CORRUPÇÃO NO PARLAMENTO DA UNIÃO EUROPEIA

Vice-Presidente Eva Kaili e cinco cúmplices subornados pelo Qatar

Segundo a associação lobbycontrol, há 25.000 lobistas em Bruxelas a tentar influenciar a política (lobistas têm como objectivo o bem das suas empresas à margem do bem-comum (1). Pelo número de influentes a fraqueza humana encontra também em Bruxelas boa guarida. O emirado do Qatar e outros são generosos porque sabem que o dinheiro faz milagres. Esta é também uma razão pela qual todos os membros dos governos, funcionários governamentais e deputados deveriam ser obrigados a divulgar seus contatos de lobby, tal como já é padrão para os comissários da UE. O interesse anticorrupção nunca chegara a querer cortar o mal pela raiz!

Eva Kaili teria recebido dinheiro para influenciar as decisões políticas para o Qatar. Havia inicialmente 5 suspeitos e 4 deles foram detidos em prisão preventiva com o vice-presidente, esta apanhada em flagrante delito (há 4 deputados).

Um antigo deputado social-democrata italiano e parceiro da Kaili também foi preso pela autoridade belga encontrando-se em posse de dinheiros (600.000 euros?).

O Parlamento da UE demitiu a deputada de vice-presidente por causa do escândalo de corrupção em torno dela.  A deputada nega as acusações de que teria recebido dinheiro para influenciar os trabalhos do Parlamento. Nega lavagem de dinheiro, corrupção e envolvimento em organização criminosa. Quatro deles foram detidos sob custódia no domingo, As autoridades belgas prenderam desde sexta-feira. A democracia europeia encontra-se sob ataque de fora e de dentro.

A EU tem que reagir depressa para não estragar mais porcelana fina em Bruxelas onde os caudais de biliões correm sem se saber muitas vezes para quê.

Por um lado, Bruxelas Ataca Viktor Orban com acusações de corrupção, mas fecha os olhos em relação a tantos lobistas e interesses jogados na EU. O próprio parlamento não é transparente nos seus afazeres porque não faz valer a exigência de transparência para estados fora da União Europeia. Neste assunto, o parlamento foi apanhado em flagrante. Para sair desta de rosto limpo o parlamento europeu teria muito trabalho a fazer, também em questões de transparência.

Consta que o dinheiro é tão vislumbrante que até a justiça cega, não se fale já da política.

Porque é que estas investigações só acontecem agora no fim do jogo mundial no Qatar? Não haverá segundas intenções em tudo isto! A conivência começa com a existência dos muitos  milhares de lobistas em torno dos parlamentos e dos centros do poder!

Um parlamento cuja arma mais forte da Europa que possui é a moral e as exigências que faz, deve estar com grandes dores de cabeça quanto à moral! Budapest apenas sorri ao ver a corrupção chegar ao cume do parlamento.

 

Ainda bem que a democracia vai tendo algumas instituições cujo dever é protegê-la!

Faz sentido lembrar aqui o poema de João de Deus in ‘Campo de Flores’:

O Dinheiro

“O dinheiro é tão bonito,
Tão bonito, o maganão!
Tem tanta graça, o maldito,
Tem tanto chiste, o ladrão!
O falar, fala de um modo…
Todo ele, aquele todo…
E elas acham-no tão guapo!
Velhinha ou moça que veja,
Por mais esquiva que seja,
Tlim!
Papo.

E a cegueira da justiça
Como ele a tira num ai!
Sem lhe tocar com a pinça;
E só dizer-lhe: «Aí vai…»
Operação melindrosa,
Que não é lá qualquer coisa;
Catarata, tome conta!
Pois não faz mais do que isto,
Diz-me um juiz que o tem visto:
Tlim!
Pronta.

Nessas espécies de exames
Que a gente faz em rapaz,
São milagres aos enxames
O que aquele demo faz!
Sem saber nem patavina
De gramática latina,
Quer-se um rapaz dali fora?
Vai ele com tais falinhas,
Tais gaifonas, tais coisinhas…
Tlim!
Ora…

Aquela fisionomia
É lábia que o demo tem!
Mas numa secretaria
Aí é que é vê-lo bem!
Quando ele de grande gala,
Entra o ministro na sala,
Aproveita a ocasião:
«Conhece este amigo antigo?»
— Oh, meu tão antigo amigo!
(Tlim!)
Pois não! “

João de Deus, in ‘Campo de Flores’

 

 

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

(1) LobbyControl é uma associação sem fins lucrativos que esclarece sobre estruturas de poder e estratégias de influência na Alemanha e na UE. Estão comprometidos com a transparência, controle democrático e barreiras claras na influenciação da política e do público.

Os políticos devem representar os interesses de todos em nossa sociedade. Lobistas, por outro lado, geralmente só têm em mente os interesses de suas próprias empresas/organizações. O bem-estar da sociedade como um todo é secundário.

DIA DA IMACULADA CONCEIÇÃO – VIRGEM E MÃE – UMA CONTRADIÇÃO SÓ NA MENTE

A nova Eva diz sim à vida – sim à Vida como Dom de Deus que une Céu e Terra

Não vou falar aqui de “Lucy”, o hominídeo do sexo feminino da era dos Australopitecos afarensis, que alguns cientistas apelidaram de “mãe da humanidade”.  Como se vê também a ciência recorre a simbologia para melhor se fazer entendida na sua linguagem.

Quando falo ou escrevo procuro fazê-lo numa linguagem que seja compreendida quer por pessoas religiosas com uma visão de fé (experiência relacional) que se orientam mais em termos de ser e também por pessoas que se orientam mais pela razão, em termos de estar. Assim as pessoas não crentes ordenam geralmente verdades religiosas na mesma linha de compreensão de factos históricos o que torna complicado o entendimento entre uns e outros. As verdades religiosas não podem ser colocadas apenas no fio lógico da razão (das verdades filosóficas) nem na categoria de sucessão dos acontecimentos finitos da História porque estes referem-se a factos realizados que acabam; por seu lado, realidades espirituais têm a sua validade e actividade permanente. O dogma da Imaculada Conceição bem como Mitos são de arrumar numa outra ordem (experiencial e relacional espiritual) uma ordem intemporal que não acaba. Por isso as religiões para expressarem as suas verdades/experiências de fé servem-se de dogmas e de mitos como expressões de verdades que não passam; diria verdades existenciais e transcendentais num permanente acontecer (Kairos) que são mais reais e verdadeiras que as verdades históricas porque não se deixam ultrapassar. Todos somos peregrinos da verdade e, como tal, cada ciência, religião ou filosofia procura dar o seu contributo específico a caminho dela! Fixar-se num só caminho como único verdadeiro seria não perceber a realidade do mundo factual (fenomenológico) nem a estrutura da própria mente.

Maria recebeu o título de “Mãe de Deus”, no concílio de Éfeso no ano 431 por ser mãe do Verbo encarnado filho de Deus, que é Deus e mãe dos homens no filho Jesus. A 8 de dezembro de 1854, o Papa Pio IX consagra a virgindade de Maria no dogma que diz que a Virgem Maria nasceu sem a mancha do pecado original para ser morada sagrada de Jesus Cristo. A Virgem já era considerada símbolo da Arca da Aliança cujo conteúdo figurava Jesus e que Deus veio habitar no tabernáculo.

Os símbolos apontam para lá das coisas e dos factos. Apontam para além de si próprios, para uma realidade e significado não reduzível ao histórico ou ao material. Quando digo que acredito que Maria foi impregnada pelo Espírito Santo, estou a dizer: Jesus é divino.

Assim o dogma da concepção e nascimento virginal (que também se encontra no budismo), quer apontar para algo maravilhoso e inexplicável. Quer dizer que o que acontece nela é totalmente novo e como tal virginal – mero dom divino sem necessidade de intervenção humana – ou seja, é a expressão de uma realidade imaterial, espiritual. É uma verdade religiosa que ultrapassa a natureza material que a nível racional só pode ser compreendida de forma dual. Com o nascimento da virgem quer-se dizer que Jesus/Deus não pode ter origem na matéria porque anterior à matéria está o espírito e o ser humano tem a sua verdadeira origem no espiritual. Isto é, somos seres espirituais com expressão humana. Com o dogma da virgindade e com o nascimento de Jesus Cristo dá-se como que a reabilitação da matéria na divindade de Jesus Cristo (no JC ultrapassa-se a dualidade da natureza – matéria-espírito) e no âmbito da humanidade somos todos filhos de Deus embora mais ou menos conscientemente.  Temos assim Maria, a nova Eva, mãe de Deus e da humanidade. Na Imaculada Conceição unem-se céu e terra para dar à luz o divino feito de céu e terra. Esta é uma verdade espiritual que para muitos pertence à categoria fantástica que, contudo, em termos da dimensão/experiência da fé, se torna mais real que a realidade normalmente apreendida. Corpo e espírito adquirem uma nova relação, entrando numa nova dimensão da percepção.

