Diálogo inter-religioso e intercultural – Um Desafio adiado?

Será que o Islão é agressivo?

António Justo

 

O incremento do diálogo inter-religioso e intercultural, necessário para assegurar a paz e a boa convivência entre os diferentes grupos, é contrariado por uma praxis agressiva que se dá em nome da ideologia e da religião. Actualmente, a religião mais perseguida é a cristã com um número de vítimas superior a 105.000 em 2012, segundo regista o “Observatório da Liberdade Religiosa”. A grande maioria das vítimas regista-se nos países islâmicos e comunistas. Um outro aspecto muito dificultador do diálogo intercultural é o facto de os grupos islâmicos imigrados se isolarem e exigirem para os seus grupos direitos que não reconhecem aos outros nos seus países. Isso é sentido por muitos cidadãos europeus como uma atitude não transparente numa tática de conquista suave. A Noruega já proibiu a Arábia Saudita de financiar mesquitas enquanto não permitirem a construção de igrejas no seu país. O ministro dos negócios estrangeiros norueguês Jonas Gahr Stor defende a reciprocidade de relações entre países e culturas e já anunciou que a “Noruega levará este assunto ao Conselho da Europa”.

 

Cada cultura nasceu duma religiosidade que se expressa num conteúdo de fé à volta do qual construiu a correspondente identidade. Assim se foram formando identidades contra identidades: umas mais guerreiras, outras mais pacíficas. Sob a capa da luta religiosa escondem-se tendências hegemónicas que em nome da religiosidade afirmam constructos de poder dominadores da pessoa e doutros grupos. O islão é hoje, com o sistema político chinês, o sistema com mais potencialidades de expansão e “conquista”, porque não permitem a formação de consciências complementares.

 

Experiência acrescida

O escritor Martin Walser, ao falar de religião, diz: “Religião é uma maneira de expressão como literatura, pintura, música…, fé é uma capacidade, um talento”. Religião é também uma experiência humana enriquecedora que fomenta a vida interior e alarga o horizonte humano ao procurar o desconhecido. A experiência da fé é pura e única, acontece para lá dos credos, das imagens, dos dogmas, dos mitos e das culturas. Estas deveriam preparar o caminho para a vivência do inefável na vivência da paz universal. O brilho não vem da capacidade lógica mas do talento da fé (vivência) amorosa, ao contrário dos poderes que se aproveitam daquela ânsia genuína humana.

 

Só temos uma terra com muitos sistemas ecológicos naturais/culturais e com grande diversidade. A diferença é uma constante num mundo feito de retalhos complementares. Se se pretende a paz verdadeira, a afirmação da identidade pela diferença não pode deixar de reconhecer o seu caracter subsidiário em relação ao todo.

 

Iniciativa histórica

Uma iniciativa histórica em prol do diálogo inter-religioso foi a criação da “Jornada Mundial de Oração pela Paz” em 1986 (em Assis, Itália), por iniciativa do papa João Paulo II, onde cristãos, judeus, budistas, muçulmanos e representantes de religiões africanas e americanas se reuniram para rezar pela paz mundial. Joao Paulo II queria iniciar assim uma “viagem fraterna” dos diferentes caminhos das religiões na procura da Verdade. Isto pressupõe o diálogo inter-religioso como caminho das religiões no sentido de afirmar a dignidade do Homem e da natureza, onde todos se empenham em minorar as causas do sofrimento de pessoas e grupos e onde verdades coexistem de modo a possibilitar a probabilidade que leva ao desenvolvimento.

 

Para se falar dum diálogo inter-religioso que honre o seu nome teria de se pressupor que cada um dos parceiros reconhecesse a liberdade religiosa e respeitasse a decisão individual. O Vaticano II reconheceu esse direito mas as elites do islão não o reconhecem, tropeando assim qualquer forma de diálogo. Aposta no querer ter razão, substituindo assim a experiência interior (fé) por um sonho intelectual, por uma estratégia de dividir para dominar. Os muçulmanos que vivem no ocidente, talvez, num dia distante, provoquem uma espécie de concílio islâmico que o torne compatível com outras culturas.

 

Direitos humanos em conflito com direitos culturais

Na sociedade ocidental domina o primado do direito (direitos do Homem) e da democracia enquanto nas sociedades de influência árabe domina o primado da religião e do grupo. Enquanto o Ocidente educa o cidadão para o respeito dos direitos individuais, as elites muçulmanas empenham-se na afirmação dos seus valores culturais religiosos à custa dos direitos pessoais; partem também duma posição dogmática que não reconhece à sociedade permissiva o direito de exigir contrapartidas na práxis. Muitas vezes, lutam pela imposição e reconhecimento legal dos seus costumes (direitos culturais contra direitos individuais) sem se preocuparem com o espírito base das leis dos países de acolhimento. O próprio direito europeu e direitos nacionais europeus já têm sofrido retrocesso chegando a consignar valores culturais como superiores ao valor da pessoa humana: prática da circuncisão (RFA), imposição das leis da sharia em questões de divórcio (Inglaterra), imposição de ementas próprias em instituições públicas, isenção de aulas de biologia e de ginástica para mulheres, etc.

