DIREITOS DE IMIGRANTES DA UE REDUZIDOS PELO TRIBUNAL EUROPEU + CETA

Abono de Família encurtado ou eliminado na Sequência das Exigências britânicas

Por António Justo

No conflito entre a legislação social britânica e a Comissão Europeia, o Supremo Tribunal Europeu de Justiça deu razão à Grã-Bretanha. Estrangeiros da UE que não vivem ou não vivam sempre na Grã-Bretanha não tinham direito, segundo a legislação britânica, ao abono de família britânico, embora a Comissão Europeia em Bruxelas fosse de opinião contrária.

O Processo com o número de arquivo C-308/14 relativo ao abono de família para estrangeiros da União Europeia veio criar clareza através da decisão do tribunal que dá razão à Grã-Bretanha.

A decisão, ao dar razão à Grã-Bretanha, vem fortalecer a posição dos Estados membros em relação à política da Comissão Europeia. Esta medida do tribunal é vento contrário nos moinhos dos britânicos defensores da saída da Grã-Bretanha da EU (Brexit). Este vento não será porém suficiente para a manter na EU.

Os juízes fundamentaram a decisão com o argumento de que as directivas relevantes da UE não criam um regime comum de segurança social europeia, permitem diferentes regulações nacionais e um governo não deve perder de vista o seu próprio orçamento. Deste modo, mesmo que o pai de uma criança viva na Grã-Bretanha e o filho na Roménia, este só passará a receber o abono de família correspondente ao da Roménia e não ao da Inglaterra. Mobilidade livre na Europa não significa direito de acesso a todos os apoios do Estado.

Países como a Alemanha, que pagavam imensas quantias de abono de família a crianças a viver na Roménia e em outros países da União Europeia, esfregam as mãos de contentes com tal medida do tribunal. Também se torna muito diferente se a quantia do abono de família pode ser feita em referência ao país de residência ou ao país de origem. Assim uma criança que até aqui era abonada em 180€ na Alemanha independentemente do local de residência, logo que a legislação alemã seja aferida à decisão do tribunal europeu, passará, a receber apenas 10 € de abono num país que só abone a criança com essa quantia. A prática anterior que se revelava numa medida de ajuda ao desenvolvimento e uma medida compensatória para países da periferia com a correcção do tribunal favorece o espirito nacional em relação ao europeu

Com esta medida Bruxelas vem de encontro aos países mais ricos que se viam prejudicados ao terem de tratar os seus imigrantes e familiares independentemente da sua residência.

 

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo https://antonio-justo.eu/?p=3661

 

CETA  – AVISO DE BERLIM A BRUXELAS

O Governo alemão acaba de avisar Bruxelas que o acordo comercial CETA com o Canadá não poderá ser aplicado na Alemanha sem a aprovação do Parlamento alemão e do Conselho Federal.

Este é um aviso às instituições da EU e aos lóbis de Bruxelas de que a democracia também tem uma palavra a dizer num negócio que não deveria ser feito à margem dos parlamentos de países europeus em que os governantes respeitam o parlamento e o cidadão. O Governo alemão vê-se obrigado a intervir porque o povo tem feito muita pressão.

António Justo

 

 

 

 

A PROMISCUIDADE ENTRE POLÍTICA E EMPRESAS COMPROMETE A DEMOCRACIA

Paulo Portas, saído há pouco do governo, passa já para consultor da empresa Mota Engil. Embora este mau hábito se repita em Portugal e na Europa é um mau testemunho da democracia. Assim se salta por cima da lei da incompatibilidade da amalgamação de política e economia.

 A política é usada como plinto de políticos para cargos executivos de grandes empresas, o que lembra também a influência das empresas na política; Paulo Portas, embora não vá para o executivo da empresa, ao ocupar o lugar de consultor do Conselho Internacional da Mota Engil não respeita a carência que deveria ser pelo menos de três anos depois de um governante sair do poder.

