Acirrar o Urso russo significa preparar uma Guerra nuclear na Europa

A GUERRA NUNCA É POR UMA BOA CAUSA

A ilusão de se vencer Putin conduzirá à tragédia de pôr todos em perigo. Depois do 24 de Fevereiro, acordámos num mundo diferente: horrorizados com a guerra, o receio e a ansiedade acompanham-nos! Mais de um milhão de ucranianos encontram-se em fuga. Segundo a ONU, dos 874.000 ucranianos que estavam há dias em fuga, 454.000 já se encontravam na Polónia e os restantes em nações (1) vizinhas. A ONU presume que outros quatro milhões deixarão o país.

Nunca há guerra por uma boa causa. Esta guerra embora fabricada na Ucrânia não deixa de ter direitos de autoria!  Por isso há que ser pelos Ucranianos e preocupar-se por encontrar soluções para depois da guerra. A Ucrânia tem o direito à autodeterminação, embora o povo se encontre dividido, o que complicará a questão também depois da guerra. Isto e o facto de o presidente ucraniano pretender forçar que a Ucrânia entre na EU, mais complica a questão (a guerra não se dá directamente entre a Rússia e a EU e os parceiros da Nato!). Há perguntas por responder: porque é que a Ucrânia, pelo menos numa fase intermédia, não quer ser não-alinhada, independente da Rússia e da Nato?  Deste modo causaria menos dores de cabeça à EU e aos blocos rivais. Não será que o presidente ucraniano com o seus acto heroico não estará a sacrificar a Ucrânia ao pôr demasiada confiança nos parceiros da Nato? Não será que quanto mais armas se entregarem à Ucrânia mais fogo haverá lá porque elas apenas prolongarão a guerra? Será do interesse dos USA/Nato prolongar a guerra o mais tempo possível, na esperança de Putin ter de ceder devido às consequências internas das sanções impostas; mas os ucranianos é que pagarão esta estratégia com as próprias vidas e com a debandada do país. A que conduzirá o demasiado cerco internacional a Putin? Que acontecerá quando o urso russo se encontrar em situação de já não ter mais nada a perder? A sua única força é a bomba atómica! Será que queremos uma aliança entre a Rússia e a China? Há um ditado chinês que diz: “Um homem aponta para o céu. O tolo olha o para dedo, e o sábio vê a lua”

Além de assistirmos à guerra militar entre a Rússia e a Ucrânia estamos envolvidos numa guerra mediática onde se pretende criar fronteiras mentais; neste sentido procura-se, evitar falar do contexto, falando-se só dos aspectos emotivos para facilmente armar a mente das pessoas e assim fazer das suas opiniões soldados ao serviço de uma parte ou da outra: o que interessa é formar soldados!…(O ambiente mediático cria a sensação de que já estamos em guerra e até faz surgir entre jovens a vontade de se alistarem como soldados mercenários para a Ucrânia). É preciso evitar analisar a situação em termos maniqueístas e também não culpar as vítimas nem desculpar o crime. Em política não há santos, o que resta e conta são os factos e acções, que ficam, por vezes, à margem da razão e de actos corajosos!

Se estivermos atentos ao que se passa na opinião pública, notaremos que se está a actuar em termos da ordem marxista que divide o mundo entre os que estão do lado certo e os que estão do lado errado: dividir para instrumentalizar, dividir a sociedade e o mundo em opressores e oprimidos para deste modo, o grupo dos espertalhões se alimentarem à custa do que falta ao povo (segundo essa lógica nos seus domínios os do lado certo está a troica dominante e nos domínios dos outros estão do lado certo os oprimidos!  errado os dominantes (capitalistas-fascistas).  Deste modo, impede-se, na sociedade, a construcção de pontes possibilitadoras de convivência e colaboração pacífica entre as camadas sociais e as partes. Continua-se a afirmar e a justificar a ordem da sociedade e do mundo numa estratégia de luta antagónica.  Ao colocar-nos, inflexivelmente, de um lado ou do outro confirmamos a estratégia marxista que procura legitimar a violência pelo facto de ela se encontrar ancorada, em termos de poder, na natureza (evolucionismo selectivo afirmativo do mais forte). Na actual invasão russa na Ucrânia, observa-se o princípio natural de afirmação dos mais fortes (Rússia rival da Nato) contra o pequeno! Por outro lado, constata-se, como reacção, o surgir da solidariedade (princípio de colaboração e apoio entre os mais pequenos), único meio de juntar forças para resistir aos grandes. Aqui ajudaria o espírito do discernimento e a coragem de integrar como forma de vida os princípios inclusivos da ordem cristã. O facto de termos o sentimento de podermos escolher, não nos deve desviar da realidade de só termos liberdade para escolher um senhor!

