SÍMBOLOS E SIGNIFICADO CRISTÃO DA PÁSCOA

Páscoa vem do hebreu e remonta à festa judaica de Pessach que significa passagem (também há referências da Páscoa como o alimento que punha fim ao jejum da Quaresma).

Esta celebração constitui o centro da fé cristã e recorda a ressurreição de Jesus Cristo depois da sua paixão e morte na cruz. Morte e ressurreição pertencem juntas e são festejadas liturgicamente como um todo. Segundo a tradição Jesus morreu na sexta-feira. No evangelho descreve-se que um anjo rolou a pedra onde Jesus jazera e as três mulheres que observaram o sucedido foram informar os discípulos.

A liturgia da Semana Santa culmina na Vigília Pascal na escuridão entre sábado e domingo, com uma série de símbolos que ilustram a crença na ressurreição: Bênção do fogo e da água, vela da Páscoa (muitas vezes há também o sacramento do baptismo). Antes do rito da eucaristia prepara-se o novo fogo fora da igreja, acende-se nele a vela da Páscoa que é levada para a igreja às escuras, e as velas dos fiéis são gradualmente acesas com a vela da Páscoa, que depois é colocada no Altar; então é iluminada toda a igreja.

No domingo de Páscoa oferecem-se ovos pintados e em muitos lugares são escondidos no jardim ou em casa com o coelho de Páscoa de chocolate para as crianças procurarem.

O ovo é um símbolo de fertilidade e de nova vida e o seu uso reporta ao costume medieval em que os lavradores pagavam as suas dívidas de renda com ovos. Um dos dias de pagamento também caía na Páscoa (HNA 16.04.2022). Esta tradição evoluiu para o costume de dar e recolher ovos de Páscoa. A fogueira da Páscoa é também um sinal de vida e calor: uma maneira de apresentar o evento da Páscoa em experiências sensuais.

O coelho de Páscoa é um símbolo de fertilidade e mensageiro da Primavera. O coelho não tem pálpebras (mantem os olhos abertos, o que aponta para Jesus que “não dormiu na morte”. Mais tarde a indústria promoveu o coelho na confeitaria.

O cordeiro da Páscoa é o símbolo mais apropriado e representa a morte de Jesus na cruz. Nos tempos antigos, era costume usar o cordeiro em ritos de sacrifício. Na Primavera, os judeus abatem um cordeiro na Pessach para comemorarem o Êxodo do Egipto.

Na antiguidade cristã, a carne de cordeiro era colocada junto do altar e era comida como o primeiro alimento no dia da ressurreição. O cordeiro com uma bandeira de vitória quer simbolizar a vitória de Cristo sobre a morte, ou seja, a ressurreição.

Em muitas nações a segunda-feira de Páscoa é também um dia santo/feriado. Neste dia é recordada a história dos discípulos a caminho de Emaús (hoje Nicópolis na Palestina).

Na segunda-feira de Páscoa, Jesus apareceu a dois discípulos que partiram imediatamente de regresso a Jerusalém para contar a boa nova aos outros discípulos. No terceiro dia após a crucificação de Jesus, dois discípulos iam de Jerusalém a caminho da Galileia e numa aldeia chamada Emaús, enquanto caminhavam e falavam sobre o que tinha acontecido nos dias anteriores, Jesus juntou-se a eles  sem notarem quem ele era (Lc 24,13-35); Jesus explica-lhes o significado do seu sofrimento com base na Bíblia e come com eles; então os dois discípulos reconheceram Jesus na sua maneira de partir o pão. Jesus promete-lhes a sua presença até ao fim do mundo.

Desde o segundo século, o período pascal dura 50 dias e termina com o Pentecostes, que é a festa do Espírito Santo (o espírito divino presente no humano);  40 dias após a Páscoa, celebra-se a festa da Ascensão.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

DOMINGO DE RAMOS

Hoje Domingo de Ramos é comemorada a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém. É o início da Semana Santa, o domingo antes da Páscoa.
O Novo Testamento registra que Jesus entrou em Jerusalém naquele dia montado em um jumento (Jo 12:13-15, Mt 21:1-11, Mc 11:1-11).
O motivo do rei montado em um burro representa o governante não violento. O burro era a montaria dos pobres e contrasta com os carros de outros reis. Assim, Jesus é retratado como um rei pobre cujo poder não é estabelecido por meio de política, militar ou violência, mas por meio de paz e humildade.
Isto no sentido do que o evangelista Lucas narra: “O Senhor enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres, a sarar os corações feridos, a libertar os oprimidos” (Lc 4, 18).
O Domingo de Ramos não é sempre celebrado na mesma data porque esta é baseada nas fases da lua.
Esperemos que nesta semana do silêncio se silenciem as armas e possivelmente para sempre!
António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo

OUSA PENSAR!

Selenskyj tem assumido neste conflito (entre Rússia e OTAN) o papel que Fidel Castro assumiu na crise cubana entre USA e União Soviética. Fidel Castro quis convencer Khrushchev a fazer um ataque nuclear surpresa.

Afortunadamente prevaleceu a razão entre Khrushchev e John F. Kennedy, que concordaram num compromisso que evitou uma guerra mundial e uma guerra atómica!

Na crise dos mísseis cubanos, a Rússia e os EUA acordaram secretamente que os navios da URSS seriam recuperados, e após meio ano os EUA removeram os seus mísseis da Turquia, aparentemente argumentando que estavam “tecnicamente obsoletos”.

Felizmente a OTAN ,  Alemanha e França têm manifestado uma certa contenção neste conflito, o que tem impedido uma tragédia para toda a Europa.

O presidente Francês Macron e em parte a Alemanha têm tido uma política razoável em favor da paz preferindo dialogar com Putin do que recorrer a uma intervenção ou maior armamento da Ucrânia, o que Selenskyj tem pretendido, sem consideração por perdas nem se importando com um consequente incêndio atomar em toda a Europa. Macron considera que o envio de mais armas para a Ucrânia tornaria um cessar-fogo ainda mais difícil e só criaria mais alvos para o exército russo.

Os latinos diziam: “Sapere aude”, atreve-te a pensar!

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

RÚSSIA E CHINA – O EIXO DA POLÍTICA DO SÉC. XXI?

ARTIGO ESCRITO EM 2014 ONDE DESCREVO A EXPLICAÇÃO E PREPARAÇÃO DO CONFLITO ARMADO DE HOJE ERRONEAMENTE DESCRITO COMO GUERRA ENTRE A RÚSSIA E A UCRÂNIA

Ucrânia entre Imperialismo russo e ocidental

 

A Ucrânia, tal comos a região das Balcãs, na primeira grande guerra mundial, dá ocasião ao surgir de uma nova configuração política das potências determinadoras do futuro no séc. XXI.

A Rússia, ao ser contrariada pelos interesses da EU/NATO na Ucrânia, demostra ostensivamente a sua reivindicação ao direito de ser reconhecida como potência mundial; para tal vira-se para a China e para a América Latina em oposição à política dos países da NATO. Utiliza uma estratégia própria na combinação oportuna de “vendas de armas, instalações militares e grandes projetos econômicos, de infraestrutura e de energia”. A nova estratégia de parceria com a China pode mudar o eixo axial da política no séc. XXI. O negócio entre a Rússia e a China da construção da conduta para fornecimento de gás à China e a construção de um canal transoceânico da Nicarágua como alternativa ao canal do Panamá, são passos que indicam determinação no sentido de as duas potências se unirem num projecto comum.

Ao avanço da presença do Ocidente ao longo das fronteiras da Rússia e na Ucrânia, a Rússia contrapõe a sua presença, como potência mundial, na América Latina.

A presença política arrasta consigo o negócio. Então, países como a Alemanha aceitarão o desenrolar natural dos acontecimentos e orientar-se-ão pelo brilho do negócio. Esta ofensiva económico-estratégica revela-se tão desesperada que pode determinar a divisão da Ucrânia.

Piora o clima entre as potências mundiais logo surgem centros ciclónicos devastadores das mais belas paisagens e dos mais belos biótopos culturais. Por trás das ventanias que arrasam florestas e destroem a bonomia do clima entre amigos e familiares, encontram-se interesses políticos, económicos e estratégicos. Quem aspira a mais, organiza-se em grupos de interesse porque sabe que no governo ou na oposição sempre se recebe mais do que no seio do povo.

Os grupos da Ucrânia, agora divididos e guiados pelas forças de ventos invisíveis, a modo das árvores no vendaval, batem-se uns contra os outros à mercê dos centros ciclónicos do poder. Os que se querem orientar pela Europa e os que preferem seguir a Rússia. Em nome da soberania popular dá-se a redistribuição de poderes e influências.

A Ucrânia, o maior país da Europa, tem 44,6 milhões de habitantes sendo 77,8% de etnia ucraniana e 17%, de russos e romenos está em perigo de ser dividida. O povo ucraniano já foi vítima do genocídio provocado por Estaline que vitimou milhões de ucranianos e da ocupação nazi que matou muitos milhões de pessoas, sofre as consequências de se encontrar como fronteira de dois imperialismos: o russo e o ocidental.

Quem pensa em termos humanos e de povo é contra a intromissão estrangeira; quem pensa em termos estratégicos e de poder compreende a luta das potências: uns a favor dos russos, outros a favor do ocidente.

Um país sobrano deveria ter a possibilidade à autodeterminação.

Uma Alemanha interessada em acordos de comércio com o leste, uma EU interessada num acordo de associação, e uma federação russa amedrontada, não são indícios de bons resultados para a Ucrânia; a Rússia sente-se ameaçada economicamente pela EU, militarmente pela Nato e socialmente pelos valores ocidentais de liberdade e democracia. A UE defende os seus interesses económicos e estratégicos na Ucrânia argumentado hipocritamente de pretender a salvaguarda dos direitos humanos e de um Estado de Direito. Infelizmente não usou da diplomacia para saber antepor-se aos combates armados entre a população ucraniana nem teve em conta uma Rússia traumatizada pela queda da União Soviética.  A Rússia tem os mesmos interesses na Crimeia e nas zonas orientais da Ucrânia como os ingleses no Gibraltar e nas ilhas Malvinas…

Uma Ucrânia endividada até à garganta com a dívida do gás e quase na bancarrota. Deve à Rússia 2,6 mil milhões de Euros pelo que Putin tenciona, a partir de Junho, só fornecer gás à Ucrânia a pronto pagamento. Até à ocupação da Crimeia vendia o gás à Ucrânia 30% mais barato, devido à Ucrânia permitir lá a base russa.

A Ucrânia, depois das eleições de 25 de Maio, irá ter de compreender amargamente a frase de Bismark: “Estados não têm amigos, apenas têm interesses”.

As missões de observação eleitoral da OSZE julgarão sobre o decorrer das eleições. Depois delas surgirá a discussão sobre quem as reconhece e quem não. As eleições não conseguirão o problema da Ucrânia que nela resume o conflito entre a Rússia e o Ocidente e entre população pro-Rússia e pró-EU.

A Rússia é o maior país do mundo, mas nas suas infraestruturas, é de facto, em grande parte, um país de terceiro mundo.

O futuro irá aproximar ainda mais a Rússia e a China até por razões de afinidade na defesa da integridade territorial e devido à sua extensão e aos povos separatistas.

No séc. XIX combatiam-se os estados, no séc. XX as ideologias e no século XXI combater-se-ão as culturas. Com a queda da União Soviética (1998) acaba-se o mundo bipolar para se iniciar a multipolaridade. Das guerras passar-se-á às guerrilhas; na formação de novas constelações, a guerrilha muçulmana tem-se mostrado a única arma estratégica eficiente contra a prepotência da guerra económica. Livre-nos Deus desta perspectiva real para o futuro.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo, 23.05.2014

Este artigo foi publicado entre outros em:

https://www.triplov.com/letras/Antonio-Justo/index.htm

https://abemdanacao.blogs.sapo.pt/russia-e-china-o-eixo-da-politica-do-1206136  e https://poramaisb.blogspot.com/2014/05/

https://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2022/03/presidente-selensky-s%C3%B3-sem-otan-com-a-ucr%C3%A2nia-destru%C3%ADda-e-com-o-povo-ucraniano-dividido.html

 

VAMOS CRIAR EM CADA BAIRRO UMA REPÚBLICA LIVRE E INDEPENDENTE

Fazer dos Cafés Parlamentos e dos Bairros das cidades Repúblicas!

A propósito vem a iniciativa de um grupo de artistas do bairro Uzupis da cidade de Vilnius, Lituânia. Estes tiveram a iniciativa de declarar o seu bairro Uzupis como República Livre e Independente (Estado Fantasia não reconhecido pelo direito internacional!!!).

Declararam-se independentes e elaboraram uma Constituição segundo a qual cada pessoa tem o direito a ser feliz!  O café do bairro foi patenteado sede do governo e local de encontro popular de artistas. Uzupis que outrora era um bairro da classe trabalhadora, transformou-se num bairro de artistas.

A Constituição da República de Uzupis tem 41 artigos lapidados numa placa de bronze no exterior do edifício do parlamento – o café “Uzupis Kavine”.

Entre os artigos da Constituição podem ler-se os seguintes: “Cada um tem o direito de viver junto ao Rio Vilnia, e o Rio Vilnia tem o direito de passar por cada um. Todos têm direito a água quente, aquecimento no Inverno e um abrigo com telha. Cada ser humano tem o direito de estar errado – de ser único – de amar – não de ser amado, mas não necessariamente – de duvidar, mas isso não é uma obrigação. Todo o ser humano tem o direito de acreditar. Ninguém tem o direito de usar a violência. Cada ser humano tem o direito de pertencer a nacionalidades diferentes. Cada ser humano é responsável pela sua liberdade. Ninguém tem o direito de culpar outra pessoa. Todo o ser humano tem o direito de chorar – de ser mal compreendido – de não ter medo. Um cão tem o direito de ser cão! Não te deixes abater! Não contra-ataques! Não desistas… “…

Fica a ideia: cada lugar pode transformar-se numa república independente! Não há limitações para a fantasia! Em contrapartida à política geoestratégica vamos iniciar o regionalismo!

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo