PACTO GLOBAL PARA MIGRAÇÃO

Perguntas sérias a que a Política não responde

Por António Justo

O pacto da migração, ( “Pacto Global para Migração Segura, Ordenada e Regular”), que pretende dar resposta ao problema crucial das migrações, divide os ânimos e as nações.

O pacto será homologado na conferência das Nações Unidas que decorrerá a 10 e 11 de dezembro em Marraquexe.

Segundo uns, o Pacto da Migração é uma bênção e corresponde a uma resposta humanitária de cunho cristão ao problema crucial dos refugiados, regulariza a migração, procura resolver assimetrias económicas e sociais e possibilita aos países de acolhimento com déficite de crescimento de população, um aumento e rejuvenescimento da própria população.

Outros veem, no Pacto, clausulas que permitem mais um passo no sentido de se dominar e expropriar os Estados ocidentais e do sistema de assistência social europeia, e tudo isto na sequência de um plano de desestabilização cultural da Europa em benefício dos árabes, (realojamento colonizador) passando este por algumas organizações da ONU e de ONGs.

Visto o problema sob o aspecto humano e individual, torna-se urgente uma solução para os problemas de tantos milhões de pessoas que sofrem os horrores da guerra e da exploração; visto sob o aspecto económico e social, todo o imigrante se torna num enriquecimento numa Europa envelhecida; visto sob a dinâmica do confronto de civilizações seria de se estar mais atento ao facto de se não fomentar a expansão dos interesses da civilização árabe possibilitando-lhes a formação de enclaves  dentro dos povos onde se inserem (caso da formação do Kosovo e da Albânia em que os imigrantes muçulmanos chegaram, com o tempo, a reprimir os sérvios dos seus lugares mais históricos).

Assim não se pode falar de imigração em termos gerais; no que respeita à imigração muçulmana, dado esta afirmar-se mais na imposição e auto-afirmação, seriam necessários acordos intergovernamentais que garantissem iguais direitos de afirmação cultural e religiosa nos correspondentes países.

Dado a aplicação do Pacto depender da boa vontade dos governos cria-se um desequilíbrio entre os países ocidentais de política cultural aberta e os países de cultura árabe de politica cultural extremamente fechada.

Perguntas que surgem da leitura do texto

Não se estará a criar na Europa (países ocidentais) um tipo de fronteiras flutuantes?

Não pretende o pacto limitar o direito de livre expressão dos cidadãos, no que toca a manifestações de opinião relativamente a migrantes, ao apontar, como objectivo dos países assinantes, a luta contra a intolerância de migrantes, exigindo até o fomento de um discurso que “conduza a uma percepção de migrantes mais realista, mais humana e mais construtiva”?

Porque se devem os Estados comprometer a perseguir juridicamente e aplicar penas contra pessoas que manifestem expressões de ódio („hate crime“ ) contra estrangeiros? Não vem esta recomendação encorajar os estados que não têm na sua constituição o direito à livre expressão (e aos que o têm) a limitar mais ainda os direitos de expressão livre nos meios de comunicação social? Isto é mesmo grave num documento da ONU ao criar subterfúgios contra a liberdade de expressão!

Em que perspectiva se pode considerar a emigração como algo desejável a ponto do número oito até glorificar, a emigração como “fonte do prosperidade, inovação e desenvolvimento sustentável”? Não se estará com o pacto a querer uma reinterpretação da migração que pretende generalizar o direito de “asilo” a outros grupos da sociedade (o pacto de asilo é um outro que continuará em vigor)?

Não será que a afirmação de que o Pacto não é juridicamente vinculativo se revela num pacote fraudulento? Não é assim que o ponto 87 impõe compromissos que comprometem os Estados que o assinam, por exemplo no caso de o imigrante não ver reconhecido o direito a imigrar ter direito a advogado gratuito no país e, na consequência, os tribunais ao tomarem decisões criam (baseadas na casuística e no acordo) novas formas de direito para o exercício judicial no país?  Não é que ao direito formal determinado pelo parlamento se vem juntar o direito judicial baseado em decisões de tribunais e, deste modo, a assinatura do pacto activa direito internacional que se impõe ao direito nacional?

Não será que o objetivo do n° 8 favorece indiretamente a migração ilegal (rotas de fuga e traficantes), ao determinar que os estados signatários se comprometem também não só a expandir as actividades de busca e salvamento, mas também a não qualificar de ilegal qualquer ajuda humanitária aos migrantes?

Numa altura que se pensa em termos globais, porque é que os países árabes do Golfo (por exemplo Arábia Saudita ) têm as fronteiras fechadas para refugiados recusando-se também a receber os irmãos muçulmanos? Porque é que a Europa pelo facto de ser uma cultura de reminiscências cristãs deve ter o dever moral de dar primazia aos seguidores de Maomé?

Não estará a ONU, com este proceder, a evitar a resolução dos problemas no lugar de origem e a desviá-los, refugiando-se, também ela, numa política de emigração dos problemas para países que conseguem melhor nível de vida, castigando-os assim?

Não será que o próprio Pacto (1) promove a ”expectativa a pessoas dispostas a emigrar e alimenta assim a própria migração”?

Até que ponto a expressão “migrações seguras/ordenadas/regulares” não vem também proporcionar aos Estados uma perspectiva mais ou menos defensiva?

Não haverá outras maneiras de se resolver os problemas internacionalmente sem ter de se recorrer à deslocação de povos de culturas diferentes e, deste modo estar-se indirectamente a legitimar-se o modo de afirmação da guerra e da perseguição?

Não corresponde o Pacto também a um plano de fomento da emigração para a Europa, ao serviço do multiculturalismo contra o interculturalismo?

Porque é que, só pouco antes do texto ser posto para aprovação em Marrocos, se inicia a discussão apressada sem antes ter havido participação da sociedade civil nem dos Parlamentos?

Que medidas humanas tomam os Estados assinantes em relação à camada desprotegida da própria população que não se pode refugiar da pobreza em que vive e considera os novos “pobres” como seus concorrentes?

Não irá o Pacto implementar uma emigração para os sistemas nacionais de saúde mais ricos e deste modo destruir o resultado de direitos culturalmente adquiridos por lutas sociais em favor das camadas desprotegidas e que agora se colocam em questão devido a uma globalização económica liberal que não tem consideração por pessoas, países, “ecossistemas culturais”, nem pela pessoa humana?

Não deveriam os problemas globais que são provocados pelas grandes multinacionais e pela política das grandes potências, aliada à má administração nos países subdesenvolvidos, ser resolvidos por elas com mediação da ONU?

Porque não se cria um imposto de solidariedade nos países mais ricos que seja destinado a investir nos países de origem ou a aplicar no alojamento e formação dos migrantes e não se recorre a medidas que obriguem a que 70% dos lucros adquiridos por uma empresa numa região sejam obrigatoriamente aplicados nela?

Não seria melhor adiar a assinatura do Pacto, sendo para isso tirado da ordem do dia em Marrocos e durante dois anos ser discutido nos parlamentos e na opinião pública?

Não é que em nome de um humanismo legítimo e de saudar se está a acolher pessoas, mas que estas se revelam depois como defensoras acérrimas da cultura árabe formando, a longo prazo, guetos ao serviço do socialismo árabe?

Áustria, austrália, USA, Israel, Hungria, Bulgária, Croácia, Polónia, República Checa e Estónia, não aceitam assinar o pacto por razões de defesa da soberania nacional; serão os seus motivos meramente nacionalistas?

 

No reconhecimento de uma distribuição mais justa da riqueza a nível mundial, porque é que a ONU não procura envolver também os países árabes mais ricos e o capital das bolsas e plutocratas mundiais no desenvolvimento dos países subdesenvolvidos?

 

 

Concluindo

O pacto parece situar-nos numa política simbólica que, pretensamente, não é vinculativa para o Estado, querendo ser um pouco mais que um alistar de declarações políticas de intenção (auto-compromisso) no sentido de criar um consenso comum entre os Estados, uma vez que desce a muitos detalhes.

Atendendo ao seu aspecto descritivo e generalício, chega a dar uma no cravo e outra na ferradura para que todos os países o aceitem e o implementem à medida dos interesses de cada um, parecendo ser mais um documento a querer corresponder a uma agenda indirecta para legitimar discussões públicas e também ser utilizado no sentido de uma mentalidade do pensar politicamente correcto.

Relevante para a Europa seria a questionação entre chance e ameaça que vem da consequente islamização da Europa.

No ponto 15 o Tratado sublinha que aqueles que buscam protecção devem ter acesso ao mercado de trabalho e às instituições de ensino durante seu processo de admissão. Aqui parece procurar-se garantir-lhes o nível mínimo de subsistência para poderem morar no país, o que seria humano e justo. Abstrusa, em comparação, torna-se a legislação europeia que não permite a membros da EU acesso a benefícios sociais, se vierem para fins de procura de emprego.

É certamente um passo na cooperação internacional para a solução dos problemas internacionais, mas não se pode esquecer a defesa dos interesses do Estado e do povo nacional dado que, no caso, não se parte de posições bilaterais nem de igualdade de situações entre países, culturas e camadas sociais.

Penso ser indiscutível que todo o ser humano, que vive num determinado espaço, deve ser reconhecido como portador de direitos humanos, incluindo o direito da diversidade cultural. Por isso o Estado deve estar consciente de assumir responsabilidade também em relação a quem paga a factura a nível social. Doutro modo, os pobres e carentes do mundo e das nações são reprimidos uns contra os outros para deixar mais espaço para a plutocracia obrar sem limites e à vontade.

No texto do pacto os governos entrarem em compromissos internacionais não transparentes e que, pelos indícios, poderão torna-se em mais numa oportunidade para alguns grupos e ONGs prolongarem, de forma legal, a sua luta contra a cultura ocidental também neste sector. Por vezes fica a impressão de em nome do humanismo e da humanidade europeia se querer defraudar a Europa e seus habitantes, o que não quer dizer que esta não tenha o dever de solidariedade com outros povos. É legítimo questionar-se o abuso que a pretexto de humanismo serve uma luta intercultural sub-reptícia. É preciso criar-se uma cultura de compromisso em que todas as instituições trabalhem, primeiramente, em favor do Homem e dos seus direitos.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

(1) Na Alemanha houve 21 petições com o pedido de o parlamento decidir contra o Pacto. 80.000 pessoas assinaram uma petição contra a assinatura do Pacto de Migração. (Na Alemanha quem conseguir dentro de quatro semanas reunir 50.000 assinantes tem direito a ser convidado para apresentar a sua solicitação no parlamento).

 

ESPANHA QUER TRAVAR O BREXIT POR CAUSA DE GIBRALTAR – E PORTUGAL CALA EM RELAÇÃO A OLIVENÇA E ÀS ILHAS SELVAGENS!

António Justo

O PM espanhol, Pedro Chances, declarou ontem que a Espanha recusará a aprovação do Acordo Brexit se não houver alteração na questão de Gibraltar (contencioso ente Espanha e GB) no projeto de Acordo-Brexit, entre EU E GB.

 

Gibraltar encontra-se desde 1713 sob soberania britânica.

 

Nesta lógica, o que acontece com a inclusão de Olivença no tratado, por parte de Portugal em relação ao conflito Espanha-Portugal?

 

Olivença é reivindicada, de jure, por Portugal mas encontra-se, de facto, ocupada pela Espanha.

 

O Tratado de Alcanizes, de 1297, estabelecia Olivença como parte integrante de Portugal e no Congresso de Viena de 1815, a Espanha comprometeu-se (a acabar com o conflito luso-hispânico ocorrido em 1762)  a restituir Olivença a Portugal dado ter-se apossado indevidamente de Olivença através da imposição a Portugal pelos tratados de Badajoz de 1801.

