A PALAVRA

 

PALAVRA

“No princípio era o verbo 

e o verbo se fez carne”

 

O espírito revela-se na palavra,

Ora masculina, ora feminina                

Dela a essência do ser se lavra,

O sulco da vida, na lavoura divina 

 

Cada sílaba canta a verdade,

E no verso, a alma se faz notar.

Verbo divino em comunidade,

És a eterna chama a iluminar.

 

Da voz emerge o som profundo,

Eco do cosmos, divino mar.

Palavra que abraça o mundo,

É a essência de Cristo a pulsar.

António CD Justo

Pegadas do Tempo

http://poesiajusto.blogspot.com/

 A modo de ajuda para se entender algum dos aspectos de interpretação da poesia:

Já quando era estudante do secundário me interessava muito pela fenomenologia das religiões e por tudo o que a vida nos brinda. Creio que o interesse me surgiu quando na aula de História se tratou da mitologia grega e foi referido o mito de Prometeu. Encontrava-me a estudar no seminário dos salesianos em Mogofores.  Foi então que tive como que um momento eureca em que passeia a ter uma compreensão e um interesse especial pelas narrativas míticas dentro do cristianismo e fora dele. Verifiquei que o mito transmite uma verdade mais abrangente do que as verdades históricas. Desde aí passei a intuir que não existia só o aspecto narrativo a nível histórico, mas também paralelamente a narrativa mítica de significado mais profundo, além de outros métodos de procurar saber sobre a realidade.  Então impressionou-me sobretudo o mito de Adão e Eva que intui como um alargamento do mito de Prometeu que roubou o fogo aos deuses do Olimpo para o dar à humanidade. Mais tarde mexeu especialmente comigo a revelação de Deus a Moisés no monte Sinai quando este perguntou a Deus na sarça ardente como o deveria apresentar ao povo e Deus lhe respondeu “Eu sou o que sou, eu sou o tornar-me.…”. Uma outra Palavra que me acompanha em tudo é a expressão do evangelista João quando diz “No princípio era a Palavra/a Informação e esta tornou-se carne e ainda o mistério da Trindade do 1=3 e 3=1 (que entendo como a fórmula de toda a realidade)  e também a incarnação em que Jesus Cristo se torna o protótipo de toda a pessoa, de toda a humanidade e de toda a realidade. Isto entusiasma-me porque vejo aqui todas as filosofias incluídas e o Cristianismo como espaço aberto a toda a discussão séria. Isto entusiasma-me e leva-me a ver no Cristianismo um modelo exemplar de filosofia e ética para toda a humanidade. Da meditação destas revelações para toda a humanidade deduzo todo o meu pensamento e transmito-o indirectamente no que escrevo, havendo em tudo m fio condutor.

No mistério da encarnação constata-se o pulsar divino ligado ao pulsar humano e ao pulsar de toda a criação. De facto, estamos todos ligados uns aos outros e com a natureza fazendo parte de um só corpo e de um só espírito; em Cristo temos a divindade que nos une e sustenta e no Jesus temos a união de espírito e matéria; portanto em Jesus se revela também o Cristo cósmico.

Nas experiências do nosso dia-a-dia verificamos que tudo se encontra ligado e por vezes sentimo-lo através de intuições e até de se pressentir o que o outro sente ou pensa sem que o diga. Geralmente andamos muito distraídos com as narrativas que nos são apresentadas no nosso dia-a-dia e resta-nos pouco tempo para nos dedicarmos a entendermo-nos a nós mesmos e o que se passa em torno de nós. Cada pessoa é como que um microcosmo em que se encontra tudo reunido em ponto pequeno: o macrocosmo no microcosmo e o microcosmo no macrocosmo!

António CD Justo

 

FESTA DO CORPO DE DEUS E SUA SIMBOLOGIA

Um Rito Simbólico para Toda a Humanidade da União de Matéria e Espírito

 

A festa do Corpo e Sangue de Cristo celebra a instituição do sacramento da Eucaristia. Esta celebração tem suas raízes na tradição da Páscoa judaica, quando Jesus reuniu seus discípulos na véspera da sua morte na cruz e designou o pão e o vinho como sinais duradouros da presença divina na comunidade humana. A hóstia divina é símbolo da união de céu e terra.

A “Ceia do Senhor”, instituída por Jesus (1 Cor 10:16-17) e continuada na celebração da Eucaristia, realiza de forma real e simbólica a interação divino-humana. Para os cristãos, essa interação cotidiana simboliza e testemunha uma humanidade que caminha para o desenvolvimento e realização do Cristo cósmico. Mesmo para os não crentes, a festa do Corpo de Cristo pode ser vista como uma metáfora do corpo de Cristo numa compreensão cósmica e mitológica, onde a paz escatológica pode ser experimentada antecipadamente. “Pois onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles” (Mt 18:20). “Mas vocês são o corpo de Cristo e seus membros” (1 Cor 12:27).

No rito da consagração e da transubstanciação, manifesta-se de maneira visível e para todos o que outros ritos de iniciação operam de forma oculta e apenas para alguns. Assim, anuncia-se à humanidade que o dentro e o fora fazem parte da mesma realidade. “Seja o que você vê e receba o que você é!” (cf. Carta de Paulo aos Gálatas 6:15 e Lumen Gentium). O Filho de Deus e do Homem redimiu o ser humano e a própria criação, transformando a natureza humana numa nova criatura, uma criatura humano-divina a que todos estão chamados a ser de maneira consciente.

Neste sentido, não há medos que nos impeçam e desqualifiquem. Todos fazemos parte de uma realidade transcendente que engloba as quedas de Jesus no seu caminho do Calvário, culminando na ressurreição onde a vida e tudo é transfigurado. O rito da transubstanciação faz parte da fórmula trinitária, onde a realidade trinitária é pura relação amorosa e, como tal, protótipo de toda a humanidade e de toda a realidade.

Os cristãos procuram seguir o projeto de Deus para a humanidade, tornando-se um signo visível do que celebram na Eucaristia. Ao celebrar e concelebrar a Eucaristia, manifestam de forma ainda não consumada o sinal de Deus na humanidade. Assim, concretiza-se de forma ritual a vida de Deus em nós e na terra. O Corpo de Deus na Eucaristia gera amor que tudo eleva.

A presença de Deus também se manifesta na sociedade civil através das tradições das procissões grandiosas. Estas procissões tornam visível a realidade de toda a humanidade peregrinando: a Igreja, a humanidade e o mundo a caminho de Deus (1).

Na celebração litúrgica, realiza-se de maneira mística a participação intuitiva e emocional de toda a humanidade num só corpo místico. As numerosas procissões do Corpus Christi expressam publicamente a fé dos fiéis na presença duradoura de Jesus nos dons eucarísticos, que resumem nele criação e divindade. O pão (humanidade) convertido no corpo de Cristo é levado pelas ruas com cantos e orações.

A incorporação ritual expressa a ideia da igreja como corpo de Cristo, significando a pessoa inteira – corpo e espírito sem separação (Jesus+Cristo como protótipo da realidade do humano e do divino).

 

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

 

(1) Igreja como mistério e sinal de Deus e da realidade: https://www-vatican-va.translate.goog/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19641121_lumen-gentium_ge.html?_x_tr_sl=de&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt-PT&_x_tr_pto=sc

 

O ESPÍRITO DE QUEM TUDO VEM

O ESPÍRITO DE QUEM TUDO VEM

 

Em línguas, o espírito se vai revelar,

Às vezes masculino, outras, no polar,

Mas dele provém a essência do ser,

A fonte da vida, do eterno crescer.

 

Cai à terra, frutifica, gerando

Matéria e espírito, tudo fecundando.

Feminino e masculino, em divina união,

Dão vida à pessoa, em plena comunhão.

 

Como a semente que a flora propaga,

A ideia, na cultura, também se alaga.

Céu e terra, homem e mulher,

Unem-se na essência, na vida a nascer.

 

Três é, número sagrado, em nossa cultura,

Convida-nos à vida, em plena ternura.

