FÉRIAS

Compartilhei no FB em 14 de março de 2025  ·

FÉRIAS!

Desligar para voltar a ligar…

Assim se abre a janela dos sonhos,

Onde o tempo se faz de brisa suave

E a alma dança ao ritmo do vento.

É tempo de descanso,

De descobrir novas paisagens,

De deixar o coração bater ao compasso

Das ondas, das montanhas, dos horizontes.

O mundo é um livro aberto,

E eu, agora, viro mais algumas páginas,

Pintadas pela natureza,

Escritas pela luz do sol.

Vou embarcar numa pausa prolongada,

Na maravilhosa Quinta Outeiro da Luz (1),

Onde a natureza e a tranquilidade se abraçam,

E o silêncio canta melodias de paz.

A todos que passam por aqui,

Desejo dias felizes,

Cheios de sorrisos,

E boas energias a transbordar.

Obrigado por fazerem parte deste espaço.

Até breve, com histórias pra contar!

Um abraço cheio de gratidão,

António da Cunha Duarte Justo

 

Pegadas do Tempo

(1) https://quinta-vacations.com

 

António Cunha Duarte Justo

 

 

Social:
Pin Share

ANTROPOGINECOLOGIA: A ANTROPOLOGIA INTEGRAL PARA O SÉCULO XXI

Uma proposta que visa superar a visão antropológica unilateral, integrando o feminino não como apêndice, mas como pilar estrutural da definição do ser humano

Antropoginecologia – base etimológica da definição

O termo é composto por:

Anthropos (ἄνθρωπος), o ser humano, considerado na sua totalidade, não como categoria biológica, mas como ser pensante, sensível e capaz de estabelecer relações

Gynaikа (γυναίκα), a mulher, mas num sentido mais amplo: o princípio do feminino como categoria epistémica, não apenas biológica

– Logos, a doutrina, a reflexão sistemática

«Antropoginecologia» seria, portanto, literalmente: a doutrina do ser humano que compreende o feminino como parte constitutiva da própria humanidade, não como complemento, não como caso especial, mas como dimensão estruturalmente necessária de qualquer antropologia completa.

Mais do que uma questão de género, trata-se de uma questão de estrutura: ver como a inclusão do princípio feminino redefine o que chamamos de “ser humano” (ontologia) e amplia a nossa noção de humanidade e a nossa compreensão sobre ética, cuidado e transcendência.


O verdadeiro problema: a definição funcional do ser humano

A história intelectual ocidental desde Aristóteles a Descartes e às ciências sociais modernas, definiu o ser humano principalmente através das suas funções:

– como animal racional (animal dotado de razão)

– como homo faber (o criador)

–  como homo oeconomicus (o calculista racional)

Essas definições não são neutras. Elas privilegiam sistematicamente as dimensões da existência humana que historicamente foram atribuídas ao domínio masculino: racionalidade, produção, autonomia, linearidade.

O que foi estruturalmente omitido não é casual, mas sim sintomático: o cuidado, a relacionalidade, a incorporação, a ciclicidade, o dar à luz e a preservação da vida, dimensões da experiência que, embora não sejam biologicamente restritas às mulheres, foram historicamente codificadas como femininas e epistemicamente desvalorizadas.

Como resultado temos uma antropologia com uma lacuna sistemática: ela não descreve o ser humano, mas uma determinada construção historicamente dominante do que é ser humano que se poderia denominar de matriz masculina.

No feminino estrutural não se trata de “coisas de mulher”, mas de um princípio antropológico (características específicas do ser) que é negado ou subordinado na visão antropológica tradicional.

 

O que a antropoginecologia poderia alcançar

Tal disciplina não seria um contraprograma, nem uma inversão da hierarquia. Seria uma tentativa de completar a própria imagem do ser humano.

