A EUROPA VOTOU E ACORDOU MAIS VERDE E VARIADA

No Carrossel das Nações e das Culturas a Europa revela já tonturas

António Justo

As eleições europeias revelaram que está em curso a fragmentação e polarização das paisagens políticas europeias e a necessidade de implementação de políticas do ambiente. Com as eleições, os Verdes e os partidos pequenos começam a ter maior representatividade nos parlamentos, apesar do sistema favorecer os partidos grandes.

Em parte, a Alemanha está para os países europeus como a América para a Europa. Na Alemanha já se verifica o tempo de viragem dos partidos estabelecidos: a CDU também perdeu eleitorado embora continue à frente (28,9%), os Verdes (20,5%) conseguiram atrair a esquerda liberal do SPD, que viu reduzidos os seus eleitores de 27,31 para 15,8%.  A História não para, ela é de quem a acompanha e a muda. De momento tudo procura e ninguém encontra! Na Alemanha, a juventude marcou presença nas urnas e a afluência geral do eleitorado foi de 61,5%.

Um outro fenómeno a manifestar-se é o facto de artistas conhecidos começarem a candidatar-se como pessoas individuais e conseguirem assento no parlamento. Ver em nota os resultados dos partidos na Alemanha (1) e noutros países (2). Verdes e pequenos partidos registam as maiores subidas (3).

Constata-se que, na consciência popular, avança o proteccionismo de Trump, não só na praça pública, mas também através de um populismo domesticado dentro dos próprios partidos, o que denota uma certa adaptação aos novos ventos. De facto, mesmo os chamados populistas AfD lutam por domar o seu populismo (expressão emocional popular) para que, com o tempo, possam afirmar-se como populismo civilizado à imagem do que acontece nos partidos já estabelecidos no sistema. Com o desmoronar dos grandes partidos populares, como a CDU e o SPD, os populismos de esquerda e de direita ganhará mais expressão.

De notar que embora esteja a dar-se um tornado a nível dos chamdos partidos populares, permanece um equilíbrio nacional da cidadania de esquerda e de direita, na forma de estar política dos diferentes países, apesar de aqueles se encontram em navio a afundar-se; só na península ibérica, onde o discurso ideológico tem mais peso nas actividades governamentais, é que não. Na Alemanha, o partido os Verdes encontra-se a caminho de se tornar num partido popular e prestes a substituir o SPD nas rédeas do poder; outros partidos minúsculos também marcam presença.

O facto da fragmentação e polarização das paisagens políticas europeias obrigará os partidos a mudar a estratégia de conversações   em formações de governo mais complexas e, por outro lado, a um acentuar de identidades partidárias com a consequência de, em vez de dialogarem, rivalizarem; também isto significará uma mudança de atitude   na relação entre os tradicionais partidos formadores de governos na Europa central e norte e terá consequências a nível da EU na procura de consensos menos fáceis.

A acompanhar a greve do clima na paisagem juntou-se a greve das escolas a apoiá-lo, tentando assim irromper contra um cepticismo governamental ainda distanciado. O motor de arranque para a mudança sistémica da classe governante nos países europeus é movido pelas mudanças climáticas e pela imigração descontrolada e um certo desrespeito pela própria cultura.

A juventude, desta vez mais participativa, quer que o futuro lhe pertença, tendo emprestado, para isso, a sua voz aos partidos e movimentos verdes e não aos negociantes do hoje! A Europa encontra-se agora mais dividida entre os que puxam a corda em direcção ao futuro e os que a puxam em direcção ao passado. Um encontro de pausa para voltar ao meio seria o mais adequado.

A situação da EU não é boa e sofre de vários desalinhamentos e  exigorá paciência para a construção de coligações multipartidárias com novas plataformas de conversações na gestão da coisa pública; na consequência  teremos regimes políticos mais instáveis como tem acontecido com a Itália.  Isso tornar-se-á já visível nas discussões para a substituição de Jean-Claude Juncker na escolha do novo presidente da Comissão.

Numa sociedade cada vez mais diferenciada também se torna compreensível um certo desconsolo nos monopólios dos Media e o descontentamento na classe política estabelecida.  A velhice não perdoa e a juventude, se não é burra, aproveita-se.