 

O conhecimento, como dizia Kant, não pode ser limitado à experiência embora o conhecimento comece por ela... “A facticidade oferece apenas a arena em que essas condições são preenchidas” (1);

Embora o transcendental pareça à primeira vista incompreensível, o facto é que faz parte característica do humano. A metafísica transcendental ajuda a descortinar o que vai para lá da experiência e do factual.

Em filosofia costuma-se falar de três tipos de verdade: “verdade em si mesma”, “verdade para nós” e a “nossa verdade”. O ser em si mesmo não corresponde ao julgamento feito sobre o “ser”.  Também por isso seria ilógico, no acto do conhecimento identificar o ser com o modo de ser ou de aparecer. Portanto quando falamos de cognição (verdade adquirida) temos de reconhecer a complexidade subjacente ao acto de conhecer que implica duas coisas: o percepcionado e a coisa a ser percebida (dualidade!).

O conhecimento é a imagem da realidade, não mais que a imagem do conteúdo, do objecto, apreendida pelos sentidos. Esse desenho não é tudo e o conteúdo do conhecimento é também ele determinado pela tarefa (gnoseologia), a essência (fenomenologia) e a estrutura do conhecimento ( aleteiologia(a)

O âmbito do conhecimento começa por partir da „verdade em si” para chegar à “verdade para nós”. Ressalve-se, porém, que a “verdade em si” ultrapassa a dualidade porque é ao mesmo tempo a meta e o ponto de partida do conhecimento. Nós somos mais que ser ou estar porque como seres espirituais temos uma consciência transcendente (mais que intuição cognitiva ou mística) que ultrapassa o próprio conhecimento; este, devido à sua estrutura cognitiva só pode expressar-se em termos de dualidade (3). A resposta de Deus a Moisés corrige a dualidade: “Sou o que sou, sou o tornar-se” (engloba também a alteridade)! Assim a Realidade/Verdade é processo: ser em relação (o particular e o todo em interacção) como se verifica na fórmula trinitária (a verdadeira fórmula de toda a realidade material e espiritual); também no protótipo Jesus Cristo se realiza a abolição da polaridade. É pena a ciência química, biologia, sociologia, filosofia e teologia não prestarem grande atenção a está fórmula das fórmulas (que abrange o mundo material e o mundo espiritual e escapa à dualidade em que por vezes ficamos encalhados e nos impede de iniciarmos uma cultura universal de paz).

Em 1646, D. João IV, proclamou Nossa Senhora da Conceição padroeira de Portugal. Cedeu-lhe a coroa e a partir daí os reis de Portugal deixaram de colocar a coroa na cabeça, privilégio só para Nossa Senhora.

António da Cunha Duarte Justo

Teólogo e Pedagogo

Pegadas do Tempo

(1) https://www.degruyter.com/document/doi/10.1515/9783112331729/html

(2) Apreender a verdade do ser entendida como manifestação (Heidegger) do ser, e enquadrá-la na pergunta do sentido do ser. Verdade como adequação do pensamento à coisa e problema da concordância do juízo (afirmação) com o objecto: https://books.google.com.sv/books?id=J8gSGmkjLgIC&printsec=copyright&hl=de#v=onepage&q&f=false

(3) Sei que concorro aqui para um certo baralhamento mas no intuito de levar a pensar que, nestes assuntos, o jogo não se reduz a uma só carta ou cartada nem se encontra só na mão de um jogador. Trata-se de exercitar o respeito por diferentes critérios e perspectivas de abordagem da verdade/realidade em espírito de complementaridade e não de adversidade. Não é objecto da ciência positiva tematizar os pressupostos últimos que fundamentem a própria posição pelo que seria incoerente se cientistas na sua matéria não evitassem pronunciarem-se sobre o fim ou sentido do ser. Numa época propícia à ciência positivista corre-se o risco de confundir a ciência positiva como indicadora de sentido ou sua negadora! Isso levaria cada qual a ostentar o seu lampião de verdade na pretensão de ofuscar com ele a luz do sol.

