Figo: "eu trago uma mala grande".

Luís Figo quando chegou à Alemanha disse:”eu trago uma mala grande”. Chegará até ao dia 9 de Julho, o final do Mundial? Depois da Batalha de Nurenberga” de ontem, há muito a desejar. Quanto a Cristiano Ronaldo o Frankfurter Allgemeine apesar de reconhecer o seu grande talento não deixa de intitular a notícia: ” Cristiano Ronaldo, a estrela jovem de Portugal: seu talento é uma bênção. seu temperamento uma praga”. Scolari e Figo, duas personalidades sem as quais a equipa portuguesa não teria atingido o que atingiu quer no Europeu quer no Mundial. Duas personalidades fortes que não estando sempre de acordo se respeitam e sabem que precisam um do outro em benefício do trabalho e espírito de grupo da selecção. Eles sabem que união, disciplina e discreção conduzem ao sucesso. Scolari é do parecer que a selecção portuguesa pertence ao grupo das oito melhores.
Mas com toda a crítica que poderão fazer, o certo é que sem Felipe Scolari e sem Luís Figo a selecção portuguesa não chegaria onde chegou.
António Justo
Alemanha

António da Cunha Duarte Justo

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O Ano do Resgate dum Povo – Mundial de Futebol de 2006 na Alemanha

O futebol trouxe os Alemães à normalidade de poderem ser povo. Finalmente sentem-se em casa, sendo-lhes permitido manifestar sentimentos, ser um povo como outro qualquer e de se manifestarem como tal!…
O Mundial Faz Milagres! Os alemães também festejam! Por todo o lado reina um entusiasmo comunicativo com grande ordem e civismo que surpreende os moralistas da nação que andavam continuamente com o machado da moral em punho e viam em qualquer acto normal patriótico um acto nacionalista ameaçador do futuro. O povo alemão tem sido deprimido e castigado, depois da guerra, por pessimistas que se apoderaram da opinião pública e querem manter o povo sob o manto do medo e da vergonha. O orgulho nacional era o contínuo cavalo de batalha dos pretensos bem pensantes, daqueles que se arvoram na consciência da nação. Queriam a nação sempre dependente do seu racionalismo, com um povo sempre sob controlo, sem sentimentos.
A Alemanha precisava dum patriotismo alegre a contrapor-se a uma cultura pessimista – moralista e acerbamente crítica que tem investido no bafio e na moenga da história. O povo nas suas manifestações mostra que é soberano e que os “velhos do Restelo” não tinham razão.

No futebol o povo é quem mais ordena!
O futebol está a fazer o milagre de tornar o patriotismo aceite numa sociedade com problemas de identidade. Tanto entusiasmo e tantas bandeiras ajudam a nação a voltar à normalidade. Afinal também os alemães sabem festejar! Vai sendo tempo de esta nação deixar de viver sob o manto da vergonha e da penitência pelos pecados passados, dos eternamente culpados!…. Um país que não se aceita a si mesmo não poderia tornar-se bom berço para os estrangeiros e para a juventude. Bom que veio o Mundial de Futebol e neste “o povo é quem mais ordena”.

Sucesso é o conglutinante duma comunidade e da sua identidade
No meio dum povo que resiste a sair da auto-crítica, vivem os emigrantes orgulhosos das suas nacionalidades o que contrastava com tanta penitência nacional alemã. Os alemães sempre se admiravam da espontaneidade dos estrangeiros e agora mais se admiram pelo facto de estrangeiros, especialmente turcos, durante o Mundial de Futebol colocarem bandeiras alemãs nos seus carros e habitações e se declararem adeptos da equipa alemã.
O Mundial de 2006 deixará muitas marcas positivas na sociedade alemã. Ele mostra que internacionalismo e patriotismo são as duas faces da mesma medalha. Só quem se ama é capaz de amar os outros verdadeiramente.
Como podiam os alemães ligar os estrangeiros ao país de acolhimento se eles se sentiam desalojados na própria nação e tinham vergonha de serem alemães?…O futebol consegue reconciliar os alemães consigo mesmos. Este é o melhor caminho para a integração cultural… também dos estrangeiros.
O sucesso é o ingrediente que mantém uma comunidade e a leva também à união. O sucesso fomenta a identificação. Os jovens são atraídos pelo sucesso e pela satisfação do mesmo.
Os alemães até 2006 manifestavam-se da posição de fracos perante os estrangeiros. Desde que começaram a exigir a sua integração e o respeito pelos valores alemães os estrangeiros respeitam-nos mais. Consciência fomenta respeito e identidade.
O futebol faz milagres!

António da Cunha Duarte Justo
Alemanha

António da Cunha Duarte Justo

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Portugal, o Brasil e a Alemanha sofrem

A vida fora de jogo
O Mundial não deixa ninguém indiferente. Sob a pressão do sucesso, de desejos, de projecções, transferências e recalcamentos, tudo é jogado no relvado. Tudo quer ganhar: ganhar custe o que custar, mesmo à custa da arte porque quem não joga na defensiva arrisca-se.
Esta é a hora dos símbolos, dos sonhos, das ilusões. É a festa da vida em segunda mão. Atrás dos símbolos, à sombra da realidade agarrados, contra ou a favor, rimos, cantámos e chorámos. No hino à recordação, iludimos o presente, indo à festa sem lá estar. Nestas andanças e na corrente das emoções vive-se da ideia, das imagens e sensações colocadas nos símbolos. A ideia relega a percepção e torna-se realidade substituindo-a mesmo; isto tanto na vida pensada, substituída, tal como no futebol. Tanta palavra, tanta imagem, tanto pensar a impedir a observação,a turvar a inteligência. Com isto a nacionalidade, a portugalidade sobrevive na imaginação, nas reservas de Portugal emigradas…
Passamos a cidadãos jogadores, deixamos de observar para fazermos parte do jogo, prisioneiros do relvado e do ecrã, perdidos pela pátria no tempo a passar…
Neste recanto de refúgio da realidade, levantamos os copos do presente bebendo-o à saúde da sobrevivência na comunidade nacional. Também nesta distracção da vida queremos resgatar a realidade no gesto inocente duma vida não vivida, no retorno à ilusão. Depois o enjoo na cata duma nova ilusão, inconscientes de que a vida anda fora de jogo. Aqui, como nas festas das utopias sacrifica-se a vida à ideia da vida, submete-se a realidade à ideia da mesma: um estado permanente de esquizofrenia. Neste contexto, mais que encontros de povos dão-se torneios de ideias formadas sobre povos e sobre os actores do palco. O contacto físico é porém o aspecto real que parece salvar a situação. A proximidade corporal e emocional transpõe montanhas; ao fim e ao cabo a poesia é que possibilita o amor, a compreensão.
A expressão é tudo. Manifesta-se a compaixão, o sofrer com os que perdem e a admiração com os que ganham. De entremeio situa-se a vida. Esta é complexa não se podendo reduzir aos padrões para decalque que dela nos são possibilitados. Naturalmente que não somos seres puros, estamos condicionados pela própria cultura. O que nos resta é observarmo-nos a nós e a ela para nos compreendermos e compreendermos um mundo de que fazemos parte sem nos reduzirmos a objectos ou moléculas da grande massa.
No Mundial os povos das nações tiveram oportunidade de se tornarem conscientes da provisoriedade das suas fronteiras e das jerarquias inimigas do ser humano que aqui, por vezes, são quebradas. Também o preconceito das sombras nazis que pairavam nas cabeças de muitas nações e tornavam os jovens alemães cativos dum passado indigno é dissipado através da maneira humana e sensível como os alemães têm sido descobertos.
Uma lição importante do futebol: o intelecto divide e o coração une. Da relação surge vida e energia. O relacionamento desbloqueia libertando energias salutares integrais e integradoras.
Um aspecto impressionador é o facto de uma Europa que já se tinha libertado de Deus e em via de se libertar do Homem celebrar tão comovida e liturgicamente o deus futebol. É estranho que se tenha deitado Deus no caixote do lixo para criarmos outros deuses secundários que nos afastam da realidade reduzindo-nos à categoria laica de adeptos, de adaptados. Tudo isto em nome duma liberdade que ainda se não sabe soletrar e de ideais idolátricos.
Se a política, a economia e a religião alimentam o sentimento, a emoção e a ilusão, a ciência vive do intelecto, os hábitos vivem da rotina, tudo à custa da realidade e do Homem…
O futebol global não é português, brasileiro nem alemão! É um abstracto no relvado da imaginação. Tudo isso além do mais…
Sim, até porque na realidade não!…

António da Cunha Duarte Justo

António da Cunha Duarte Justo
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Boas Férias!

Prezadas e prezados Visitantes:
No Sábado, dia 15.07.06 parto com a família para a Branca, Albergaria-a-Velha, Portugal, onde vivo e passarei as minhas férias até meados de Agosto.
Em tempo de férias também o trabalho deve descansar para tudo crescer na espontaneidade para lá do bem e do mal. Uma prioridade: a amizade! Apreciar o dia a dia sem o stress do calendário na mão. Na prioridade do hoje e não da intenção, saborear cada momento, o encontro.
Tempo de férias: uma oportunidade para manifestar o carinho que o dia a dia, o tempo muitas vezes impedem.
Desejo-vos tudo o que há de bom!
António Justo

António da Cunha Duarte Justo

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Cãs tristes – Tristes cães!

Volto de férias passadas na calma e laboriosa Branca, Albergaria.
Trago comigo a nostalgia! Não é só a saudade daquela gente tão boa e das paisagens impares, mas também aquela tristeza de premeio do latir dos cães solitários e mendigos de carinho. Por companheiros têm apenas o cadeado e a voz dos outros parceiros de infortúnio que se torna característica ao anoitecer nas paisagens nortenhas. Tornados recordações da terra, eles são sentinelas, testemunhas duma paisagem e duma humanidade inconsciente em que a identificação com a natureza e com os animais se torna difícil na luta pela subsistência. O sofrer da natureza anda ligado ao sofrimento do Homem… Nos países pobres o cão é mais uma coisa que pode ser útil do que um ser vivo com sentimentos. Os seus latidos são tristezas não choradas, súplicas de povo à terra atado.
Nesta minha nostalgia também anda uma recordação de criança. A daquele cão de aldeia que já noite adiantada consegue libertar-se do cadeado que o prendia e, farejando, se dirige à campa da sua dona, lá no fundo da freguesia, nesse dia triste de Outono enterrada. Pressuroso, com as suas patas remove a terra da campa… De manhã encontram-no, extenuado do cansaço, repousando no buraco da terra parecendo escutar o segredo da dona que ali quer guardar.
Recordo também o caso do herói Ulisses que após a sua odisseia de muitos anos, depois do cerco de Tróia, ao voltar esfarrapado a sua casa na ilha de Ítaca (Tiaqui), ninguém o conhece. Apenas o seu velhíssimo cão o reconhece. Eufórico por tornar a ver o seu dono o coração rebenta-lhe de alegria caindo morto aos pés de Ulisses.
Amigo e confidente de pessoas, companheiro de idosos, salvador de vidas entre escombros, ou colaborador na procura de drogas, o cão aí está sempre pronto e disponível.
A sua companhia tem efeitos muito positivos e terapêuticos sobre os donos. Estes dormem melhor e não precisam de visitar tantas vezes o médico nem de tomar tantos comprimidos. A sua vida prolonga-se. Também a circulação sanguínea dos seus donos funciona melhor atendendo a que têm de dar os seus passeios diários com ele, esteja bom ou mau tempo.

António da Cunha Duarte Justo

António da Cunha Duarte Justo

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