O serviço que Paulo Portas prestará em benefício da economia portuguesa não deve acontecer à custa da promiscuidade e do tráfico de influências entre política e as estratégias das empresas, o que é incompatível com a Democracia. Hoje as irregularidades que se fazem sob o manto da democracia tornam-se cada vez mais drásticas e atrevidas. O problema maior está no facto de esta ser uma prática cada vez mais generalizada. http://leitor.expresso.pt/#library/expressodiario/06-06-2016/caderno-1/temas-principais/os-sete-trabalhos-de-portas

Constata-se que em política o que vale e fica é o poder; se a população não está atenta a democracia cada vez se transforma mais num pretexto para o poder.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

Início da Abolição do Dinheiro vivo (Notas) a Nível mundial – Controlo total do Cidadão

Início da Abolição do Dinheiro vivo (Notas) a Nível mundial – Controlo total do Cidadão

António Justo

Segundo um projecto-lei dos socialistas, pagamentos em dinheiro vivo só poderão ser efectuados até 3.000 euros. O Jornal Negócios relata que a partir de 1.01.2017 será “proibido o pagamento em numerário nas transacções de qualquer natureza que envolvam montantes iguais ou superiores a três mil euros” e a 1.500 € no caso das pessoas sem residência em Portugal “desde que não actuem na qualidade de empresários ou comerciantes”. http://www.jornaldenegocios.pt/economia/impostos/detalhe/pagamentos_em_dinheiro_vivo_so_ate_3000_euros.html

Economia paralela é mais forte em países com limite de dinheiro vivo

Na Europa há muitos países com limitação de transações com dinheiro vivo. A Itália começou por limitar pagamentos em dinheiro a 999,99 euros por transação, em 2011, tendo agora elevado para o limite de 2999,99€ por pagamento, por razoes práticas. Na Grécia a limitação é de 1.500€.

Em quase todos os países da UE, com um limite de dinheiro, a economia paralela é, hoje mais acentuada do que na Alemanha onde não há limites de transacções com dinheiro vivo. Segundo a opinião de especialistas a economia sombria é na Itália e na Grécia o dobro da da Alemanha. Segundo estimativas, na Alemanha são lavados anualmente cem mil milhões de euros.

Dentro de dez anos só pagamentos em dinheiro virtual?

O chefe do Banco Alemão, no encontro de Davos, disse que dentro de dez anos já não haverá notas; segundo ele, linheiro vivo é “terrivelmente caro e ineficiente”. http://www.spiegel.de/wirtschaft/soziales/bargeld-obergrenze-in-italien-und-frankreich-normal-a-1075841.html

Só haverá impressão de notas de 500€ até 2018 determinou o BCE

O BCE (Banco Central Europeu) com base numa recomendação dos ministros da economia da Zona Euro de Fevereiro, já determinou que só haverá impressão de notas de 500€ até 2018. As notas em circulação continuam válidas e podem ser guardadas também como aplicação financeira. Mario Draghi argumentou que as notas de 500 € são muito utilizadas para objectivos criminosos. Por outro lado, o presidente do Banco Alemão manifestou dúvidas se uma tal medida “impedirá acções ilegais de terroristas e criminosos”.

Interesse na abolição do dinheiro líquido têm o Estado, a indústria e os bancos!

Dostojewski dizia: “dinheiro é liberdade imprimida”. O cidadão perde o controlo sobre o próprio dinheiro, e passa a ser totalmente controlado, pelos vestígios digitais que deixará em todos os pagamentos ou transacções, tal como já acontece hoje através do smartphone na comunicação. Estamos em via de ultrapassamos a visão de Orwell. Com as práticas em via, um estado totalitário teria tudo na mão.

 

Em Portugal somos ainda mais progressistas, dado sermos obrigados a trazer já os números do contribuinte e da segurança social no mesmo cartão do cidadão e a ser necessário o uso do número do contribuinte por tudo e por nada. Nas Alemanha falaram disso mas o povo, que ainda vai tendo mais-valia, pelo menos teoricamente, obrigou os políticos a meterem a viola no saco, e de momento interromper a conversa, dado para a consciência popular alemã isso corresponder a uma atitude de “um estado vigia” (Überwachungsstaat). Em Portugal não se põe a questão porque já antes eramos obrigados a trazer as impressões digitais no cartão.

