2016/12/o-portugu%C3%AAs-deixa-de-ser-l%C3%ADngua-oficial-em-cabo-verde-que-futuro-para-timor-leste.html

MEC brasileiro pretende acabar com a obrigatoriedade da Literatura portuguesa: de Cavalo para Burro?: http://agostinhodasilva.blogtok.com/menu/6/42434/

 

 

DE EDUCAÇÃO ASSIM ATÉ JESUS GOSTA

Uma estruturação equilibrada da pessoa precisa de programas e ritos

 António Justo

Acabo de visitar uma família amiga muito querida e desanuviada. Dela faz parte o Daniel, de quatro anos, muito reguila e maroto (sinal de saúde e inteligência). Passou-se uma tarde alegre sem que a criança no Daniel passasse desapercebida. À despedida, o Daniel já me considerava parte da casa e por isso me fazia caretas. A mãe, pensando que ele já estava a entrar de chancas, disse para o filho: “Não faças isso, o Jesus não gosta!”

Quem não gostou fui eu e o Daniel. E isto motivou-me a escrever este texto.

Não gostei da frase porque a mãe está, assim, a transmitir ao filho a ideia de um Deus controlador, fazendo de Jesus, no caso, um auxiliar de educação pela negativa. Ainda bem que não disse “Deus castiga!”

Na educação é relevante ter-se em atenção a imagem de Deus que se transmite às crianças. Cristãos conscientes não baseiam a educação em proibições nem autoritarismos. Procuram, no respeito mútuo, não só amar mas também mostrar que amam, para, deste modo, proporcionarem calor emocional, aquele sentimento de comunidade, fruto da vivência da relação íntima, mais fortificada quando é acompanhada de brincadeira. Naturalmente na educação também é necessário estabelecer limites até porque as crianças, por vezes, não têm consciência dos limites ou querem experimentar até onde podem ir.

 

O Deus de Jesus Cristo é o Deus do amor. Por isso a educação cristã deve transmitir à criança a mensagem de que é incondicionalmente amada por Deus independentemente dos seus serviços prestados. A educação cristã contradiz assim a norma social que avalia as pessoas pelos serviços que prestam.

Cada criança precisa de receber muito amor, estima e apreço de forma gratuita. Sintonia e compaixão são virtudes que contemplam de maneira especial as necessidades das crianças que não devem ser submetidas apenas à rotina do programa da vida diária.

A melhor maneira de educar é o exemplo que se dá na vivência da fé no dia-a-dia. Coisa não fácil quando somos puxados por tantos afazeres que por vezes nos impede de tomar consciência da presença e das necessidades do outro.

A educação cristã nas famílias além de contribuir para a sua boa higiene psíquica, espiritual e social desempenha um papel salutar na sociedade.

Uma família para se expressar, criar laços e ter uma existência equilibrada e salutar precisa de ter rituais que se repetem regularmente e que dêem oportunidade para criar momentos fortalecedores da identidade e de comunidade. Assim, uma tarefa familiar (lavar a louça!), um beijinho ao levantar, ao chegar do trabalho e uma oração ou leitura de alguma história edificante ao deitar criam momentos comuns e oportunidades de aproximação que doutra maneira se perderiam no programa individual de cada um.

Segundo estatísticas alemãs, uma família cristã reza pelo menos uma vez ao dia com os seus filhos. Constata-se como muito importante a oração antes do deitar, a oração da noite ou a leitura na bíblia para crianças; estes e outros ritos ajudam a transmitir a fé e o sentido de comunidade familiar. O que se faz em conjunto fomenta laços de amizade. Também a frequência regular do culto religioso tira a criança de uma certa anonimidade e dá-lhe projecção social, além de fazer a experiência de oração pública a Deus. Na paróquia a criança vive a fé também através do envolvimento social. A frequência dominical da liturgia além do aspecto religioso é um elemento estruturador de vida e cria na pessoa sociabilidade e prepara para o silêncio interior e para se ver numa perspectiva que não só a individual.

Muitas paróquias onde a afluência dos fiéis é grande, ainda apostam na rotina de uma missa dominical mais dirigida para adultos (criando enfado nas crianças e preocupação nos pais). Urge o imperativo de conceber o culto com para-liturgias (actividades) a partir da perspectiva da criança. Muitas actividades dominicais tornam-se em incómodo e aborrecimento para a criança. Uma má experiência da criança no serviço litúrgico na tenra idade torna-se, mais tarde, na maior vacina contra a frequência da missa dominical, devido à experiência na infância vivida. Há diferentes tipos de espiritualidades e as crianças também têm a sua maneira de experimentar e expressar espiritualidade.

As crianças desenvolvem muitas das suas potencialidades fazendo. O participar no serviço litúrgico com sketchs, com pequenas cancões ou recitações, ou, também, no serviço de acólitos, em actividades de escuteiros, etc., torna-se em verdadeira iniciação de desenvolvimento e enriquecimento da personalidade individual e social de quem participa.

Em família também há momentos menos felizes em que algum dos membros perde a paciência por se encontrar sobrecarregado por algo que não controla e então não reage adequadamente a alguma atitude do filho.

O emprego da violência deve ser tabu em família, mas se por acaso cai uma esquecida, uma bofetada, isto é considerado como resultado da própria fraqueza e como tal acompanhado de um acto de contrição comum, acompanhado de uma reflexão sobre o acontecido e porquês sem querer incriminar ninguém (O bater ou uma bofetada falta ao respeito e ao caracter inviolável da pessoa que já o é inteira na criança). A violência não pode ser justificada cristãmente mas reconhecida e reparada no reconhecimento da fragilidade humana. O emprego da violência é brutal e fomenta a brutalidade. Uma maneira de se integrar o positivo e o negativo na pessoa, para se não ter a necessidade de se refugiar nalguma abstracção, poderia, quando uma criança não está a ser tão boa, ser considerada como um Jesus abandonado e quando a pessoa faz tudo bem, ser considerada Jesus ressuscitado. Sim, em cada um de nós há um Jesus abandonado (na cruz) e um Jesus ressuscitado. De educação assim até Jesus Cristo gosta.

O desejo de transmitir a fé à criança e a experiência concreta de comunidade torna-se cada vez mais premente em famílias cada vez mais stressadas porque determinadas externamente e numa polis que pensa promover sociedade sem a experiência da comunidade, caindo no equívoco que é suficiente um comportamento com um conjunto de princípios individuais regulados por leis e éticas morais ad hoc.

Grande parte dos pais cristãos sentem uma certa tensão e preocupação pelo facto das crianças se encontrarem expostas a uma sexualidade permissiva e grosseira imposta pela sociedade e até por programas escolares de caracter ideológico. Isto e uma total privatização em torno do computador, pode impedir a criança no seu desenvolvimento (falta de contacto social imediato). Há cristãos mais conservadores ou mais progressistas. Em sociedade muitas famílias cristãs são exemplares. Quem convive com diferentes tipos de clientes nota, muitas vezes, uma grande diferença de comportamento entre eles. Geralmente quem tem uma educação religiosa consciente é mais altruísta e tem maior capacidade de empatia.

Investigações sociológicas mostram que pais com prática religiosa regular se sentem bastante seguros na educação e nota-se “entre eles uma harmonia digna de nota em questões educativas “.

Para terminar permito-me colocar aqui uma oração que quando era pequenito repetia em situações que poderiam meter medo. Naturalmente corresponde a uma pedagogia popular nem sempre reflectida; mas muitas coisas valem também pelo efeito que provocam!

São Bartolomeu me disse, que não tivesse medo de nada, nem da noite nem da sombra, nem do que tem a mão furada…Quatro cantos tem a casa, quatro velinhas a arder, quatro anjos me acompanhem, esta noite se eu morrer.

 

© António da Cunha Duarte Justo

Pedagogo

Pegadas do Espírito no Tempo