PARA OS BAIRROS ONDE HÁ POUCA LUZ

Se a pólis se engasga com homem, mulher, diverso,
e o género anda embrulhado em discurso perverso,
decretem a nudez nos bairros sem luz,
menos roupa no corpo, mais verdade que seduz.

Cai a saia, cai o véu, cai a calça e o pudor,
fica a pele a explicar o que não explica o amor.
E o contrapeso mental, esse peso de chumbo,
vai à corda, como roupa, a secar em cima dum muro.

Pois só assim o enfeite ganha peso e lugar,
e a mente, leve de mais, aprende a não julgar.
Mas se a nudez resolve a velha confusão,
dispam-se também as ideias e não só o calção.

Porque o busílis não é o sexo, a cor nem o nome,
é a mania de querer que o mundo caiba num só molde.

António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo ©

Social:
Pin Share

Social:

Publicado por

António da Cunha Duarte Justo

Actividades jornalísticas em foque: análise social, ética, política e religiosa. Prajetória marcada pelo ensino, pela escrita, poesia e pelo jornalismo cultural, com particular relevo para o diálogo intercultural e a promoção da língua e cultura portuguesas em Portugal, mundo lusófono e na Alemanha.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *