SERÁ A ALEMANHA EUROPEIA OU AMERICANA?

Disponibilizo aqui a tradução de alemão para português  do meu texto publicado no jornal alemão HNA!

Tornou-se também a União (CDU/CSU) num defensor bélico na Alemanha? (a oposição parlamentar CDU/CSU em Berlin, tornou-se agora apoiante da política governamental de entrega de armas pesadas à Ucrânia!) No ar (social) nota-se um odor a vontade de guerra e um cheiro a quartel. Para limpar o ar, o chanceler deveria declarar o seu apoio à paz e estar preparado para negociar em vez de fornecer armas.

A Alemanha dá a impressão de ter um pensar e agir não europeu, mas americano!

Nesta guerra, a Europa é que está em jogo e está a ser abusada para os interesses dos EUA.

As entregas de armas apenas servem os objectivos dos EUA, que estão interessados em prolongar a guerra com a ajuda do presidente ucraniano.

Não é segredo que os EUA há muito que estão interessados em desligar a Europa da Rússia. Este é o seu objectivo a fim de fazer valer interesses estratégicos e de poder económico. Também a culpabilidade da Rússia não pode ser negada, mas culpar apenas a invasão russa pelo que está a acontecer na Ucrânia é, na minha opinião, seguir os acontecimentos exclusivamente sob a perspectiva dos interesses dos EUA/NATO, sem ter em conta as movimentações dos EUA e o papel dos oligarcas na Ucrânia até à invasão russa.

Na imprensa (mais popular), no máximo, a perspectiva alemã é mencionada de um lado e a francesa do outro (no meio de tudo isto falta a perspectiva europeia e a defesa dos seus interesses).

O que mais me entristece é o facto de a Alemanha, que desempenha um papel tão importante na Europa, correr o risco de abandonar os seus próprios valores, tornando-se um mero fantoche dos EUA, a ponto de negligenciar os interesses da sua própria economia para ir ao encontro dos interesses dos grandes magnatas do dinheiro, cuja vítima o povo ucraniano se tornou; a Ucrânia serve há muito tempo de cavalo de Tróia de potências que abusam dela)!

De um ponto de vista lúcido europeu, estar a empurrar o urso russo para a China, em vez de se dedicar à missão de estabelecer negociações e compromissos realistas, é um grande erro que mostra falta de visão. Porque deveríamos renunciar a uma política de independência europeia, o que pressuporia uma aproximação, a longo prazo, da Europa com a Rússia?

O texto encontra-se em alemão no meu blog alemão sob o título: SERÁ ALEMANHA EUROPEIA OU AMERICANA? https://antoniojusto.wordpress.com/

Se a Alemanha se permitir ser arrastada pelos EUA, toda a Europa só seguirá a filosofia anglo-saxónica!

António da Cunha Duarte Justo

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António da Cunha Duarte Justo

Actividades jornalísticas em foque: análise social, ética, política e religiosa

12 comentários em “SERÁ A ALEMANHA EUROPEIA OU AMERICANA?”

  1. Luciano Caetano da Rosa , obrigado; uma coisa que sempre gostei nos jesuitas foi o herdado discurso medieval da controvérsia; esse discurso encontra-se na Alemanha a nível de intelectuais o que ajuda o país cultural a uma certa vivacidade e actualidade. A política segue outros caminhos, como hoje se observa em todos os países: copiam-se uns aos outros e metem a cabeça debaixo das saias já não eclesiais mas das saoias do povo e dos homens dos aventais! Quanto a mim, procuro ser sincero comigo mesmo e com os outros; quando uma pessoa se sente em serviço da sociedade não tem medo até de cometer erros porque também com eles se arrepende! Já nos meus tempos em que me dedicava à actividade sacerdotal, sempre que ia em serviço da comunidade, dizia a Deus: “olha que vou em Teu serviço se não corresponder ao que Tu pretendes de mim, o problema é Teu!