Poetizar a prosa, sem pressão sentir,

Corpo e mente unidos, no eterno fluir.

 

Música e arte, em linguagem convergem,

A palavra que cria, à imaginação urge.

De sua sombra nascem, corpos e almas,

Mundos, civilizações, em suas palmas.

 

Assim como o sol, desperta a natura,

A menina da lenda, em beijo perdura.

Revela riquezas, em si escondidas,

Mostra o tesouro, em si bem-vindas.

 

Do nada, o amor, tudo vivifica,

Na palavra Virgem, a vida amplifica.

Céu e terra, no beijo, se atraem,

O amor, terceira realidade, vêm.

 

Mulheres são terra, divina morada,

Homens, anjos, em forma velada.

Na amorosa atração, tudo se entrelaça,

No espírito que dá à luz, a vida se abraça.

 

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

 

MISTÉRIO DA REALIDADE FÍSICA E MISTÉRIO DA SANTÍSSIMA TRINDADE EM CONVERGÊNCIA

 

A Realidade e sua Fórmula de Complementaridade

 

Num mundo caracterizado por conflitos, mal-entendidos e divergências, a religião e a ciência poderiam dar um contributo inovador para a construção de uma cultura de paz. O abuso de uma interpretação unilateral da teoria de Charles Darwin ao ser propagado apenas o aspecto da sua teoria ligado à seleção natural nomeadamente a “sobrevivência do mais apto” (sobrevivência e reprodução dos indivíduos mais fortes) como principal factor da evolução, tem ajudado a cimentar-se uma cultura da violência.  A parte da teoria de Darwin que inclui também os aspectos de coesão e cooperação, como factores importantes na evolução, foi negligenciada embora estudos de arqueologia o tenham confirmado.

Apesar das diferenças frequentemente sublinhadas entre Religião e Ciência, existe uma convergência mais profunda nos seus objectivos e métodos que, se devidamente integrada, poderá levar a um mundo mais harmonioso e pacífico.  As duas disciplinas procuram abordar a realidade com a tarefa não só de a descobrir e explicar (Ciência), mas também de explicar e compreender o seu sentido (Teologia). Uma visão integral da realidade pressupõe a convergência de ciência e religião.

A Igreja Católica apresenta o mistério da Santíssima Trindade como um modelo profundamente enraizado na experiência humana e na compreensão da realidade. A Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo – é vista como uma unidade na diversidade: três pessoas, mas um só Deus. Esta fórmula teológica pode servir de metáfora para a estrutura mais profunda da realidade que vê tudo como relações interligadas e complementares. A fórmula “1=3 e 3=1” expressa esta unidade dinâmica na diversidade em relação.

Também a física quântica revela princípios semelhantes de complementaridade e relacionamento no mundo físico. Se na trindade as três pessoas são expressões da mesma realidade divina e as interações entre si integram também o mundo físico (na segunda pessoa: interação de espírito e matéria), na física quântica, partículas e ondas são duas perspectivas da mesma realidade, e as interações entre as partículas são fundamentais para a compreensão de suas propriedades. Estas interações e relacionalidades (alteridade empática) são centrais, tal como na visão teológica da Trindade.

A física quântica revolucionou a nossa compreensão da realidade física, introduzindo conceitos que têm paralelos essenciais e relevantes com as ideias teológicas ao deixar espaço para uma base “espiritual” de tudo. Ambas as disciplinas salientam que a realidade não pode ser compreendida de forma simples e só linear; ambas destacam que a Realidade possui uma estrutura complexa, dinâmica e profundamente interligada. Na teologia o mundo das possibilidades quânticas é concretizado em Deus.

Enquanto a física clássica se fixava na massa e no concreto e no mensurável a física quântica alargou o seu âmbito natural para o mundo das possibilidades em que tudo se encontra interligado (numa troca de informação) visão esta que deixa espaço para a inter-relação da possibilidade matéria e da possibilidade espírito; esse espaço situa-se a nível da ciência quântica quando introduz na física o princípio da incerteza. Deste modo a física quântica assume o princípio da complementaridade e da relacionalidade como se encontra na relação trinitária.

