Se a pólis se engasga com homem, mulher, diverso,
e o género anda embrulhado em discurso perverso,
decretem a nudez nos bairros sem luz,
menos roupa no corpo, mais verdade que seduz.
Cai a saia, cai o véu, cai a calça e o pudor,
fica a pele a explicar o que não explica o amor.
E o contrapeso mental, esse peso de chumbo,
vai à corda, como roupa, a secar em cima dum muro.
Pois só assim o enfeite ganha peso e lugar,
e a mente, leve de mais, aprende a não julgar.
Mas se a nudez resolve a velha confusão,
dispam-se também as ideias e não só o calção.
Porque o busílis não é o sexo, a cor nem o nome,
é a mania de querer que o mundo caiba num só molde.
António da Cunha Duarte Justo
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