VIOLÊNCIA RELIGIOSA CONTRA CRISTÃOS NA NIGÉRIA

Mais de 200 padres sequestrados desde 2015

Relatório da organização papal revela dimensão dramática da perseguição a católicos no país africano. Doze sacerdotes foram assassinados e milhares de fiéis vivem sob ameaça constante

A Nigéria enfrenta uma crise humanitária silenciosa que atinge diretamente a comunidade católica do país. Segundo dados divulgados pela organização papal “A Igreja em Necessidade”, mais de 200 padres católicos foram sequestrados em 41 das 59 dioceses nigerianas desde 2015, num padrão de violência que se intensifica ano após ano.

Do total de 212 sacerdotes raptados, 183 conseguiram ser libertados ou fugir dos seus captores. Contudo, o saldo trágico desta vaga de sequestros inclui doze padres assassinados e três que morreram posteriormente devido às sequências físicas e psicológicas do cativeiro. A organização alerta que os números reais podem ser “significativamente maiores”, uma vez que faltam dados completos de 18 dioceses.

Há Dioceses fechadas e comunidades abandonadas

A insegurança atingiu níveis tão alarmantes que transformou a geografia religiosa de regiões inteiras. Na diocese de Minna, localizada no estado do Níger, mais de 90 igrejas foram encerradas devido ao terrorismo persistente. Milhares de fiéis viram-se forçados a abandonar as suas práticas religiosas ou a fazê-lo clandestinamente.

“Os cristãos são ameaçados especificamente por causa da sua fé”, destaca o relatório. No norte do país, grupos jihadistas coordenam ataques sistemáticos contra comunidades cristãs, enquanto no centro da Nigéria, milícias armadas promovem uma violência que mistura motivações religiosas, étnicas e económicas.

Alvos fáceis, resgates lucrativos

Os padres tornaram-se alvos preferenciais desta violência por razões que vão além do simbolismo religioso. Facilmente identificáveis pelas vestes clericais e geralmente desprotegidos, os sacerdotes representam simultaneamente um alvo vulnerável e uma fonte de financiamento lucrativa. As comunidades católicas, na sua solidariedade com os líderes espirituais, mobilizam-se intensamente para reunir os valores exigidos como resgate, alimentando assim um círculo vicioso que financia tanto grupos jihadistas como gangues criminosos.

Este fenómeno de sequestros, descrito como “em crescimento”, tornou-se um modelo de negócio para organizações terroristas e redes criminosas que operam num contexto de vazio estatal. O relatório denuncia uma “discriminação estrutural contra as comunidades cristãs”, sublinhando que estas recebem “quase nenhuma proteção eficaz do Estado” em muitas regiões.

Crianças também na mira

A violência não poupa nem os mais jovens. Em 2025, homens armados raptaram pelo menos 227 alunos e professores de uma escola católica, demonstrando que as instituições educativas religiosas se tornaram igualmente alvos desta estratégia de terror e extorsão…

A comunidade internacional tem sido repetidamente alertada para a situação dos cristãos na Nigéria, mas as respostas concretas permanecem limitadas ou nulas porque, certamente, não é do interesse da política de informação da EU dar relevo a tais informações. Organizações de direitos humanos classificam o país como um dos lugares mais perigosos do mundo para se professar a fé cristã, numa crise que combina perseguição religiosa, falência estatal e criminalidade organizada.

António da Cunha Duarte Justo

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António da Cunha Duarte Justo

Actividades jornalísticas em foque: análise social, ética, política e religiosa

4 comentários em “VIOLÊNCIA RELIGIOSA CONTRA CRISTÃOS NA NIGÉRIA”

  1. os “jiadistas” são financiados pelo gaitas. A ideia é correr com os locais, pelo medo, para lhes ficar com as terras. Como fizeram com os índios.

  2. João Baptista , a questão não pode ser reduzida a um só tocador de flauta. Primeiramente há interesses de domínio económico e cultural. Mas a face agressiva do Islão foi sistematicamente aumentada a partir da tática de Ruhollah Khomeini. Desede então, independentemente de muçulmanos sunitas ou xiitas estabeleceu-se o confronto religioso em zonas em que as religiões tradicionalmente viviam e coexistiam em paz nestas regiões de África. Naturalmente há muito grupo organizado por interesses económicos que os financeiam. Não precisamos de ir muito longe: desde especialmente desde 2006 se criaram grupos de conflito interno na Ucrânia para que estratégias geopolíticas e económicas globalistas consigam levar a melhor os seus interesses. No fim morre o povo e o resto passa a ser espectador. Mas na África morre muita gente mas pelos vistos não merece sequer a dignidade de registo nos media oficiais.

  3. A Igreja não pode continuar a limitar-se apenas a resignar-se perante tanta barbaridade cometida pelos criminosos terroristas islâmicos e denunciar e apelar vivamente para acabar, de vez, com esta hecatombe provocada pelos fanáticos do alcorão …
    Urge limpar, pela raiz, o trigo do joio, eliminando completamente essa horda de selvagens, promovendo campanhas para tal.

  4. Domingos Barradas , compreendo a tua posição de impotência sentida na pele, perante tanta injustiça que impera o mundoa, caro migo. Porém a solução não virá de um conflito religioso generalizado, que só beneficiaria os extremistas de ambos os lados, mas de uma abordagem multifacetada que una a sociedade nigeriana contra a barbárie comum, respeitando os direitos humanos e a dignidade de todos os cidadãos, independentemente da sua fé. Nste sentido deviam os países europeus usar a sua influência no sentido da paz e não só no sentido económico de proveito próprio.
    A linguagem de “guerra de religiões” é exatamente o que os grupos terroristas desejam. A resistência mais poderosa é a união da sociedade civil, a defesa da justiça e a recusa em ser definida por esses ódios. Se a UE empregasse metade do dinheiro que utiliza para armasmento o sasse para fomento da paz em países com raizes ainda demasiadamente tribais certamente estaríamos mais adiantados no processo de desenvolvimento individual e social.

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