Assim temos na Religião a Trindade que realça a unidade na diversidade no o relacionamento entre as pessoas divinas que se pode ver como uma antropologia trinitária. Nesta fórmula metafísico-física acentua-se a distinção e não a separação entre ser e realidade, entre ser e pensar. Na Ciência, física quântica realça-se a dualidade onda-partícula e as inter-relações entre objetos quânticos, mas reconhece-se ao mesmo tempo que a um nível fundamental da realidade, a realidade é confusa e movimenta-se no âmbito do provável, opondo-se deste modo à compreensão da física clássica que se orienta pelo determinismo.

Temos assim um ponto essencial comum de caracter decisivo a nível de física e de religião (teologia)! Realidade física e realidade espiritual envolvem em comum o mistério! Deste modo uma abordagem sem preconceitos sobre a Realidade seja ela de caracter espiritual ou físico tem de implicar o momento do mistério!

Embora em religião o mistério divino seja visto como insondável mesmo assim ele é cognoscível através da mente criadora, da fé e da revelação.

A fórmula trinitária representa a unidade de Deus (Realidade) na diversidade das pessoas divinas. A fórmula trinitária do “1=3 e 3=1” antecipa o resultado da busca da física de uma teoria unificada que una a diversidade das forças naturais sob uma estrutura comum.

Todos nós humanos somos peregrinos que vindos do mistério caminhamos para o mistério e nesta situação e consciência será importante integramos o saber material e espiritual de maneira complementar e caminharmos juntos promovendo uma cultura de paz.  Urge um diálogo aberto sem preconceitos baseado numa compreensão e respeito mais profundos.

Como humanidade criamos problemas que atingem a todos criando desafios éticos, ambientais e de injustiça social que é urgente resolver.

Urge a criação de programas educacionais que integrem o conhecimento científico e a sabedoria espiritual como complementaridade e deste modo adquirir-se uma visão integral da realidade e da experiência humana.

Cada um de nós individualmente e os países (veja-se União Europeia) têm agido na mentalidade da física clássica e deste modo, fomentando o egoísmos e espírito guerreiro fora da inter-relação defendida pelo cristianismo com a sua afirmação do mistério divino e a nova física com a constatação do mistério do mundo material-físico.

Todos nós, cientistas, crentes e não crentes, somos caminheiros que desejam paz no nosso caminho de procura da verdade, sabendo que o mundo que criámos está ameaçado e que nós, humanos, também estamos ameaçados, quando poderíamos assumir um papel transformador na humanidade e na natureza.

As ciências devem seguir considerações éticas e religiosas para que a tecnologia avance em benefício da humanidade. Naturalmente a religião terá de se deixa

Religião e ciência no mesmo caminho da procura da verdade têm de compartilhar os valores fundamentais num espírito de complementaridade em busca da verdade de maneira a criarmos bem-estar para todos.

A celebração católica do Mistério da Santíssima Trindade proporciona uma rica metáfora para a unidade na diversidade e na complementaridade expressa tanto nas descrições teológicas como físicas da realidade. Podemos seguir diferentes caminhos, mas nunca uns contra os outros, se somos pessoas de boa vontade interessados em construir um mundo novo e melhor.

António da Cunha Duarte Justo

Teólogo e Pedagogo

Pegadas do Tempo

ENTRE A ILUSÃO E A REALIDADE BRILHA A VERDADEIRA VIDA

 

Era uma vez uma mulher chamada Maria que passava grande parte da sua vida entre o adormecer e o acordar. Nos seus sonhos, Maria encontrava mundos emaranhados, mas detalhados, onde cada sensação e emoção era vívida e palpável. Quando acordava, os sonhos continuavam a envolvê-la, como se fossem uma extensão natural do seu estado desperto. Para Maria, o que vivia nos sonhos era tão real quanto o que experimentava acordada, criando uma confusão entre a fantasia e a realidade.