Não podemos querer tudo ao mesmo tempo, mas também não podemos ignorar, por um lado, as necessidades individuais nem, por outro, desconhecer a necessidade da existência de constelações, de instituições e hierarquias. Essa ordem é tão natural que até se pressupõe na esfera celeste (anjos, arcanjos, etc.), o que não justifica a sobreposição de uns sobre os outros.

Na impossibilidade de se refrear o conflicto actual (2),  o mais racional seria tentar uma maneira de lidar com o antagonismo de modo inteligente não desperdiçando as nossas energias com reacções emocionais que mais lembram tubos de escape ou, pior ainda, servem para afirmar a sustentabilidade da guerra, pelo facto de cada parte se sentir do lado certo! (Tenho naturalmente o direito individual de estar do lado certo desde que numa atitude humilde de serviço, de empatia com o todo e de complementaridade!) Não há que forçar a natureza, importa andar com ela e tentar melhorar nela o que se pode. Martin Luther King lembra:” Ou vivemos todos juntos como irmãos ou morremos todos juntos como idiotas!” Tudo leva a crer que continuaremos, por muito tempo, no estado de idiotia, porque nos preocupamos mais com o ter do que com o ser!

Um efeito colateral da guerra mediática será criar-se socialmente uma atmosfera propícia a que se acolha de braços abertos os refugiados ucranianos (o que será um grande gesto humano e um grande enriquecimento para o país de acolhimento); por outro lado, justificará as medidas que governos e a economia tomarão provocando um encarecimento quase insuportável da vida, o que não seria justificável sem a guerra! A sociedade europeia não será mais o que era!…

A guerra põe ao leu o que se passa nas guerrilhas! Enquanto a guerra gera pessoas sinistras, as guerrilhas possibilitam aos dominadores andarem de cara levantada, porque o fomento de guerrilhas é considerado permitido (veja-se o estado anterior na Ucrânia, a Primavera Árabe, a invasão no Iraque, Síria, Afeganistão, etc…

Porque não iniciar uma política no sentido de evitar a guerra e as guerrilhas? A questão é que as guerrilhas não violam direito internacional por serem consideradas lutas intestinas e o sangue correr sem que o mundo note. Encontramo-nos numa época em que as emoções determinam as decisões e não a razão; essa é uma das razões que nos leva também a não estarmos atentos ao que se passa em África!

Pelo que vemos, não existe um caminho seguro entre a paz e a guerra!…

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

(1) Outros preveem até 7 milhões. A Alemanha conta albergar, para já um milhão de ucranianos! Kassel, uma cidade alemã de 200.000 habitantes, está a preparar-se para acolher 3.500 pessoas; os refugiados são distribuídos segundo o número de habitantes das cidades. Em 2015/16 Kassel recebeu 4.000. Os refugiados da Ucrânia, não são abrigados pelo estatuto de outros refugiados, pelo que se a UE não alterar a regra, permanecerão por 90 dias.

(2)  Ditadores como na Bielorrússia, Turquia, Rússia, etc. não se deixam intimidar. O facto de a EU ter falado da possibilidade da Ucrânia entrar na EU torna-se numa verdadeira provocação a Putin. O surgir de novos candidatos para entrar na EU mais acirrará Putin! Quanto mais se olha e vê mais se sofre e, por isso, muitos retiram-se na zona privada de conforto. Ditadores como na Bielorrússia, Turquia, Rússia não se deixam intimidar. Na guerra, a verdade morre primeiro e depois a vontade de difamar aumenta. Os políticos de direito próprio não morrem; eles enviam os soldados para a frente. Já havia uma guerra civil e uma brutal “operação antiterrorista” dirigida contra o próprio povo em Donetsk e Lugansk. AS mais de 14.000 vítimas foram negligenciadas pelo público mundial e agora as forças do destino vingam-se.

 

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António da Cunha Duarte Justo

Actividades jornalísticas em foque: análise social, ética, política e religiosa

49 comentários em “Acirrar o Urso russo significa preparar uma Guerra nuclear na Europa”

  1. Isto está muito bem explicito e era bom que todos o lessem e entendessem, mas duvido que todos o leiam, parabéns
    por este excerto

  2. Nenhum país vizinho da Rússia até hoje lhe declarou guerra, portanto abaixo os agressores, porque senão dentro de pouco tempo

  3. Aurelio De Lemos Pires, este é um agressor mais perigoso e potente que parece! Para mais estamos numa época em que os blocos culturais ou geopolíticos se encontram em remodelação passando já por cima dos interesses nacionais! Infelizmente é a tendência geral que se observa!!

  4. A minha opinião: Cuidado, (não aqui mas noutros lados) alguns apelam à intervenção directa da Europa na guerra! A situação é realmente preocupante e Putin tem demonstrado que não leva em conta as perdas porque se julga como homem charneira num momento importante da História e porque se encontra numa situação de vida ou de morte! Assim, o ocidente é que deve ser prudente no agir! O que ele está a fazer agora, já o anunciou, indirectamente, pelo menos em 2007. Tudo é preocupante, quer nos coloquemos numa perspectiva, quer na outra! Se a Europa/Nato se mexer temos então a terceira guerra mundial e bombas atómicas a voar sobre a Europa! Por enquanto é uma guerra entre a Rússia e a Ucrânia!

  5. António Cunha Duarte Justo, o mundo responderá a esse argumento, contraargumentando com as mesmas armas. No fim, desaparecerá a humanidade à face da terra, mas, pelo que se tem visto, não se perde grande coisa.

  6. Acusado de genocídio e violação dos Direitos Humanos, Putin pode ser condenado como criminoso de guerra. Era preciso agilizar os processos nas Altas Instâncias do Tribunal Internacional de Haia, porque se assim não for
    continuam os ataques e destruição, além de ficarmos sempre sob a ameaça duma ofensiva nuclear de efeitos inimagináveis. O que se verifica é que com Putin nem as sanções económicas nem a Diplomacia resultam.

  7. Mafalda Freitas Pereira, o tribunal só pode ser actuado a partir do momento em que a guerra acabe. Além disso estes são processos muito morosos. Não sei se a Rússia também reconheceu o tribunal internacional para que ele possa actuar sobre ele! Os USA, por exemplo não assinaram. Os grandes safam-se sempre porque têm saber que a generalidade não tem e, por isso, acusar um dos grandes pode corresponder a colocar o próprio rabo à mostra. Por exemplo, na Ucrânia houve, antes da guerra também crimes de todas as partes contra a humanidade! Os meios de comunicação falam do tribunal dos Direitos Humanos, mas no fundo é para que as pessoas não resignem. O tribunal só tem condenado estadistas de povos do “terceiro mundo”!

  8. Eu considero que as sanções impostas vão demonstrar mais que putin não têm nada a perder. E que uma pessoa oprimida vai ter mais revolta, não vai parar….

  9. Andreia Vieira Costa, sempre fui contra sanções económicas seja de quem for porque esta é uma forma de guerra que só beneficia as grandes economias obrigando todos os outros a submeterem-se às condições que se lhe imponham!!

  10. António Cunha Duarte Justo, concordo. Vamos ver onde vamos parar.
    Ate ja tenho medo da revolta que a fome vai dar no mundo. Tudo louco com a pandemia, agora sem humanidade e com guerra… só rezar nos salva.

  11. António Cunha Duarte Justo, horrível tudo isto! Também pensei que, confrontado com uma situação daquelas seria igual a fazê-lo carregar no “botão”. Situação por demais perigosa.
    Zelinskyy tem sido extremamente cauteloso assim como todo o bloco ocidental.
    Não vislumbramos tão cedo paz nem vitória.

  12. Mafalda Freitas Pereira, só quando a Ucraina se render! Todos têm culpas no cartório e por isso o enredo é extremammente complicado! A Ucrânia rende-se se a UE não encontrar, através de conversações secretas arranjar um negócio que satisfaçam os blocos!

  13. Sendo a Ucrânia um estado independente só o seu povo, maioritariamente se expressando, tem o direito de, livremente, determinar o seu destino.
    Putin, ao invadir aquele país, se razões tivesse, perdeu-as com a sua ambição de restabelecer o poderio da ex URSS e, por isso mesmo, deveria ser eliminado ( ele e a sua “corte” ) tanto mais que o próprio povo russo nem foi consultado.

  14. Domingos Barradas, sim, com excepção da conclusão a que chegas, estou de acordo! Parece que tudo seria muito fácil se estivesse nas nossas mãos a resolução da questão. Ter o direito livre e a capacidade de o aplicar são condições que no caso não estão garantidas! E aqui é que está o busilis da questão. Que o início da guerra foi um atentado contra a humanidade e contra o direito internacional ninguém duvida (é um acto no espírito da antiga União Soviética). Infelizmente ninguém se interessou pelo que se passava na Ucrânia dos últimos 15 anos (e para o que eu então chamava à atenção nos meus escritos 2012-2014) em que o povo foi sitematicamente dividido e em que não só os dois blocos (com atitudes imperialistas) mas também o próprio governo agiu contra o próprio povo por se deixar levar pelo belo canto das sereias que vinham da Rússia e dos USA e das ondas que no povo ucraniano balançavam os interesses dos oligarcas/governantes num sentido ou no outro! Já havia uma guerra civil e uma brutal “operação antiterrorista” dirigida contra o próprio povo em Donetsk e Lugansk (e a Rússia a acirrar). As mais de 14.000 vítimas (da guerra civil) de então foram negligenciadas pelo público mundial e agora as forças do destino vingam-se e o povo junta-se todo, compreensivelmente, no mesmo canto que por vezes faz lembrar as carpideiras em torno do caixão do defunto. Todos queremos a dignidade do povo ucraniano e da nação restabelecido mas temos que encarar a realidade pela frente e esta é a que temos de melhorar; doutro modo não mais fazemos que atear o fogo de um lado ou do outro! Compreendo bem a tua preocupação! E sei que a liberdade está do lado do mundo livre e não da parte socialista! Um frande abraço

  15. Andreia Vieira Costa, exactamente, as consequências já se estão a sentir; já há empresas a encerrar-se por estarem dependentes dos negócios com a Rússia; na Alemanha um banco que tinha negócios com a rússia já faliu com imensos despedimentos, etc. O consumidor europeu irá sentir uma subida de preço não só nas energias como até nos cereais, etc. os créditos dos bancos serão mais caros. Aqui na Alemanha até antes da invasão russa conseguiam-se créditos bancários para construção de casas, etc. com juros de 0,6 até 0,9% e esta semana os bancos começaram a conceder empréstimos que já vão no 1,54%. Este é um indicador da espiral a que vamos assistir no custo de vida por toda a Europa! E isto é o princípio!

  16. António Cunha Duarte Justo – A UE e Nato tb as deveriam ter – afinal, fizeram-lhe promessas que sabiam à priori que não poderiam ser cumpridas, e, incrível e hipocritamente agora são as primeiras a pedirem sanções severas…..fazem isso pq a eles n lhes afeta nada, quem sofre somos todos nós – “o gado”…..quero ver a” doçura” das pessoas qdo n houver q comer…..

  17. Olga Faria Da Costa, por aqui se nota que os nossos governantes muitas vezes não são competentes no que fazem. São como o catavento, como se viu também em muitas das medidas tomadas em relação à pandemia! Fazem erros como cada um de nós; o problema é que nós a eles temos que os tomar a sério! Grande parte do gás que vinha da Rússia para a Europa passará a vir de outras zonas, entre elas dos USA, o que torna, já pelo transporte, o combustível mais caro, etc. Vamos ver as nossas gazolineiras com preços acima dos dois euros, etc.

