Ouvido o zunido do mar infinito,
Sinto na veia o ciclo, do ir e do vir
Das ondas de um tempo por findar,
E a alma, em seu grito, pede um sentido.
Não rolo circular, mas espiral
Que ascende da areia que a onda lavou:
Em cada refluxo, um passo no altar
Do eterno, que em nós se fez temporal.
O bramir do mar que é fundo chamado
Não cessa na espuma do que passa em vão;
É presença de um Amor ser lembrado
No ritmo que quebra a prisão da ilusão.
Assim, entre a onda que vai e a saudade,
Mora o Oceano na sua Trindade.
António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo