Páscoa é Tempo de Transformação e de Passagem

Mensagem Cristã: Vida é Peregrinação

António Justo

A Páscoa é a festa mais importante do ano, para os cristãos. Ela simboliza, como nos judeus, a passagem da escravidão para a liberdade. Esta realiza-se em Jesus Cristo (JC) e presenciando e ‘presencializando’, num só momento, o fim e o princípio numa continuidade fora do tempo. Como à imagem de Cristo, a nossa vida é entrega contínua. Tal como o Sol se entrega à natureza e a puxa consigo, também nós na entrega realizamos a eternidade. JC fez na precedência o que estamos chamados a realizar. Mais que modelo e protótipo, ele é a matriz da realidade em processo, momento de nós a caminho. Na consciencialização do mundo a caminho de Deus, os cristãos reconhecem o seu ser divino.

Na Quinta-feira santa realiza-se a “última ceia”, onde os polos da realidade se invertem. O Senhor torna-se servo do seu povo, ao lavar os pés aos seus discípulos. Diz que a morte os não separará, pois ele está sempre presente na realização da realidade humano-divina: incarnação ressurreição.

Entre Quinta-feira Santa e Domingo, a Igreja Católica celebra uma só liturgia, três dias num só; é o dia grande.

Na Sexta-feira santa dá-se a condenação do Jesus. Sábado é o dia do silêncio e da tristeza. O sofrimento, a morte é superada ao ser aceite. No Domingo celebra-se a alegria, a ressurreição. A divindade germina durante 50 dias na terra para com ela se tornar Pentecostes.

A vida é peregrinação com Deus a caminho. Umas vezes brilhamos mais como Cristos ressuscitados, outras vezes menos como Cristos abandonados.

António da Cunha Duarte Justo

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SEMANA SANTA – O TEMPO DO ENCONTRO COM A REALIDADE

O Encontro profundo com o Outro transforma-nos

António Justo

Nos textos de Terça-feira santa, Jo 13,21-38, assistimos à cena em que Jesus apresenta o seu amigo traidor. “Um de vós me há-de atraiçoar.” Precisamente aquela pessoa em que Ele tanto confiava, Judas Iscariotes, o tesoureiro do grupo. Ele era quem mais tinha as ideias de Jesus na cabeça mas que andava com a revolução no coração. Judas um homem inteligente e bom deixa entrar em si as trevas. Abandona a Luz e não volta mais.

Tal como em situações do nosso dia-a-dia, logo se levanta um outro amigo, Pedro, manifestando o seu escândalo pelo que se está a passar! Jesus que o ama e conhece a essência da realidade humana e da natureza responde-lhe com doçura: Pedro, hoje mesmo, “antes que o galo cante, tu me negarás.” De facto, Pedro, como cada um de nós, negou a Luz três vezes, mas depois reconhecendo-se luz também voltou a ela.

Dois encontros com o Mestre de Israel, dois encontros com a Vida. Duas maneiras de estarmos na vida! Judas e Pedro negam Jesus. Em Judas Iscariotes e em Pedro manifestam-se partes da nossa identidade individual. Trazemos em cada um de nós João o amoroso, Madalena a confiante, Pedro o testemunhador e Judas o traidor, como os textos da Semana Santa nos mostram. Tudo fazendo parte duma realidade que se quer boa.

Judas não quer aceitar que Jesus aposte apenas na transformação individual como fundamento e meio de chegar à paz social. Não quer perder tempo investindo em processos de mudança que só, a longo prazo, prometem a paz e a justiça. Quer a justiça já e, segundo ele, esta adquire-se mediante insurreições populares. Judas, ao contrário de Jesus, acreditava na revolução violenta, na revolução lá fora, no levantamento do povo contra os romanos. Desconhece que o impulso que o guia é o mesmo que tem levado os povos, de revolução em revolução, a adiar a Humanidade e a protelar o desenvolvimento da História.

Desiludido de Jesus, Judas abandona o grupo dos discípulos, durante a noite. Na noite da vida, este homem bom, que só quer o bem do povo, ao afastar-se da luz passa a ser dominado pela lei das trevas. Nela, o amor e a compreensão dão lugar à hora do ódio e da vingança. Com Judas procuramos a via da solução que leva ao beco sem saída, como podemos ver no Iraque, no Afeganistão, na Líbia e na nossa maneira de governar e construir relações. Judas é a alternativa da vida que nos leva ao beco da guerra; encontram-se sempre muitas razões intelectuais para a fazer.

O encontro com o outro (Jesus), com o ser profundo das coisas, muda a vida a uma pessoa. O encontro verdadeiro muda-nos no sentido da luz ou da treva.

Uma vida no desencontro é uma vida em segunda mão. O desencontro acarreta más consequências, como nos mostra o texto de quarta-feira da paixão (Mt. 26,14-16).

Jesus pregou, consolou, curou mas o seu acto de salvação foi por ele sofrido, era um processo am mesmo tempo interior e exterior. Foi atraiçoado, vendido, crucificado. Não procurava fora o que não estava dentro dele. Neste processo realiza-se salvação. Não há soluções fora, a solução é a realização, e esta é processo vivencial e não uma solução que se vai buscar ao sótão das ideias!…

Na sua paixão, que é, em parte, a nossa paixão, torna-se visível a nossa parte escura, a nossa crueldade barbárica, de ontem e de hoje. A paixão de Jesus continua hoje no Afeganistão, na Líbia, no Japão, no meu país, na tua casa e na minha. Ontem como hoje sobressai em mim uma das personalidades: Pedro ou Judas.

Aquele que foi condenado e executado às portas de Jerusalém – é o nosso rei (rei dos Judeus). Ele morreu segundo a lei.  A lei possibilita a produção de armas com que outros são mortos, segundo a lei pessoas são perseguidas ou impedidas de viver.

Somos mais que espectadores da vida. Também Jesus não tinha ninguém que o defendesse. Todos o abandonam; na sua fuga seguem o medo das próprias sombras.

Maria unge Jesus com bálsamo em Betânia (Jo 12,1-11) e enxuga-lhe os pés com os seus cabelos. Com este gesto quer honrá-lo realizando o acto de unção como era costume na sagração dos reis e dos ungidos de Deus.

Maria, uma mulher, assume a função de coroar. Em representação da humanidade e da natureza, realiza este rito, como uma sacerdotisa, que reconhece, de antemão, a morte e ressurreição da vida em Jesus.

António da Cunha Duarte Justo

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Dinossáurios da Economia a Caminho

A EU privatiza as Fontes da Vida para as colocar ao Serviço de Multinacionais internacionais

António Justo

Os dinos da economia mundial que abusaram da exploração industrial e tecnológica, para manterem povos na dependência, querem-se servir agora da política (União Europeia) para assegurarem os direitos de propriedade sobre as sementes.

Na Internet encontra-se um pedido de assinaturas contra os gigantes  da biotecnologia e dos transgénicos que querem assegurar para si o monopólio da comercialização de sementes, através da lei. A manipulação biológica quer ver o caminho aberto para o negócio; dos lucros de alguns sempre se esperam alguns efeitos colaterais positivos para a sociedade. É um facto que, tal como acontece com a especulação com o petróleo, a política, na mira de mais impostos, antevê grandes ganhos ao submeter os alimentos e as fontes da vida à especulação.

Os dinossáurios (Monsanto, Syngenta e outros) procuram, através de leis feitas por uma política contra o povo e a favor das grandes multinacionais, alargar também à Europa os seus tentáculos polvo, para assegurarem os lucros do futuro nos produtos agrícolas. Um turbocapitalismo insaciável, sem ética nem moral, não olha a meios para se afirmar. Por todo o lado encontra governos em sentido batendo-lhes a pala.

Uma Directiva Europeia a ser aprovada a 18.04 por Bruxelas cede a monopolistas grande parte das sementes que o agricultor antes lançava à terra sem ter de pagar direitos de patente. A política legitimará, através de lei, o roubo de alguns à natureza. Confere-lhes direitos sobre grande parte das sementes pondo nas mãos de especuladores o direito à venda anual das mesmas. Queremos a vida ao serviço da vida e não reduzida a negócio de alguns. Tais direitos privados deveriam ser boicotados pelos interesses dos Estados dispostos a defender os interesses do bem-comum. A Directoria não pode ser ratificada pelos Estados membros que ainda tenham um pouco de respeito pelo povo e que queiram impedir uma política fomentadora dos latifundiários europeus altamente subvencionados contra os produtos agrícolas do terceiro mundo e contra os pequenos agricultores.

É inadmissível que a base da alimentação se torne propriedade de multinacionais sem escrúpulo. A biotecnologia, uma grande esperança, especialmente para países secos e pobres, ao entrar nos mecanismos da especulação, torna-se ao mesmo tempo na sua ameaça.

A política não tem legitimação para pôr nas mãos de privados o que pertenceria por direito natural ao povo. A patente da vida é divina (natural) e como tal propriedade comum, não alienável em favor de interesses privados. A lei do lucro e do mercado deveria ser tabu para bens essenciais à vida.

É óbvio que a defesa da biodiversidade seja declarada na Constituição de cada nação como património nacional e mundial. Os partidos continuam a andar atrás do acontecimento enquanto o povo não acordar!

É de lamentar mais este passo na realização da sociedade Orwell; mais um passo no controlo do povo e da mente!

António da Cunha Duarte Justo

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Democratizar a Economia através da Microprodução eléctrica


Microprodução de Energia Fotovoltaica na Alemanha – Um Exemplo de Futuro antecipado

António Justo

A Alemanha, país de fracos recursos em matérias-primas, tem que viver da tecnologia. Para poder manter o bem-estar do povo, antecipa-se ao futuro. A sua vantagem, em relação a outros povos, estará no facto de ter de andar, tecnologicamente, um passo à frente deles. Tomou a sério a defesa do ambiente, o que a levou a ser pioneira nas tecnologias fotovoltaicas, hoje já bastante vulgarizadas no mundo.

Na Alemanha todo o consumidor de energia paga mais 3,53 Cêntimos/KWh (líquido) por cada KWh. Esse dinheiro é destinado a subvencionar os produtores de energias limpas. Aqui há concorrência livre entre as grandes produtoras de energia. Assim eu, que até ao princípio do ano pagava numa companhia 23,32 Cênt/KWh (bruto) passei a pagar, numa outra, 15,8 Cênt/KWh até um consumo de 3.600 KWh no ano.

Na altura em que as instalações fotovoltaicas eram (30%) mais caras que hoje, o Estado alemão garantia até 51 Cêntimos por KWh às microproduções. Nos últimos 20 anos a tecnologia embarateceu e por isso já se não justifica tão alta subvenção. A promoção da microprodução de energia eólica e fotovoltaica é da competência regional (das câmaras municipais).

Assim, há diversos modelos de bonificação da energia que as microprodutoras entregam às companhias de electricidade. Os preços são garantidos por 25 anos das instalações feitas nos telhados das casas. Segundo um dos modelos válidos a partir de 1.01.2011, as instalações fotovoltaicas com uma capacidade até uma produção de 3,5 Gigawatt/p recebem 28,74 Cêntimos por Kwh até 30 kWp, recebem 27,33 Cênt.  por Kwh  a partir de 30kWp, 25,86 Cênt. a partir de 100kWp e 21,56 Cênt.  a partir de 1 MWp.

No caso do microprodutor se registar como empresário normal, terá de pagar 19% de imposto sobre a venda da energia. Tem porém o direito de fazer valer na declaração de impostos, durante 20 anos, cinco por cento do custo da aquisição líquida (se optar por uma dívida de IVA) dedutível. Segundo dizem técnicos, cada ano de vida duma instalação corresponde a 0,2% a menos na produção.

O assunto é muito complicado, dependendo o lucro do investimento de muitos factores, entre eles o brilho do sol, financiamento, condições técnicas, seguros, juros sobre o capital investido, impostos.

Portugal produz muita energia limpa, sendo exemplar neste sentido. O problema está em ter desperdiçado as suas potencialidades ao apostar quase exclusivamente em projectos megalómanos e ao apoiar as grandes empresas em desfavor das pequenas e dos cidadaos. Esquece que a riqueza nacional em países estáveis vem das pequenas e médias empresas (“De grão a grão enche a galinha o papo!”). Uma microprodução fotovoltaica, em cada telhado de Portugal, poderia ser uma aposta de investimento importantíssimo de cada Governo. Naturalmente parto do princípio que o que rende na Alemanha, onde há pouco sol, mais renderá num país soalheiro! Trata-se aqui de se pensar numa nova orientação política que ajude o cidadão e as famílias a tornarem-se empresários. Uma tal política pressupõe a bonificação de tais projectos compensada por uma sobrecarga das grandes empresas ou pela generalidade, como no caso da RFA .

O sistema de concessão de registo e certificação da autoridade competente portuguesa não é transparente e pode favorecer uma atitude mafiosa na adjudicação. Além disto leva as empresas a prometer aos clientes o que não podem garantir por estarem dependentes duma burocracia emperrada dum Estado ineficiente.

Há 10 anos pretendia investir na microprodução de energia fotovoltaica em Portugal. Então totalmente impossível! Actualmente, segundo me foi referido, há a possibilidade de um dia em cada mês através da Internet se solicitar a concessão de registo de microprodução fotovoltaica. Como é quase impossível ser-se atendido, um empreiteiro, encarrega sistematicamente, 40 pessoas de, no primeiro minuto de abertura do concurso, se registarem como candidatos. Facto é que em três meses de tentativas apenas uma vez, uma pessoa conseguiu entrar no sistema. O empreiteiro continua mês por mês, com as 40 pessoas, a tentar mas os resultados continuam a ser os mesmos. Tudo muito bonito no papel!

As regiões do Sul da Europa podiam vender imensa quantidade de energia. Uma política fomentadora da microprodução, além de criar mais capacidade de investimento e formação de pequenas empresas noutros sectores, realizaria um grande passo no sentido de democratizar a economia nacional. Além disso concorria para a estabilidade social e política tornando-nos independentes dos países árabes e da energia atómica.

O sol brilha democraticamente para todo o cidadão. É hora de nos pormos todos a trabalhar a sério para o país e para a uma democratização para todos! Também as centrais eólicas aproveitam de todos os ventos, venham eles das direitas ou das esquerdas. O sol e o vento são os melhores combustíveis que temos. Criam postos de trabalho, fomentam riqueza e não poluem a natureza como outros geradores de energia.

António da Cunha Duarte Justo

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Microprodução de Energia Solar Eléctrica ou Fotovoltaica

Regionalização de redes de produção de Energia e seu abastecimento

António Justo

O centralismo político, visível no traçado dos mastros de fios de alta tensão, passa ao lado dos interesses das regiões. Uma política de energias renováveis pode contribuir para a correcção do actual centralismo exacerbado em favor da regionalização da produção de energia eléctrica limpa. A promoção de energias renováveis pressupõe a criação de traçados de novas redes que possibilitem o transporte da energia renovável da microprodução. O poder económico instalado tem-se revelado mais forte que a inteligência política.

Faltam redes eléctricas de fios de alta tensão para transportarem a energia gerada pelas instalações eólicas. Necessitam-se redes que recebam a energia e precisam-se acumuladores de energia para compensar os tempos sem sol nem vento. Neste sentido, a Alemanha, prevendo já o futuro, irá instalar uma rede de linhas de alta tensão até 2020 no valor de dez mil milhões de euros.

O excedente de energia, em dias favoráveis, pode ser utilizado para, através de bombas, elevar a água para bacias mais elevadas que funcionam como reservatórios de energia para, quando necessário, moverem as turbinas e produzirem a energia necessária. Naturalmente que também a energia hídrica das barragens tem um grande senão que é a destruição de meios ecológicos e paisagísticos.

Portugal e países com muito sol, deveriam ter todos os telhados cobertos de painéis fotovoltaicos. Investir na energia regional é investir no futuro e significa a democratização do enriquecimento sem tratar mal a mãe terra.

Há que assegurar os direitos das gerações futuras nas constituições nacionais. Para isso precisa-se duma mudança cultural e dum outro discurso social. A razão, meramente económica ou partidária, não é argumento suficiente para tomada de decisões.

António da Cunha Duarte Justo

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