Justiça contaminada pela Política
O presidente Joe Biden indultou o filho Hunter Biden antecipando-se assim a uma possível e grave pena de prisão do filho, apesar das suas garantias dadas anterioriormente de que não interferiria nos problemas jurídicos do seu filho.
Joe Biden justificou a decisão por considerar que as três condenações em causa – posse de armas, ocultação de consumo de drogas e evasões fiscais – “tiveram motivações políticas”.
Hunter Biden tinha-se considerado culpado no caso de fugas ao fisco (saldando as dívidas fiscais de 1,4 milhões de dólares relativas a 2016-19, actividades na Ucrânia) mas mesmo assim avalia-se que poderia vir a ser condenado em “17 anos de prisão no caso fiscal e 25 anos de prisão por posse ilegal de armas”.
Também Trump tem uma sentença ainda pendente depois de ser condenado em maio. Também já se prevê a solução para os apoiantes de Trump que foram condenados por crimes após a tomada do Capitólio a 6 de janeiro de 2021.
Esta atitude de Joe Biden só vem confirmar, pela negativa, os enredamentos políticos na justiça americana e não só lá (juízes e conselhos sujeitos a aprovações de cunho partidário!). Isto vem criar um clima de insegurança e instabilidade nas partes do povo que ainda acredita que é a moral que rege a política, quando nela o que conta são os interesses. Forças interesseiras envolvidas na coisa pública ainda têm o desplante de se queixarem da voz do povo, ao qualifica-la de populismo.
O advogado Hunter Biden tinha já sido expulso de reservista da Marinha americana, em 2012, devido a um teste positivo de cocaína. A partir de abril de 2014 entrou no conselho de administração da empresa ucraniana Burisma, grande produtora de gás, registrada no Chipre, um paraíso fiscal. Aquando da invasão russa em 2022 a Rússia acusa Hunter Biden de financiar laboratórios biológicos apontando o fundo de investimento Rosemont Seneca Thornton, fundado por Hunter Biden e o Fundo Soros, de participarem do financiamento dos supostos laboratórios de armas biológicas na Ucrânia (1). Se temos de estar atentos à informação propagada na Europa condicionada aos interesses da NATO e da EU, será de ter a mesma cautela relativamente às informações propagadas sob a perspetiva dos interesses russos. Missão difícil numa sociedade relativista convencida de viver de “certezas”como se a própria ideologia fosse o espaço da paz a impor ao sistema concorrente. .
A questão que falta responder é: como pode um presidente amnistiar um filho que ainda não foi condenado em tribunal?
António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo
Bill Clinton perdoou o seu meio-irmão por acusações de cocaína e Trump perdoou um genro por acusações de evasão fiscal. Em ambos os casos, os homens já tinham cumprido a pena de prisão.
É a promiscuidade entre a política, o uso e abuso do poder e acriminalidade. A Justiça não existe para os poderosos. As leis são portas abertas deixando passar correntes de ar tóxico. Para esses não há impossíveis.
Mafalda Freitas Pereira , verdade! Os “deuses do Olimpo” vivem para lá das nuvens e consideram como nevoeiro que os protege a justiça e a verdade de que se ocupam os terráqueos.
António Cunha Duarte Justo, pobres terráqueos que labutam aquém das nuvens.
Mafalda Freitas Pereira , é o nosso destino; a única coisa que poderemos fazer será procurar afastar o nebvoeiro e a poeira espalhada em redor de nós!
Difícil mesmo, termos hoje, verdadeira informação!…
Os poderes misturam-se e corrompem-se!
Manuela Silva , em tempos de globalização e de alinhamentos polares, cada polo controla ao máximo possível a informação porque da reacção do povo depende a própria integridade, isto é, integração coerente que condiciona a verdade da informação aos interesses do próprio núcleo. Cada grupo tem a sua verdade e a sua justiça circundada às próprias fronteiras. Por isso os meios de comunicação, em geral, em vez dos factos transmitem a interpretação deles ou escolhem os factos que levam a uma interpretação interesseira. Sim porque se encontram em linha condicionados por interesses.
Quanto à promiscuidade dos poderes soberanos dos estados já o caso se simplifica e é constitutivo inerente também às democracias partidárias. Os partidos defendem interesses e seus agrupamentos e por isso nomeiam para as diferentes repartições de estado os seus representantes que procuram fazer valer a vontade do partido, vontade feita só de interesses e de estratégias para os levarem a cabo. Não há poder político íntegro por isso uma das suas estratégias é a hipocrisia. Mas também é verdade que o povo não saberia conviver com a verdade, também por isso os “habitantes do Olimpo” julgam justificada a sua falta de humanidade.