Portugueses nos campos de concentração Nazis

Os arquivos nazistas de Bad Arolsen, registam também a presença de portugueses em campos de concentração na Alemanha, segundo uma investigação do Público.

Junto coloco dois links onde se poderá informar sobre o assunto. Alegra-me poder fazê-lo pois, há já muitos anos, tinha escrito um artigo em que recomendava a consulta do arquivo (ITS, Arolsen) para pessoas interessadas em saber do paradeiro de vítimas dos nazis.

Aqui dois links sobre portugueses nos campos de concentração:
http://www.publico.pt/portugal/noticia/a-historia-nunca-contada-dos-portugueses-nos-campos-de-concentracao-1659681
http://www.publico.pt/portugal/noticia/eram-seis-menos-dez-quando-o-relogio-de-paulo-parou-em-neuengamme-1660566

António da Cunha Duarte Justo

100° ANIVERSÁRIO DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

O ATENTADO DE SARAJEVO DÁ OPORTUNIDADE AO INÍCIO DAS CATÁSTROFES DO SEC. XX NA EUROPA

António Justo
A 28 de Junho de 1914 um estudante, por conta da polícia secreta sérvia, matou, a tiro, em Sarajevo (Bósnia), o herdeiro do trono de Áustria-Hungria e a sua esposa. O conflito entre a Sérvia e a Áustria-Hungria dá oportunidade ao início das catástrofes do séc. XX. Inicia a primeira grande guerra mundial que terminou em 1918 com 18 milhões de mortos. A 28 de Julho Áustria-Hungria declara guerra à Sérvia.

Sarajevo, mais que a causa da Grande Guerra foi o motivo para, as potências em efervescência e desejosas de estabelecer uma nova ordem política na Europa, ajustarem contas e ressentimentos entre si iniciando a era da maior violência histórica (Era dos nacionalismos iniciados em 1848, dos fascismos e dos movimentos republicanos e comunistas).

Segundo os historiadores Fritz Fischer (tese da “Licitação para tornar-se potência mundial”), Kurt Riezler (no seu diário: “política do risco calculado”), Sönke Neitzel (“Alemanha não planeou a guerra mundial”), Christopher Clark (fala de uma “Crise pan-europeia”), nem Londres, nem Paris, nem Viena, nem Berlim, nem Moscovo estavam interessados em impedir a escalação militar.

A Alemanha desejava tornar-se potência mundial e ter um lugar ao sol como os povos colonizadores (Inglaterra e França). A sua frota de guerra ameaçava a supremacia marítima inglesa e o seu plano de Schlieffen ameaçava a França.

A guerra tornou-se numa oportunidade e por isso o imperador Wilhelm II da Alemanha apoiou incondicionalmente o imperador Joseph I de Áustria-Hungria na declaração de guerra contra a Sérvia, protegida da Rússia. A Rússia, aliada da França, mobiliza (a 30 de Julho) os exércitos em apoio da Sérvia. A 1 de Agosto a Alemanha e a França mobilizam os seus exércitos e a 2 de Agosto a Alemanha declara guerra à França e a 4 de Agosto a Inglaterra declara guerra à Alemanha.

O presidente dos USA Woodrow Wilson (nobel da paz) ao ver os navios mercantes americanos atacados pelos alemães intervém também na guerra. O presidente francês Raymond Poincaré via na guerra a hipótese de recuperar as áreas da Alsácia-Lorena perdidas para a Alemanha em 1871 (objectivo conseguido pela França no humilhante tratado de paz de Versailles e nas pesadas reparações da Alemanha que motivaram a sua preparação para a segunda guerra mundial). O turco Ever Pasha, homem forte do reino otomano, conseguiu que o Sultão Mehmet V declarasse a guerra santa dos muçulmanos contra os inimigos da Alemanha e da Áustria-Hungria; A Turquia bloqueia o acesso russo ao Mar Negro. Assim a Turquia pôde praticar o genocídio contra os cristãos arménios com o consentimento tácito da Alemanha. A fraqueza do czar Nicolau II e a agitação bolchevista de Petersburgo na Rússia levam o czar a abdicar em 1917. A Alemanha, para desestabilizar a Rússia contrabandeou para Petrogrado (Rússia) o revolucionário russo Lenine que se encontrava no exílio na Suíça. Lenine instalou o estado ditador comunista da União Soviética que durou até 1991.

A Europa de 1914 encontrava-se toda ela em crise. Não se deve esquecer que na Europa de hoje, tal como outrora há uma grande crise não só económica mas também política. Também a Rússia sonha com o poder antigo da União Soviética, a Turquia quer-se afirmar como potência estratégica. A Nato e a EU querem alargar o seu poder junto das fronteiras com a Rússia. A Ucrânia encontra-se dividida entre o leste e sul de cultura ortodoxa russa e o oeste de cultura grega-católica. Desde as guerras da decadência da Jugoslávia em 1991 parte da península balcânica e a Ucrânia continuam zonas instáveis e com potencialidade para desenvolver conflitos internacionais devido à instabilidade interna e aos interesses das potências que as circundam.
António da Cunha Duarte Justo
www.antonio-justo.eu

Portugueses nos campos de concentração

Os arquivos nazistas de Bad Arolsen, registam também a presença de portugueses em campos de concentração na Alemanha, segundo uma investigação do Público.
Junto coloco dois links onde se poderá informar sobre o assunto. Alegra-me poder fazê-lo pois, há já muitos anos, tinha escrito um artigo em que recomendava a consulta do arquivo (ITS, Arolsen) para pessoas interessadas em saber do paradeiro de vítimas dos nazis.
Aqui dois links sobre portugueses nos campos de concentração:
http://www.publico.pt/portugal/noticia/a-historia-nunca-contada-dos-portugueses-nos-campos-de-concentracao-1659681
http://www.publico.pt/portugal/noticia/eram-seis-menos-dez-quando-o-relogio-de-paulo-parou-em-neuengamme-1660566

António Justo
www.antonio-justo.eu

PAPA EXCOMUNGA A MAFIA

António Justo
O Papa Francisco, não tem medo de missões desagradáveis. A sua viagem, à região de Calábria, bastião da criminalidade organizada da Itália, demonstra coragem. No sul da Itália encontram-se radicadas as grandes organizações da Mafia: Cosa Nostra, Camorra e Ndrangheta.

O papa visitou a prisão de Castrovillari onde se encontram os familiares de uma criança de três anos (Cocó), que nascida na prisão, tinha sido assassinada em Janeiro com o avô e sua parceira em acto de vingança entre grupos mafiosos. Em Março, o Papa já tinha recebido em audiência, 900 familiares de vítimas da Mafia.

Na boca do lobo, o pontífice Francisco confronta os grupos mafiosos e as estruturas sociais que os apoiam dizendo: „Aqueles que escolhem o falso caminho, como os mafiosos, não se encontram em comunhão com Deus. São excomungados.“ Como “seguidores do mal” não podem pertencer à Igreja Católica.

Na missa perante mais de 100.000 fiéis, o Papa referiu-se directamente à Ndrangheta, uma das organizações da mafia com 7.000 membros que inclui cerca de 90 clãs ou quadrilhas organizadas familiarmente.

O Santo Padre adverte: “Quando a admiração por Deus é substituída pela admiração do dinheiro, então abre-se a estrada do pecado, do próprio interesse e da repressão”. “A Ndrangheta é exactamente isso – a admiração do mal, o desprezo do bem-comum. Contra este mal tem de se combater.”

A Ndrangheta tem um volume de negócios anual avaliado em € 53 bilhões ou seja, 2,7 % do PIB italiano), proveniente, sobretudo, do negócio com drogas (80% da cocaína da Europa passa pelo porto calabrês de Gioia) e armas, descarte de resíduos ilegais, prostituição, tráfico de seres humanos, lavagem de dinheiros e extorsões. A organização mafiosa Ndrangheta está activa não só na Itália mas também no norte da Europa, na américa latina, nos USA, etc.
António da Cunha Duarte Justo
www.antonio-justo.eu

A suave Ditadura do Pensar politicamente correcto

Antigamente acreditava-se e hoje crê-se saber

António Justo
Cada sociedade, época ou pessoa tem a sua moldura de pensamento a valorizar o que abraça e inclui. Por vezes, o Zeit Geist opera como um tufão que tudo arrasta. Valores e convicções são submetidos à régua da moda que só conhece o certo e o errado (o que está dentro ou fora do seu caixilho), sem espaço para discordar nem para reciclar ideias. “Uma comunidade incapaz de lidar com o desacordo está mal preparada para o futuro”, constatava Timothy Radcliffe.

O Politicamente correcto é uma maneira de ser e de pensar adaptada a uma mundivisão do oportuno, a uma determinada ideologia ou sociedade que amarra o pensamento, a moral e a atitude aos próprios limites, sejam eles científicos, partidários, religiosos ou políticos. Quem se atreve a ter opinião diferente ou a pensar com a própria cabeça é, geralmente, visto como espanta pardais ou é colocado no rol de persona non grata. Zelotas da opinião só aceitam ideias extremas progressistas ou tradicionalistas. Desaprendeu-se a regra de ouro de Aristóteles de que a virtude se encontra no meio e como tal a regra constitui uma exigência a descer temporariamente do próprio miradouro para se abranger também outras paisagens.

Pessoas que seguem o politicamente correcto são, geralmente, simpáticas, conformes e conformistas; há as oportunas, alinhadas e consequentes, que aceitam tudo e estão de acordo com tudo (também não ouvem nem escutam, o que lhes seja adversário ou crítico; outras, satisfeitas, não precisam de tomar nada em conta, é mais fácil e cómodo excluir do que envolver-se); também as há distraídas com o pequeno defeito de se tornarem intolerantes para com pensares e opiniões diferentes ou não alinhadas à sua manada. Nos dois grupos delineia-se um denominador comum: tudo o que vem à rede é peixe.

Quer-se a igualdade mas por medo à diferença. Querem-se as pessoas todas citadinas e bem-educadas, não por amor à virtude mas por vergonha da província. Mas, no fim de contas, o problema não é da cidade nem da província mas sim um erro de pensamento: parecer que não cheire ao humos do próprio curral provoca medo ou agressão pelo facto de ser desconhecido ou diferente.

Vive-se num tempo hipócrita em que a crítica a velhos dogmatismos serve de subterfúgio para esconder a própria moralina e os dogmatismos do novo pensar conforme, da correcção civil e do género. Já Platão observava: “Muitos odeiam a tirania apenas para que possam estabelecer a sua”.

No panorama das opiniões, domina o vermelho e o rosa de um pôr-do-sol de estação outonal, já sem forças para contradizer o pensar dominante. É como nas autoestradas, o que importa é o sentido e a liberdade na aceleração.

A violência vivida e encenada substitui a realidade pelo debate. Assiste-se a uma conivência solidária e significante em que o medo e a infelicidade se irmanam numa emoção comum. Não interessa a coisa em si, o que dá sustento é a opinião.

Por fim surge o mecanismo da consternação que é movido e cultivado por um jornalismo de caracter político e comercial, interessado mais na lágrima que na acção. As pessoas são condicionadas ao papel de espectadores ou de eleitores que podem escolher, livres para escolher o que se lhe põe à frente através do ecrã da democracia.

O pensar politicamente correcto impede a liberdade de pensar diferente. O pensar diferente, ou até alternativo, não cabe no uniforme da política nem no credo dos meios de comunicação social.

George Bernard Shaw dizia: “As pessoas razoáveis adaptam-se ao mundo. Pessoas irracionais adaptam o mundo a si mesmas. Portanto, todo o progresso depende das pessoas irracionais. “

António da Cunha Duarte Justo
Teólogo e Pedagogo
www.anonio-justo.eu