Conclusão: uma loucura comum do globalismo económico avassalador, sem respeito pela natureza, movimenta o eleitorado de modo a substituir o partido social democrata pelo dos Verdes e a loucura de uma política de portas abertas irresponsável fomenta o chamado populismo de direita que instabiliza os centristas, como mostra o exemplo do AfD alemão.

Para cá dos Pireneus os eleitores hesitam ainda na vontade de mudar o sistema de partidos clássicos, mas os partidos defensores de programas verdes e ecológicos já se encontrem a iniciar os primeiros passos para pisar a arena pública; são ainda demasiado fracos mas o exemplo da Europa central encoraja-os. A variedade de partidos eleitos em Portugal já aponta para uma sociedade pronta a deixar de sonhar com maiorias absolutas.

© António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

  • (1) Resultados: CDU 28,9% (29 deputados), Verdes 20,5% (21), SPD 15,8% (16), AfD 11% (11), Die Linke 5,5% (5), FDP 5,4% (5), Die partei: 2,4% (2), Freie Wähler: 2,2% (2), Tierschutpartei:1,4% (1),ÖDP 1% (1), Piraten 0,7% (1), Familie 0,7% (1), Volt 0,7% (1). https://www.google.com/search?client=firefox-b-d&q=wahlen+ergebnisse
  • (2) Na França Le Pen consegue com 24,2% do eleitorado, mais votantes do que La République en Marche, do presidente da República (22,4%). Na Polónia os conservadores conseguem 42,2% enquanto a oposição conseguiu 39,1%. Na Grécia os conservadores ganham com 33,5% enquanto o chefe do governo Tsipras só consegue 25%. Na Úngria o partido de Viktor Orbán consegue 56%. Na Dinamarca vencem os sociais democratas com 22,2% e os populistas de direita descem para 11,8%.
  • (3) https://observador.pt/especiais/eleicoes-europeias-os-resultados-pais-a-pais/

POLÓNIA CONTRA IMIGRANTES? NÃO!

Muitas vezes, muitos dos seguidores do “politicamente correcto” acusam a Polónia de não aceitar imigrantes. A Polónia foi o país que mais imigrantes acolheu. Desde 2014 recebeu entre um milhão e milhão e meio de imigrantes da Ucrânia (cf. HNA). Isto num país com uma população de 37 milhões de habitantes. Os imigrantes ucranianos são refugiados da pobreza e de situações catastróficas no país. A Polónia é contra a imigração de muçulmanos e contra a imposição da EU nesse sentido.

A Polónia tem uma experiência histórica bastante negativa seja em relação a vizinhos europeus, seja a russos.

Na Polónia 30% dos alunos aprendem alemão, em 2017 eram 2,2 milhões; 1,5 milhões aprendiam russo e 1,4 milhões inglês.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

DAS CONQUISTAS GEOGRÁFICAS PARA AS CONQUISTAS IDEOLÓGICAS

Líder muçulmano exige ao Rei de Espanha que peça Perdão pela Reconquista

 

Por António Justo

O pior inimigo da Verdade é a ignorância, mas esta é, por outro lado, o melhor meio para fortalecer o poder e os poderosos.

Jihad, presidente da comunidade islâmica Mesquita Ishbilia, em Sevilha, escreveu a Filipe VI (26.03.2019) pedindo que peça perdão pela Reconquista iniciada há cerca de 1300 anos (em 718 e terminada em 1492 pelos Monarcas Católicos com a conquista de Granada ( a subordinação ou expulsão dos muçulmanos de Espanha depois de estes terem invadido e ocupado a Península Ibérica no sec. VIII).

O líder islâmico pedia, além disso, a concessão da nacionalidade espanhola para os muçulmanos descendentes dos expulsos, que hoje deveriam ser alguns milhões, com direito a voto (1). Muitos dirão que isto é impróprio de hóspedes atrevidos, outros que é fraqueza de hospedeiros acomodados e ainda outros dirão que a atitude é própria de uma cultura que ainda sabe o que quer! (A noticia não seria relevante se não manifestasse, de uma maneira geral, a atitude muçulmana em relação aos “infiéis”!)

Revisionismo revanchista nacional e internacional ao Serviço da Domesticação do Povo ocidental

Isto aconteceu alguns dias depois do presidente do México, López Obrador, ter enviado uma carta ao Rei de Espanha e ao Papa Francisco, pedindo-lhes que pedissem desculpa pelo que infringiram aos nativos no momento da conquista (2).