  18. António Cunha Duarte Justo – ng quer a guerra, mas antes de sermos todos ucranianos, devíamos primeiro, ter sido todos Odessa e todos Donbass….a comunicação social não mostrou nada disto às pessoas, bombardeamentos, violações, ataques, etc. Os n_e_o-n_a_z_i_s Ucranianos (batalhão paramilitar Azov é uma vergonha, com posters do Hitler e símbolos nazis) cometeram crimes de guerra e ng nos mostrou na TV…

  19. Ó Dr. Duarte Justo!
    Mas quem é que acirrou o “Urso Russo” (na sua curiosa expressão)?
    Não é Putin que ameaça e que concretiza as suas ameaças para aprofundar a chantagem?
    Felizmente que a NATO aprendeu com a História. Por um lado, não cai na armadilha do “jogo dos dominós” que levou directamente às duas Guerras Mundiais. Por outro, mostra que leu Sun Tzu e que aprendeu com Kutuzov.
    Explique-me, por favor, o que terão os povos russos a ganhar com o facto de Putin, num pequeno gesto, ser o primeiro a carregar no botão nuclear, como por várias vezes tem ameaçado.
    Da NATO não se ouviu até hoje semelhante ameaça.
    E não são os aviões militares da NATO a violar o espaço aéreo de um país neutral (no caso, a ilha de Gotland, na Suécia). São os da Rússia.
    Sorte teve Putin de Erdogan não ser o Primeiro-Ministro sueco porque, se fosse, tinha abatido esses aviões nesse instante, como fez no norte da Síria há anos. E, então, Putin ficou-se.
    Estranho é que não lhe leio uma frase, uma simples palavra sobre os bombardeamentos indiscriminados das Forças Armadas Russas a edifícios civis, num “remake” do que se passou na Chechénia, na Geórgia, na Síria e no Donbass.
    Que os eternos “compagnons de route” do PCP não percam uma oportunidade para demonizar tudo o que se oponha ao poder absoluto e ditatorial com que sonham, há muito que deixou de me espantar.
    O que mais me espanta, agora, são os novos “compagnons de route” que, de pernas tremelicantes, estão dispostos a ceder em tudo a um criminoso mundial.
    A Palhinha Machado

    [Forum Elos.A. C. Justo:autor]
    Friday, March 4, 2022, 10:53

  20. Palhinha Machado,
    muito agradecido pelo que apresenta e pela opinião que respeito.
    Infelizmente estamos numa fase da contenda em que em geral se dá largas à expressão emocional e moral e em que é necessário descermos ao solo da realidade para tentarmos possibilitar discussões não tão próximas da corrente (Mainstream), importante é que na discussão social haja também momentos para reflectir! Também por isso fiz algumas perguntas!
    A mim não é o medo que me move mas sim a vontade de contribuir para chegarmos a uma atmosfera em que seja possível passarmos das vias militares para a via da diplomacia e das conversações; sou um opositor do comunismo (marxismo) apenas devido ao seu materialismo, metodologia de se afirmar e à sua visão antropológica; quanto às pessoas comunistas respeito-as, como qualquer outra pessoa.
    A generalidade dos meios de comunicação social apela à intervenção directa da Europa na guerra; e neste contexto é que escrevi o artigo! A situação é realmente preocupante e Putin tem demonstrado que não leva em conta as perdas porque se julga como homem charneira num momento importante da História e porque se encontra numa situação de vida ou de morte! Assim, o ocidente é que deve ser prudente no agir! O que ele está a fazer agora, já o anunciou, indirectamente, pelo menos em 2007. Tudo é preocupante, quer nos coloquemos numa perspectiva, quer na outra! Se a Europa/Nato se mexer temos então a terceira guerra mundial e bombas atómicas a voar sobre a Europa! Por enquanto é uma guerra entre a Rússia e a Ucrânia!
    Parece que tudo seria muito fácil se estivesse nas nossas mãos a resolução da questão. Ter o direito livre e a capacidade de o aplicar são condições que aqui não estão garantidas! E aqui é que está o busilis da questão. Que o início da guerra foi um atentado contra a humanidade e contra o direito internacional ninguém duvida. Infelizmente ninguém se interessou pelo que se passava na Ucrânia dos últimos 15 anos (e para o que eu então chamava à atenção nos meus escritos 2012-2014) em que o povo foi sistematicamente dividido e em que não só os blocos mas também os próprios governos agiram contra o próprio povo por se deixarem levar pelo belo canto das sereias quando a Rússia e da Nato e das ondas que no povo balançavam os interesses dos oligarcas/governantes num sentido ou no outro! Já havia uma guerra civil e uma brutal “operação antiterrorista” dirigida contra o próprio povo em Donetsk e Lugansk. As mais de 14.000 vítimas (da guerra civil) de então foram negligenciadas pelo público mundial e agora as forças do destino vingam-se e o povo junta-se todo, compreensivelmente, no mesmo canto que por vezes faz lembrar as carpideiras em torno de um caixão sem defunto! Todos queremos a dignidade do povo ucraniano e da nação restabelecido mas temos que encarar a realidade pela frente e esta é a que temos de melhorar; doutro modo não mais fazemos que atear o fogo de um lado ou do outro! Compreendo bem a tua preocupação!
    Pode ver este artigo que escrevi em 2014 onde previa o que está a acontecer: “Ucrânia entre imperialismo russo e ocidental”: https://www.triplov.com/letras/Antonio-Justo/2014/ucrania.htm
    Desculpe-me o escrever tão rápida e deordenadamente!

