Distinção atribuída na primeira edição do prémio reconhece o trabalho literário e intelectual desenvolvido pelo escritor português radicado na Alemanha. A cerimónia de entrega dos galardões decorre a 6 de novembro, em Thetford, no Reino Unido, integrada nas comemorações dos 20 anos do jornal AS NOTÍCIAS.
O escritor e ensaísta português António da Cunha Duarte Justo foi distinguido pela obra “A Corda e a Mala migrante” na categoria de Prosa com o 1° Grande Prémio da Literatura Portuguesa na Diáspora, uma iniciativa que pretende reconhecer e valorizar a criação literária em língua portuguesa desenvolvida por autores residentes fora de Portugal.
A distinção reveste-se de particular significado por assinalar a primeira edição do Grande Prémio da Literatura Portuguesa na Diáspora, uma iniciativa instituída e promovida pelo jornal AS NOTÍCIAS, sediado no Reino Unido, com o apoio da Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas (DGACCP) e do Santander.
O galardão, símbolo desta distinção literária, foi concebido por Joe Barreto, investigador em neurociência no Anschutz Medical Campus da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos da América, conferindo à iniciativa uma dimensão simbólica que une a criação artística, o reconhecimento literário e a valorização da cultura portuguesa além-fronteiras.
A cerimónia de entrega dos galardões de Prosa e Poesia a 6 de novembro, no Carnegie Room, no centro de Thetford, integrando o programa comemorativo do 20.º aniversário daquele órgão de comunicação social, que há duas décadas acompanha a vida das comunidades portuguesas no Reino Unido.
Um prémio que aproxima Portugal dos seus escritores espalhados pelo mundo
Sob o lema «A diáspora não é ausência. É a continuação de Portugal pelo mundo», o Grande Prémio da Literatura Portuguesa na Diáspora procura afirmar a língua portuguesa como espaço de encontro, identidade e criação cultural para além das fronteiras nacionais.
A primeira edição contou com candidaturas provenientes de diferentes geografias da emigração portuguesa, evidenciando a vitalidade da produção literária das comunidades lusófonas e a diversidade das experiências culturais que alimentam a escrita em português.
Entre os países representados encontram-se o Reino Unido, Alemanha, Luxemburgo, Bélgica, Suíça, França, Venezuela, Brasil, Estados Unidos da América, Canadá, Timor-Leste, Austrália, Japão, Emirados Árabes Unidos e Angola.
Mais do que uma competição literária, a iniciativa pretende dar visibilidade a autores que, vivendo longe do território português, continuam a contribuir para o enriquecimento da língua, da cultura e do pensamento nacionais.
Reconhecimento de uma vida dedicada à escrita e à reflexão
Para António da Cunha Duarte Justo, a atribuição do prémio representa um reconhecimento público particularmente significativo de uma atividade intelectual desenvolvida com perseverança, independência de pensamento e profundo sentido de pertença à comunidade portuguesa.
O escritor manifesta a sua satisfação e honra pela distinção, sublinhando que o galardão reconhece um trabalho realizado, em grande parte, longe da exposição pública e das instituições culturais.
«Isto constitui um elevado reconhecimento público do trabalho que desenvolvo no silêncio das quatro paredes do meu escritório, onde me dedico à escrita e à investigação pelo menos dez horas por dia, no desejo de bem servir o povo de que sou filho», afirma.
A sua produção escrita caracteriza-se por uma abordagem reflexiva e analítica de questões sociais, culturais, filosóficas e humanas, frequentemente marcada pelo questionamento das interpretações dominantes da realidade.
Consciente de que a reflexão crítica pode suscitar desconforto ou contrariar perspetivas estabelecidas, António Justo considera que a escrita deve contribuir para despertar a consciência individual e promover uma participação mais autónoma na construção da vida pessoal e coletiva.
Na sua perspetiva, se a sociedade se constrói também através das narrativas que produz e transmite, importa que cada pessoa desenvolva a capacidade de se tornar, progressivamente, autora da sua própria história.
O escritor reconhece igualmente que o caráter exigente da reflexão intelectual deve coexistir com a dimensão lúdica, afetiva e quotidiana da existência, indispensável ao equilíbrio humano e à convivência social.
Uma homenagem à cultura portuguesa além-fronteiras
Impossibilitado de estar pessoalmente presente na cerimónia, António da Cunha Duarte Justo faz-se representar pelo professor universitário José João Almeida, ligado à Universidade de Londres.
O escritor dirige um agradecimento especial ao Dr. João de Noronha, diretor do jornal AS NOTÍCIAS, ao Dr. Ígor Lopes e ao professor José João Almeida, pelo envolvimento na iniciativa e pela representação na entrega do galardão.
