Taxa 15% a 20% de Óbitos e Desaparecidos, 45% a 50% de Baixas médicas e 30% a 35% de Abandono
Os números mais recentes, divulgados pelas autoridades ucranianas em julho de 2026, pintam um retrato eloquente da dimensão internacional do conflito: 16 mil mercenários, oriundos de 72 países, combatem atualmente ao lado dos soldados de Kiev. Deste contingente heterogéneo, cerca de 40% têm origem na América Latina, num fluxo alimentado pela promessa de ganhos fáceis e pela precariedade económica dos seus países de origem. Do outro lado da linha da frente, fontes ucranianas estimam que mais de 18 mil combatentes estrangeiros engrossem as fileiras russas, com um recrutamento que se foca fortemente em cidadãos asiáticos, cubanos e africanos.
No que toca à remuneração, as disparidades salariais entre os dois exércitos são notórias, mas não isentas de armadilhas. Na Ucrânia, o salário base militar ronda os 700 dólares mensais, um valor que sofre um incremento exponencial para os soldados de infantaria destacados na linha da frente, onde a média mensal atinge os 7.000 dólares. Na Rússia, o vencimento base para quem combate pelo Ministério da Defesa é mais elevado à partida, situando-se entre os 2.100 e os 2.500 dólares mensais. Para efeito de comparação, enquanto um operário da construção civil aufere, em média, entre 670 a 810 euros brutos na Rússia, na Ucrânia esse valor ronda os modestos 460 a 480 euros brutos.
A ilusão de obter independência financeira rápida e escapar à crise laboral nos países de origem esbarra, porém, numa taxa de desgaste humano brutal, alimentada pelas táticas modernas de guerra de atrição. De uma forma geral, estes mercenários são tratados como mera carne de canhão, sendo maioritariamente integrados em unidades de assalto de vanguarda, onde a esperança de vida operacional se mede em semanas. As estatísticas internacionais, baseadas em dados oficiais, são aterradoras e revelam a verdadeira natureza do negócio: regista-se uma taxa de 45% a 50% de baixas médicas por ferimentos graves, com amputações ou traumas severos que inviabilizam a conclusão do contrato já antes do terceiro mês de destacamento.
A par disso, a taxa de abandono voluntário atinge os 30% a 35%, ao contrário dos soldados nativos, os estrangeiros beneficiam de cláusulas contratuais que permitem a rescisão unilateral. Cerca de um terço dos recrutas opta por quebrar o vínculo e regressar ao país de origem nas primeiras semanas, vencido pelo choque psicológico da guerra de desgaste e pela quebra de expetativas face à brutalidade da fronte. Por fim, a taxa de óbitos, desaparecidos ou capturados (estes últimos sem direito ao estatuto de prisioneiro de guerra) fixa-se nos 15% a 20%. Uma parte expressiva desta percentagem entra na categoria jurídica de “desaparecido em combate” devido à impossibilidade física de recuperar os corpos em zonas sob intenso fogo ou sob controlo russo.
O resultado deste caldeirão humano é uma Ucrânia cada vez mais dizimada, uma sociedade que se afoga num mar de soldados mutilados e psicologicamente devastados. Este cenário transforma-se num verdadeiro pesadelo para a Europa, que não hesitou em utilizar o território ucraniano como cavalo de Troia para a prossecução dos seus fins estratégicos, servindo de palco para as ambições geopolíticas das grandes potências, designadamente dos EUA e da União Europeia, enquanto a população nativa paga o preço mais alto em sangue e destruição.
António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo
ORCID: https://orcid.org/0009-0003-6251-1578