  21. António Cunha Duarte Justo, a situação é mesmo preocupante, tornou-se um beco sem saída ou a única saída, para não ser ainda mais dramática, será a rendição da Ucrânia.
    Por coincidência e por incrível que pareça acabo de ouvir na SIC Notícias o ex-deputado do PCP na UE, João Ferreira, contextualizando a invasão da Ucrânia pela Rússia. Apesar do olhar PCP, muita coisa bate certo com o que tenho lido e ouvido de outras fontes. A Ucrânia não é inocente, abriu caminho para chegar a esta situação. Ex: quando se tornou independente a Ucrânia assumiu responsabilidades de neutralidade (nomeou algumas), que não têm sido respeitadas. Logicamente Putin tem vindo a planear respostas.
    A meu ver isto explica mas não justifica a invasão, a destruição e a violência. Só que Putin não perde ocasião de encontrar pretextos para recuperar territórios, riqueza e poder, com intuitos imperialistas à maneira da ex União Soviética.
    O Ocidente/NATO terão de usar de muita prudência e não se podem desviar um milímetro. Putin joga com isso também.

  22. Mafalda Freitas Pereira Não segui, a posição comunista, mas é natural que acentue mais o aspecto geopolítico e, como tal, a pré-história do que levou à intervenção russa, acto que não se justifica: se não há respeito pela soberania política e pela integridade territorial então possibilita-se qualquer intervenção ou guerra . É natural que o socialismo acentue mais as razões que levaram a este enlace e que tenham mais simpatia por Putin, embora hoje seria precisa muita coragem para se mostrar abertamente uma tal posição, o que é de louvar nos comunistas pelo facto de mostrarem o que pensam, ao contrário de muito socialista que o não faz por conveniência . Também é o que eu tenho acentuado mas apontando para a responsabilidade dos dois blocos: o aspecto da luta entre as duas tendências imperialistas presentes na Ucrânia) embora sem a intenção de me posicionar ao lado do comunismo; pelo contrário; o que apresento são os interesses do imperialismo russo e do imperialismo americano em confronto e em confrontação na Ucrânia. De facto respeito os comunistas e os socialistas marxistas mas não aceito o comunismo nem o socialismo marxista devido à sua filosofia materialista e à sua imagem antropológica que vão contra uma visão cristã da pessoa humana, contra o humanismo cristão. A revolução comunista russa de 1917 é o ponto de referência do socialismo que gosta de se alinhar na luta nazifascista mas esquecendo que leva na mochila o estalinismo . Escondem porém que quem é contra o imperialismo de direita não é honesto se também o não é contra o imperialismo de esquerda e na Ucrânia defrontam-se estes dois imperialismos! Daí o facto das simpatias dos adeptos de um ou outro imperialismo! Estaline transformou o aparelho terrorista numa máquina de extermínio. Nada há que justifique a invasão russa num momento em que os dois imperialismos se defrontavam dentro da Ucrânia!

  23. Vergonhoso texto a favor do nacionalismos russo.
    É por causa desta posição ideológica que o CDS desapareceu, total identidade com o Chega.
    A culpa é da Ucrânia agredida não da Rússia, segundo este miserável texto.

  24. José Luís Caldeira Fernandes, compreendo bem a preocpação que manifesta, embora demasiadamente apressada!Estou consciente de poder ser usado pelos socialistas quando o meu texto procura apenas colocar elementos de reflexão e apontar para o realismo a ter em conta na situação e para se pensar sobre a situação em que na Ucrânia se debateu o imperialismo russo contra o americano e vice-versa! A generaloifdade da esquerda esconde porém que quem é contra o imperialismo de direita não é honesto se também o não for contra o imperialismo de esquerda; na Ucrânia defrontam-se estes dois imperialismos! Daí o facto das simpatias dos adeptos de um ou outro imperialismo! Sou defensor da paz e não de uma guerra atomar (que acontecerá se a Nato intervir); por isso não sei como o senhor se julga no direito de me avaliar de uma maneira não objectiva sem argumentos relativamente ao texto! Não sei se não leu, para mim uma frase importante que apresenta o socialismo como afimando a sua tática surrateiramente imperialista e nós europeus, já meios socialistas já nem notamos o que está verdadeiramente a acontecer. Não falo de Portugal porque ele e até os partidos considerados conservadores estão sob a batuta socialista; tudo indirectamente sujeito ao objectivo socialista escrito no prólogo da Constituição, onde se refere o Socialismo como objectivo político a atingir! É verdade que o artigo que escrevoi não é partidário mas com a intenção de se reflectir! A frase que certamente não leu foi: Se estivermos atentos ao que se passa na opinião pública, notaremos que se está a actuar em termos da ordem marxista que divide o mundo entre os que estão do lado certo e os que estão do lado errado: dividir para instrumentalizar, dividir a sociedade e o mundo em opressores e oprimidos para deste modo, o grupo desses espertalhões se alimentarem à custa do que falta ao povo e ainda por cima em nome do progresso…

  25. Jorge Rodrigues, exactamente, mas com muita reflexção para não se pôr toda a Europa em fogo!! A verdade é que estamos numa guerra de um mundo de mentalidade ainda presa na união soviética e de uma outra que aspira e defende a liberdade e a democracia. É importante saber-se de que se lado está: do lado do comunismo/socialismo marxista ou do lado da liberdade ocidental! Contudo neste contexto de diferença de luta em que a velha ordem invade a Ucrânia deve estar-se muito atento porque os orientados apenas pela ideologia não parece terem nada a perder. Trabalham para a História e não para o povo! No que escrevo apelo apenas à razão bem sabendo que seguindo demasiadamente a razão se pode talvez a servir o inimigo da liberdade que é o comunismo e encontra solidários por todo o mundo!

  26. António Cunha Duarte Justo, na verdade os comunistas (refiro-me em particular ao PCP) tomaram uma posição corajosa e coerente com a sua maneira de pensar em relação ao que levou Pútin a invadir a Ucrânia.
    Independentemente disso, devo dizer que, do ponto de vista humano, foi manifestado também repúdio pelo sofrimento do povo e desejo de que haja rápido entendimento entre as partes para que a guerra acabe depressa. Também não gosto da ideologia comunista por todas as razões que se conhece.
    Mas devo confessar de tenho alguma simpatia pelo povo russo pelas suas tradições e pela arte nas várias vertentes.
    Relativamente ao imperialismo das duas grandes potências Rússia/EUA, julgo encontrar diferenças muito significativas. Penso que, enquanto os EUA/NATO se metem numa lógica de defesa dos seus aliados
    (e também dos seus próprios interesses !!!) a Rússia invade para se apoderar dos territórios.
    O argumento de que são territórios ligados à História não colhe. Isso é espírito imperialista que não respeita a independencia e soberania dos Estados.
    Terrorismo geopolítico, económico, ambição desmedida de poder.

  27. Mafalda Freitas Pereira, no meu texto não se trata de tomar uma posição de caracter ideológico ou político; trata-se de colocar questões e aspectos sob diferentes perspectivas que nos devem ajudar a reflectir sobre o assunto sem necessidade de sermos colocados de um ou do outro lado da barricada! Pelo contrário! Tomei posição consciente do que fazia, ao falar da necessidade de as conversações a fazerem-se partirem de uma República Federal Ucraniana independente porque deste modo, como estado federal poderia incluir nele as diferentes posições regionais e ideológicas dentro da Ucrânia. Deste modo evitar-se-ia o afirmar-se da ideologia da antiga união soviética comunista que pretende voltar ao seu antigo poder sobre a região! Com o argumento e solução pela liberdade, independência e democracia (que todos os povos teriam direito)salvar-se-ia a Ucraina independentemente dos interesses das potências nele implicadas. Ao mesmo tempo era dada a Putin a oportunidade de sair-ser da situação e do crime cometido de cara levantada. Deste modo poder-se-ia superar os interesses imperaialistas de que a Ucrânia está a ser vítima!. Resumindo, há que defender o mundo livre e este está do lado da Ucrânia e apesar de tudo também da parte da OTAN e não do lado do mudo autoritário socialista marxista.

