PACTO GLOBAL PARA MIGRAÇÃO

Perguntas sérias a que a Política não responde

Por António Justo

O pacto da migração, ( “Pacto Global para Migração Segura, Ordenada e Regular”), que pretende dar resposta ao problema crucial das migrações, divide os ânimos e as nações.

O pacto será homologado na conferência das Nações Unidas que decorrerá a 10 e 11 de dezembro em Marraquexe.

Segundo uns, o Pacto da Migração é uma bênção e corresponde a uma resposta humanitária de cunho cristão ao problema crucial dos refugiados, regulariza a migração, procura resolver assimetrias económicas e sociais e possibilita aos países de acolhimento com déficite de crescimento de população, um aumento e rejuvenescimento da própria população.

Outros veem, no Pacto, clausulas que permitem mais um passo no sentido de se dominar e expropriar os Estados ocidentais e do sistema de assistência social europeia, e tudo isto na sequência de um plano de desestabilização cultural da Europa em benefício dos árabes, (realojamento colonizador) passando este por algumas organizações da ONU e de ONGs.

Visto o problema sob o aspecto humano e individual, torna-se urgente uma solução para os problemas de tantos milhões de pessoas que sofrem os horrores da guerra e da exploração; visto sob o aspecto económico e social, todo o imigrante se torna num enriquecimento numa Europa envelhecida; visto sob a dinâmica do confronto de civilizações seria de se estar mais atento ao facto de se não fomentar a expansão dos interesses da civilização árabe possibilitando-lhes a formação de enclaves  dentro dos povos onde se inserem (caso da formação do Kosovo e da Albânia em que os imigrantes muçulmanos chegaram, com o tempo, a reprimir os sérvios dos seus lugares mais históricos).

Assim não se pode falar de imigração em termos gerais; no que respeita à imigração muçulmana, dado esta afirmar-se mais na imposição e auto-afirmação, seriam necessários acordos intergovernamentais que garantissem iguais direitos de afirmação cultural e religiosa nos correspondentes países.

Dado a aplicação do Pacto depender da boa vontade dos governos cria-se um desequilíbrio entre os países ocidentais de política cultural aberta e os países de cultura árabe de politica cultural extremamente fechada.

Perguntas que surgem da leitura do texto

Não se estará a criar na Europa (países ocidentais) um tipo de fronteiras flutuantes?

Não pretende o pacto limitar o direito de livre expressão dos cidadãos, no que toca a manifestações de opinião relativamente a migrantes, ao apontar, como objectivo dos países assinantes, a luta contra a intolerância de migrantes, exigindo até o fomento de um discurso que “conduza a uma percepção de migrantes mais realista, mais humana e mais construtiva”?

Porque se devem os Estados comprometer a perseguir juridicamente e aplicar penas contra pessoas que manifestem expressões de ódio („hate crime“ ) contra estrangeiros? Não vem esta recomendação encorajar os estados que não têm na sua constituição o direito à livre expressão (e aos que o têm) a limitar mais ainda os direitos de expressão livre nos meios de comunicação social? Isto é mesmo grave num documento da ONU ao criar subterfúgios contra a liberdade de expressão!

Em que perspectiva se pode considerar a emigração como algo desejável a ponto do número oito até glorificar, a emigração como “fonte do prosperidade, inovação e desenvolvimento sustentável”? Não se estará com o pacto a querer uma reinterpretação da migração que pretende generalizar o direito de “asilo” a outros grupos da sociedade (o pacto de asilo é um outro que continuará em vigor)?

Não será que a afirmação de que o Pacto não é juridicamente vinculativo se revela num pacote fraudulento? Não é assim que o ponto 87 impõe compromissos que comprometem os Estados que o assinam, por exemplo no caso de o imigrante não ver reconhecido o direito a imigrar ter direito a advogado gratuito no país e, na consequência, os tribunais ao tomarem decisões criam (baseadas na casuística e no acordo) novas formas de direito para o exercício judicial no país?  Não é que ao direito formal determinado pelo parlamento se vem juntar o direito judicial baseado em decisões de tribunais e, deste modo, a assinatura do pacto activa direito internacional que se impõe ao direito nacional?

