27 milhões de vítimas à espera de resposta
Este dia Mundial foi instituído pelo Papa Francisco na festa de Santa Josefina Bakhita, a escrava sudanesa que se tornou símbolo universal da liberdade e da dignidade resgatada. Este dia serve como apelo global contra uma das chagas mais brutais da modernidade.
A história de Bakhita é uma estrela que ilumina esta jornada. Raptada e escravizada ainda criança, percorreu os horrores da desumanização. No entanto, como ela própria testemunhou, encontrou no final da sua provação não apenas a liberdade física, mas a liberdade plena do encontro com Cristo, tornando-se religiosa. A sua vida é um grande testemunho de como a dignidade humana, por mais pisada que seja, é indestrutível e pode resplandecer.
Contudo, a realidade atual mostra que o pesadelo que Bakhita viveu está longe de ser um capítulo fechado da história. Segundo os mais recentes dados das Nações Unidas, cerca de 27 milhões de pessoas em todo o mundo são vítimas do tráfico para exploração sexual, trabalho forçado, mendicidade ou tráfico de órgãos. As principais vítimas continuam a ser mulheres, crianças, migrantes e populações deslocadas, os mais vulneráveis entre os vulneráveis.
Neste contexto, ressoa com atualidade a exortação do Papa Leão XIII, neste dia: “A verdadeira paz começa com o reconhecimento e a proteção da dignidade que Deus deu a cada pessoa”. Não haverá paz social nem justiça autêntica enquanto seres humanos forem reduzidos a mercadoria, números num negócio lucrativo e ilegal.
A pergunta final, aflitiva, permanece: “Quando deixará o homem de ser lobo do homem?” Este dia é ao mesmo tempo uma lembrança de que a resposta começa em cada um de nós, na recusa a ser cúmplice pelo silêncio e na coragem de defender, com fervor, a sacralidade inviolável de cada vida humana.
António da Cunha Duarte Justo
Pegada do Tempo
Assisti há oração da manhã, e ouvi o santo padre . Linda a sua mensagem. Por partilhar a sua publicação . Fiquei triste o mundo não tem emeda …. brada aos céus ! Senhor perdão , não sabem o que fazem—- Um Bem Haja ..
O maior dos horrores …
Maria Carolina Almeida , desta guerra não se fala porque aqui é o povo que é explorado directamente!
“Quando deixará o homem de ser lobo do homem”
Quando?
Manuela Silva, boa pergunta! Manuela, quando deixar de ver o outro como diferente e reconhecê-lo como parte de si mesmo. A violência é uma escolha e não uma fatalidade (embora essa escolha se encontre muitas vezes embaciada!).
O “lobo” só habita onde a empatia foi exilada pela indiferença, pela injustiça ou pelo medo. A transformação começa não num futuro distante, mas em cada gesto de ternura que protege, em cada lei que dignifica, em cada educação que liberta.
Enquanto houver alguém disposto a construir pontes em vez de muros, haverá esperança. O “quando” está nas mãos de quem decide, hoje, não repetir a ferocidade que lamenta. O maior impedimento, no meu entender vem não só de uma natureza bruta do Homem mas sobretudo de uma matriz político-social-económica que se afirma por uma cultura de luta e não por uma cultura humana de paz . Seria preciso um empenhamento individual e políticossocial comum no sentido de domesticar o lobo em nós!