 

Um caso ainda mais grave para o futuro é o facto de a Espanha também pretender assenhorear-se da zona marítima das Ilhas Selvagens (portuguesas)!

 

Espanha quer que se ignorem as Ilhas Selvagens portuguesas, entre as Ilhas Canárias e a Madeira que considera apenas como rochas, enquanto que o Estado Português insiste na sua classificação como ilhas, o que permite a ampliação da Zona Económica Exclusiva (ZEE) portuguesa. Portugal tem lá um farol.

 

Atendendo à caturrice espanhola, o governo português deveria passar a atuar como faz o governo chinês, com ilhas semelhantes, no Mar do Sul da China. A China aumenta as ilhas artificialmente e transporta para lá areia de outras zonas do mar.

 

Tudo isto constitui naturalmente um problema relativo à integração europeia, mas uma parte, importante a não ser descuidada, é a defesa da integridade nacional não se deixando ir na onda, a pretexto dos interesses dos maiores da EU. Mais tarde é que se reconhecem os erros cometidos ao longo da História. O mar é o grande potencial de recursos do futuro!

O que outrora tornou grande Portugal foi a consciência de expressar e espalhar no mundo o espírito europeu e não o de um seguidismo obediente de uma União Europeia que se prostitui por meros interesses de grandeza económica.

© António da Cunha Duarte Justo

In “Pegadas do Tempo”

QUARTA-FEIRA DE CINZAS

O caminho da perfeição, calendarizado ritual e pedagogicamente no ano litúrgico, começa com a Quaresma (quarta-feira de cinzas) num processo ascendente de ascese a culminar na Páscoa.

 

O “Homem-pó “dá valor à vida da mudança; levanta-se do nada na procura do hálito vivificante, para, depois de embalado no pó da existência, conseguir a realização na Páscoa.

 

Cada tempo tem a sua maneira própria de celebrar e realizar a quaresma. De interesse a leitura do Sermão da Quarta-feira de Cinzas – Por Santo António de Lisboa (Sermões, vol. III, pg. 139ss). Para quem estiver interessado no tema torna-se muito proveitosa a leitura do Padre António Vieira sobre o assunto.

 

Também o jejum e a abstinência consolidam corpo e alma no processo de libertação.

Quarta-feira de cinzas em 2019 coincide com o 6 de Março. A Páscoa recairá a 21 de Abril!

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do tempo

TERRORISMO PORQUÊ?

Esboço de uma Radiografia do Terrorista islâmico no Âmbito individual

 

Por António Justo

Segundo relatórios da ONU, os terroristas estrangeiros, a combater pelo EI (Estado Islâmico) na Síria e no Iraque, provêm de 80 países e diminuíram de 15.000 para 12.000.

O Handelsblat de 16.11.2018, refere que atualmente há 5.000 jihadistas europeus na Síria e no Iraque.  Da França provêm  627 e da Alemanha mais de 900.

Na França 9.300 são considerados “radicais islâmicos violentos”, dos quais 30% são mulheres e 20% são menores.

De acordo com pesquisas, segundo o Die Welt,  mais de 80% de todos os sauditas e até mesmo um terço dos turcos têm simpatia pela ideia do EI. Da mentalidade da primeira e segunda geração de turcos a viver na Alemanha pode tirar-se conclusões preocupantes ao verificar-se que a percentagem de eleitores do islamista Erdogan foi ainda maior na Alemanha (64,78%) do que na Turquia. Felizmente há muitos outros turcos que não só participam da democracia alemã como até a fomentam participando activamente em partidos alemães.

 

Esboço de uma Radiografia do Terrorista islâmico no Âmbito individual

 

O muçulmano, como indivíduo, é uma pessoa como tu e eu; o risco que muitos temem vem das organizações muçulmanas que pregam um Islão integrista e de gueto em mesquitas.

