HUMANISMO SEM TRINCHEIRAS

Puseram-te um selo na testa,
disseram: “Tu és o que arde”.
E tu, com a mão direita em festa,
cuspiste na outra face da tarde.

Mas o óleo que escorre da língua
não apaga o fogo interior.
Cada trincheira é uma míngua
que prende o mais sábio ao pior.

Não há cruzada sem cruz,
nem herói sem sombra no chão.
Despe a armadura de luz,
reconhece o teu próprio vulcão.

Pois o bem e o mal são gémeos
no ventre de cada existir.
E ser tolerante é não ter medo
de no outro o mesmo sentir.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

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António da Cunha Duarte Justo

Actividades jornalísticas em foque: análise social, ética, política e religiosa. Prajetória marcada pelo ensino, pela escrita, poesia e pelo jornalismo cultural, com particular relevo para o diálogo intercultural e a promoção da língua e cultura portuguesas em Portugal, mundo lusófono e na Alemanha.

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