  2. Me custa acreditar no está a passar na Europa. Os europeus tendem a esquecer- se da história, porque a ideia hoje é destruir o inimigo histórico russo, só que no meu ver, os russos não aceitarão isso de ânimo leve, o que coloca toda a Europa em risco e mundo humano no geral. Para os EUA é fácil fazer esse jogo, no máximo se uma escalada acontecer perderão alguns milhares de homens no solo Europeu, mas nenhuma bomba cairá em solo americano e isso é que os europeus devem perceber.

  3. Manuel Rafael Nhamirre , toca num ponto muito importante, o da cultura europeia e seu legado! Infelizmente encontramo-nos num momento da história em que também a OTAN e outras organizações mundiais estão interessadas na sua desconstrução. Só que a maior parte das pessoas não notam, nem tão pouco académicos! Por isso não podem perceber o que uma NATO mera representante dos interesses genuinos da cultura anglo-saxónica, está a fazer! Os Estados Unidos, ao lado dos Inglêses são muito inteligentes, utilitaristas e pragmatistas, o que os leva a embrulhar os europeus e a sua identidade própria. A nação que mais determina os destinos da Europa é a Alemanha (e em parte a francesa) e a partir do fim da guerra fria por gratidão com os USA tem-nos seguido passo a passo e cada vez se torna demasiado tarde para poder haver uma amálgama europeia da cultura nórdica (romantismo alemão) e latina! A cultura latina tem sido reprimida pelo pragmatismo/utilitarismo inglês e limitada por um racionalismo francês exacerbado que a orienta para um mecanicismo materialista!

  4. António Cunha Duarte Justo, era bom que a Europa se constituísse como uma verdadeira potência, independente e forte.
    No seu todo. Acho que está longe disso!

  5. Mafalda Freitas Pereira, está a caminhar no sentido militarista. Quem está a enriquecersão os EUA porque a Alemanha já fez encomendas mastodônticas de armamento, além do gás, etc. Uma tragédia o que se está a passar para a Europa e as pessoas não podem notar porque estão controladas pela informaçãão de caracter bélico e em que se fala só das maldades russas sem mencionar as atrocidades que estavam em via na Ucrânia, etc. O poder é sempre explorador e neste caso temos que nos distanciar do poder!

  6. António Cunha Duarte Justo, relativamente ao gás, tendo tomado a posição que tomou em relação à guerra Ucrânia/Rússia, Alemanha teria que recorrer a outra fonte. O que eu não sei é se esta é a mais vantajosa para a Alemanha ou se se viu obrigada a.
    Quanto ao armamento, melhor nem falar.
    É triste e perigoso quando alguém, neste caso um país, se tem de submeter a outro.

  7. Mafalda Freitas Pereira, a alemahna ainda continua a gastar muitos milhões de euros por dia que está a pagar à Rússia. A guerra económica foi mais uma forma de imperialismo económico que ficará cara <à Alemanha e à Europa! Tudo política a favor dos EUA, o únicos que ganharam cem por cento com a guerra! (A China também sairá fortalecidada deste conflito! A Rússia não cortou o gás tal como o não fez com o petróleo para os EUA. As reacções que a Rússia tem tomado (não é nenhuma santinha, pelo contrário, é um diabito tal como ps EUA; mas a Rússia não agrediu a Europa o Ocidente é que tem agredido a Rússia (Napoleão e Hitler!), basta olharmos para a História: Não me refiro Ao despotismo e às actividades facínoras que houve dentro da União Soviética, etc. O tema aqui, a avaöiar seria mais de cultura!

  8. Ksenija Duhovic-Filipovic Der Prozess der Angloxonisierung hat sich insbesondere seit dem Zusammenbruch des Realsozialismus und der Wiedervereinigung Deutschlands akzentuiert. Damals schrieb ich einen Artikel in “Gemeinsam” mit dem Titel “Verrat an Deutschland”; gemeint war Verrat an der deutschen Kultur, die damals in der angelsächsischen Kultur immer mehr sich verstrickt hat!

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