A nível individual, na base do terrorismo, encontra-se muita revolta, ódio, narcisismo e por vezes um certo sentido de justiça reprimida. A nível institucional o Islão parece encontrar-se em batalha cultural (a viver num estado de impasse/desagrado enquanto não se encontrar em situação de maioria). O orgulho velado conduz muitos muçulmanos ao complexo da superioridade islâmica que os impede da atitude “à terra onde fores ter faz como vires fazer”!

No terrorista junta-se, além da situação precária, muita raiva engolida e pregada por almas desvairadas a sentir a areia a fugir-lhes debaixo dos pés e como tal, a sentir-se ameaçadas porque não se sentem inclinados à adaptação nem à concorrência. (A não facilitar a situação, a civilização árabe, consciente das próprias fraquezas, aposta na própria religião como artigo de exportação em contrapartida à importação da tecnologia ocidental; de resto parece chegar-lhe o dinheiro (petrodólares) e uma moral simples burilada à medida do islão, compreendido como a fronteira do mundo.)

Por falta de empatia humana, identificam-se com uma ideologia do gueto que lhes ofereça perspectivas à medida da sua situação. Por outro lado, encontram-se numa sociedade cada vez mais plana que aplaina as pessoas e consequentemente fomenta seres que se agarram a símbolos genéricos.

O terrorista bebeu, muitas vezes já com o leite, o ódio da ideologia depois alimentado por uma vida malsucedida e afogueada por crises de sentido, que o leva a procurar reconhecimento e sentido num grupo que talvez lhe ofereça chances de subir, ou de morrer, mas não sozinho.

A situação precária procura uma relação de proximidade (cumplicidade) em pessoas e em grupos também eles em posição extrema que usam o extremismo como ponta de lança.

Como vivem numa sociedade europeia decadente não se sentem motivados a levá-la a sério e reconhecem na ideologia islâmica, uma perspectiva grupal libertadora e de libertação (esta função libertadora e de libertação funciona quase exclusivamente em relação ao mundo exterior que não seja sunita ou xiita.) Uma vez alinhados neste exército ideológico, a sua frustração da vida é elevada a uma situação de missão vocacional. Assim, já não são eles a actuar na sua precaridade, então passam a ser a identificação do islão em missão. De facto, a radicalização precisa de algo adversário e de uma ideologia de vítima que catalise as suas forças. Já que não podem fazer missão pelo transbordar de amor pela humanidade fazem-na na raiva de uma presumida autodefesa contra um imaginado inimigo.

O islão, ao ser considerado só como adversário, por alguns grupos da sociedade acolhedora, também avigora, ainda mais, o extremista islamista, porque então, ódio legitima ódio.

O islamista vive da ambivalência entre o seu ser de fiel e o oposto (o infiel só suportável como ser inferior e pagador de “tributo” pelo facto de não ser muçulmano), entre realidade e idealização. A prática da ambivalência vive do medo e de um pensar polar (“branco/preto, parceiro/adversário”) que conduz ao fanatismo isolante que não deixa sair de si mesmo, mantendo-se prisioneiro do calor da própria cultura.

O complexo de vítima cultivado leva-o a combater o que seja símbolo da injustiça e como tal legitimador da agressão e do ódio; a sociedade de acolhimento ainda os fortalece nesta situação de vítima, ao tentar ver a causa desta situação prearia apenas na sociedade acolhedora, em vez de analisar a situação diferenciadamente.

Assim, torna-se legitimo combater contra o inimigo e para mais quando o Corão e os Ditos e feitos de Maomé estimulam a isso. Por medo, ingenuidade ou interesse ninguém se atreve a fazer uma anatomia do islão e, por razões de medo inconsciente criam-se visões unilaterais.

Por outro lado, o narcisismo islâmico dá resposta à necessidade de superioridade e de sentido do islamista narcisista, possibilitando-lhe a aquisição de um rosto superior. A autoestima é elevada a alta potência, e a ideologia ajuda-o como moleta.  

A ideologia possibilita a formação de uma rede que conecta diferentes energias e que promete futuro ao possibilitar a concretização de uma ideia numa acção.  Os Media sociais funcionam como canais de comunicação que criam a sensação de relação e de comunidade a pessoas, por vezes, solitárias. Assim, grupos terroristas fazem uso privilegiado das redes de Internet para a recolha de aspirantes ao extremismo.

Por outro lado, a desindividualização dos actos crime e da pessoa, em via nos média, torna a acção criminosa irrelevante, mas, por outro lado, a sua divulgação individualizada fomentaria emocionalismos populares que também não são favoráveis a duas culturas que se desejariam ambas de braços abertos.

Infelizmente a falta de discussão séria sobre o Islão (o Corão, os Ditos e Feitos do Profeta Maomé – Ahadith, que estão na base do agir dos terroristas) a nível intelectual e de elites políticas não ideológicas, impede o fomento de um islão reformador (uma espécie de protestantismo islâmico ad intra) e, deste modo, deixa o assunto aos extremos da sociedade e para aqueles que se aproveitam do socialismo árabe para fazerem o seu negócio. Deste modo nem é servido o islão nem as sociedades de acolhimento e na Europa o sistema político e social sofre grandes males.

Enquanto a discussão sobre o islão se reduzir ao discurso partidário e de grupos de interesse específico, continuaremos a não servir nem a sociedade ocidental nem a sociedade islâmica. Já dá nas vistas o só se falar da discriminação por parte da maioria (de deveres da parte da maioria para com a minoria) e não se falar da discriminação por parte da minoria (dos deveres da minoria relativamente à maioria); assim contribuímos todos para um pensar só a negro e branco, em vez de nos encontrarmos num diálogo que parta da natureza humana, independentemente da pertença religiosa, para, em contextos culturais se reconhecer a cumplicidade comum.

Ao ler-se a História, verifica-se que uma ótica de afirmação da sustentabilidade árabe na sociedade e na história, também se dá através dos “assassinos” e de grupos esotéricos que atuam nas/das mesquitas.

Uma religião da obediência-cega e que alberga o terrorismo internacional, mas que se apresenta como a religião da paz, parece ter muitos adeptos e compreendedores do terrorismo islâmico e da discriminação da mulher, ao ver só o inimigo no tal populismo popular que reage instintivamente às falhas da classe ideológica e política. Esta posição crítica em relação ao Ocidente (e à religião cristã) e acrítica em relação ao islão parece já sofrer do mesmo paradigma de pensamento islâmico que, na sua tática relacional e convencional, se serve da ambiguidade, partindo do princípio que o mal está no outro e o inimigo está fora, o que consequentemente impede a integração. Uma crítica do Islão não significa ódio ao Islão, mas um cuidado para que se compreenda e este se desenvolva no tempo e para lá dos limites islâmicos, no sentido de possibilitar uma aproximação honesta das duas culturas. A cultura árabe, comum ao islão, tem imensas riquezas que vão da arte à literatura não se deixando extinguir num homo arabicus confinado à religião. A nós compete-nos fomentar mais aquelas forças islâmicas interessadas na construção de um islão aberto.

António da Cunha Duarte Justo

© Pegadas do Tempo

 

DA PROCLAMAÇÃO DA “REPÚBLICA EUROPEIA” – REFLEXÃO

Países envergonhados dos seus “Feitos de Guerra” como Nação querem impor a Países europeus a Vergonha por serem Estados-Nação

Por António Justo

Grupos de artistas de várias cidades europeias, que vão de Salónica a Dublim e de Helsínquia ao Porto, proclamaram simbolicamente a “República Europeia”, a 10.11.2018 às 16 horas.

Muitos teatros e outras instituições participaram no evento em mais de 150 cidades europeias onde foi lido um manifesto. O projeto inclui eventos, entrevistas, debates e intervenções artísticas; nele se envolvem mais de 100 instituições e organizações.