Tudo isto é certamente mais um ponto das agendas ideológicas a atuar através de várias ONGs ideológicas mundiais e que também fazem parte da implementação do pensamento politicamente correcto de uma Agenda internacional ideologicamente ultraprogressista.

Quanto à concessão de naturalização, em termos de oferta de nacionalidade, não se pode comparar os muçulmanos com os judeus, porque estes onde imigraram entraram pacificamente e integram-se nos países, não havendo, passadas gerações, a exigência de se formarem enclaves judaicos, ao contrário do que acontece com os muçulmanos que, quando atingem uma determinada percentagem na população de um país, exigem independência, como aconteceu p. ex. : Kosovo, Albânia, Índia-Paquistão, etc., e como acontece hoje em várias regiões do mundo.

Encontramo-nos numa época desorientada e, por isso, favorecedora do revisionismo revanchista nacional e internacional; quem mais alto levanta a voz mais direito tem, segundo a sabedoria popular, “quem não berra não mama”! A guerrilha da palavra, a desinformação e a criação do sentimento de culpa, são meios muito comuns para se moverem sentimentos reivindicativos de forma gratuita.

O grande benefício árabe em relação ao Ocidente, é o petrodólar e uma Agenda materialista internacional como aliada, na sua luta contra a cultura ocidental clássica, seguindo eles uma estratégia comum de, pouco a pouco, instalarem um ideário da demagogia e da ignorância até poderem implantar uma monocultura latifundiária (islão e comunismo) universal: indirectamente parece uma preparação para o predomínio de uma certa mundivisão ou maneira de estar asiática no mundo. Tudo isto é naturalmente legítimo porque o poder e a política não é dos que dormem e a História está sujeita a contínua mudança não podendo ser abarcada por uma vida humana mesmo longa de 100 anos. Muita gente, mais sensível na Europa sente-se preocupada com uma política só orientada pela economia na preocupação de tapar os buracos causados na população pela menor fecundidade europeia. Uma política de imigração desregulada provoca reações populares preocupantes e revela irresponsabilidade política.

Isto acontece porque uma elite fraca aceita dos reivindicadores imigrados direitos especiais. “O fraco rei faz fraca a forte gente” constatava Camões ao repassar a História de Portuga (2)! Devido à fraqueza das nossas elites, acomodadas e acobardadas em relação ao marxismo modernista que tomou, em grande parte, posse de grande parte do espaço social público, na era pós-guerra, a nossa história passa a não ter suporte e a decadência avança em Estados sem consciência nem defesa cultural.

Os árabes, ao contrário dos ocidentais, são unidos no bem e no mal pois consideram-se primeiramente como comunidade, como povo, a afirmar-se perante um Ocidente feito de comunidades rivais; fazem uso, para isso, da dupla estratégia do falar positivo sobre si e do calar sobre as próprias negatividades, enquanto os europeus, dentro da mesma sociedade, constroem a sua dominância na base do desdizer uns dos outros e do transformar a excepção em regra: é-se mais pelo partido, pela tribo, pelo grupo do que pelo todo; assim passa a não haver povo!  Os muçulmanos e os agentes da agenda marxista, atendendo aos seus objectivos de luta contra a tradição ocidental, não podem ser criticados pelo seu agir arguto; não se identificam com a civilização europeia e fazem por eles, apoiando-se uns aos outros, independentemente das pequenas diferenças que têm entre eles! Como seguem a matriz natural do poder, mais tarde virão a ter a razão que a história lhes dará: de facto, “dos vencidos não reza a História”.

Como os países da União Europeia se encontram divididos e agrupados em famílias de partidos já não é de tanto interesse, para eles, a acção partidária aferida aos interesses do país, mas sim às agendas das famílias partidárias europeias e universais (A ideologia passa a assumir o papel que, politicamente, antes tinham as confissões religiosas!). A ideologia também é subvencionada pelos correspondentes governos que criam certas cadeiras universitárias para assegurarem a propagação da “ciência” e da verdade sociológica (a verdade das estatísticas) como substracto e legitimação da própria ideologia. A ideologia subvencionada actua também nas universidades a nível global, através de agendas e iniciativas a realizarem-se ao mesmo tempo em todos os países de cunho ocidental. O poder de ONGs, por um lado necessário, chegará, com suas iniciativas e acções populares, a ameaçar os próprios Estados.

Antigamente faziam-se as conquistas através da Espada, agora na Europa os povos e as regiões já se encontram estabilizadas, pelo que a conquista a fazer-se passa a ser entre subculturas e com a palavra; os ideólogos actuam dentro da sociedade na luta contra costumes e instituições (em vez de inclusivamente ajudarem a renovar as existentes, seguem a tática marxista da luta) ; por outro lado, os países dos blocos (USA, Rússia, China e Europa) vão fazendo a guerra económica que se usa de guerrilhas e sublevações civis (uns a pretexto de valores democráticos e outros a pretexto de zonas de influência económica ou dos dois). A guerra que antigamente era militar e orientada pela conquista de terreno (conquistas geográficas) hoje é feita através da conquista do pensamento (conquistas ideológicas); daí, quem mais conquista os pensadores e os Média, mais determina o pensar e a vontade popular (a soberania controlada e dirigida)!

Pedir perdão

Quanto à exigência do pedir perdão torna-se uma questão complicada, pois: quem terá de pedir perdão a quem? Por outro lado, na História comandam os factos; a conversa sobre eles já pertenceria a um romantismo histórico ao serviço de grupos em despique que pretendem assumir o poder.

O   imã da mesquita, certamente, não pedirá desculpas ao povo espanhol pelas barbaridades que os maometanos fizeram na Espanha de 711 a 1492 (3)   nem pela pirataria que fizeram e amedrontou a Europa de tal modo, durante séculos, mesmo depois da sua expulsão e que criou nos europeus um sentimento de culpa que permite ao islão o sentimento de superioridade e a ideologias ascendentes aplainar os caminhos da decadência de uma grande civilização.

Se não fosse a desinformação e o não saber, todo o poder teria problemas de legitimação. Cada vez se encontram mais ventríloquos ideológicos desfazedores da história europeia porque notam que têm sucesso com as suas teses e exigências e encontram acólitos intelectuais que abusam de um moralismo egoísta como único meio de interpretar e fazer história (ocupam as mentes de oportunistas e de incautos, num ocidente fraco que perdeu o sentido da vida de um povo e o sentido da História). Têm, porém, razão porque esta é-lhes dada por um povo “inocente” e impreparado e quem está à frente encontra-se mais iluminado!

Como a asneira é contagiosa e agendas aliadas dos Soros e do petrodólar têm grande força nos governantes do ocidente, torna-se fácil o uso de armas ideológicas para a conquista do terreno real. “Os filhos das trevas são mais espertos do que os filhos da luz!” (Bíblia). Partem do princípio que a vida é resolução de problemas, por isso há que criá-los no sentido das suas oportunidades.

Como se sentem sistematicamente superiores (5) e acham natural a construção de mesquitas e a pregação do Islão àqueles a quem é proibida a construção de igrejas e a pregação do Cristianismo, não têm pejo em fazer exigências descabidas. Invadiram a Península Ibérica e agora já se sentem fortes a ponto de exigirem que o Ocidente lhes peça perdão (6)! Dado nas mesquitas não se diferenciar entre política e religião, estão conscientes da vantagem de sustentabilidade que estrategicamente têm. Esquecem, porém, que toda a ideia e toda a instituição que não sirva a pessoa estará com o tempo destinada a desaparecer.

Como João Paulo II, no ano 2000, numa atitude religiosa, pediu perdão geral pelos pecados históricos da Igreja, pensam que o pedir perdão iliba os outros da culpa e não implica um acto recíproco. Esquecem que teriam de pedir perdão por terem demolido a Basílica de San Vicente para construírem a Mesquita de Córdoba. Teriam de pedir perdão por terem destruído o reino visigótico e cultura romana ao invadirem a Hispânia no século VIII d.C. e sujeitarem todos os cristãos a vassalagem vergonhosa e a terem de pagar impostos especiais aos “ocupantes” durante quase oito séculos. Porque não pedem perdão por terem arrasado o que restava do cristianismo do Norte de Africa depois da passagem dos vândalos? Porque não pedem perdão pelas conquistas muçulmanas na terra Santa, Constantinopla e outros territórios outrora cristãos. Tudo isto não passa de areia levantada ao ar para melhor levarem o seu projecto adiante.

Os extremismos políticos e religiosos têm assento num espírito perturbado que liga o Homem ao tempo da pedra. Nas ruínas da humanidade é de encontrar as sombras da parte má do Homem que encontra guarida nas cavernas de toda a pessoa!

A história é dura e dá sempre razão aos vencedores; num ocidente decadente, a sua história de outrora é unilateralmente condenada pelos que querem ser os vencedores de hoje (Só falam dos podres da Igreja, de cruzadas e outras barbaridades descontextuadas como se as maldades do passado pudessem encobrir as do presente. Num tempo em que não querem que se saiba quem é quem, os aliados na luta sabem que esta é a sua hora num tempo em que a democracia não tem fundamentos de identidade capazes de unir os partidos na defesa do povo e da sua cultura para melhor procederem a uma inclusão respeitadora de uns e de outros; parece corremos o perigo de nos encontramos num momento histórico de regresso ao tribalismo. Um espírito crítico, mas acolhedor e sabedor de que o outro ou o adversário também é irmão, pode ajudar-nos ao encontro, no sentido de juntos se elevar a esperança de uma convivência fraterna.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

 

O MELHOR PROFESSOR DO MUNDO EM 2019

Exemplo de Inclusão pedagógica

António Justo

Global Teacher Award (1) premiou o pedagogo Peter Tabichi, do Quénia, com um milhão de dólares. Ele foi considerado o melhor entre os 10.000 professores nomeados de 179 países.

O monge pedagogo ensinava 58 alunos numa escola de uma aldeia Queniana e dá 80% do seu ordenado para os alunos mais pobres; deles, um terço são órfãos ou só têm pai ou mãe. A vida de seus alunos era muitas vezes caracterizada pelo abuso de drogas, gravidez na adolescência, desistências escolares e suicídios.

Naquela escola só havia um computador e uma ligação de internet, que nem sempre funcionava. Apesar disso o padre fundou um clube de computador. Criou também um clube de talentos tendo com eles ganhado um prémio da Academia Real para Química; além disso dirige um grupo pela paz onde se encontram representadas as 7 tribos da região.

Peter Tabichi (1) “e quatro colegas também dão aulas particulares de Matemática e Ciências a alunos com fraco aproveitamento, fora da sala de aula e nos fins-de-semana, onde Peter visita as casas dos alunos e encontra as suas famílias para identificar os desafios que enfrentam.  Ao fazer seus alunos acreditarem em si mesmos, Peter melhorou dramaticamente o desempenho e a autoestima de seus alunos. As matrículas dobraram para 400 em três anos, e os casos de indisciplina caíram de 30 por semana para apenas três. Em 2017, apenas 16 dos 59 alunos foram para a faculdade, enquanto em 2018, 26 alunos foram para a universidade e para a faculdade. O desempenho das meninas, em particular, foi impulsionado, com as meninas liderando agora os meninos em todos os quatro testes estabelecidos no ano passado”.

O melhor caminho para sair da pobreza é a formação. Esta foi a missão que muitos padres e missionários levaram a terras por onde passavam e passam: um bem à humanidade de que ninguém fala (Tenho colegas que admiro porque trabalham em países da lusofonia (3), oferecendo a sua vida e seu usufruto às populações com o mesmo espírito deste monge). Peter Tabichi considera o sucesso de seus alunos como seu estímulo pessoal; confessa: “ver como meus alunos adquirem conhecimento, habilidades e confiança é minha maior alegria. Quando eles se tornam criativos e produtivos na sociedade, isso também me leva a uma grande satisfação”. Faz lembrar a pedagogia salesiana de Dom Bosco.

O Presidente da República de Quénia, Uhuru Kkenyatta, elogiou o empenho do monge franciscano e disse: “Peter, sua história é a história da África, um jovem continente cheio de talento”.

O sacerdote, no seu discurso de agradecimento, prognosticou: “A África produzirá cientistas, engenheiros e empresários cujos nomes serão um dia famosos em todas as partes do mundo. E as raparigas serão uma grande parte da história.”

O padre acrescentou humildemente que só estava ali devido aos seus alunos.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo,

COMBATENTES  DO ESTADO ISLÂMICO PERDEM A CIDADANIA ALEMÃ

Retornados do EI um Perigo para as Sociedades acolhedoras

António Justo

O Governo alemão decidiu (3.04.2019) que os jihadistas combatentes de maioridade e com dupla nacionalidade, que voltam da guerra muçulmana, perderão a nacionalidade alemã (1) .

Como argumentação para a lei diz-se que ao participarem em operações de combate numa milícia terrorista no estrangeiro, demonstraram com isso ter virado as costas à Alemanha e à sua orientação de valores.

Em 2013 foram da Alemanha para a região do Estado Islâmico (EI) 1.050 islamistas. Destes já se encontra um terço deles na Alemanha e 200 dos 1.050 morreram lá em combates. Entretanto as autoridades alemãs já trouxeram para a Alemanha várias crianças dos combatentes que lá se encontram presos.

Os governos têm atuado de forma negligente para com o povo porque já desde 2003 foi fundado o Estado Islâmico e só agora se reage; além disso foi permitida a campanha de distribuição do Corão pelos simpatizantes do EI (Salafistas) nas zonas pedonais alemãs em 2011.

A justiça alemã vê-se quase na impossibilidade de julgar os retornados da guerra dado todos negarem em tribunal terem participado em combates e não ser fácil provar crimes.

Os Estados europeus têm, por vezes, seguido uma política de autonegação, até ao possibilitar a criação de lugares de refúgio para os inimigos desta sociedade e da sua Constituição. A sociedade alemã deve muito aos seus serviços secretos e à sua polícia que tem evitado atentados. Muitos dos retornados estão fanatizados e indoutrinados de tal modo que continuam a ser um perigo para a sociedade acolhedora. O Estado com o legítimo argumento da defesa dos cidadãos cada vez restringe mais os seus direitos e legitima o seu controlo.

Pelo que pude observar ao longo de muitos anos e até como tradutor em questões de asilo em tribunal, pude verificar que a Alemanha é um país muito tolerante em relação aos refugiados e especialmente aos muçulmanos.

Devido aos complexos da guerra e a programas culturais públicos de educação do povo, conseguiu-se na Alemanha um espírito muito aberto em relação aos estrangeiros refugiados. Quanto à demasiada compreensão pelos Guetos muçulmanos talvez isso se deva também devido a um certo espírito germânico de que quando se instala num país forma os seus agrupamentos nacionais.

Na Alemanha as organizações muçulmanas têm muito poder e muitos muçulmanos encontram-se integrados como deputados em quase todos os partidos. Os salafistas, grupo muçulmano que apoia o terrorismo, encontra-se muito espalhado na Alemanha.

A Alemanha tem de ter um serviço secreto e policial forte atendendo à liberdade que socialmente permite. De facto,  se na Alemanha houvesse mais ataques muçulmanos do que os que tem havido, a população poderia reagir e fortalecer grupos anti-islâmicos. Também por isso a criminalidade acentuada é um pouco embrulhada na opinião pública com outras considerações que a tornam menos agressiva.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo,

(1) O governo chegou finalmente a acordo: “Os jihadistas com dupla nacionalidade podem ser privados dos seus passaportes alemães sob certas condições. O acordo da Grande Coligação foi alvo de muitas críticas – mesmo no seio das suas próprias fileiras”: https://www.tagesschau.de/inland/passentzug-terrorkaempfer-103.html?fbclid=IwAR2qOJb5kETeI8AEHbITj-L38TceqcMjPYi62i4IYhXDqyfQ0f5wc2f1rXQ O Ministro Federal da Justiça Barley anunciou uma lei rápida para retirar os passaportes dos combatentes IS alemães. Dobrindt, líder do grupo estadual da CSU, havia acusado o Ministério da Justiça de atrasar o projeto. https://www.br.de/nachrichten/deutschland-welt/barley-is-kaempfer,RJZq76G . O governo federal concorda em tirar a cidadania para os combatentes do IS com cidadania dupla! https://www.br.de/nachrichten/deutschland-welt/bundesregierung-beim-passentzug-fuer-is-kaempfer-einig,RJfzHYa

 

Tagesschau: https://www.tagesschau.de/thema/is-r%C3%BCckkehrer/