Não será que o objetivo do n° 8 favorece indiretamente a migração ilegal (rotas de fuga e traficantes), ao determinar que os estados signatários se comprometem também não só a expandir as actividades de busca e salvamento, mas também a não qualificar de ilegal qualquer ajuda humanitária aos migrantes?

Numa altura que se pensa em termos globais, porque é que os países árabes do Golfo (por exemplo Arábia Saudita ) têm as fronteiras fechadas para refugiados recusando-se também a receber os irmãos muçulmanos? Porque é que a Europa pelo facto de ser uma cultura de reminiscências cristãs deve ter o dever moral de dar primazia aos seguidores de Maomé?

Não estará a ONU, com este proceder, a evitar a resolução dos problemas no lugar de origem e a desviá-los, refugiando-se, também ela, numa política de emigração dos problemas para países que conseguem melhor nível de vida, castigando-os assim?

Não será que o próprio Pacto (1) promove a ”expectativa a pessoas dispostas a emigrar e alimenta assim a própria migração”?

Até que ponto a expressão “migrações seguras/ordenadas/regulares” não vem também proporcionar aos Estados uma perspectiva mais ou menos defensiva?

Não haverá outras maneiras de se resolver os problemas internacionalmente sem ter de se recorrer à deslocação de povos de culturas diferentes e, deste modo estar-se indirectamente a legitimar-se o modo de afirmação da guerra e da perseguição?

Não corresponde o Pacto também a um plano de fomento da emigração para a Europa, ao serviço do multiculturalismo contra o interculturalismo?

Porque é que, só pouco antes do texto ser posto para aprovação em Marrocos, se inicia a discussão apressada sem antes ter havido participação da sociedade civil nem dos Parlamentos?

Que medidas humanas tomam os Estados assinantes em relação à camada desprotegida da própria população que não se pode refugiar da pobreza em que vive e considera os novos “pobres” como seus concorrentes?

Não irá o Pacto implementar uma emigração para os sistemas nacionais de saúde mais ricos e deste modo destruir o resultado de direitos culturalmente adquiridos por lutas sociais em favor das camadas desprotegidas e que agora se colocam em questão devido a uma globalização económica liberal que não tem consideração por pessoas, países, “ecossistemas culturais”, nem pela pessoa humana?

Não deveriam os problemas globais que são provocados pelas grandes multinacionais e pela política das grandes potências, aliada à má administração nos países subdesenvolvidos, ser resolvidos por elas com mediação da ONU?

Porque não se cria um imposto de solidariedade nos países mais ricos que seja destinado a investir nos países de origem ou a aplicar no alojamento e formação dos migrantes e não se recorre a medidas que obriguem a que 70% dos lucros adquiridos por uma empresa numa região sejam obrigatoriamente aplicados nela?

Não seria melhor adiar a assinatura do Pacto, sendo para isso tirado da ordem do dia em Marrocos e durante dois anos ser discutido nos parlamentos e na opinião pública?

Não é que em nome de um humanismo legítimo e de saudar se está a acolher pessoas, mas que estas se revelam depois como defensoras acérrimas da cultura árabe formando, a longo prazo, guetos ao serviço do socialismo árabe?

Áustria, austrália, USA, Israel, Hungria, Bulgária, Croácia, Polónia, República Checa e Estónia, não aceitam assinar o pacto por razões de defesa da soberania nacional; serão os seus motivos meramente nacionalistas?

 

No reconhecimento de uma distribuição mais justa da riqueza a nível mundial, porque é que a ONU não procura envolver também os países árabes mais ricos e o capital das bolsas e plutocratas mundiais no desenvolvimento dos países subdesenvolvidos?