100 anos após o fim da Primeira Guerra Mundial, no âmbito do “Projecto Europeu Varanda” os artistas pretendem que se transfira „a soberania dos estados-nação para os cidadãos “, quer-se „tomar o nosso futuro em nossas próprias mãos” e que se organize uma Europa das Regiões, mas no sentido de se desestabilizarem as nações, muito embora numa “democracia transnacional”.

Esta é mais uma Peça de Teatro exibida em Teatros europeus – apenas útil para se repensar a Ribalta de Bruxelas

Quem teve a ideia da “República europeia” foi o politólogo e publicista Ulrike Guérot e o escritor Robert Menasse; este escreveu o manifesto! Pretendem, por um lado, “superar o vocabulário centrado na EU e, por outro, obstar às tendências nacionalistas crescentes”. Apostam em um Plano B para a Europa: a República Europeia. Conscientes de que “o nosso continente pode evoluir para um lugar pós-nacional”.

A vertente europeia nórdica (Alemanha), dos “envergonhados” da Nação, pretende continuar a moldar determinantemente a ideologia da Europa e do mundo!

Na Homepage República Europeia, apregoa-se que o bem comum, res publica, serve como princípio orientador de uma futura ordem europeia.

Querem abrir um debate sobre a EU que vá para além do discurso público atual e que ponha em questão e negue a ainda existente “soberania (residual) dos estados-nação”.

Dão a impressão de terem sido danificados pelas grandes guerras, ao partirem da experiência da Alemanha e da Áustria e em vez de assumirem a realidade da sua destruição passaram à ideologização da própria situação (envergonhados da nacionalidade) pensando que o falhanço das suas nações pode ser agora reparado com a luta contra identidades baseadas em Estado-nação.

O pior “nacionalismo” encontra-se no querer (Frankfurter Schule, etc.) levar todos os europeus a pensar que a Europa e a sua cultura são as responsáveis pelo que os países iniciadores das duas guerras mundiais fizeram! Este enredo é usado pela ideologia marxista e aproveitada pelo neoliberalismo para prosseguir a velha luta contra as bases da cultura ocidental, luta esta que assenta no combate a Deus, pátria e família, simbolizados no conceito de nação.

O manifesto tem ideias aproveitáveis, mas, na sua intenção intrínseca, esconde um espírito revolucionário nostálgico a atuar em palco. É mais uma iniciativa que indirectamente serve o burocratismo à la troika (soviética) que, por outro lado, se aproveita de um globalismo sem raízes nem rosto bem como da plutocracia. Mais uma luta pela activação do espírito revolucionário e pela conquista do poder nas instituições da EU, tudo isto, em nome de uma democracia do abstracto (cifrada num regionalismo reduzido a números entre 8 e 15 milhões de cidadãos por grupo (1), certamente a substituir as nações). Além dos interesses que a iniciativa alberga, tem a vantagem de fazer pensar e também o risco de fomentar a moda da “maria vai com as outras”! De facto, “o que está em voga tem um poder extraordinário sobre o pensar das pessoas simples que tudo aceitam sem refletir nas consequências” dizia-me uma ilustre leitora portuguesa que conhece bem a onda que nos leva.

Numa EU em que alguns povos ainda não conseguiram a consciência de nação (problema também de muitos Estados africanos!) quer-se acabar com as nações, com as nações de povos que têm uma certa unidade cultural; da constatação da evidência de a EU não dominar a crise e do facto de uma nação não poder controlar a EU e de Bruxelas ter dificuldade em controlar os Estados-Nação, não pode levar à conclusão que a solução seria a abolição das nações.

Uma identidade de caracter internacional deve assentar num caracter orgânico, reconhecendo que todo o cidadão faz parte de um povo, de uma cultura constituída de identidades individuais, familiares, étnicas, nacionais. Como se pode ser sério ao querer-se, em nome de um cidadão abstracto, querido meramente indivíduo, acabar com os seus factores de identidade familiar, étnica, nacional e religiosa?

