A ALEMANHA RECONHECE GENOCÍDIO NA NAMÍBIA

Compensação moral: 1,1 mil milhões de euros

Passado mais de 100 anos, após os crimes cometidos pelo poder colonial alemão no que é hoje a Namíbia, o governo alemão reconheceu as atrocidades cometidas contra os povos Herero e Nama, segundo noticiaram os jornais na Alemanha.

A Alemanha apoiará o país com 1,1 mil milhões de euros, durante os próximos 30 anos. As negociações com a Namíbia duraram seis anos.

O Império Alemão foi a potência colonial na região que é hoje a Namíbia de 1884 a 1915 e reprimiu brutalmente as revoltas.

Os historiadores acreditam que foram mortos cerca de 65.000 dos 80.000 Hereros e 10.000 dos 20.000 Nama (HNA 29.05.2021).

A compensação de 1,1 mil milhões de euros, corresponde a uma obrigação político-moral, mas não tem consequências legais ao abrigo do direito internacional (porque a convenção da ONU sobre a punição de genocídios não é aplicada retroativamente).

O Presidente Federal viajará à Namíbia e pedirá oficialmente perdão perante o Parlamento.

Pedir perdão significa assumir responsabilidade. Ao reconhecer a culpa tem de se ver também as consequências que daí vêm. No caso das conversações com a Namíbia será de se questionar se os representantes das vítimas Nama e Herero (entre 1904 e 1908 sofreram) também se assentaram à mesa das conversações. Doutro modo haverá sempre problemas!

O genocídio só foi considerado crime na ONU em 1948, devido à experiência do Holocausto.

António CD Justo

Pegadas do Tempo

 

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Publicado por

António da Cunha Duarte Justo

Actividades jornalísticas em foque: análise social, ética, política e religiosa

22 comentários em “A ALEMANHA RECONHECE GENOCÍDIO NA NAMÍBIA”

  1. Regista-se a atitude e a intenção de pedir perdão, mas não há reparação possível para crimes desta natureza. Ao longo de tida a História são inúmeros os genocídios. Para não falar dos do séc. XX, acabámos de “assistir” alamentáveis e irreparáveis genocídios no Médio Oriente, África, Brasil…

  2. É verdade, Mafalda! Entretanto, no passado tal como hoje ainda há muitíssimos genocídios calados por povos e Estados como acontece com a Turquia em relação ao genocídio contra os arménios ainda no século XX e que o governo turco recusa a reconhecer! Povos que reconhecem o mal que fizeram demonstram vontade de não repetires tal. Além disso, o Estado que faz guerra ou que persegue parte dos seus cidadãos terá que estar mais atento porque será internacionalmente chamado à responsabilidade!

  3. Genocídio pouco falado, mas mencionado por mim no meu livro “Rosa no País das Flores da Luta”.

  4. Oliveira Olivenbaum sin olvidar la Corona de España y la Santa Inquisición responsables del genocidio de millones en América y en su propio país. Pidieron alguna vez perdón?
    FB

  5. Diego H. Feinstein, João Paulo II foi o primeiro Papa na história da Igreja, que pediu publicamente perdão, a 12 de março de 2000, pelos erros e crimes cometidos em nome da fé católica. E também pediu perdão por “inimizade” e “perseguição” que tinham sido feitas aos “filhos de Israel”.
    Assim, o Papa assumiu a responsabilidade histórica pelas atrocidades cometidas pela Igreja Católica no decurso da sua história contra povos, outras religiões e dissidentes das suas próprias fileiras. E o Papa ainda acrescentou: O Papa também disse: Mesmo onde não se tem responsabilidade pessoal, “carregamos dentro de nós” o fardo dos erros e da culpa dos nossos antepassados, devido à unidade dos cristãos no corpo místico de Cristo.

  6. António Cunha Duarte Justo danke, er war der erste und wahrscheinlich der letzte. Ob er dabei auch um materielle Entschädigungen gedacht hatte? Zuletzt hat sich die Kirche durch diese Taten ganz schön bereichert. Jedenfalls ist mir nicht bekannt, dass sich Spanien mal für den barbarischen Völkermord und Beraubung in America entschuldigt, geschweige dessen dass sie an Entschädigungen gedacht hätte. Oder weiß du besseres zu berichten

  7. Diego H. Feinstein, o papa Francisco tem tomado a mesma atitude. Ele já o fez em várias visitas a países e em reuniões com representantes dos vários grupos! Também no final do Sínodo da Juventude, os Padres sinodais admitiram erros ao lidarem com os jovens. Até agora, têm sido escutados muito pouco. Em vez disso, o clero tinha-se concentrado em “formulações doutrinárias”, disse o Papa Francisco numa missa na Basílica de São Pedro.

    De resto o importante é que hoje todos nós trabalhemos pela paz tendo compreensão mesmo para aqueles que possamos julgar adversários; doutro modo andaríamos uns contra os outros e mais não faríamos que prolongar os erros e a maneira de fazer das pessoas e instituições de um passado que criticamos! Alles gute
    für Dich.

  8. Prezado amigo António cunha Duarte Justo , a opinião de indivíduo que vive informado via literatura como qualquer outro que é amante de história é -, será que os actuais países que foram opressores se libertam de um passado muito aquém do que o verdadeiro humano deveria fazer ? Porque,como vivo a política global com sensiblidade por vezes interrogo-me …, quando terminam os genocídios? E quando é que os praticantes de genocídios se indentificam ? É que analisando o que tem sido o mundo nos ultimos seiscentos (600) anos , a minha conclusão que é que o genocídio mais bárbaro é assassinar diretamente o ser humano mas , e o “charmoso” abstrato genocídio que martiriza lentamente o ser humano a partir do nascimento até ao fim d” seu ultimo suspiro de vivente? O dramático tema que de momento se fala veio a propósito do genocídio que os alemães praticaram na Namíbia , e como a história transmite que logo a seguir ao fim da 1- Guerra Mundial a Bélgica via Sociedade das Naçóes ( tal como se dá um pão a um faminto ) lhe deram a tutela de duas colónias alemãs , o Ruanda e o Burindi , a minha veia política entrou em circulação .

  9. Entendo bem a tristeza que se passa no coração quando se vê tanta miséria e a impotência de intervir. De facto a libertação da opressão/exploração deveria começar por casa e depois estender-se aos países vizinhos. Doutro modo a própria exploração passa a justificar a opressão dos outros para não se sentir interpelada nem sozinha. Este é o problema; no espírito do tempo de cada época observa-se realmente o problema de as respectivas sociedades descansarem (ignorarem) a visão do seu presente, olhando apenas para a paisagem longínqua. Depois, cada um começa a defender os seus e o que é seu na ilusão de conduzir uma luta legítima!

  10. António Cunha Duarte Justo, Francisco ha defraudado a muchos en su propio país por simpatizar con la corrupción caótica lo cual contradice sus declaraciones que serán muy espirituales pero no siempre consecuentes. Pero esto no es nuevo en el Vaticano

  11. Em nada e em ninguém se encontra tudo mal nem tudo bem. Mal e bem andam à mistura em cada um de nós e em todas as instituições. Importante é de facto mantermos os olhos bem abertos e, no fim das contas feitas, é importante ver se prevalece o positivo ou o negativo que fica de cada um! Como na vida erro e tentava é aquilo que conduz a sociedade no sentido de evoluirmos haverá que acentuar a tentativa de solução mais que o erro. Naturalmente, a cada indivíduo ou grupo, é dada a faculdade de na roseira olhar mais para os espinhos ou para as rosas! Impportante é sentirmo-nos unidos. Sim, até porque a espiritualidade, como outras expressões mais não são que expressões de vida! De resto, onde houver expressões de poder aí haverá sempre uma mácula e a isto não escapa a religião, a ideologia, nem a política, sim, porque todo o poder seja ele institucional ou indivídual resulta de um roubo ao indivíduo. Importante é é estarmos atentos dentro e fora de nós, conscientes de que através da acção, louvores e críticas estamos a contribuir para o bem de todos.

  12. António Cunha Duarte Justo, das stimmt vielleicht für die Menschen. Es mag sein, bin ich falsch informiert worden. Ich dachte aber, dass der Papst den Anspruch hätte, Gottes Wort zu sein und zu vermitteln. Und daran sollte man glauben oder eben austreten, sowie viele schon machen.

  13. Quanto ao que referiu sobre a autoridade do papa, desejava dar a conhecimento que no catolicismo o verdadeiro soberano não é o Papa mas sim a consciência individual de cada um; Para o cristão Deus é trino e como tal democrático; ele fala em e através de cada criatura. Que a instituição, a comunidade precise de uma supra-estrutura que se expressa no tempo através de uma moral e de uma dogmática é natural, doutro modo não seria possível a existência de uma instituição e como tal também de uma memória que possibilite a sobrevivência no caminhar da História.
    Quanto às fraquezas dos papas acrescentava: Importante é proteger a vida e isso foi o que fizeram tanto o papa Francisco como o Papa Pio XII. Para protegerem a vida de muitos cristãos e judeus, agiram activamente protegendo assim pessoas vítmas do poder mas se se pronunciassem de maneira explícita pública contra o regime então seriam perseguidos e mortos muitos católicos e revolucionários. Na Alemanha nazi, padres e freiras ou representantes protestantes que se pronunciram expressamente contra Hitler eram fuzilados ou levados para os campos de concentração.
    A realidade é sempre como um pau de dois bicos! Naturalmente, os que vivem do contra, não ligam aos factos históricos porque o que pretendem é manter e alimentar o próprio sentimento de querer ter razão. Como somos todos feitos de terra e céu será procuro sempre olhar para as duas partes de que somos feitos sem me fixarnuma só!

  14. Boa-tarde. Vindos da Namíbia tropas alemãs atacaram o posto administrativo e militar de Mucusso, no Sul de Angola. Estava aberta a primeira página de uma guerra que envolvia a “Teoria dos Espaços Vitais” dos países europeus colonialistas em relação a uma África dividida entre meridianos e paralelos.

  15. Foi também consequência da “Conferência de Berlim”, 1884 – 1885. Em 1902, as potências coloniais já tinham dividido entre si 90 por cento do território de África. Desde aí dá-se uma verdadeira ocupação militar na defesa de fronteiras!

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