A cerimónia de entrega dos galardões realizou-se no dia 6 de novembro de 2026, no Carnegie Room, em Thetford, Reino Unido, integrada nas comemorações dos 20 anos do jornal AS NOTÍCIAS UK
A atribuição deste prémio evidencia também a importância dos órgãos de comunicação social da diáspora na preservação da língua portuguesa, na divulgação da criação intelectual e na construção de pontes entre Portugal e os portugueses espalhados pelo mundo.
Ao distinguir António da Cunha Duarte Justo na sua primeira edição, o Grande Prémio da Literatura Portuguesa na Diáspora coloca em destaque uma escrita que procura conciliar a fidelidade às raízes culturais portuguesas com a liberdade crítica e a abertura a uma reflexão de alcance universal.
Num tempo em que a identidade cultural se confronta com transformações sociais profundas, o reconhecimento do trabalho de escritores portugueses residentes no estrangeiro recorda que a cultura nacional não termina nas fronteiras geográficas do país.
A literatura portuguesa continua a escrever-se onde quer que haja uma voz capaz de pensar, sentir e criar em português.
Informações complementares e fontes
A consulta das notícias publicadas pelo jornal AS NOTÍCIAS permitiram acrescentar alguns elementos relevantes:
– O jornal foi fundado em 6 de novembro de 2006 e assinala exatamente 20 anos de existência.
– A cerimónia começou às 19 horas, com apresentação de José Figueiras, da SIC.
– O galardão físico foi concebido por Joe Barreto com a colaboração da oficina Inspire Focus Wood Works, da instituição Simple Norfolk Charity.
asnoticias.co.uk
– Numa entrevista a Ígor Lopes, João de Noronha sublinhou a importância de preservar o amor das novas gerações por Portugal e pela língua portuguesa.
asnoticias.co.uk
A notícia de 5 de novembro menciona cerca de 30 candidaturas recebidas, 19 obras validadas e participantes de 11 países.
asnoticias.co.uk+1
Um percurso entre a literatura, o ensino e o diálogo intercultural
António da Cunha Duarte Justo é um escritor, ensaísta e pensador português radicado na Alemanha, onde desenvolve uma intensa atividade de escrita, investigação e reflexão crítica sobre questões filosóficas, culturais, sociais, religiosas e políticas.
A sua intervenção intelectual caracteriza-se por uma abordagem interdisciplinar, procurando estabelecer pontes entre a cultura portuguesa e o pensamento europeu, com particular atenção aos desafios da identidade, da condição humana, da ética e da vida em sociedade.
Através dos seus ensaios, artigos de opinião e reflexões, tem procurado contribuir para o debate público, privilegiando a independência de pensamento, o espírito crítico e a valorização da dignidade humana. A sua escrita, frequentemente analítica e questionadora, convida o leitor a ultrapassar interpretações convencionais da realidade e a assumir um papel consciente na construção da própria história.
A ligação a Portugal e às comunidades portuguesas no estrangeiro constitui uma dimensão importante da sua atividade intelectual, marcada pelo desejo de servir a cultura e a língua portuguesas e de promover o diálogo entre diferentes experiências e tradições culturais.
Em novembro de 2026, foi distinguido na primeira edição do Grande Prémio da Literatura Portuguesa na Diáspora, reconhecimento do seu contributo para a criação literária e para a presença da cultura portuguesa além-fronteiras.
Complemento bibliográfico e curricular
A consulta de fontes biográficas e bibliográficas permite acrescentar informações concretas à nota anterior.
Nascido em 12 de fevereiro de 1947, em Várzea, Arouca, António da Cunha Duarte Justo realizou estudos em Filosofia, Teologia, Ciências da Educação, Psicologia e Pedagogia Social, em instituições portuguesas e alemãs.
Exerceu funções docentes, pedagógicas e pastorais em Portugal, França e Alemanha, tendo lecionado Língua e Cultura Portuguesas e Ética, incluindo atividade docente ligada à Universidade de Kassel. Participou também em órgãos de representação dos estrangeiros na Alemanha e em iniciativas de diálogo intercultural.
Entre as suas publicações identificadas destacam-se:
– Nas Pegadas da Poesia – obra poética apresentada em 2018, em Branca, Albergaria-a-Velha.
BOM DIA
– Lutero garante a Emancipação como Princípio Impulsionador da Idade Moderna – ensaio publicado em 2017, dedicado ao legado da Reforma Protestante e às relações entre religião, política e modernidade.
BOM DIA Bélgica
– Participação em Antologias de Poetas na Diáspora, além de colaboração em outras publicações coletivas, jornais e revistas.
Foi ainda chefe de redação da revista alemã Gemeinsam e desenvolveu atividade associativa e cultural, nomeadamente no âmbito da associação ARCADIA – Arte e Cultura em Diálogo.
A sua produção ensaística e de intervenção encontra-se igualmente divulgada no espaço digital Pegadas do Tempo, dedicado à reflexão sobre a atualidade, a sociedade e a condição humana.
Pegadas do Tempo