8 DE DEZEMBRO ANTIGO DIA DA MÃE: https://antonio-justo.eu/?p=6921

PARA CADA SOCIEDADE O QUE ESTÁ A CONTAR É A PRÓPRIA NARRATIVA

Já dá demasiado nas vistas como os protestos contra a política chinesa de Covid-19, são celebrados nos media alemães como luta justa, quando, um ano atrás, nas manifestações e caminhadas na Alemanha contra as medidas de corona impostas, os manifestantes eram publicamente rotulados como extremistas, negacionistas e teóricos da conspiração.

Será motivo para começarmos a questionar se não vivemos num mundo político-social em que as coisas são organizadas da maneira como fazem jeito para o sistema; não importa a realidade, mas sim a narrativa sobre ela.

Dois pesos e duas medidas! A hipocrisia está a suprimir a veracidade.

E assim se vão entretendo os povos.

 

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

AS ELITES EUROPEIAS PERDERAM A CABEÇA AO QUALIFICAREM A RÚSSIA COMO “ESTADO TERRORISTA”

Até o cidadão simples se admira pelo facto de o Parlamento Europeu (PE) não saber o significado de Estado ao qualificar a Rússia de “Estado Terrorista”.

Seria impensável que um Parlamento descesse a uma atitude de qualidade intelectual e moral tão baixas. Isto vem demonstrar mais uma vez a incapacidade atual da política para encontrar soluções para os problemas que os desenvolvimentos da nova ordem mundial em processo exigem.

Estado é o país e as pessoas que nele vivem ligadas pela mesma nacionalidade. Isso também inclui suas regras comuns e as pessoas que criam as regras e garantem que elas sejam seguidas. Estes oferecem segurança, ordem e uma função de segurança social.

O não saber distinguir entre sistemas políticos, governos e Estados conduziu o PE a uma posição enganadora! O PE falhou às suas funções de instituição estatal, deixando-se reduzir aqui a um grupo de guerra, como se a ideia política de amigo e inimigo fossem suficientes para se autodefinir ou definir alguém!!

É lastimosa a situação de uma política europeia encurralada (entre USA e Rússia) que se vê na necessidade de reduzir Estados a grupos de guerra em que exércitos armados se opõem-se entre si; tal atitude desconhece a realidade do Estado que representa povos inteiros ou grupos étnicos em torno de uma Constituição e das instituições constitutivas do mesmo. Esta declaração infeliz equivale a criminalizar um povo para se justificar uma guerra exterminante.

Qualquer cidadão até sem formação política conseguiria notar a fraude em que a política o quer envolver, mas por outro lado o leva a constatar a decadência da classe política europeia: reduzida a mera sacristã dos EUA não revela um saber para além de estudos secundários malfeitos! Declarar um Estado terrorista corresponde a coloca-lo na situação de animal selvagem digno de ser caçado.

Sob o pano de fundo do conflito da organização de uma nova ordem mundial geoestratégica (expressa no conflito Estados Unidos-Rússia na Ucrânia), a declaração do Parlamento Europeu revela o estado populista em que se encontra a política e meios de comunicação social do sistema que tal permitem e que preanunciam grandes problemas especialmente para a Europa.

É claro que nos encontramos num momento histórico problemático, mas muito produtivo em que também o Sul Global quererá participar com mais justiça dos bens da terra; para isso urge uma reorganização da macroeconomia e Putin, apesar da brutalidade que usa na Ucrânia tem iniciativas para essa reorganização que vêm de encontro às necessidades do Sul.  De futuro o acento da economia e da política terá que ter como ponto central o bem do cidadão também a nível mundial e não tanto o proveito de instituições e seus funcionários.

O facto de nações ou blocos se encontrarem em concorrência rival a nível geopolítico não justifica tais declarações mais próprias de um estado despótico. As elites europeias terão de se ir convencendo que não é só a Europa que tem os trunfos no jogo geopolítico em via.

A atitude maniqueia do Parlamento Europeu tem de ser contradita pelo povo europeu que ainda mantem equilíbrio mental e um resto do humanismo judaico-cristão.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo