O MELHOR PROFESSOR DO MUNDO EM 2019

Exemplo de Inclusão pedagógica

António Justo

Global Teacher Award (1) premiou o pedagogo Peter Tabichi, do Quénia, com um milhão de dólares. Ele foi considerado o melhor entre os 10.000 professores nomeados de 179 países.

O monge pedagogo ensinava 58 alunos numa escola de uma aldeia Queniana e dá 80% do seu ordenado para os alunos mais pobres; deles, um terço são órfãos ou só têm pai ou mãe. A vida de seus alunos era muitas vezes caracterizada pelo abuso de drogas, gravidez na adolescência, desistências escolares e suicídios.

Naquela escola só havia um computador e uma ligação de internet, que nem sempre funcionava. Apesar disso o padre fundou um clube de computador. Criou também um clube de talentos tendo com eles ganhado um prémio da Academia Real para Química; além disso dirige um grupo pela paz onde se encontram representadas as 7 tribos da região.

Peter Tabichi (1) “e quatro colegas também dão aulas particulares de Matemática e Ciências a alunos com fraco aproveitamento, fora da sala de aula e nos fins-de-semana, onde Peter visita as casas dos alunos e encontra as suas famílias para identificar os desafios que enfrentam.  Ao fazer seus alunos acreditarem em si mesmos, Peter melhorou dramaticamente o desempenho e a autoestima de seus alunos. As matrículas dobraram para 400 em três anos, e os casos de indisciplina caíram de 30 por semana para apenas três. Em 2017, apenas 16 dos 59 alunos foram para a faculdade, enquanto em 2018, 26 alunos foram para a universidade e para a faculdade. O desempenho das meninas, em particular, foi impulsionado, com as meninas liderando agora os meninos em todos os quatro testes estabelecidos no ano passado”.

O melhor caminho para sair da pobreza é a formação. Esta foi a missão que muitos padres e missionários levaram a terras por onde passavam e passam: um bem à humanidade de que ninguém fala (Tenho colegas que admiro porque trabalham em países da lusofonia (3), oferecendo a sua vida e seu usufruto às populações com o mesmo espírito deste monge). Peter Tabichi considera o sucesso de seus alunos como seu estímulo pessoal; confessa: “ver como meus alunos adquirem conhecimento, habilidades e confiança é minha maior alegria. Quando eles se tornam criativos e produtivos na sociedade, isso também me leva a uma grande satisfação”. Faz lembrar a pedagogia salesiana de Dom Bosco.

O Presidente da República de Quénia, Uhuru Kkenyatta, elogiou o empenho do monge franciscano e disse: “Peter, sua história é a história da África, um jovem continente cheio de talento”.

O sacerdote, no seu discurso de agradecimento, prognosticou: “A África produzirá cientistas, engenheiros e empresários cujos nomes serão um dia famosos em todas as partes do mundo. E as raparigas serão uma grande parte da história.”

O padre acrescentou humildemente que só estava ali devido aos seus alunos.

António da Cunha Duarte Justo

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Sobre António da Cunha Duarte Justo

Actividades jornalísticas em foque: análise social, ética, política e religiosa
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3 Responses to O MELHOR PROFESSOR DO MUNDO EM 2019

  1. EvaMig diz:

    Meu caro António Justo:
    Já pela 2ª ou 3ª vez me assalta o receio de que, se tu não sentires o nosso feedback ao que nos envias, possas pensar que não tem interesse da parte de quem te poderá/poderia ler. Pelo que me diz respeito, e suponho que para um grande número dos Amigos, solicito-te que continues a enviar textos como os que nos costumas enviar: são-me óptimos para meditação, informação, formação/conhecimento, etc.. e, mais ainda, é bom (e cómodo…) pensar e ter a certeza que temos um Amigo que pensa a fundo sobre matérias que desconhecemos ou já temos dificuldade em abordar e nos mantém minimamente actualizados sobre os mais variados temas. Por outro lado, estar sempre a responder-te (que é o que mais me apetece quando te leio) seria enfadonho teres de ler sempre o mesmo e, também, porque as minhas “respostas” nada iriam acrescentar de mais positivo e importante ao que nos envias. Suponho que já te apercebeste do que te queria transmitir, apesar do texto tão mal amanhado. Bem hajas.
    EvaMig

  2. Caro EvaMig,
    muito obrigado pela tua atenção e feedback. Naturalmente dá satisfação notar que alguém nota! Mas sei que, entre nós e como amigos, me encontro em boas mãos embora às vezes exija um pouco de tolerância e paciência; a amizade prevalece independentemente do tempo e da distância. Recebo muitos emails e comunicações até dos países de emigração onde publicam os meus artigos e por vezes tenho até uma certa dificuldade em dar resposta. Também padres salesianos dão eco do que escrevo. Isto faz bem ao meu Ego mas o Ego é ainda demasiado forte, mas ainda bem que é a última coisa a morrer. A propósito: com respeito ao último artigo recebi a ressonância de uma freira que me deu muita satisfação e comoveu-me por sentir nela um espírito comum ao nosso; ela escrevia: “A frase: “Faz lembrar a pedagogia salesiana de Dom Bosco”, tocou-me muito. Sou salesiana. Fui missionária em África, Como professora, sempre estimulei, grandes e pequenos a cultivarem a auto estima, a desenvolverem as suas capacidades pessoais, a interajuda e pude verificar verdadeiras transformações”.
    Muito obrigado pelo teu espírito sensível. O que disseste aqui já chega e dá alento para três anos, por tua parte e dos colegas! Desejo-te muita saúde!

  3. EvaMig diz:

    Caro António Justo:
    Gostei de te ler mais uma vez. Quando mandas para a rede o que escreves, nem podes imaginar o que poderás fazer pensar, quanto poderás impulsionar em tantas mentes que nem te conhecem. Bem hajas, amigo – urge continuar! Quanto ao espírito de D. Bosco, só uma pequena história: a minha Ana ainda foi das professores que ainda fez dois anos de estágio, antes de começar a leccionar. Durante o estágio ela pedia-me para lhe corrigir os trabalhos que tinha de apresentar à formadora. Eu falava-lhe muitas vezes de D. Bosco como educador, da maneira como, em determinada situação, ele faria, de certeza. Um dia pediu-me para lhe arranjar um livro sobre D. Bosco, mas que abordasse a tal maneira de educar, de se relacionar com os seus alunos. Depois de muito procurar, consegui, nas Edições Salesianas, a fotocópia do livro “Pedagogia dum Santo” (… Aubry?, que eu tinha “estudado” com o Pe. Diamantino Monteiro. Eu e a Ana lemos/estudamos aquele livro juntos. Abreviando: a minha Ana ficou conhecida nas escolas onde lecionou como uma docente que não tinha problemas de disciplina, que apresentava alunos com bons resultados, e foi muitas vezes confidente de alunos, de colegas e, até, de directores de escola. Dizia aos colegas, na brincadeira, que conhecia um Santo que lhe dizia como fazer – e tinha razão!. O sistema “educador” de D. Bosco é, sem dúvida, algo que merecia ser muito mais estudado e, sobretudo, aplicado.
    EvaMig

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