 

 

Concluindo

O pacto parece situar-nos numa política simbólica que, pretensamente, não é vinculativa para o Estado, querendo ser um pouco mais que um alistar de declarações políticas de intenção (auto-compromisso) no sentido de criar um consenso comum entre os Estados, uma vez que desce a muitos detalhes.

Atendendo ao seu aspecto descritivo e generalício, chega a dar uma no cravo e outra na ferradura para que todos os países o aceitem e o implementem à medida dos interesses de cada um, parecendo ser mais um documento a querer corresponder a uma agenda indirecta para legitimar discussões públicas e também ser utilizado no sentido de uma mentalidade do pensar politicamente correcto.

Relevante para a Europa seria a questionação entre chance e ameaça que vem da consequente islamização da Europa.

No ponto 15 o Tratado sublinha que aqueles que buscam protecção devem ter acesso ao mercado de trabalho e às instituições de ensino durante seu processo de admissão. Aqui parece procurar-se garantir-lhes o nível mínimo de subsistência para poderem morar no país, o que seria humano e justo. Abstrusa, em comparação, torna-se a legislação europeia que não permite a membros da EU acesso a benefícios sociais, se vierem para fins de procura de emprego.

É certamente um passo na cooperação internacional para a solução dos problemas internacionais, mas não se pode esquecer a defesa dos interesses do Estado e do povo nacional dado que, no caso, não se parte de posições bilaterais nem de igualdade de situações entre países, culturas e camadas sociais.

Penso ser indiscutível que todo o ser humano, que vive num determinado espaço, deve ser reconhecido como portador de direitos humanos, incluindo o direito da diversidade cultural. Por isso o Estado deve estar consciente de assumir responsabilidade também em relação a quem paga a factura a nível social. Doutro modo, os pobres e carentes do mundo e das nações são reprimidos uns contra os outros para deixar mais espaço para a plutocracia obrar sem limites e à vontade.

No texto do pacto os governos entrarem em compromissos internacionais não transparentes e que, pelos indícios, poderão torna-se em mais numa oportunidade para alguns grupos e ONGs prolongarem, de forma legal, a sua luta contra a cultura ocidental também neste sector. Por vezes fica a impressão de em nome do humanismo e da humanidade europeia se querer defraudar a Europa e seus habitantes, o que não quer dizer que esta não tenha o dever de solidariedade com outros povos. É legítimo questionar-se o abuso que a pretexto de humanismo serve uma luta intercultural sub-reptícia. É preciso criar-se uma cultura de compromisso em que todas as instituições trabalhem, primeiramente, em favor do Homem e dos seus direitos.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

(1) Na Alemanha houve 21 petições com o pedido de o parlamento decidir contra o Pacto. 80.000 pessoas assinaram uma petição contra a assinatura do Pacto de Migração. (Na Alemanha quem conseguir dentro de quatro semanas reunir 50.000 assinantes tem direito a ser convidado para apresentar a sua solicitação no parlamento).

 

O PREÇO DA PAZ EM PORTUGAL

Um amigo enviou-me os seguintes dados que dão que pensar, se é que pensar vale a pena, numa mentalidade acomodada e com medo a tudo o que possa levar a um pensar diferenciado ou diferente!

Pergunta-se: porque será que um país tão pequeno tem mais generais que outos países com exércitos grandes?

Certamente essa é uma factura que o povo português tem a pagar para assegurar a paz depois do golpe do 25 de Novembro na continuação do 25 de Abril!

Imagino que terá sido o preço a pagar para manter a opinião pública a alinhar o passo no sentido da nova música!

Passemos à apresentação desta “barbaridade” que é apenas uma entre outras:

“O FESTIVAL DOS GENERAIS
Os generais, por definição, comandam unidades: Brigadas, Divisões, Corpos de Exército e Exércitos.

A proporção de patentes é a seguinte:

A cada 5 soldados corresponde 1 cabo;
A 10 soldados + 2 cabos à 1 sargento;
A 40 soldados + 8 cabos + 4 sargentos à 1 Alferes;
200 soldados + 40 cabos + 20 sargentos + 5 Alferes à 1 capitão;
1.000 soldados + 200 cabos + 100 sargentos + 25 Alferes + 5 capitães à 1 tenente coronel;
8.000 soldados + 1.600 cabos + 800 sargentos + 200 alferes + 40 capitães + 8 tenentes coronéis à 1 1 General de Brigada.

Somando toda a linha de cima, cada General tem abaixo de si 10.648 homens (faz sentido).

Mas…, as forças armadas portuguesas têm menos de 64.000 efectivos. Deviam ter. portanto 6 Generais, no máximo.

Mas, é mesmo de pasmar! Tem 123 (CENTO E VINTE E TRÊS) Generais!

E paga pensões brutais a um sem número deles que se aposentaram nos últimos 25 anos.

Em dois “pequenos e pouco desenvolvidos” países, o Canadá e a Alemanha, as forças armadas contam com um general de 4 estrelas.

Em Portugal há quatro (QUATRO) generais de 4 estrelas!

Assim, o Estado vai penalizando os que menos têm.
A grande maioria do Povo Português desconhece este e outros problemas semelhantes…”

E depois, queixámo-nos que em Portugal anda tudo aos encontrões a nível de opiniões.

Infelizmente o nosso estado corporativista não atende aos interesses dos portugueses nem do Estado! Um Estado assim, à medida do corporativismo surgido da revolução republicana só pode engordar alguns: os do costume.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

HISTÓRIA DE PORTUGAL E DO POSTO CONSULAR DE FRNKFURT RESUMIDA NUM QUADRO HISTÓRICO

Antiga Vice-Cônsul situa a tela do grande pintor  W. Peiner

 

 

 

 

 

Por António Justo

Fotografei este belo quadro da Torre de Belém que os portugueses conhecem dos tempos em que havia consulado geral em Frankfurt. O quadro é muito simbólico:  representa o apogeu de Portugal que foi o primeiro verdadeiro império do mundo (1) e o mais antigo império colonial existente na Europa; como Património da Humanidade é um farol a avisar os portugueses e a Europa que se atualizem, mas não se deixem levar no canto das sereias da moda (pensar politicamente correcto) e se tornem conscientes de si mesmos e da sua missão (o ideário da Europa resumida na lusitanidade), a que a velha luz do antigo farol hoje apela.

Diria que no quadro se encontra também uma recomendação a Lisboa: o barco grande simboliza o antigo consulado que a falta de visão encerrou e o barco pequeno significa o atual Escritório Consular que espera por uma vontade resoluta e inteligente que o transforme no barco grande.

Este quadro é testemunho dos altos e baixos por que passou o Consulado Português e da recordação de gerações de portugueses residentes e de funcionários passados por lá.

Fica-se sensibilizado ao ver o velho quadro nas novas instalações e ao ouvir a funcionária do Consulado-Geral de Estugard, Irene Rodrigues dizer que, quando as portas de Franfurt foram encerradas (apesar da contra-razão expressa na manifestação), se transportou o Quadro para o Consulado Geral de Estugarda, na viva esperança de que as portas  do Consulado de Frankfurt, um dia, se abririam e que ele pudesse continuar aí a testemunhar a história do seu nascimento. Isto está a acontecer por inteligência da Embaixada, da Cônsul-Geral de Portugal Estugarda, Carla Saragoça e do MNE/SECP, com a abertura do actual Escritório consular em Hattersheim am Main. Neste quadro se reúne a grandeza e a esperança de  Portugal e a comunidade portuguesa alegra-se ao constatar que o Estado português reassume responsabilidade na área de Frankfurt.