 

Uma minoria hermeticamente fechada e uma maioria indiferente

É notória a falta de cooperação entre os grupos minoritários e o grupo maioritário. Praticamente este só cede, sem contrapartidas. Da parte da sociedade acolhedora (cristã) observa-se uma atitude que vai da tolerância à indiferença. A parte maometana permanece dogmática. Quem se julga na posse da verdade não está disposto a procura-la. Não há disponibilidade enquanto dominar a doutrina declarada dum Islão autossuficiente, hegemónico, totalizante e intolerante. As comunidades maometanas encontram-se demasiadamente preocupadas na sua afirmação como grupo para poderem reconhecer os outros bem como a diversidade de necessidades individuais dos próprios membros. Não comportam lugar para a diferença. Por isso os países muçulmanos oprimem e discriminam quem não professar a sua fé porque consideram a opinião diferente como um atentado a uma ideologia que quer tudo igual. Talvez vejam na religião muçulmana o potencial de poder a contrapor ao imperialismo económico. Respondem a um imperialismo com outro imperialismo; um abusa dos cidadãos (democracia), o outro abusa da crença.

 

Cada cultura faz a sua interpretação do mundo, do homem e da sociedade com diferentes metáforas. Cada religião tem a sua maneira de equacionar e enroupar o misterioso transcendente. Este não pode ser exclusivo dum biótopo religioso nem duma experiência cultural antropológica ou sociológica. Cada pessoa, cada biótopo natural/religioso tem algo de diferente que o vizinho não tem. Para se reconhecer a diferença é necessário depor-se as armas do combate e da conquista para se permitir o crescimento espiritual no próprio biótopo religioso.

 

No reino da ecologia os biótopos, as realidades/verdades encontram-se, umas ao lado das outras, sem a necessidade de se negarem. Também deveria ser lógico e natural que num ‘biótopo’ cultural muçulmano fosse possível a coexistência, sem perseguição nem discriminação de outras religiões e vice-versa. Também deveria ser natural que cada religião se sentisse, intra muros, como a melhor sem necessidade de negar as outras.

 

A não existência de acordos bilaterais suborna a cultura ocidental

Na Europa, a discussão intercultural e inter-religiosa é orientada apenas para o folclore religioso cristão, judeu, hindu e muçulmano sem que se expresse algo das suas filosofias, antropologias, sociologias e teologias. Assistimos a abordagens superficiais em curto-circuito ou com afirmações e negações reducionistas à medida do politicamente correcto. Os governos e a sociedade laica não estão interessados numa discussão pública objectiva porque, a fazê-lo, o seu actuar seria questionado pelos interesses democráticos da sociedade acolhedora. Nos conflitos específicos maometanos com a sociedade maioritária, o politicamente correcto está interessado em reconhecer neles apenas questões de religiosidade individual. Reina o interesse, o medo. Também a Igreja não pode falar claro porque se o fizesse logo os cristãos que vivem em estados muçulmanos seriam objecto de maior discriminação e perseguição.

 

Por várias razões, o Estado laico não se tem preocupado com o diálogo intercultural internacional nem em estabelecer acordos bilaterais a nível de direitos de religião. Com o tempo, devido à presença massiva muçulmana, os estados europeus ver-se-ão na necessidade de reconhecer valor ao diálogo inter-religioso, tendo de o colocar na agenda das convenções internacionais.

 

A sociedade civil, ao não exigir bilateralidade na concessão de direitos religiosos, está a subornar a cultura ocidental e a contribuir para um futuro muito problemático. Enquanto o mundo cristão se empenha em propagar a tolerância possibilitando o exercício livre do islão e a construção de mesquitas na Europa, os estados muçulmanos como a Arábia Saudita, a Turquia e os países muçulmanos em geral, proíbem a construção de igrejas, sinagogas e escolas nos seus países, e, por outro lado, financiam a promoção do islão e a construção de mesquitas no estrangeiro. A tolerância religiosa ocidental é por vezes interpretada pelos que se aproveitam dela como sinal de fraqueza e como reconhecimento da superioridade do islão. Não compreendem que um grupo com convicção de verdade religiosa possa aceitar o outro.Em termos de poder e de estratégia, a atitude hegemónica muçulmana tem-se revelado como óptima para a sua ofensiva. Os estados europeus, ao considerarem a religião subjacente à própria cultura como coisa privada, e ao reconhecerem, por outro lado, o islão, como expressão religiosa, política e social desestabilizam o Estado laico e ao mesmo tempo reduzem a posição da maioria cultural e cristã ocidental ao nível duma minoria.

 

Aquela tolerância que parecia haver na Europa entre crentes, agnósticos e ateus tornar-se-á cada vez mais frágil atendendo à afirmação dum islão rígido, resistente à integração, que tende a qualificar e legitimar os cidadãos na categoria de crentes e de ímpios. Na Post-democracia a sociedade dá indícios de querer orientar-se já não por princípios de democracia partidária mas, paulatinamente, possibilitar a representação do poder estatal por grupos étnico-religiosos. A sociedade cede assim a sua concepção duma sociedade construída na base de valores e direitos humanos (filosofia cristã) a uma sociedade construída na base de valores e direitos não individuais mas culturais (filosofia islâmica).

 

Caminho difícil

O diálogo com o islão torna-se muito complicado porque este se definiu e define sobretudo na demarcação em relação ao judaísmo e ao cristianismo. Uma hipótese de diálogo estaria no caracter ambivalente (confuso) em que suras (versículos) do Corão se contradizem. A sua ambiguidade poderia possibilitar uma interpretação que acentue as suras do Corão benévolas em relação ao judaísmo e ao cristianismo. De facto, no Corão há as suras provenientes da primeira fase (Meca) em que Maomé era benévolo em relação ao cristianismo e ao judaísmo e as suras posteriores (de Medina) que são aguerridas contra o Cristianismo e o judaísmo. Nas mesquitas, os imames orientam-se por estas últimas. Por outro lado o islão só reconhece os crentes de Alá, não conhecendo a ideia do amor ao próximo como no caso do cristianismo e do judaísmo. Também por isso nunca se ouve uma autoridade islâmica criticar publicamente os terroristas islâmicos. Dado a ambivalência facilitar também a arbitrariedade, seria porém fácil demostrar aos fundamentalistas islâmicos que o seu fundamentalismo é relativizado pelo mesmo Corão, doutro modo teriam de aceitar que Deus muda de ideia na passagem da fase do Corão em que Maomé vivia em Meca para a outra fase em que passou a viver em Medina.

 

O diálogo entre islão e cristianismo é difícil de tratar, atendendo às diferentes abordagens e perspectivas com que pode ser exposto e aos interesses a elas implícitas e às diferentes sociologias e antropologias subjacentes a cada cultura. Um outro factor dificultador do diálogo vem da estratégia humana de argumentação, uma argumentação para ter razão, e que para defender uma posição como verdadeira tende a declarar a outra como falsa. Este extremismo tem sido acentuado especialmente a partir do iluminismo sob o manto do espírito crítico e cientista.

 

A discussão hodierna entre judeus, cristãos e muçulmanos procura partir dos pontos que os une. O Vaticano II afirma mesmo que os muçulmanos acreditam no mesmo Deus que judeus e cristãos. Isto embora entre as concepções de Deus haja diferenças enormes.

 

Uma exegese islâmica, que desse prioridade às suras do Corão da sua primeira fase, em que Alá era benigno, possibilitaria um diálogo autêntico.

 

O diálogo entre cristãos e judeus torna-se mais fácil. As diferenças não provocam conflitos na convivência social, dado a súmula do Antigo e do Novo Testamento se resumirem na mesma premissa “Ama a Deus e ao próximo como a ti mesmo”. No Cristianismo, como no judaísmo, o caminho de Deus passa pelo próximo e o próximo é o outro, o diferente. O caminho do Homem passa por Deus no próximo e no mundo. Na prática o resumo da Bíblia é “não faças aos outros o que não queres que te façam a ti”. Deus é o mesmo, o resto tradição.

 

António da Cunha Duarte Justo

Teólogo e Pedagogo

antoniocunhajusto@gmail.com

www.antonio-justo.eu

 

Islão – Um Desafio à Cultura ocidental e à Religião

Diálogo – Uma Estrada de Sentido único

 

António Justo

 

A forte emigração muçulmana para a Europa, as maiores taxas de natalidade dos muçulmanos e as condições do casamento de muçulmanos com mulheres doutras religiões são factores que conduzem a um grande avanço do Islão. A expansão, que não pode fazer através das armas, consegue-a através da procriação, da discriminação de minorias nos próprios países, da política de gueto no exterior, de leis de casamento e da severidade da religião. Por outro lado, a política ocidental aceita, sem contrapartidas, a sua autoafirmação dentro dos próprios Estados pelo facto da religião islâmica fazer parte do poder político e estatal dos países muçulmanos e também devido à dependência dos Estados ocidentais do petróleo árabe, e à possibilidade de investimento neles.

 

A linguagem das Estatísticas

Um estudo realizado nos finais de 2011 e publicado pelo US- Pew Research Center e seu foro Religion & Public Life, sobre o futuro global dos muçulmanos nos próximos 20 anos, revela que a população mundial muçulmana aumentará de 35%, isto é, passará de 1,6 mil milhões para 2,2 mil milhões. Nos países muçulmanos com menor formação escolar das mulheres, cada mulher dá à luz, em média, 5 filhos, enquanto nos países muçulmanos com maior formação escolar, a média por muçulmana é de 2,3 crianças.

