Empobrecimento da Língua portuguesa


Em gramáticas portuguesas assiste-se a uma tendência para o simplismo. Qualquer professor faz uma gramática e os alunos que aguentem!

Querem acabar com o emprego do vós (segunda pessoas do plural) e até não respeitam o emprego do tu.

Metem no caldeirão da terceira pessoa também o tu e o nós. O povo que se contente com salada russa…

Alguns até querem confundir o emprego do imperativo afirmativo com uma forma reduzida do presente do indicativo. Parece que os novos democratas da língua desejam transformar o imperativo do latim imperial num eufemismo. Em democracia a opinião é que vale!


Banir o “Tu” e o nós, também da linguagem falada,  constitui um acto de empobrecimento do português em relação às outras línguas latinas e um desapreço pela língua mãe, o latim! Empobrecimento este que corresponde a um nivelamento por baixo; um nivelamento que leva à proletarização da língua!

A explicação filológica não deveria orientar-se apenas por aspectos sociológicos ou regionalistas a impor-se. Para a explicação do uso do imperativo também não é suficiente o recurso minimalista.

O que se tem vindo a assistir em gramáticos dos últimos trinta anos é uma acomodação  a um certo falar da TV e telenovelas.

Assiste-se a um processo de desvalorização e discriminação duma língua que deveria ser cada vez mais discernida.

António da Cunha Duarte Justo

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António da Cunha Duarte Justo

Actividades jornalísticas em foque: análise social, ética, política e religiosa

3 comentários em “Empobrecimento da Língua portuguesa”

  1. Tens completa razão! Não te deixes, não nos deixemos levar pela (pseudo-) influência da linguagem das telenovelas brasileiras. Por que é que temos de nos adaptar à linguagem dos antigos escravos a quem os Portugueses colonialistas de então não reconheciam o direito de aprender a falar correctamente?
    Apesar da nova (pseudo-) reforma ortográfica, eu continuarei – até à morte – a escrever a grande maioria das palavras como até aqui, no fundo, segundo as orientações da mesma (pseudo-) reforma: o que se pronuncia (mesmo aqui e acolá) pode-se escrever. Assim, continuarei a escrever facto, contacto, acto, exacto, peremptório, sumptuoso, acção, colecção, direcção, afectivo, etc, etc.

    E continuarei a tratar os meus amigos por tu. No plural, a coisa complica-se. Uso quase sempre o nós, na primeira pessoa, mas coloquialmente a boca foge para “a gente” (não “a gentchi”). A segunda pessoa ainda é mais complicada. Na língua escrita, uso V. Exas. e os Senhores/as Senhoras. Na linguagem oral uso “vocês” para o tratamento por tu e Senhores/as Senhoras para o tratamento mais distanciado. Isto talvez por ser do Sul, onde o vós, desde há muito, desapareceu da linguagem coloquial, tirando a dos padres, na igreja (e tu sabes como é!).

    Um grande abraço

    JAFC

  2. Querido amigo,
    Obrigado, pelo teu comentário.
    De facto com a síncope do c atraiçoam-se razões de diferenciações fonéticas e perde-se o rasto da raiz etimológica do latim. O que importa é que o povinho engula: o quê e o porquê, não importa!
    Um abraço justo
    Justo

  3. “povinho” ?. isto me pareceu uma ofensa; se por acaso não tiver sido de vossa intenção, retrate-se por favor!

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