DO NEGÓCIO COM AS VÍTIMAS E DOS RENDIMENTOS DA CONVERSA SOBRE ELAS

Em Tempos turvos domina a Emoção sobre a Razão e os Factos

António Justo

Fontes do Vaticano dizem que “cem mil cristãos são mortos por ano, por razões ligadas à fé”!

A isto ninguém liga! Nem tão-pouco a política oficial da EU está interessada em ligar. Sim, porque o interesse é fomentar unilateralmente uma cultura antiocidental e para tal incentivar também o islão; neste sentido deve ser evitado qualquer discurso crítico em relação a ele!  Não seria politicamente correcto que se solicitasse bilateralidade da parte das sociedades islâmicas e dos muçulmanos imigrados no que respeita a aceitação e tolerância.

A tendência, da estratégia do politicamente correcto implantado, é considerar a civilização ocidental, de reminiscências cristãs, como agressora e criminosa e os outros como vítimas.

Os activistas não querem notar que todos são transgressores e vítimas (eles e nós também), quer os que se encontram dentro da fronteira quer os que se encontram fora dela, e deste modo impede-se uma controvérsia racional e nos tornamos também num empecilho ao verdadeiro desenvolvimento e à resolução efectiva dos problemas. Não notamos que para defendermos ou atacarmos os de fora nos tornamos nos atacantes dos de dentro (colocados no papel de adversários).

Onde se encontram na consciência europeia os barcos de ativistas protectores das vítimas cristãs e de minorias étnicas, sejam elas pretas, brancas ou amarelas? Disto não se fala porque não facilita o negócio ideológico e partidário que teria de ser mais diferenciado, mais equilibrado e mais ligado aos factos e não apenas a interpretações deles. Na nova cultura criada o que está a contar são atitudes emocionais e não os factos.

O processo de embrutecimento em via na nossa sociedade serve-se da narrativa da interpretação dos factos e não da análise deles, porque não está interessada na realidade factual mas sim nos dividendos que se adquirem no falar deles e na expansão ideológica que se pode alcançar com eles. E tudo isto em nome da honestidade e da defesa de um mundo melhor, que, pelos vistos, não se quer desonesto!

Por vezes tem-se a impressão que, no imbróglio social, a direita cala porque está interessada no negócio económico e a esquerda não tem interesse em falar objectivamente dos factos porque então a ideologia não tiraria rendimentos deles. Um outro característico que observo na esquerda circulante na Internet é que a maior parte dela gosta de se ficar por afirmações sem descer a argumentações; porque o que interessa não são os factos nem uma lógica que lhes dê consistência, mas sim o levantamento de emoções para o povo mais leve poder boiar nelas; este fenómeno é também comum a um certo populismo extremista de direita.  Falta o verdadeiro interesse em resolver problemas porque o que vale parece ser o usufruir das emoções que importa criar em torno deles.

Apelidar uma pessoa de má ou declarar alguém ou grupo como “persona non grata” por não seguir a indicada opinião ou ideologia corresponde a acender o rastilho do combustível que provoca explosões sociais e que estimula a violência.

Toda a vítima seja ela cristã, muçulmana, conservadora ou progressista é sempre um testemunho fatídico de um atentado contra a humanidade.

Numa sociedade que se quer cega não contam os factos, o que conta é a sua interpretação manipulada e manipuladora. A razão e os factos cedem o lugar à emoção e ao instinto animal.

© António da Cunha Duarte Justo

In “Pegadas do Tempo”

 

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Publicado por

António da Cunha Duarte Justo

Actividades jornalísticas em foque: análise social, ética, política e religiosa

2 comentários em “DO NEGÓCIO COM AS VÍTIMAS E DOS RENDIMENTOS DA CONVERSA SOBRE ELAS”

  1. Eis um texto de António Cunha Duarte Justo de que vou apenas fazer um comentário relativamente breve:
    Como definir o mundo em que vivemos?
    A duplicidade de critérios, a ambivalência dominante, a relativização moral proposta pela esquerda bem pensante, a memória selectiva, as palavras ocas e afirmações no vácuo que abafam os factos, enfim, hoje e sempre, o p.c. (politicamente correcto) num “harakiri” conscientemente assumido da civilização ocidental.
    Creio que é para lá caminhamos. Será que é isso que real e colectivmente queremos?
    Francisco H. Da Silva
    FB

  2. Caro Embaixador, alegra-me o seu comentário! De facto, como pessoa que conhece o sistema, tem grande peso a su opinão.No seu comentário resume toda a problemática em que somos envolvidos pelo “pensar politicamente correcto” imposto por uma esquerda descomprometida mas interessada só na sua causa/interesses, sem ter em consideração os prejuízos que causa!

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