 

O estudo prevê para a Europa de 2030 um aumento de, actualmente, 44,1 milhões de muçulmanos para 58,2 milhões; nos USA de 2,6 milhões para 6,2 milhões. Nas nações europeias, os muçulmanos sofrerão grande aumento: na Inglaterra passarão de 2.869.000 para 5.567.000; na Bélgica de 638.000 para 1.149.000; na Alemanha de 4.119.000 para 5.545.000; na França de 4.704.000 para 6.860.000; os Países Baixos também aumentarão de 914.000 em 2010 para 1.365.000 em 2030.

 

Mundivisões diferentes

O que está em questão entre a sociedade ocidental e a sociedade islâmica é o encontro de duas concepções de Deus-Homem-Sociedade totalmente diferentes e secundadas por práticas e estratégias contrárias de auto-afirmação. A sociedade islâmica caracteriza-se pela autoafirmação pela defensiva cultural (monocultura) pela acentuação do grupo e a sociedade ocidental (cristã) afirma-se pela abertura (interculturalismo), pela acentuação do indivíduo.

 

Assim não se proporciona um diálogo intelectual sério entre maometanos e o ocidente. A política está interessada numa opinião pública de nivelamento das religiões; não está interessada em diferenciações que tornem inquietas as maiorias. Sem discussão, a sociedade acolhedora vai cedendo às exigências dos guetos muçulmanos, procurando, por outro lado, fomentar oportunidades da sua integração indirecta através de aulas de religião islâmica nas escolas e através da criação de cursos da religião maometana (“Centros islâmicos”) nas universidades. Estes esforços dão-se na espectativa de fomentar entre os muçulmanos o espírito científico e o diálogo interdisciplinar, no intuito de levar os muçulmanos a fomentar o espírito académico teológico na sua discussão interna e a não se limitar ao âmbito moral (leis) e de costumes.

 

Na Alemanha há 900 mesquitas com os seus Imames (orientadores religiosos) normalmente, enviados pela Turquia em sistema rotativo; estes têm, geralmente, pouca formação geral, o que se tem revelado como um dos factores fomentadores do espírito de gueto.

 

Cerca de 70% dos muçulmanos alemães são sunitas; os alevitas (mais democráticos) são 12%,  os xiitas 7%  e os Ahmadiyya 1,7%. Dentro da comunidade maometana há também a pequena minoria dos salafistas – grupo extremamente radical – muitas vezes envolvidos em ataques à sociedade não islâmica.

 

Entre maometanos alemães, levantam-se vozes raras, como a da deputada Lale Akgün, que considera a crescente “islamização desastrosa para muitas áreas da vida em que a religião não tem lugar”.

 

De facto, esta civilização que não conheceu o renascimento não aceita uma sociedade laica a rivalizar com ela e para quem o ser humano é concebido apenas em parâmetros culturais religiosos (homo religiosus). A propaganda contra os judeus tem aumentado substancialmente entre os imigrantes turcos bem como na etnia árabe e norte-africana. 90% da imigração para a Europa, desde os anos 90,  é muçulmana.  O fomento político desta imigração foi considerado como um erro por Helmut Schmidt, antigo chanceler alemão.

 

A estratégia muçulmana de auto-afirmação pelo gueto e a negação do modernismo em contraposição com o relativismo de valores ocidentais tem-se revelado vantajosa para a afirmação da religião muçulmana. Na França há mais de 1.000 mesquitas. No sul da França, já há mais mesquitas do que igrejas.

 

O diálogo intercultural urge e não pode continuar tabu

O tema da imigração muçulmana tem sido considerado tabu pela maioria dos intelectuais europeus e dos políticos. Não se dá uma discussão séria entre a cultura árabe e a cultura ocidental devido aos interesses das elites económicas, políticas e ideológicas. Nunca é tematizado o caracter da relação totalitária da religião a nível concepcional, social e humano.

Qualquer análise mais crítica relativamente ao islão e às atitudes dos imigrados islâmicos é abafada de início com o carimbo de islamofobia e de extremismo. Do islão ou se fala bem ou não se fala. O ditado do politicamente correcto da informação conduz a uma verdadeira desinformação e as pessoas, mesmo no convívio privado têm medo de se expressarem sobre o assunto. Devido à grande quantidade de muçulmanos os políticos estão interessados neles como votantes, com as consequências que daí derivam. É verdade que uma discussão aberta poderia, por um lado, ajudar os imigrantes maometanos a compreender melhor os parâmetros por que se orienta a sociedade civil ocidental, mas por outro criaria inquietação na sociedade acolhedora, correndo o perigo de se fomentar a xenofobia.

 

O comportamento exigente das comunidades islâmicas e a sua política de gueto na sociedade europeia aberta, que lhes permite liberdade total, fomenta muitos medos nos povos ocidentais.

Na discussão pública alemã procura-se branquear a praxis agressiva islâmica actual com argumentos de tolerância islâmica em eras passadas e sente-se a necessidade de enxovalhar o cristianismo de hoje com argumentos desfavoráveis do passado (cruzadas, inquisição, etc.) na esperança de que o maometanismo também se mude. Um irracionalismo de último grau ao denegrir-se o cristianismo portador no seu seio dos valore individuais e da democracia. A hipersensibilidade muçulmana com as suas reacções públicas imediatas, atemoriza os políticos e muitos membros da sociedade contribui assim para uma hipocrisia nas relações. A opinião publicada e o politicamente correcto paralisam qualquer opinião crítica em relação às comunidades islâmicas e ao islão.

 

O desenvolvimento da economia ocidental criou a necessidade de mão-de-obra; nesse sentido, os políticos abriram as portas à imigração contando apenas com mão-de-obra mas, depois de algum tempo, depararam com pessoas que traziam com elas, como é natural, os seus costumes. Quando os políticos se viram confrontados pela afirmação de costumes e éticas culturais questionadores da harmonia social meteram a cabeça na areia, tal como faz a avestruz, quando se encontra em perigo. Agora a política (União Europeia) aceita as crenças sem contar que com elas vêm as religiões e os conflitos interculturais. O direito à imigração é um direito inalienável; o que se precisa é responsabilidade e respeito pela dignidade humana da parte dos acolhedores e dos acolhidos.

 

Dificuldades no Diálogo inter-religioso e intercultural

Na Europa, a religião encontra-se enquadrada por um pano de fundo de tendência liberal capitalista e socialista; estas são orientações aparentemente contraditórias, mas complementares na instrumentalização da pessoa e do seu modo de sentir e viver. O que conta é a matéria e o produto que se faz dela. Uma filosofia relativista suporte, justifica o consequente individualismo consumista e a massificação duma sociedade, cada vez mais incapaz de distinguir e analisar.

 

Neste panorama, o cristianismo, fundamento da civilização ocidental, encontra-se de retirada. É sentido como demasiado complicado e exigente para uma sociedade que se quer consumista e proletária. Vão-se sucedendo ondas da moda a nível de ideias e de consumo, numa espiral de desresponsabilização individual e institucional.

 

Assim, na Europa dos anos 70 esteve em moda o induísmo que ainda acreditava em Deus. Depois seguiu-se-lhe a onda ateísta com o budismo. O Budismo (novo budismo), como é percebido e espalhado no Ocidente, vem mais de encontro às necessidades de pessoas que se satisfazem com um budismo de tipo coquetel espiritual à la carte, virado para o momento do agora e aqui. Procura-se o prático e o útil. Não se trata de crer mas de experimentar. As pessoas sentem-se bem num budismo que junta o útil ao agradável, ensinando técnicas de vivências pessoais e criando espaços para se descansar dum pensar esforçado e duma vida estressada.

 

Muitos ocidentais aprendem a aprofundar-se no cristianismo através do desvio do budismo. Um cristianismo, por vezes demasiadamente intelectual e fixado no além recebe assim uma rectificação intuitiva.

 

Um outro desafio, não só à religião cristã mas à cultura ocidental em geral constitui o aumento crescente e militante do islão que com uma doutrina simples (subjugação) e uma ética fácil se vai espalhando na Europa.

 

Duas concepções de Homem e sociedade diferentes têm a oportunidade de se encontrarem na responsabilidade e respeito pela dignidade humana. Para isso o politicamente correcto não deve adiar uma discussão séria que ajudaria acolhedores e acolhidos a melhor compreender os parâmetros por que se orienta a sociedade árabe e a sociedade ocidental e ambos trabalharem no sentido de um progresso comum.

 

António da Cunha Duarte Justo

antoniocunhajusto@gmail.com

www.antonio-justo.eu

 

Razões da Crise dos Estados na União Europeia

A Queda do Socialismo favoreceu a Degradação social ocidental (2)

António Justo

Com a queda do socialismo real da União Soviética, a Europa deixa de viver mortificada, na sua sombra. Com o passo da reunificação da Alemanha, a EU pretende ser uma grande potência, ao lado dos USA. Para isso, cria a Zona Euro, com uma moeda comum capaz de enfrentar o Dólar. O Euro torna-se num desafio ao Dólar e a quem ganha com ele.

A União Europeia quis a Concorrência e a Alemanha tomou-a a Sério

No ano 2000 os chefes do governo da União Europeia optaram, em Lisboa, por uma agenda de reformas tendente a fazer da Europa a “região mais competitiva do mundo com uma economia baseada na dinâmica do conhecimento”, até 2010.

O governo alemão do chanceler Gerhard Schröder (2003 a 2005) tomou a sério a decisão de Lisboa e elaborou a Agenda 2010 iniciando a “Reforma do Estado social alemão e do mercado de trabalho”. A Alemanha, com o pretexto de melhorar “as condições para um maior crescimento e mais empregos” e de querer “transformar o Estado social e renová-lo”, sob a coligação de esquerda SPD/VERDES, conseguiu envolver na Agenda 2010 as diferentes forças sociais da nação e impô-la ao operariado. Com esta agenda os trabalhadores perderam muitos dos direitos anteriores e iniciou-se um verdadeiro ataque à economia social de mercado.

Muitos benefícios foram excluídos do catálogo da segurança social. As contribuições previdenciárias para a reforma foram elevadas para 19,5% do salário bruto. Na reforma da segurança social em vez de ser combatido o desemprego passa a ser castigado o desempregado. A economia começou a florescer mas os salários não sofreram os aumentos adequados; por todo o lado a sociedade alemã sofreu cortes nas condições de bem-estar. Mesmo assim o nível social dos alemães manteve-se devido à política de manter os bens de consumo baratos e a uma exportação capaz de competição. Esta política colocou a Alemanha numa posição de relevo em relação a toda a Europa. As nações fortes da Zona Euro ao não aplicarem atempadamente um programa semelhante à Agenda 2010 cada vez se desestabilizam mais, vendo a Alemanha passar-lhes à frente.

Os trabalhadores alemães, que tinham suportado a renúncia a aumentos reais durante os últimos 12 não vêem com bons olhos economias menos coerentes sem tanta disciplinação; além disso não compreendem o desperdício de capitais da EU aplicados em sectores não produtivos das zonas da periferia. Acham atrevida a política duma Irlanda que por um lado recebe apoios financeiros da EU e por outro lado levanta poucos impostos às empresas o que leva empresários alemães a sediar-se lá para não pagarem tantos impostos.

O Estado paternalista questiona-se

Com o início da política de globalização, os Estados fortes reduziram os impostos dos ricos para estes se fortalecerem e afirmarem contra firmas concorrentes estrangeiras. Passou-se a não apostar no trabalho dos operários mas no capital. Este é investido onde há maior número de consumidores e onde os ordenados dos trabalhadores são mais baixos. Por seu lado, o Estado socializa a pobreza, favorece as condições de investimento às elites do capital oferecendo-lhe terrenos e uma camada social precária disponível com leis favorecedoras dos despedimentos. Favorece-se a riqueza anónima produzida por acções (dinheiro) e renuncia-se à capacidade de criar riqueza fruto da economia real. A classe média é oprimida com exagerados impostos; o trabalhador é obrigado a renunciar a bens sociais adquiridos e a aceitar novas contribuições. Por outro lado os Estados perdem muitos dos capitalistas que geraram porque muitos destes para não pagarem impostos radicam-se em paraísos fiscais como o Dubai, mandam fazer os produtos na China e comercializam-nos na Europa. O Estado abdicou perante o capitalismo neoliberal.

 

As Oligarquias do Capital agem e os Estados adaptam-se

As oligarquias económicas e ideológicas (à semelhança das famílias nobres de outrora) instalam-se nos lugares estratégicos das instituições da EU e estabelecem redes coerentes de influências a nível de governos, bancos, partidos, administrações etc. Conseguem subjugar os Estados através da corrupção solidária de seus responsáveis; conseguem impor-se nas universidades através do acordo de Bolonha, instrumentalizando os seus professores e disciplinando os estudantes; conseguem impor o neoliberalismo económico e consequentemente desautorizar os sindicatos que vêem os seus sócios cada vez mais reduzidos, devido à diminuição de empregos seguros (reestruturação das empresas) e à concorrência do operariado entre si; conseguem ainda fomentar a agressão contra instituições morais como a Igreja para melhor conseguirem impor uma moral rasteira acrítica, ao nível das necessidades primárias utilitárias. Estabelece-se uma oligarquia corrupta e solidária por toda a EU com o seu “quartel geral” em Bruxelas. Esta consegue cedências de soberania das nações (Estados) que o povo ainda não outorgaria. Também por isso Bruxelas não estava interessada no controlo dos empréstimos que fazia. A crise financeira de 2008 acordou a EU dum grande sonho.

Os países da periferia tinham-se deixado ir na corrente enquanto as suas elites se aproveitavam dos créditos da União Europeia, em parte, em proveito próprio. Quem se aproveitou da EU foi a camada média superior e a camada alta, encostadas ao Estado. Como a nação portuguesa não tinha mãos para sustentar estômago tão grande o Estado teve que ir à falência.

A Troica, em vez de exigir responsabilidade aos corruptos que se aproveitaram do Estado deixa-os à sota e castiga o povo. Agora, o povo reconhece-se entregue às feras e ladra e uiva. A opinião publicada fomenta a inveja latente no cidadão desviando as atenções dos perdedores para aqueles que ainda têm ordenados e empregos estáveis mais ou menos justos/humanos. Muitos pobres, mantidos por um estado paternalista interessado em impedir o desenvolvimento do descontentamento e do comunismo no seu seio, são agora colocados à chuva; não há nenhum sistema real capaz de contrabalançar o regime dominante. Não há modelos! O próprio comunismo chinês tornou-se num socialismo de estado capitalista! O Estado imprime dinheiro para dar aos bancos mas a inflação paga-a o consumidor. O crash financeiro que deveria ter penalizado os usurários do dinheiro serviu para empobrecer o cidadão e enriquecer a alta finança ligada aos bancos e aos seguros.

Urge a revolução dos honestos – Um Purgatório para todos

Antes a moral reservava o inferno para os ricos e o céu para os pobres: uma justiça adiada; hoje prefere-se a injustiça do dia-a-dia: as oligarquias ao tornarem-se as fabricantes da moral, já não lhes chega a terra, reservam-se também o paraíso para elas e banem os carentes, moral e socialmente, para o inferno. Até as democracias são usadas como plinto para jogos de influências possibilitadoras da organização criminosa, com impunidade civil e penal, a uma elite bárbara que utiliza o enredamento cúmplice de sistemas estatal, político, judiciário e empresarial para enriquecimento próprio. O compadrio entre irmãos, companheiros, camaradas e sócios destrói a independências dos poderes de Estado, Executivo, Legislativo e Judiciário. O quaro poder, os Media, não controlam; numa sociedade de concorrência entre ideais e interesses, cada vez se tornam mais dependentes das encomendas publicitárias e políticas. Os intelectuais críticos não ligados a uma facção ideológica ou política são marginalizados.

Constata-se que o dinheiro nas mãos dos poucos magnates financeiros desregulados não produz riqueza social; pelo contrário, destrói Estados, lugares de trabalho e empresas: a sua filosofia reduz-se à especulação, considerando também o trabalhador como mercadoria. Solidariedade e bem-estar para todos são-lhe palavras estranhas. Arruinaram a vida próspera do cidadão (economia social de mercado) e levaram a massa proletária à dependência do imediato, sem possibilidade de fazer planos económicos e familiares. Estão interessados em destruir a classe média, o braço direito dum estado florescente. De facto, quem não tem nada a defender não vai lutar pelo que não tem. O político transforma-se em mercenário do capital; procura também racionar tudo o que é despesa com trabalhadores públicos para que o que aí poupa seja canalizado para os magnates do capital, os únicos beneficiadores do que se poupa com o Estado e com o seu enfraquecimento. O Estado encontra-se assediado pela classe dos corruptos que com os seus afilhados preparam as leis parlamentares de maneira a servi-la.

O povo encontra-se numa situação tão depauperada (desorientação, analfabetismo político e social) que elege o palavreado daqueles que prometem o que ele deseja. As pessoas, desabituadas da solidariedade, pensam que não há solução para os problemas e contentam-se em criticar tudo e todos. O Estado encontra-se à pilhagem, o governo e o parlamento não têm legitimação ética nem competência para reorganizar um Estado que sirva uma nação honrada. Um pequeno exemplo: os governos depois do 25 de Abril assaltaram as Caixas de Previdência e ilibaram o Estado como entidade patronal de pagar contribuições para a Segurança social (CGA, ADSE) até 2005 (fala-se de um desfalque de 70.000 milhões de euros na Segurança Social). O buraco provocado tem de ser agora preenchido pelos empréstimos da Troika.

Hoje seria um dever patriótico dos Estados fazer uma revolução contra os Dinossauros do capital, e o saneamento da corrupção estruturada, o que pressuporia um golpe de estado dentro do estado. A maior revolução seria a mudança de mentalidade.

Os dinos continuarão a subir até que o povo descubra a solidariedade como única maneira de subir e competir com eles. Não se pode esquecer que a natureza tem duas maneiras de se afirmar: uma através da selecção (lei do mais forte) e a outra através da solidariedade/colaboração dos menos fortes entre si, contra as adversidades.

De que importa a limpidez das verdades que se reconhecem com a inteligência se o coração por onde passam se encontra turvo.

António da Cunha Duarte Justo

antoniocunhajusto@gmail.com

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A Queda do Socialismo favoreceu a Degradação social ocidental (1)

Da Economia social para a Desregulação capitalista liberal

António Justo

Os donos do dinheiro e do poder atacam sistematicamente o padrão da economia social europeia que permitia uma vida honrada e perspectivas de futuro com segurança para a maioria da população. Este sistema conseguiu gerar o milagre económico alemão e um bem-estar geral na Europa. Hoje é desmontado pela filosofia económica e social anglo-saxónica e pela visão asiática, aliada ao desejo duma EU que se quer afirmar em relação à América e à Asia.

Até 1998 a Europa tinha uma ordem económica de mercado social orientada para o bem-estar de toda a população. Possibilitava uma classe média abrangente e uma classe baixa remediada e uma classe alta reduzida de ricos mas com uma certa consciência social. O imposto sobre o consumo era insignificante; o imposto sobre os ricos era superior a 50% e as leis laborais tinham em conta a dignidade humana. Com a queda do socialismo (União Soviética) deixou de haver uma força concorrente que metia medo a um capitalismo desalmado e motivava os Estados ocidentais a tomar medidas económicas que possibilitavam a existência dum capitalismo de rosto humano. Na concorrência entre o bloco ocidental e o do leste, as elites económicas e políticas ocidentais estavam empenhadas em conseguir melhor nível de vida para os seus cidadãos e em demonstrá-lo; tinham de convencer com o melhor nível de vida dos seus cidadãos a sua superioridade perante o socialismo.

Emanuel Kant resumia toda a ética económica europeia ao princípio do “bem-comum” como princípio superior de acção. Ao contrário, o pragmatismo económico anglo-saxónico pensa resolver o problema do bem-comum através do ditado económico dum mercado que tudo regula.

A estratégia da União Europeia para se tornar a primeira referência económica do mundo e os exageros do paternalismo de Estado ajudaram os gangsters do dinheiro a impor ao Estado social um liberalismo económico selvagem.

A política social e económica, em nome de um racionalismo e utilitarismo absorvente, foi destruída, de dia para dia, e com ela a coesão social que antes havia. A solidariedade só pode ser cimentada por uma emotividade ética que leva à relação humana entre patronato e operariado. A redução do ideário nacional / individual ao mercado competitivo e a um código jurídico racional, que pretende substituir o ideário cultural/ético pela luta pelas necessidades básicas, não cria felicidade e leva à explosão da crise como se deu em 2008. As zonas periféricas do euro são o barómetro do estado dum sistema económico.

Com a Queda da União Soviética deixa de haver Concorrência no bem servir

Com a criação da zona euro e da economia globalista foi interrompida a economia social de mercado de prosperidade para todos. O trabalho digno dá lugar ao trabalho precário e desumano, flexível e temporário, a firmas emprestadoras de trabalhadores, baixos salários e ao mercado desregulamentado. O Estado, pressionado e comprometido com as forças económicas, deixou de impor um quadro regulador da economia, perdendo o controlo sobre os bancos e estes deixaram de ser os financiadores da economia real para se tornarem em casinos do capital de jogadores da bolsa. O poder financeiro começou a ser de tal ordem superior ao poder do Estado que tem a possibilidade de comprar também a política. Tudo se equaciona agora em termos mercantis. Deixamos de ter empresários de fundo humanista para termos capitalistas liberalistas desenraizados.

Corrupção económico-política coerente

Em qualquer sector que se observa lá se encontra uma rede corrupta de interesses de compadrio entre serviços públicos, partidos empresas e justiça. A corrupção encontra-se de tal modo orquestrada que nações como Portugal para poderem viver têm de recorrer à troica que legitima a corrupção. Em texto claro: vivemos num sistema económico coerente na corrupção. A corrupção estatal pede ajuda para sobreviver aos corruptos internacionais.

Até aos anos 90 havia uma relação de solidariedade entre patronato e operariado. Com a globalização, muitíssimas firmas que antes estavam ligadas a grandes famílias nacionais passam a pertencer a sociedades de accionistas internacionais só interessados no lucro da produção sem laços com o trabalhador. Fomentam relações de trabalho péssimas, importando-se apenas da especulação com firmas e com os trabalhadores: da colaboração mais ou menos condicionada passa-se à rivalidade.

Fomenta-se o radicalismo e desmonta-se uma democracia já de si doente

A poupança radical conduz ao desespero e asfixia a iniciativa. Como consequência, nas zonas de crise, acentua-se o radicalismo a todos os níveis sociais; o nacionalismo aumenta numa altura em que nações se encontram ameaçadas. O norte e o sul da europa têm mentalidades diferentes, não se entendendo a nível económico.

Entre a França e a Alemanha há discrepância na concepção da Europa. A França quer uma europa centralista (como ela) e a Alemanha uma europa federalista.

Egoisticamente a Alemanha exige uma política de poupança radical para o sul tal como a que praticou na sua crise dos anos trinta esquecendo que essa política foi a que possibilitou a subida de Hitler ao poder. É verdade que a Alemanha se tornou fiadora de um trilhão de Euros dos países em dificuldade e isso preocupa-a sobremaneira. Mas a EU não pode limitar a sua posição, em relação ao sul, a medidas meramente fiscais e mercantilistas. Sem margem de manobra para sanear as dívidas, devido a uma carga tributária já exorbitante sobre trabalho e energias, os governos limitam-se a adiar as soluções. A EU terá de perguntar-se porque é que foi interrompida a prosperidade para todos

A administração estatal precisava de ser expurgada de maus hábitos crónicos mas a economia precisa de espaço para criar alternativas fomentadoras de postos de trabalho.

Deixamos de ter empresários para termos capitalistas desalmados. Isto porque a rede dos políticos corruptos com assento e mordomias em empresas são os mesmos que preparam as leis que favorecem o compadrio.

António da Cunha Duarte Justo

antoniocunhajusto@gmail.com

www.antonio-justo.eu

BOAS FESTAS DE NATAL

Amiga, amigo, é natal,
Naquela gruta de cada um
Flameja a alma universal
Vem comigo, vem sentir
A natura a fluir
Ser a onda do desejo
A brotar em Belém
Um abraço universal
António Justo

Neste sentido convido-vos a ler e meditar na seguinte poesia de Fernando Pessoa:
“Não sei quantas almas tenho
Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei.
Continuamente me estranho. Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma. Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê, quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo, torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo é do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem; Assisto à minha passagem, diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li o que julguei que senti.
Releio e digo : “Fui eu ?” Deus sabe, porque o escreveu.”
Fernando Pessoa