Concretamente, isso significaria:

  1. Epistemologicamente, uma ampliação das fontes de conhecimento: não apenas a abstração e a análise como acessos privilegiados à realidade, mas também o conhecimento incorporado, a compreensão relacional, o conhecimento que surge do cuidado, do lidar com a vulnerabilidade, do ritmo da vida.
  2. Ontologicamente, uma nova questão fundamental: o que é o ser humano, se o definirmos não principalmente pelo seu desempenho, mas pela sua capacidade de relacionamento? Não o que ele pode fazer, mas quem ele é em relação com/aos outros? O feminino não é apêndice do humano, é sim a sua matriz esquecida. Incluí-lo estruturalmente não é concessão moderna nem cortesia social. É acto de reconhecimento ontológico: o ser só é integral quando abraça a dualidade que o constitui. O masculino que rejeita o feminino dentro de si torna-se unidimensional; o feminino que não é acolhido como estrutura permanece é sombra a reclamar corpo.
  3. Eticamente, uma mudança de escala: da autonomia para a interdependência como categoria fundamental. O ser humano não como um indivíduo soberano que estabelece relações, mas como um ser que surge da relação e permanece nela, mas mantendo a sua personalidade numa dinâmica de desenvolvimento entre mesmidade e ipseidade.
  4. Cultural e politicamente, uma reavaliação do que é considerado socialmente valioso: não apenas o visível, o mensurável, o produzido, mas também o que preserva, o invisível, o que torna a vida possível.

 

O específico desta abordagem

Neste ensaio quero apresentar o que distingue a minha linha de raciocínio das abordagens feministas ou de teoria de género existentes e que é certamente um passo decisivo: não se questiona «Como é que as mulheres podem ganhar mais espaço no sistema existente?». Isso seria integração sem transformação. Pergunta-se: «O que falta ao sistema na sua essência, uma vez que não consegue conceber uma dimensão fundamental do ser humano?»

Esta é uma questão antropológico-sociológica e não meramente política. E é precisamente aí que reside o fulcro da mudança: o ponto de partida não é a injustiça como problema social, mas a incompletude como problema epistemológico.

Uma antropologia que exclui estruturalmente o feminino não descreve erroneamente metade da humanidade, descreve erroneamente o ser humano. E na consequência também o homem.

Uma reflexão final

A tarefa essencial e mais profundas da Antropoginecologia

Talvez a provocação mais profunda da sua abordagem reside no facto de ela libertar ambos os sexos: o homem, preso numa antropologia puramente funcional, perde algo tão essencial como a mulher, que é excluída dela. Uma antropologia completa não seria um ganho para as mulheres à custa dos homens, seria um ganho de humanidade para todos.

O modelo cristão da Trindade, numa sua leitura filosófica a explorar e não meramente teológica, oferece, na verdade, uma gramática ontológica que se estende muito para além do contexto religioso. Sobre o assunto encontram-se artigos meus em http://antonio-justo.eu de caracter mais generalizado para o grande público relativos à matriz masculina vigente e à parcialidade de uma antropologia que exclui estruturalmente o feminino não descreve o ser humano na sua totalidade, que é constituído por feminilidade e masculinidade. Assim, a sociologia adota uma descrição errada do ser humano. Este tema trata-lo ei de futuro de maneira mais científica dado esta forma de expressão possibilitar uma análise e abordagem mais específica. (Parte I)

António da Cunha Duarte Justo
Teólogo e Pedagogo Social

©  Pegadas do Tempo

Social:
Pin Share

OS LUSÍADAS E O ESPELHO PARTIDO DO MUNDO

Do Adamastor, o gigante de pedra e medo, ao tempo de Belzebu contra Satanás, onde já não há deuses, só abismos a fitarem-se 

Em 12 de março, sopram quatrocentos e cinquenta velas sobre a primeira edição de Os Lusíadas. Em 1572, quando Camões ofereceu ao prelo o seu canto imortal, Portugal e Espanha desenhavam o mapa do mundo entre si, como dois gigantes a repartir um manto que julgavam infinito. A língua portuguesa, nesse parto de versos, deixava de gatinhar nas trovas medievais para se erguer no esplendor renascentista que é um monumento de palavras que que a partir de entao fala aos ventos.

Mas que mundo é este que agora habita o mesmo poema?

