DESTA VEZ A REVOLUÇÃO É GLOBAL E GEOESTRATÉGICA

Ministérios da Felicidade para Pobres e Carenciados

Num mundo em processo de ser dividido entre USA e Rússia/China já se faz sentir as consequências amargas para os povos e que se manifestam já na carestia dos produtos para o consumidor! Nos mercados, os preços já chegaram a duplicar. Os políticos da União Europeia, em vez de se manterem independentes e de defenderem o bem-comum do próprio povo decidiram abdicar da Europa e prejudicá-la em troca da dependência só dos EUA; isto equivale a um encarecimento brutal de todos os produtos dado o mercado começar-se a confinar aos próprios grupos fechados. Na Europa encontramo-nos no início de uma revolução provocada pelas elites político-financeiras em favor dos EUA e de multinacionais que operam a nível global. Desta vez a Revolução vem camuflada, vem das cúpulas da sociedade e o povo não reage porque os meios de comunicação social se transformaram em altifalantes das elites que nos regem.

 O cúmulo da catástrofe para o povo europeu seria se os EUA conseguissem da UE a mesma atitude perante a China que conseguiram dos políticos europeus em relação à Rússia. Indícios disso já se encontram na política americano-chinesa em torno de Taiwan. Encontram-se lá na mesma dança em que se encontravam Russos e Americanos na Ucrânia especialmente desde 2007.

Ai dos vencidos“, mais concretamente, “triste sorte aquela reservada aos derrotados”! Nesta guerra, entre as superpotências, os vencidos são o povo abandonado de todo o lado. Este mesmo povo que é incitado, dos dois lados, a ser, por decisão e condição, contra o outro povo irmão.

Porque não se criam gestores da felicidade da pobreza? Revela cinismo o sistema democrático que se limita a estruturar a riqueza e a gerir a pobreza num circuito em que o mais forte é compensado de forma desmedida com o que tira ao mais fraco e o tema da pobreza e do sofrimento humano é desviado dos holofotes dos interesses públicos.

Andamos a ser distraídos com narrativas da guerra e tudo a ver quem ganha à custa dela.  A opinião pública transmite-nos a sensação de nos encontrarmos do lado certo, independentemente da realidade factual. Essa satisfação, porém, impede-nos de ver os que de um lado e do outro não têm perspectivas, aqueles que não podem sair do circuito da pobreza e do sofrimento.

Aos pobres foi-lhes tirada a consciência do seu ser e do seu viver! Eles também não incomodam porque são arrumados de maneira a viverem, entre si, na periferia das cidades rodeados de mercados descontentadores e de burocracias cobertas de compaixão cínica. Num sistema que considera as pessoas irrelevantes precisamos de criar gestores da felicidade para os pobres!  Precisamos de muitas arcas de Noé que salvem o povo do dilúvio dos preços e da ganância das elites; precisamos de uma cultura, com lugar para pobres e crianças, onde a má sorte não se torne em fadário aceite (vive-se num sistema em que o bem estar de uns é conseguido à custa do mal-estar de outros quando um sistema justo deveria preocupar-se com o bem e o mal-estar repartidos. A cadeia do declínio social torna-se cada vez mais abrangente.

É verdade que não é fácil governar, mas uma democracia, que mereça o nome, não se poder permitir ver os seus cidadãos cada vez mais polarizados entre perpetradores e vítimas.

No nosso universo social reina a escuridão e, apesar de haver alguns luzeiros, a sombra da frustração escurece grande parte da população que não consegue passar a fronteira da pobreza. Muitos refugiam-se no reino da fantasia onde não haja o “em cima” nem o “em baixo” na procura de uma rota que navegue fora da frieza e da órbitra da crueldade. Embora na escuridão as sombras da realidade pareçam maiores do que são, é preciso resistir pois só na sociedade onde haja luta haverá desenvolvimento.

Precisamos de um ministério que junte os carenciados para que juntos construam um novo planeta com um novo percurso. Uma vez juntos sai-se da cidade em direcção ao interior onde juntos possam construir a própria aldeia onde a fraternidade teça mantos que a todos cubra. Longe da autocomiseração, é mais fácil conquistar o mundo; é preciso construir um novo planeta nem que seja só por algum tempo, doutro modo ficaremos prisioneiros da própria pobreza (material e espiritual) num planeta dos outros. É preciso fazer dos muros da masculinidade e das forças militares, planícies e vales femininos onde jorre a fertilidade e a fraternidade; vamos construir uma aldeia onde a feminilidade não emigre para as cidades ao preço de se tornar masculina. Temos vivido num planeta inflexível, na polis dos homens, longe das árvores e dos campos. Não chega perder-se no sentimento grato de se ser necessário socialmente…

A paisagem precisa de solo fértil, fora do alcatrão e do cimento, onde as plantas possam lançar raízes e as crianças não se firam no asfalto. A crença na própria força precisa de espaços com oxigénio onde o verde das árvores nos deixe pairar.

Ao deixarmos as ruas da cidade, onde as lanternas só deixam ver as sombras de pessoas envoltas em mantos escuros de silêncio, notaremos que nas aldeias as estrelas brilham mais.

No vazio da cidade o clochard (vagabundo) caminha à luz da iluminação do natal que no seu sobretudo cintila de maneira especial ao passar ao lado de vidas reunidas em família por trás das vidraças; ele passa a caminho da gruta onde, coberto de cartão de embalagem, vive com o cão sem máscara! O emigrante não segue as regras rígidas da cidade, ele aspira a viver sob o céu livre onde as estrelas alumiam os sonhos de vida, sonhos mais reais que a existência!

Há muitas máscaras na sua porta de papelão, que devem ser deixadas lá fora porque são sinal de domesticação. Dentro da sua gruta não há para-bocas.

À beira da Europa, à janela de Portugal avisto a saudade do mar e nela procuro ver o meu sonho a pairar! A Europa envelheceu e a vista da vidraça encontra-se embaciada!…

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do tempo,

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António da Cunha Duarte Justo

Actividades jornalísticas em foque: análise social, ética, política e religiosa

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