É uma utopia, certamente! Mais uma acção PR resultante do impasse em que se encontra a EU do Brexit, dos burocratas, de uma politica de imigração apressada e de um envergonhado nacionalismo! A iniciativa peca, também ela, por se encontrar longe do povo, demasiado concepcional sem uma ideia de representações orgânicas do povo.

O projecto vem, pelo contrário, fomentar radicalmente o burocratismo e as ideologias de que sofre a EU; falta-lhe a capacidade de enquadrar uma Europa de povos-nações e de culturas, além de desconhecerem verdadeiramente a realidade nacional e pré nacional em que se encontra grande parte da humanidade; seria mais óbvio renovar e transformar as instituições da EU no sentido dos seus povos. Criar-se um seguro de desemprego europeu, como quer Olaf Scholz, ministro alemão das finanças seria um bom passo no sentido do cidadão-povo; também a criação na EU de um orçamento separado e um ministro das finanças da UE sob o controlo parlamentar, como propõe Macron, poderiam constituir medidas que desviariam muitos ventos que sopram contra as velas da EU.

Defender a utopia de se terem cidadãos sem estruturas fortes (neste caso sem o Estado-nação) parece encontrar-se na linha directa de uma agenda global turbo-capitalista e antiocidental na sequência de uma filosofia neoliberal totalizante, na linha de um pós-modernismo que quer acabar com a História, com a cultura e com o Homem, dela surgido.  A filosofia inerente ao grupo alinha-se na estratégia da agenda globalizadora a que assiste um certo radicalismo anti-cultura, como se observa em muitos grupos Gender.

Ao ler o Manifesto, gostei do seu realismo ao colocarem as suas exigências na categoria de utopia! Também gostei de um certo interesse pelo cidadão, mas pecam por querem um cidadão que não cheire a povo e que seja só embrulhado pelas fraldas de ideologias.

Com o argumento do desenvolvimento, fomenta-se o tribalismo e, de maneira ingénua, adopata-se, indirectamente, um socialismo árabe, como se o regresso à Idade Média e o aproveitamento da propaganda feito por alguns contra os Estados-nações fosse a solução e o suficiente para ignorar a realidade mundial das nações. A ideologia do internacionalismo socialista foi agregada ao globalismo do capitalismo liberalista e à materialização cultural. Isto complica, cada vez mais, um discurso livre e desempenado!

Até a ONU corresponde à realidade das nações, embora a sua agenda subtérrea seja superar-se a elas e deste modo facilitar mais o dirigismo que interessa ao turbo-capitalismo e ao marxismo radical cultural.

Sou pelo regionalismo e pelos biótopos culturais e deste modo pela democratização da governação e da economia; querer acabar com os biótopos Estados nações é um serviço em prol de oligarquias económicas e ideológicas que prescindem do Homem para o tornar máquina num sistema tecnológico em que uns poucos de técnicos, com seus programas e configurações, regulam o funcionamento do povo à margem do cidadão.

Os criadores do “European Balcony Project” têm muita razão quando advogam que o populismo não destrói a UE, mas a UE produz populismo, mas perdem a razão ao quererem combater o vício do nacionalismo com uma agenda anti-cultura ocidental. Não só os nacionalistas prejudicam o estado de direito, mas também o fazem muitos ativistas nas suas cruzadas contra Deus, a pátria e a família.

© António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

  • ) O Manifesto visa agora identificar as cidades e regiões em grupos administrativos de 8 a 15 milhões de habitantes e tornar os seus representantes numa instituição para substituir o Conselho Europeu, e assim destruir o poder nacional. Querer-se obstar-se ao nacionalismo mediante a criação de uma organização meramente burocrática é desrespeitar os diferentes factores de identidade e querer formatizar a sociedade no sentido da agenda do turbo-capitalismo e da ideologia radical marxista. Naturalmente que o desalfandegamento dos produtos africanos deve tornar-se prioridade na EU. Tudo isto não deixará de ser música atordoadora bem-sonante enquanto a oligarquia e os movimentos “revolucionários” mais activos continuarem a desproteger a própria cultura.