Olhamos para a Ucrânia e para o Médio Oriente e já não vemos o confronto épico entre portugueses e deuses, entre mortais e forças telúricas que povoavam a imaginação de Camões. O que vemos é uma guerra do Diabo contra o Diabo, dois abismos a fitarem-se mutuamente. O Ocidente e o Oriente já não se defrontam em campo aberto, com bandeiras desfraldadas e códigos de honra. Agora, os poderosos disputam não apenas territórios, a geografia caduca de fronteiras, mas algo mais sinistro. Hoje os poderosos disputam também o tempo e as mentes dos humanos. Querem roubar o futuro aos povos e a lucidez às consciências.

E na Europa, jardim supostamente iluminado, o confronto multiplica-se em espelhos partidos. Os opiniosos dividem-se em trincheiras verbais, uns a abraçar um demónio, outros a invocar o seu contrário, como se a escolha possível fosse apenas entre dois lados da mesma moeda gasta. O debate público tornou-se uma câmara de ecos onde já não se ouve a voz de Adamastor, esse gigante que ainda hoje espreita no Cabo das Tormentas, guardião de um medo mais antigo que todas as ideologias.

Talvez por isso Os Lusíadas, apesar de inimizado por alguns, resistam. Não porque nos ensinem a navegar porque os mares de hoje são outros, mais turvos, mais traiçoeiros. Mas porque nos recordam que a língua pode ser nau, que a palavra pode ser bússola, que o verso pode ser ancora num tempo à deriva.

E enquanto houver quem leia Camões, haverá quem lembre que os monstros não estão apenas nos mapas antigos, nem os deuses apenas no Olimpo. Estão também no silêncio que escolhemos perante a barbárie (seja ela islâmica, NATO ou BRICS), na indiferença que vestimos como armadura, na rendição de pensarmos que todos os diabos são iguais.

450 anos depois, a epopeia continua. Mas agora o poema somos nós, escrevendo-o a cada escolha, a cada palavra que ainda ousa dizer não ao abismo e que ouse colocar-se do lado dos que pretendem uma cultura da paz e não continuar com a cultura da guerra, oficialmente cuidada e proclamada.

Passou-se do confronto com as forças telúricas do Adamastor à guerra do Diabo contra o Diabo porque hoje os monstros já não estão só nos mapas, mas sobretudo nas mentes.

 

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

Social:
Pin Share

OS NAUFRAGADOS DA FESTA

Houve festa de cravo e madrugada,
estandartes rasgando o azul da idade,
disseram que o vento novo era a liberdade
e a história, enfim, estava inaugurada.

Mas em docas cegas, longe da alvorada,
outro barco dobrava a enseada torta,
não trazia ouro, trazia uma porta
fechada sobre o sol, e uma despedida.

Na memória, não vinham mapas, só a ferida:
fotografias a apodrecer no sal de outros céus,
o sotaque de Luanda enterrado entre os dentes e os adeuses
como moeda posta sob a língua dos que partem para não voltar.

A pátria não é terra, é cicatriz mal fechada,
nó de carne e silêncio que a chuva de Lisboa reabre,
cosidos às pressas por mãos que não sabiam
que estavam a coser um sujeito ao vazio.

E o exílio, ninguém o disse pelo nome.
Retornados trouxemos as mãos e deixámos a sombra.
E foi a sombra que ficou do outro lado do mar
a fazer os gestos que já não sabemos fazer.

Os da festa apontavam estrelas com dedos de ideologia,
cantavam: o futuro é um clarão sem sombra!
Enquanto Moscovo e Washington, na sua liturgia,
traçavam continentes a giz sobre a mesa fria,
traçavam continentes a giz sobre a mesa fria,

Os da festa apontavam estrelas com dedos de ideologia,
cantavam: o futuro é um clarão sem sombra!
Enquanto Moscovo e Washington, na sua liturgia,
traçavam continentes a giz sobre a mesa fria,
traçavam continentes a giz sobre a mesa fria,
como pão e distribuem guerra e fome.

Nós éramos o estilhaço que sobrou do banquete,
o espelho devolvido à sala depois da festa:
nele, a face que não querem ver,
a descolonização a sangrar no reverso da conquista,
o império dissolvido como sal na maré,
a madrugada devorando o que restava de nós.

Chamaram-nos sombras,
o estorvo na paisagem que queriam limpa,
a testemunha incómoda da pressa com que se apagou
tudo o que havia, mal ou bem plantado,
nas mãos de outros, noutra margem,
noutra imagem turva ou límpida, mas alheia.

Éramos Ícaro depois da queda,
nem o sol nos pertencia, nem o mar nos queria.
Retornados, palavra de gelo na boca quente de Abril.

E o Fado, esse não fez a revolução.
Apenas sangrou na guitarra como velho profeta,
não é revolta, é mágoa que atravessa o segredo,
rio subterrâneo que nunca seca, nunca grita,
apenas corre fundo, fundo, até ao mar.

Portugal por que lhes cortas o coração?

Pergunta sem resposta, pedra atirada ao poço,
voz que o eco devolve mais funda e mais sozinha.

Somos os náufragos da festa que não nos convidou,
filhos do império que o império renegou,
e carregamos, como Sísifo carrega a pedra,
a memória de uma terra que o mar não apagou.

António da Cunha Duarte Justo

© Pegadas do Tempo

Nota:

As ideias que fluem nesta poesia vivi-as também na altura do PREC  ao observar  que começavam a chegar os “Retornados” a Portugal cerca de 500 a 700 mil cidadãos portugueses vindos das ex-colónias africanas 1974 e 1976, no período do PREC, em consequência de uma descolonização atabalhoada porque marcada pela ideologia. O fim do império em 1975 provoca dores de identidade nos que estão e nos que chegam (de Angola, Moçambique e Guiné).

Os retornados foram a memória que o regime queria esquecer; eram o rosto incómodo de um império que a ideologia apressada dissolveu sem olhar a quem ficava pelo caminho. Assim tanto os retornados tal como os cidadãos residentes sofreram um embate de diferentes mentalidades e ideários, o que deixava questões importantes à identidade e à memória coletiva nacionais.

As narrativas sobre o colonialismo português diferirão segundo a perspetiva de uma esquerda leviana e apressada e a perspetiva conservadora lenta. A verdadeira visão certamente se terá de colocar criticamente entre as duas tentativas de narrativa.

De notar, apesar de tudo o mérito e o esforço de um país pequeno com 10 milhos de habitantes para receber tanto retornado. A amargura para muito português era a de verificar que os Africanos deixavam de sofrer sob o colonialismo português para passarem a sofrer sob o colonialismo soviético e estadunidense. Uma ideologia que dividia o país no sentido da geopolítica servia as grandes potências contra os interesses das pequenas nações…

©  António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

Social:
Pin Share

MAIORES EXPORTADORES DE ARMAS PESADAS DO MUNDO

Alemanha ultrapassa China e ocupa o 4.º lugar no ranking global

De acordo com os dados mais recentes do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI), a Alemanha ocupa atualmente o quarto lugar no ranking mundial dos maiores exportadores de armas pesadas, superando a República Popular da China. O relatório evidencia uma elevada concentração do mercado global de armamento convencional num conjunto restrito de países.

Os Estados Unidos da América lideram as exportações mundiais, representando 43% do total, seguidos pela França (9,8%), Federação Russa (6,8%), Alemanha (5,7%) e China (5,6%). Completam a lista dos principais exportadores: Itália (5,1%), Israel (4,4%) e Reino Unido (3,4%).

No que concerne ao destino das exportações alemãs, aproximadamente um quarto do total foi direcionado para a Ucrânia, no contexto do apoio militar prestado no âmbito do conflito com a Federação Russa. O continente europeu constitui o principal destinatário das armas pesadas de origem alemã, com 41% das entregas, seguindo-se o Médio Oriente (33%) e a Ásia (17%).

A nível global, a Europa importou cerca de um terço do total de armas pesadas comercializadas internacionalmente, sendo que quase metade deste volume teve origem nos Estados Unidos.

Os dados apresentados permitem constatar a pujança do setor económico associado à indústria bélica, sugerindo não apenas determinadas configurações geopolíticas contemporâneas, mas também a persistência de uma cultura de pendor belicista, em detrimento da consolidação de uma efetiva cultura de paz.

António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo

Social:
Pin Share