  28. António Cunha Duarte Justo quanto à constituição ser socialista é outra mentira nacionalista, o socialismo foi banido da constituição em 1982, infelizmente agora os comunas escondem-se por trás do nacionalismo, há é que banir o socialismo da sociedade privatizando tudo, educação e saúde incluídas.
    FB

  29. José Luís Caldeira Fernandes, leia o prólogo da Constituição! Talvez, os amigos do CDS tenham perdido votos por, sem saberem, estarem muitas vezes mentalmente a favorecer a mentalidade socialista; compreendo isto porque somos todos sobretudo um resultado da informação!

  30. “intervir” em vez de “intervier” o português é pobrezinho.
    Não sei a que “imperialismo” – termo do século XX – se refere, nem percebo qual quer identificar com esquerda ou direita.
    O que há é expansionismo nacionalista russo contra um país livre e por outro lado uma NATO defensiva e apenas isso que não pode intervir.
    Espero ainda assim uma esmagadora derrota russa, o fim de Putin e a restituição da Crimeia – vergonhosamente ocupada pelo nacionalismo russo.
    FB

  31. José Luís Caldeira Fernandes, quanto à sua objecção gramatical tanto intervir como intervier estariam bem no texto numa perspectiva mais próxima ou numa perstectiva mais futura! A era dos nacionalismos está a voltar precisamente devido ao processo de ultrapassagem em via através da formação de blocos. Respeito a sua posição que se revela mais apologista da guerra quando a minha é de mais contenção por ver a questão não só sob a perspectiva nacionalista nem só com o olhar americano nem só com o olhar russo! O meu texto tanto questiona os apologistas da guerra de um lado e do outro; por isso terei de desagradar a todos os apologistas. O trágico da questão é que além da tragédia a acontecer na Ucrânia com o invasor russo vive-se numa outra guerra na europa: a guerra da informação!

  32. A eliminação, pura e simples, deste genocida louco salvaria ainda muitos inocentes, sobretudo crianças e idosos indefesos e que, infelizmente, com esta perversa e abjecta peçonha, irão perder as suas vidas.

  33. Domingos Barradas, compreendo a insatisfação reinante devido ao sangue que corre e ao que o povo ucraniano sofre e nós viremos a sofrer também muito na pele! A história não se deixa determinar por simples desejos ou boas intenções! Os USA iniciaram a guerra no Iraque na intenção de matar Sadam e depois viu-se no erro em que incorreram chegando a haver um morticínio de quase meio milhão de pessoas não contando a emigração de refugiados, etc. Muitos também desejaram que Hitler e Estaline tivessem sido mortos mas a realidade segue outros caminhos. Sei que o que está também em causa é a defesa da liberdade, coisa que o imperialismo russo , tal como outros não querem (também por se encontrarem num período de consolidação dos próprios povos internamente). Caro amigo Domingos Barradas, neste momento trágico exige-se primeiramente sangue frio e atenção para não sermos facilmente envolvidos na guerra da informação! Temos que lutar todos pelo direito dos povos à determinação da própria independência, pela liberdade individual e pela democracia! Cada um à sua maneira dá um contributo para tal!

  34. Tudo o que se vai ouvindo, vendo e lendo, sobre esta guerra ou outras, constitui matéria para se tirar ilações, sendo natural que se manifestem as tendências. Do ponto de vista humano a preocupação estende-se a todos os que sofrem e sobrevivem em condições deploráveis. Toda a agressão dói, todo o agressor merece que seja feita justiça. Defender-se é um direito.

  35. Mafalda Freitas Pereira, é isso mesmo! Agora até doi mais pelo facto de vermos a vida em perspectivas mundiais! O princípio da autodefesa é natural e humano mas traz com ele também o princípio sustentador da guerra e este é realmente o dilema em que nos encontramos!

  36. Olga Faria Da Costa, sim, a guerra civil que se deu na Ucrânia a partir de 2013/2014 foi calada ao mundo por interesses mesquinhos e por isso as pessoas foram agora surpreendidas com uma guerra que passou de guerra civil para guerra entre a Ucrânia e a Rússia!

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