Maria tinha um parceiro, Emanuel, um homem amoroso e confiante, que acreditava profundamente na interconexão das relações e das experiências humanas. Ele desejava integrar Maria completamente na sua vida, compreendendo a complexidade da sua existência à imagem da fórmula da Trindade teológica. No entanto, a convivência com Maria suscitava-lhe dúvidas sobre a natureza da realidade. Emanuel começava a questionar se era possível existir uma mulher real, com sentimentos e pensamentos, mas sem um corpo tangível que ancorasse a sua existência.

Num certo dia, enquanto Maria despertava lentamente de um sonho particularmente intenso, Emanuel observava-a com ternura e curiosidade. Decidiu falar sobre as suas incertezas e a sensação crescente de que tudo à sua volta era uma ilusão.

– Maria – disse ele, com a voz suave – às vezes sinto que a nossa realidade é feita de ilusões, de palavras e sentimentos que nos escapam como a luz numa vela. Será que o que vivemos é verdadeiramente real?

Maria, ainda envolta na névoa do sonho, olhou para Emanuel com olhos brilhantes, carregados de significados profundos.

– Emanuel – respondeu ela  – os sonhos e a realidade são faces da mesma moeda. Quando estou nos meus sonhos, tudo parece tão tangível e verdadeiro como este momento agora. Talvez a verdadeira ilusão seja tentar separar uma coisa da outra.

Emanuel ponderou as palavras de Maria, sentindo a profundidade do dilema. A realidade que partilhavam parecia um espaço intermediário, um entremeio onde os sentimentos e a linguagem criavam uma identidade flutuante, sem lugar nem tempo fixo.

– Mas, Maria – continuou Emanuel – se vivemos num mundo irreal, onde está a verdade? E como podemos encontrar a nossa verdadeira identidade nesse caos de sensações?

Maria sorriu, tocando gentilmente a mão de Emanuel.

– A verdade, meu querido, talvez resida na experiência suprema do amor, onde perdemos a definição de nós mesmos e nos fundimos no outro. No êxtase do amor, transcendemos o ser, e é nessa ausência de definição que encontramos a essência da nossa existência.

Emanuel sentiu uma onda de compreensão, como se as palavras de Maria fossem um reflexo de sua mente a iluminar o dia. No entanto, a dúvida persistia, aninhada no fundo do seu coração.

Os dias passavam, e Emanuel observava Maria com uma mistura de fascínio e perplexidade. A sua presença era como a luz de um cometa no horizonte, uma existência efémera, mas intensa, deixando um rastro de luz na sua alma. A fricção entre a ilusão e a realidade tornava-se uma constante, uma batalha interna entre o desejo de encontrar uma verdade absoluta e a aceitação da natureza ilusória da vida.

Num desses momentos de introspecção, Emanuel compreendeu que a existência definida pelo conflito, pelo se afirmar contra os outros, era uma ilusão. A verdadeira luz, como o relâmpago que faz nascer o ser, realiza-se na fusão do Eu com o Tu, que, no acto de superação dos egos, faz surgir o trovão do orgasmo, verdadeiro milagre já fora do espaço e do tempo. Na união do Eu com o Tu, surge a nova realidade do Nós, o novo Ser que se exprime no grito de amor, o eco dos Dois, do qual emerge o Terceiro da Aliança. A partir desta dimensão, formamos então a comunidade que nos guia, cada um de nós percorrendo o seu próprio caminho guiado pelo Nós.

Maria e Emanuel continuaram a viver nessa dança entre sonhos e realidade, aprendendo a apreciar a beleza efémera da vida e a encontrar significado na interconexão dos seus sentimentos. Na tragédia e na alegria, no amor e na dúvida, experimentam que a vida é um grito de existência, um brilho passageiro que, mesmo na sua brevidade, tem a capacidade de iluminar a alma e dar origem a novas formas de ser.

E assim, na incerteza da realidade e na profundidade do amor, Maria e Emanuel encontraram a verdadeira essência do ser, um estado de constante transformação e descoberta, onde a ilusão e a realidade se fundiam numa dança eterna de luz e sombra.

António da Cunha Duarte Justo

“Flashes de vida”

Em Pegadas do Tempo

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