Nos EUA, umas vezes o prato da balança pende mais para a esquerda, outras mais para a direita, mas os pesos pouco se distinguem.
Os democratas conquistaram as duas câmaras do Congresso. Trump fica com as mãos mais atadas internamente, mas poderá ter maior liberdade de ação externa. O próprio reconheceu que a guerra do Irão lhe valeu o atual castigo eleitoral.
Tendo em conta a nova geografia política, é natural que o Congresso limite o financiamento da guerra do Irão e aumente o da guerra na Ucrânia. A Europa continuará, assim, a ter motivos de preocupação, num tempo em que a China de Xi Jinping prossegue a sua afirmação e, com ela, a Ásia. Acresce que os EUA se encontram politicamente mais radicalizados, tanto à esquerda como à direita.
Dado o papel, muitas vezes discreto, que os EUA desempenham no mundo, o momento não é para divertimento. Se é verdade que a esquerda se sente mais entusiasmada, a verdade é que os EUA não mudam substancialmente, mesmo quando o mundo se fixa demasiado nos seus presidentes.
O poder de veto do presidente continua a ser um fator importante na determinação do folclore geopolítico.
O facto de os EUA terem virado mais à esquerda não significa apaziguamento para a Europa, que está a ser assolada por ventos contraditórios e se mostra mais instável do que os próprios EUA.
António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo