PARA QUANDO A REABERTURA DO CONSULADO-GERAL DE PORTUGAL EM FRANKFURT?

Frankfurt – O Centro financeiro da União Europeia – Emigrantes seriam os melhores Diplomatas com um Lóbi consciente e eficiente a apoiá-los

Por António Justo

No caso de se efectuar o Brexit, Frankfurt passa a ter ainda mais peso europeu e internacional; é de facto o ponto nevrálgico da Europa e o centro económico da UE. É chegada a hora de o Governo português, voltar a instalar um Consulado em Frankfurt.

A reabertura é justificada não só pelos interesses dos portugueses na região como também pela importância de Frankfurt (1) em relação a outras regiões alemãs; aqui se cruzam homens de negócio e diplomatas do mundo inteiro.

Na era das tecnologias digitais e da UE, precisa-se de um consulado criado não apenas para representar ou resolver questões burocráticas mas sobretudo para interferir activamente como lobista na criação de relações e fomento de ligações de investidores a nível nacional e internacional e também no meio das comunidades dos portugueses. Seria decisiva uma política fomentadora das associações portuguesas de modo a estas estabelecerem a ponte entre a sociedade e as associações portuguesas e alemãs. Missões, associações e escola têm de motivar a inserção dos jovens portugueses a inscreverem-se nas instituições de influência pública. Deseja-se uma política in loco que, à semelhança da estratégia turca, fomente de maneira eminente a presença portuguesa na comunidade alemã, seja através da sua presença nos partidos, em iniciativas civis ou em órgãos do Estado. Peritos dos postos consulares e de outras instituições portuguesas não deveriam ficar reduzidos a meros escravos da burocracia; seria lógico que estivessem mais atentos à comunidade e suas organizações (culturais e económicas) para poderem perscrutar e fomentar valores e a consciência da lusofonia na comunidade de inserção.  

Frankfurt é uma região da Alemanha com uma densidade de consulados muito grande. Já em 2009 Frankfurt era sede de 102 representações diplomáticas; o maior consulado de Frankfurt era o dos USA com 900 empregados.

A decisão do encerramento obedeceu mais a interesses de mordomias do pessoal de carreira diplomática (e sindical) que assim se via motivado a optar pela extinção de vice-consulados e pela conservação de outros consulados (2). Assiste-se, por vezes a uma luta de interesses pessoais e corporativos contra os interesses da razão e dos portugueses.

Se o impedimento para tal projecto fosse de razões económicas, então outros Consulados poderiam ser reduzidos à categoria de vice-consulados; estes realizam propriamente o mesmo trabalho que os consulados e não necessitam de figuras do corpo diplomático altamente caros ao erário público.

Actualmente, devido à importância de Frankfurt tornam-se necessárias deslocações do Cônsul de Estugarda e do Embaixador a Frankfurt. O Consulado poderia ser criado, sem o aumento de custos para Portugal, se se procedesse à racionalização e reestruturação de outras representações diplomáticas na Alemanha. Naturalmente tal operação não se torna fácil atendendo à divergência de interesses e à desigualdade de força entre os interesses dos contraentes implicados em tais medidas. Outros argumentos já apresentados podem ler-se no discurso feito na Manifestação de 5.11.2011 contra o encerramento que depois se efectuou: http://antonio-justo.eu/?p=1995

A vida é um jogo e só mete golos quem se atreve a jogar também na avançada. Muitos dos nossos avançados da política, têm ventres demasiado pesados e pernas anafadas e consequentemente quem sofre os golos é o povo. Uma sociedade civil só consegue ter bons avançados se os produzir e treinar nos campos de futebol do povo, em diferentes iniciativas, associações e grupos; confiar só nos partidos que jogam na liga reduz-se à crença do adiamento, que só alimenta ilusões.

Como pudemos constatar do jogo Portugal-Croácia e do Portugal-Polónia, o que nos deu a vitória foi a nova estratégia de jogo. Num tempo de jogos, fintas, táticas e lobistas, estes têm mais influência que o cidadão. Em casos de excepção como no do Brexit o povo estraga-lhes o jogo obrigando-os a baralhar de novo as cartas. No fim, porém, quem mais proveito terá são os grandes, suposta uma camada média forte e influente.

Contra a vontade da comunidade, em 2011 foi extinto e consulado (3). Os Emigrantes seriam os melhores Diplomatas se tivessem um lóbi consciente e eficiente a operar a partir das repartições consulares, das Missões católicas, núcleos universitários  e de todos os outros multiplicadores.

 

António da Cunha Duarte Justo

Ex-porta-voz do Conselho Consultivo do Vice-consulado de Frankfurt

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António da Cunha Duarte Justo

Actividades jornalísticas em foque: análise social, ética, política e religiosa

4 comentários em “PARA QUANDO A REABERTURA DO CONSULADO-GERAL DE PORTUGAL EM FRANKFURT?”

  1. Mário Lds Botas

    Um excelente artigo que demonstra uma fina percepccáo das necessidades de dinamizacáo que urge criar na Diáspora Portuguesa e que vai ao encontro daquilo que este nosso grupo vem verbalizando e pretende apoiar.

    Manuel Campos
    Temos que conseguir maior importância política e consular para esta cidade e para os cidadãos portugueses aqui residentes, sob o ponto se vista português.

    Quintoano Mussa
    Não pode haver consulados na União Europea. Bruxelas é de competência de zelar para is 600 milhões desses europeos. Somente se Portugal fosse a sair da União, assim como o Reino Unido, e como verá no futuro ou nos próximo dois anos a Grã-Bretanha tem de começar a reabrir as embaixadas que já não estavam em uso a várias dêcadas.

    António Justo
    Os serviços diplomáticos continuaram e consulados também, apesar de UE .

    Gina Maria
    Cada caso e um caso…talvez o sr tenha a sorte de conhecer os funcionários…pois o mal e esse, o consulado trabalha como a 20 anos atrás..a portuguesa

    António Justo
    ÀS vezes ajuda fazer um telefonema antes! Os trabalhadores consulares que conheço fazem tudo por tudo para bem servir. O problema é que têm ainda de ir prestar serviço a zonas distantes e também elas com problemas.

    Gina Maria
    o problema nao e rebentar pelas costuras, o problema e que a mao direita nao sabe o que a esquerda faz….para renovar o meu cartao de cidadao fui la 8 vezes…inclusivamente fiz queixa ao consul por o mau atendimento e ainda hoje nao recebi resposta….ELE SABE MT

    Toze Tarrafa
    E ia ajudar muito o de stutgart. Ja que esta a rebentar pelas costuras.

    Francisco Barbosa Velho
    Plenamente de acordo consigo caro António Justo.

  2. Caro Nelson! Quanto à ideia de fundação penso que seria uma ideia interessante. Quanto às medalhas penso que seria uma maneira de tornar mais conhecido o CCP. Efectivamente para os portugueses residentes não teria grande proveito. Importante terá de ser uma nova estratégia de fomento das comunidades pelo governo e de apoio através por instituições com trabalho directo nas comunidades. Importante seria a organização de seminários através da repartição social e cultural (conselheiros) da embaixada. Que fazem eles pela comunidade. O maior trabalho de pessoas como as que aqui se expressam seria pressionar as autoridades a trabalhar no sentido da comunidade. A melhor maneira será ver as suas agendas. Para a comunidade portuguesa, a não ser alguns programas para alguns consumidores de alta cultura, não noto que se faça algo! Temos que estar atentos no que se faz e no que se programa para não continuarmos a desculpar as nossas instituições e autoridades.

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