Passo a citar a benemérita Marlis Bastos, ex-Vice-Cônsul, do ex-Consulado de Frankfurt, que me elucidou sobre este quadro, que eu tinha colocado, como foto, num meio de comunicação social: “Quando iniciei funções no consulado honorário, em outubro de 1963, o quadro já existia e pertencia ao então cônsul honorário Walter Gerling. Por ocasião da transformação em consulado de carreira, em 1972 o sr. Gerling ofereceu o quadro ao Governo Português, que infelizmente não lhe deu a importância que ele esperava merecer. Trata-se de uma pintura a óleo em tela de pele de búfalo, pintado, a pedido do cônsul honorário,” por um então famoso professor da Faculdade ou Escola de Belas Artes em Colónia, cujo nome não me ocorre neste momento (Lembro-me o Sr. Gerling falar sempre em Professor Peiner). Sei que na época, ou seja, em 1958, o Sr. Gerling teria pago dez mil marcos por ele.”

Entretanto apurei que o autor do quadro com a assinatura PPeiner será o professor de arte Werner Peiner.

A inauguração oficial do Escritório Consular de Portugal em Hattersheim am Main será feita, no dia 12 de Dezembro de 2018, por Sua Excelência o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Dr. José Luís Carneiro e na presença do Embaixador de Portugal na Alemanha, Dr. João Mira Gomes, e da Cônsul – Geral de Portugal em Estugarda, Dra. Carla Saragoça.

(1) De facto, Portugal foi o  primeiro império real do mundo não só pelo seu abrangimento geográfico, mas pelo facto de com os Descobrimentos ter surgido, pela primeira vez, uma verdadeira consciência global relativamente à geografia e à multiplicidade de povos e costumes. Para a nova consciência universal (global) além dos descobrimentos contribuiu também a literatura de viagens sobre as novas terras descobertas! Toda a Europa de então se fascinava com a literatura de viagens, os conhecimentos que recebiam eram como descrições doutros planetas; um bom exemplo disso é o nosso autor Fernando Mendes Pinto com a sua obra Peregrinação.

© António da Cunha Duarte Justo, ex-conselheiro consultivo do ex-Consulado de Frankfurt

Pegadas do Tempo

 

A MORAL NÃO GOSTA DE MORAR NOS LUGARES ALTOS

Se olhamos para a banca, para a Política, para o futebol, os exemplos escandalosos abafam-nos.

Tudo resultado da corrupção que nós alimentamos nos nossos representantes; estes têm o bónus do nosso juízo porque, como são nossos, pertencem à casa e, por isso, é-lhes permitido confundir bem-comum com poder!

A moral nunca murou nos lugares altos nem gosta de habitar nas elites do poder.

A casa da moral é o povo, que, pelos vistos, não muda, se atendermos à sua crítica  sustentável, desde que há História. O azeite da moral parece ser a precaridade!

Por estas e por outras, a ética não é programa para partidos… no máximo resta a ética do compromisso!

Dos políticos não se exige aptidão,  chega a perícia!

António da Cunha Duarte Justo

In Pegadas do Tempo

TERRORISMO PORQUÊ?

Esboço de uma Radiografia do Terrorista islâmico no Âmbito individual

 

Por António Justo

Segundo relatórios da ONU, os terroristas estrangeiros, a combater pelo EI (Estado Islâmico) na Síria e no Iraque, provêm de 80 países e diminuíram de 15.000 para 12.000.

O Handelsblat de 16.11.2018, refere que atualmente há 5.000 jihadistas europeus na Síria e no Iraque.  Da França provêm  627 e da Alemanha mais de 900.

Na França 9.300 são considerados “radicais islâmicos violentos”, dos quais 30% são mulheres e 20% são menores.

De acordo com pesquisas, segundo o Die Welt,  mais de 80% de todos os sauditas e até mesmo um terço dos turcos têm simpatia pela ideia do EI. Da mentalidade da primeira e segunda geração de turcos a viver na Alemanha pode tirar-se conclusões preocupantes ao verificar-se que a percentagem de eleitores do islamista Erdogan foi ainda maior na Alemanha (64,78%) do que na Turquia. Felizmente há muitos outros turcos que não só participam da democracia alemã como até a fomentam participando activamente em partidos alemães.

 

Esboço de uma Radiografia do Terrorista islâmico no Âmbito individual

 

O muçulmano, como indivíduo, é uma pessoa como tu e eu; o risco que muitos temem vem das organizações muçulmanas que pregam um Islão integrista e de gueto em mesquitas.

A nível individual, na base do terrorismo, encontra-se muita revolta, ódio, narcisismo e por vezes um certo sentido de justiça reprimida. A nível institucional o Islão parece encontrar-se em batalha cultural (a viver num estado de impasse/desagrado enquanto não se encontrar em situação de maioria). O orgulho velado conduz muitos muçulmanos ao complexo da superioridade islâmica que os impede da atitude “à terra onde fores ter faz como vires fazer”!

No terrorista junta-se, além da situação precária, muita raiva engolida e pregada por almas desvairadas a sentir a areia a fugir-lhes debaixo dos pés e como tal, a sentir-se ameaçadas porque não se sentem inclinados à adaptação nem à concorrência. (A não facilitar a situação, a civilização árabe, consciente das próprias fraquezas, aposta na própria religião como artigo de exportação em contrapartida à importação da tecnologia ocidental; de resto parece chegar-lhe o dinheiro (petrodólares) e uma moral simples burilada à medida do islão, compreendido como a fronteira do mundo.)

Por falta de empatia humana, identificam-se com uma ideologia do gueto que lhes ofereça perspectivas à medida da sua situação. Por outro lado, encontram-se numa sociedade cada vez mais plana que aplaina as pessoas e consequentemente fomenta seres que se agarram a símbolos genéricos.

O terrorista bebeu, muitas vezes já com o leite, o ódio da ideologia depois alimentado por uma vida malsucedida e afogueada por crises de sentido, que o leva a procurar reconhecimento e sentido num grupo que talvez lhe ofereça chances de subir, ou de morrer, mas não sozinho.

A situação precária procura uma relação de proximidade (cumplicidade) em pessoas e em grupos também eles em posição extrema que usam o extremismo como ponta de lança.

Como vivem numa sociedade europeia decadente não se sentem motivados a levá-la a sério e reconhecem na ideologia islâmica, uma perspectiva grupal libertadora e de libertação (esta função libertadora e de libertação funciona quase exclusivamente em relação ao mundo exterior que não seja sunita ou xiita.) Uma vez alinhados neste exército ideológico, a sua frustração da vida é elevada a uma situação de missão vocacional. Assim, já não são eles a actuar na sua precaridade, então passam a ser a identificação do islão em missão. De facto, a radicalização precisa de algo adversário e de uma ideologia de vítima que catalise as suas forças. Já que não podem fazer missão pelo transbordar de amor pela humanidade fazem-na na raiva de uma presumida autodefesa contra um imaginado inimigo.

O islão, ao ser considerado só como adversário, por alguns grupos da sociedade acolhedora, também avigora, ainda mais, o extremista islamista, porque então, ódio legitima ódio.

O islamista vive da ambivalência entre o seu ser de fiel e o oposto (o infiel só suportável como ser inferior e pagador de “tributo” pelo facto de não ser muçulmano), entre realidade e idealização. A prática da ambivalência vive do medo e de um pensar polar (“branco/preto, parceiro/adversário”) que conduz ao fanatismo isolante que não deixa sair de si mesmo, mantendo-se prisioneiro do calor da própria cultura.

O complexo de vítima cultivado leva-o a combater o que seja símbolo da injustiça e como tal legitimador da agressão e do ódio; a sociedade de acolhimento ainda os fortalece nesta situação de vítima, ao tentar ver a causa desta situação prearia apenas na sociedade acolhedora, em vez de analisar a situação diferenciadamente.

Assim, torna-se legitimo combater contra o inimigo e para mais quando o Corão e os Ditos e feitos de Maomé estimulam a isso. Por medo, ingenuidade ou interesse ninguém se atreve a fazer uma anatomia do islão e, por razões de medo inconsciente criam-se visões unilaterais.

Por outro lado, o narcisismo islâmico dá resposta à necessidade de superioridade e de sentido do islamista narcisista, possibilitando-lhe a aquisição de um rosto superior. A autoestima é elevada a alta potência, e a ideologia ajuda-o como moleta.  

A ideologia possibilita a formação de uma rede que conecta diferentes energias e que promete futuro ao possibilitar a concretização de uma ideia numa acção.  Os Media sociais funcionam como canais de comunicação que criam a sensação de relação e de comunidade a pessoas, por vezes, solitárias. Assim, grupos terroristas fazem uso privilegiado das redes de Internet para a recolha de aspirantes ao extremismo.

Por outro lado, a desindividualização dos actos crime e da pessoa, em via nos média, torna a acção criminosa irrelevante, mas, por outro lado, a sua divulgação individualizada fomentaria emocionalismos populares que também não são favoráveis a duas culturas que se desejariam ambas de braços abertos.

Infelizmente a falta de discussão séria sobre o Islão (o Corão, os Ditos e Feitos do Profeta Maomé – Ahadith, que estão na base do agir dos terroristas) a nível intelectual e de elites políticas não ideológicas, impede o fomento de um islão reformador (uma espécie de protestantismo islâmico ad intra) e, deste modo, deixa o assunto aos extremos da sociedade e para aqueles que se aproveitam do socialismo árabe para fazerem o seu negócio. Deste modo nem é servido o islão nem as sociedades de acolhimento e na Europa o sistema político e social sofre grandes males.

Enquanto a discussão sobre o islão se reduzir ao discurso partidário e de grupos de interesse específico, continuaremos a não servir nem a sociedade ocidental nem a sociedade islâmica. Já dá nas vistas o só se falar da discriminação por parte da maioria (de deveres da parte da maioria para com a minoria) e não se falar da discriminação por parte da minoria (dos deveres da minoria relativamente à maioria); assim contribuímos todos para um pensar só a negro e branco, em vez de nos encontrarmos num diálogo que parta da natureza humana, independentemente da pertença religiosa, para, em contextos culturais se reconhecer a cumplicidade comum.

Ao ler-se a História, verifica-se que uma ótica de afirmação da sustentabilidade árabe na sociedade e na história, também se dá através dos “assassinos” e de grupos esotéricos que atuam nas/das mesquitas.

Uma religião da obediência-cega e que alberga o terrorismo internacional, mas que se apresenta como a religião da paz, parece ter muitos adeptos e compreendedores do terrorismo islâmico e da discriminação da mulher, ao ver só o inimigo no tal populismo popular que reage instintivamente às falhas da classe ideológica e política. Esta posição crítica em relação ao Ocidente (e à religião cristã) e acrítica em relação ao islão parece já sofrer do mesmo paradigma de pensamento islâmico que, na sua tática relacional e convencional, se serve da ambiguidade, partindo do princípio que o mal está no outro e o inimigo está fora, o que consequentemente impede a integração. Uma crítica do Islão não significa ódio ao Islão, mas um cuidado para que se compreenda e este se desenvolva no tempo e para lá dos limites islâmicos, no sentido de possibilitar uma aproximação honesta das duas culturas. A cultura árabe, comum ao islão, tem imensas riquezas que vão da arte à literatura não se deixando extinguir num homo arabicus confinado à religião. A nós compete-nos fomentar mais aquelas forças islâmicas interessadas na construção de um islão aberto.

António da Cunha Duarte Justo

© Pegadas do Tempo