Parece estranho, mas nas relações entre homem e mulher somos mais iguais do que se diz: ambos temos hormonas, ilusões e a mania de querer parecer mais jovens. A menopausa também já não é tabu; tabu é ainda haver quem a confunda com “má vontade”.
Hoje conheci um par que, após 15 anos de divórcio e de cada um ir experimentar novas paisagens, se voltou a unir. Nos rostos via-se a história: ele com mapa de estradas, ela mais adivinhada que real. Serviu-me isto para penar que andamos todos num processo de desconstrução/reconstrução; muitas vezes, na primavera os corpos interessam-se, depois, no verão, desavêm-se nas ideias e os laços vão-se desfazendo como nós cegos.
Quer-se começar de novo, mudar algo. As hormonas anunciam que os sonhos de verão devem tornar-se realidade e, para não faltar emoção, mandam também ondas de calor. A natureza tem ritmos: sol na montanha revigora, mas suores intensos, insónias, irritabilidade, alterações psicológicas, dificuldades de concentração e secura vaginal não são “problema psicológico” arrumado num canto. Começam muitas vezes aos 40 e pedem atenção.
Vale a pena escutar os sinais, sobretudo a irritabilidade: pode ser o findar de ilusões passadas e o início de criação nova. No fundo, homens e mulheres são iguais na confusão; a diferença é que umas recebem boletim meteorológico interno e outros acham que é só calor.
António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo ©
ORCID: https://orcid.org/0009-0003-6251-1578
Bom dia Sr Justo ! obrigada pela partilha do seu Magnífico texto ! Tanta verdade!!
Abraço amigo .
Adelaide Costa Costa , a verdade como o vento passa por todos nós, ora mais forte ora mais leve como a agradável brisa.
Que maravilha de dizeres : nas suas palavras , com tanta simplicidade e verdade ,como fala do estado , de nós humanos, homem e mulher, iguais nas nossas maneiras de ser gente, na confuzão, ambos temos dentro o pecado horiginal ! Uns constrem-se em consciência, da verdade , na luz no seu ser”, maior,” outros não, veem…não aceitam nem o frio nem o calor , saem das margens , num barco sem combustível . Bom aceitar é aceitar o que de bom temos dentro ir remendando , como os remendos de antigamente , hoje se usam para enfeitar …. Mudam-se os tempos mudam-se as atitudes , nunca as melhores ás vezes . Sr. Antonio da Cunha . Um Bem Haja por a sua partilha com tanta sabedoria , e conhecimento . OBRIGADA
Conceição Azevedo, muito obrigado pelas suas palavras tão generosas e pela partilha tão sentida. Fico feliz que o texto tenha tocado algo em si, essa reflexão sobre aceitar o que de bom temos dentro e ir “remendando” é, de facto, o essencial. Um bem-haja também para si, pela sabedoria com que comenta.
Tão verdade…
Mas não é preciso ir correr a mudar de “ares”…
Acalmar …pensar… comunicar…e esperar que as coisas melhorem…
Agora todos querem viver o dia de amanhã…
Obrigada… Um abraço…
Maria Carolina Almeida , ora nem mais! Desde que não se tropece na espera! Forte abraço e obrigado pelo comentário.