O processo em curso segue o espírito do tempo, no sentido da abstracção e da despersonalização; tudo se torna mais longe da realidade, mais anónimo, mais abstracto e, como tal, mais massa!

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

PAÍS A VIVER DA FRACTURAÇÃO SOCIAL E NA POBREZA ESPIRITUAL DO DIA-A-DIA

Por António Justo

O problema da fracturação social portuguesa é sistémico e deve-se, em grande parte, à conotação politica baseada no jacobinismo da primeira república e posta em dia na III República, sem uma reflexão ou análise séria sobre a primeira nem a segunda.

Temos uma discussão pública que em vez de circular em torno da política económica e cultural circula em torno de partidos como se o ser e o sentir do cidadão se reduzisse a temas para aquecer um espectador que se deseja com mentalidade de adepto de clube!

A indoutrinação tornou-se tão eficiente porque inconsciente que a consciência pública se encontra condicionada a uma maneira de ver e pensar reduzida a jogadores de pingue-pongue! Vê jogadores mas desconhece a mesa e a bola!

Uma sociedade que não reflecte seriamente sobre o seu passado parece não ter direito a ter futuro! Esta é uma das explicações que explica a crise e o estado descontente português.

A sociedade portuguesa parece viver como um país desconciliado, sem normalidade política e em estado de excepção.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

REFUGIADOS OBJECTO DE NEGÓCIO ENTRE A TURQUIA E A UNIÃO EUROPEIA

Por António Justo

A União Europeia aceita como refugiados os curdos perseguidos pelo regime turco e, por outro lado, dá à Turquia o poder de enviar os refugiados da Síria para a Europa. Segundo o tratado entre a EU e a Turquia, além dos seis mil milhões de euros que a EU concede à Turquia para os refugiados, o tratado determina que os refugiados enviados da Turquia para a Grécia (destino Europa) podem ser reenviados pela Grécia para a Turquia e a Turquia, por cada refugiado reenviado da Grécia pode escolher um dos que se encontram no seu território e enviá-lo para os países da EU. É um negócio esquisito que se dá à custa da humanidade dos refugiados e que serve a Turquia e a Europa. Serve a Turquia porque esta pode escolher os refugiados que manda para a Europa e até ficar com os mais qualificados; é também um negócio para a Europa porque ao encurralar os refugiados na Turquia e na Grécia pode ter controlo sobre o tráfico dos refugiados, tirando-o das mãos dos traficantes livres para o passarem ao controlo dos Estados (aqui a Europa espera também que o Estado turco assuma a responsabilidade sobre os traficantes turcos e internacionais que operavam da Turquia, chegando estes a ganhar mais de quatro mil euros por cada refugiado traficado).

Por cada sírio enviado de volta para a Turquia, o Estado turco começou a enviar legalmente um outro sírio para a Europa a partir de 4. de Abril passado. A Europa comprometeu-se a receber, este ano, até 72.000 refugiados por esta via.

Erdogan é um osso duro de roer para os seus parceiros europeus. O autocrata Erdogan, que se ri dos valores democráticos, alinha as forças da Turquia em direcção ao fascismo. O presidente turco sabe que tem na sua agenda a cartada dos refugiados para poder chantagear a classe política europeia que não quer ver o seu poder diminuído com o surgir de novos partidos concorrentes alimentados pelo tema dos refugiados e da política da EU. Deste modo é diminuído o contrabando com os refugiados ao condicioná-lo a fronteiras e à burocracia dos estados.

A Chanceler alemã apesar do clima político complicado, aquando da visita à Turquia não parece ter vendido a alma democrática á Turquia, ao expressar em Istambul a “profunda preocupação” sobre a manipulação da oposição, a liberdade de imprensa e a maneira como o Estado trata os curdos.

Agora que a Alemanha declarou a o massacre dos turcos contra os arménios como Genocídio, o Governo turco lançará algumas “bombardas” contra a Alemanha tal como fez contra a França aquando de igual resolução proclamada pelo parlamento francês; as bombardas estarão condenadas a afogar no mediterrâneo não atingindo a Alemanha porque a economia turca está imensamente dependente do comércio e do turismo alemão.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo