Solidariedade na Nova Sociedade – Uma Democracia da Diferença

No Prelúdio da Era global urge a Mudança radical
António Justo
A coesão da sociedade ameaça fracturas que só podem ser reparadas com uma solidariedade aberta entre os diversos grupos.

O desenvolvimento científico e tecnológico tem proporcionado grandes passos no sentido dum maior contacto e dum maior diálogo no caminho da união e da realização duma verdadeira globalização. A ciência política começa a dar-se conta da interdisciplinaridade de todas as matérias e interesses na construção do globalismo.

O processo dialéctico da afirmação do mais forte constrói-se e baseia-se na precariedade do outro, na banalidade do factual. Este modelo da filosofia grega tornou-se eficiente nas épocas da individuação cultural, nacional e individual. Agora que nos encontramos no prelúdio da era global seria a altura da mudança do modelo grego para o modelo judaico – cristão subjacente nas mitologias doutras culturas como a chinesa e a indiana. O modelo trinitário ainda se encontra debaixo das cinzas da civilização. Este modelo integral, já não só do diálogo, mas especialmente do triálogo implicaria uma mudança radical na prática da solidariedade cívica e natural. Assim a nova estratégia a desenvolver nas relações interpessoais, nas nações e nas culturas, não esquecendo porém a força dialéctica e a asseveração dos contrários na afirmação do ser, terá de optar por uma nova fórmula relacional a que chamaria trilógica ou trinitária. Uma mudança da ortodoxia para a ortopraxia do logos inicial.

Iniciamos a era do triálogo num processo de comunitarização que leva à comunhão no processo relacional trinitário no respeito e reconhecimento mútuos. Não se dá o encontro de produtos estáticos mas de sujeitos em processo criativo que implica ao mesmo tempo a mudança e a consciência de se encontrar e querer a diferença criadora. A procura comum, já no seu processo comunicativo, produz um sentimento de solidariedade que estimula o caminhar comum. Assim vão desaparecendo as conotações egoístas de raça, nação, cultura, sistema político ou religioso, conotações, estas, dialécticas e não trilógicas (trinitárias). Na nova era trilógica, a solidariedade seguirá o processo da inclusão e não o da exclusão. Será a era da solidariedade da nova democracia, a solidariedade do amor ao próximo. Já não se pretende a solidariedade dos iguais mas a solidariedade dos diferentes. O bem-comum, a felicidade já não se afirmará em nome do eu, em nome do partido, em nome da nação, mas em nome do nós integral. Então, não é a classe, o indivíduo, o partido que ganha, mas cada um como povo peregrino em marcha a desaguar na humanidade global. A meta não é a vitória de umas classes sobre as outras, do capitalismo sobre o socialismo nem vice-versa; a meta, mais que uma sociedade, é uma comunidade sem classes em que todos actuam numa dinâmica de incarnação e espiritualização no seguimento do chamamento. A meta é a construção da cidade de Deus, a cidade do Homem na dinâmica da realidade solidária trinitária. Nela espírito e matéria complementam-se em processo criativo. Nela não reina a ideia da vitória ou do “quem manda, quer e pode” mas a relação amorosa que produz o Espírito. Dá-se uma nova compreensão da vida humana e natural em comum. O que recebemos oferecemo-lo, de novo, enriquecido na dinâmica duma entrega mútua. Consequentemente, em vez do ressentimento surgirá o agradecimento como forma de expressão dum sentimento de vida, duma vivência social.

No exercício da solidariedade de co-criadores sofremos na alma a prisão da carne pelos que vivem à margem da sociedade. Porque aceitamos sistemas de injustiça social tornados normalidade e que geram tantos Cristos abandonados? Na nova vivência não se trata de me tornar miserável com os miseráveis mas de me aproximar da minha humanidade neles maltratada e ameaçada. Não se trata de, em nome do bem, perpetuarmos o mal, como temos praticado eficaz e persistentemente até agora, em todos os sistemas e regimes políticos, económicos e sociais. Todos os que nos sentimos mais responsáveis pela situação teremos de nos levantar para pensar e agir em comum. Não é suficiente divertirmo-nos ao faz de conta falando contra as injustiças dos outros. Nós todos estamos comprometidos no sistema e somos todos injustos. Quanto mais ricos e mais sábios somos mais injustos somos.
Solidariedade é dar e receber em comunhão. A comunhão transcende a solidariedade económica, científica ou social.

A tarefa de criar uma razão solidária não é fácil. Faz parte do ideário e da praxis cristã empenhar-se pelo outro mesmo que ele seja mau. O ideário cristão tem falhado e desesperou no marxismo. Em cada pessoa há um núcleo bom. A dinâmica do amor ao próximo, uma característica do cristianismo, ainda não encontrou acolhimento nas estruturas suportes das sociedades. Solidariedade baseia-se na reciprocidade progressiva

A indiferença pressupõe estar-se preso nas próprias sombras.
A nova solidariedade ultrapassa as fronteiras da própria comarca. Cristo entrega-se por toda a humanidade indiferentemente de ela ser ou não cristã e proclama a moral superior do amor ao próximo e o amor aos próprios inimigos. Deus é pai de todos fazendo de nós irmãos, Cristos em potência. Solidariza-se não só com os necessitados mas também com os culpados. O ideário cristão define o ser humano como ser para os outros com uma missão individual, global e cósmica.

No sentido cristão não há programas fixos ou já completos, não há dogmas no verdadeiro sentido da palavra. A solidariedade acontece em todos os sentidos. É a realidade pai-filho-espírito, no sentido do divino e do humano, dando primazia ao humano, na prioridade do mais baixo, do mais fraco. O sol surge de baixo para cima e a luz dos iluminados deve ser reflectida para baixo. A solidariedade a implantar chega aonde outras solidariedades não chegam: abandonados, pobres do espírito…

A defesa da dignidade humana de cada pessoa constitui programa para todo o homem – mulher de boa vontade, de irmãos na mesma origem e na mesma situação comum.
Implica uma ética da solidariedade prática baseada numa nova consciência e atitude perante o Homem e a natureza. Esta mudança, que passa pela renúncia, para podermos ser uma oportunidade para os outros, é mais que óbvia, também no sentido de possibilitarmos futuro aos que vêm depois de nós.

Daí a necessidade de tornarmos as ideologias solidárias e não estanques ou exclusivas. Do mundo mecanicista e estático do século XIX daremos o passo para o mundo do mistério, o mundo Trinitário, já pressentido e verificado na física por Einstein, Planck , Chardin e outros. De facto a física já chegou ao mistério apesar de muitos continuarem a persistir no fanatismo religioso e no fanatismo científico. São necessárias todas as forças e todos os esforços na procura de respostas abertas e ajudas para todos, na realização dum mundo melhor. Uma abertura contínua torna-se então gratificante na experiência do mesmo espírito que a vivifica. A conexão do todo não nos deixa cair no vazio nem no desespero.

A solidariedade é o caminho seguro para mais liberdade. Não se trata de nos igualarmos mas de entrarmos na relação libertadora. Todos temos andado perdidos em ideias, sentimentos ou missões cada vez mais vazios e distantes de nós e dos outros. A solidariedade não pode continuar enterrada dentro dos diversos grupos; ela tem de destruir os muros que nos separam uns dos outros, o erro da afirmação dialéctica selectiva.

A pluralidade duma sociedade verdadeiramente livre permite riqueza e variedade sem a determinação de um grupo sobre outros. A sociedade precisa dum teto metafísico que a cubra, necessitando este do trabalho construtivo e solidário de todos os grupos sociais. O direito e a tradição judaico – cristã, numa dinâmica trilógica, poderão ser os grandes pilares do grande do tecto metafísico duma sociedade com passado presente e futuro.

Naturalmente que toda a pessoa precisa de ligação a algum grupo da sua confiança, doutro modo correrá risco de cair em depressão. Toda a pessoa precisa de comunicação autêntica de permuta de experiências e ideias. Esta comunicação terá de ser aberta, numa sociedade aberta e num mundo aberto. Uma sociedade civil será tanto mais viva quanto mais grupos tiver. Direitos e deveres são evidências no reconhecimento da sociedade e dos cidadãos.

António da Cunha Duarte Justo
antoniocunhajusto@googlemail.com

NATALIDADE EM FRANÇA ALEMANHA E PORTUGAL

ESTADOS DESENVOLVIDOS VOLTAM A APOSTAR NA FAMÍLIA

António Justo
O indicador da fecundidade actual de nascimentos na França é de 2,02, na Alemanha de 1,37 e em Portugal de 1,4 filhos por mulher

O país europeu com maior percentagem de crianças nascidas por ano é a França. Em 2008, numa população de 65 milhões de habitantes nasceram 801.000 bebés. Os franceses conseguem assim impedir o envelhecimento acelerado da população. Cada mulher francesa dá à luz em média 2,02 crianças. Na Europa, esta média só é atingida pelos ingleses, irlandeses e escandinavos. A França continua a ser o País na Europa que mais defende a natalidade

A França tem uma consciência de estado aberto e uma ideia nacional responsável. Não aposta apenas na imigração e na procriação espontânea. A fertilidade dos franceses deve-se a várias medidas: à boa organização de instituições com o cuidado das crianças, ao favorecimento fiscal de famílias com crianças, aos178 Euros de abono de família mensal por criança e ao prémio de 889 euros por nascimento. Na França a frequência do jardim infantil e da pré-escola são gratuitas e além disso, até aos três anos, o pai ou a mãe que interrompa a profissão para cuidar da criança recebe mais 375 euros por mês. A França fomenta a família com uma percentagem de 3% do seu produto social bruto. Dois terços das mães com três e mais crianças têm um emprego a tempo completo. A partir dos três anos 98% das crianças frequentam a “escola maternal” gratuita. Uma família com duas crianças e um vencimento bruto anual de 70 000 euros não paga quase nenhum imposto complementar porque o imposto é dividido pelo número dos membros familiares. A percentagem de mulheres empregadas com crianças até três anos é de 80%.

Na Alemanha com uma população de 82 milhões só nasceram 682.713 bebés em 2007 (última estatística). O abono de família mensal, por criança é de 164 euros. Ele recebe-se até aos 18 anos ou até aos 26 no caso do abonado continuar os estudos ou uma formacao profissional desde que não ganhe mais de 7.000 euros por ano. Para que não sejam só as famílias pobres e estrangeiras a gerar mais filhos, o Estado paga, durante um ano, 67% do vencimento líquido à mãe ou ao pai que interrompa a sua profissão durante um ano para cuidar do bebé. De registar que uma grande percentagem de homens faz uso deste direito. A percentagem de mulheres empregadas com crianças até três anos é de 28%. A Alemanha fomenta a família com uma percentagem de 3,2% do seu produto social bruto. Na Alemanha apenas metade das mães com uma criança têm emprego a tempo inteiro. Numa família com filhos, um dos parceiros familiares é beneficiado até três anos por filho na reforma. Ângela Merkel nas suas novas medidas anti-crise tem colocado as famílias no centro da sua acção. O investimento em infra-estruturas como infantários e instituições escolares e profissionais, a compensação de impostos para famílias que paguem a amas, são algumas entre outras medidas.

Em Portugal, com uma população residente de 10.617.575 indivíduos, a natalidade, tal como na Alemanha, tem sido das mais baixas da Europa. A média do indicador da fecundidade actual em Portugal é de 1,4 filhos por mulher. Em 2007 (última estatística) nasceram 102. 492 bebés em Portugal; destes, 10 mil, foram nados de mães estrangeiras. Atendendo a que o número de óbitos foi de 103.512, o saldo natural foi negativo tendo morrido mais pessoas do que nasceram. No meio de tudo isto, o governo ainda faz alardes da quebra de mortalidade infantil calando porém as baixas abortivas. Para Portugal ter um saldo natural equilibrado precisa de mais 60.000 nascimentos de crianças por ano.

A política familiar portuguesa castiga as mães e com elas as famílias. As licenças de maternidade obrigam as mães a terem de abandonar os bebés aos 4 meses de idade. A situação é trágica para mães, bebés e pessoas familiares. Os bebés perdem o direito à presença da mãe e não têm direito a infantário gratuito. As condições de isenção de taxa do infantário são tão baixas que obrigam a grande maioria mesmo carenciada a ter de suportar os custos de acomodação numa creche ou infantário ou a arranjar-se como puder.

O abono de família em Portugal não é um direito do bebé. A sua concessão é de tal modo casuística que na realidade só uma família mesmo pobre terá direito à sua totalidade. Os nossos políticos são peritos em fabricar leis para inglês ver. Muitas políticas governamentais parecem ter por fim fazer regulamentações com um cheirinho a estado social de direito mas que, depois de lidas as linhas escritas a miúdo, pouco fica concretamente. Mais que uma política séria para a realidade social do país, pratica-se uma política de anúncios para ser ouvida em notícia de telejornal à noite e apaziguar a consciência de quem não está informado. Não temos governos, como numa Alemanha, virados para a nação e para o povo, temos partidos que governam puxando a brasa à sua sardinha. Neste ambiente o povo não se mexe porque só queimaria os dedos e o partido da oposição encontra-se à cuca da próxima oportunidade legislativa. Ilude-se a pobreza do povo com projectos megalómanos em torno da capital. O país e o povo andam à deriva e os políticos à caça do modernismo importado e apregoado desde o Marquês de Pombal.

A política sacrifica a família ao apregoado progresso
Em Portugal não existem medidas políticas sérias de incentivo à natalidade e à família. Basta uma análise superficial da legislação sobre o abono de família para nos darmos conta do logro. Pretensas leis fomentadoras revelam-se à posteriori como enganadoras, deixando as famílias abandonadas a problemas insuportáveis.

Uma retórica partidária progressista tem vindo a minar o substrato ideal da sociedade portuguesa, dado estar, através de medidas legislativas, mais preocupada com estatísticas branqueadas para o estrangeiro e para interessados do que em fomentar o poder de compra da classes desfavorecidas da nação real que temos. Estas são mais reveladoras de indicadores de decadência do que duma política baseada Na ausência duma ideia de nação e de povo, o preço do modernismo e do progresso tem sido demasiado caro para a maioria dos portugueses e para Portugal. O governo anda geralmente atrás das circunstancias produzindo legislação mais virada para clientelas do que para o país. A família é sacrificada ao progresso duma maneira diletante. Em questões de família o governo parece empenhado, sobretudo, em promover o casamento de homossexuais. A família é castigada, já que a opção por ter filhos corresponde a um empobrecimento real grave do agregado familiar. Não há infra-estruturas capazes de dar resposta a um apoio sequer medíocre às necessidades mais urgentes das famílias e das crianças. Não se menciona sequer o direito legítimo aos infantários gratuitos para todas as crianças. Em Portugal os livros escolares são caríssimos e suportados pelos pais e não pelo Estado, como deveria ser de esperar num estado social. Há imensas famílias que no início dos anos escolares têm de comprar os livros escolares às prestações. Muitos boys governantes parecem invejar o instinto procriador familiar, castigando-o.

Querem a sociedade jovem a dançar toda ao mesmo ritmo e ao som da mesma música e da mesma batuta. Vive-se em tempos úteis de governo como em tempo de eleições. Fomenta-se o divórcio à custa dum ataque sistemático à família com desfavorecimento de impostos do agregado familiar. Em Portugal, pais que queiram ser contemplados na beneficiação de imposto IRS na “pensão de alimentos” em relação aos filhos têm de se divorciar oficialmente. Além disso o casamento civil é penalizado com uma taxa de 500 euros e o divórcio é facilitado valorizando-se o afecto do momento através da Internet.

A política progressista baseada no gozo individual sem responsabilidade ética comunitária castiga quem tem filhos. O envelhecimento da população é fomentado precisamente por aqueles que melhores reformas receberão do Estado, os políticos! Os que se aproveitaram duma vida mais leve mediante a renúncia voluntária a filhos precisarão dos filhos dos outros que lhes paguem as reformas. O povo tem razão para ter medo do futuro. A classe média é a mais penalizada no orçamento de vencimento. Uma oligarquia surgida à base da classe proletária vive bem da pobreza democrática cultural e económica.

Um progressismo inibidor do fluxo da vida e favorecedor do consumismo tem sido responsável pelo colapso demográfico na Europa. A geração 68, na sua luta contra a família tradicional e na defesa dum internacionalismo fácil, pensava compensar a infecundidade provocada com o fomento da imigração, tendo esta mentalidade conduzido a Europa central a problemas irreparáveis de guetos de cultura árabe hermeticamente cerrados e a situações de pobreza gritante nos arredores das grandes cidades. Aqueles equilibram um pouco o défice de natalidade com a sua fecundidade sendo mais coerentes na defesa de valores mais eficientes na afirmação biológica e cultural.

A queda de natalidade não se dá apenas devido à mudança de mentalidades mas em especial devido às medidas legislativas e a uma mentalidade macho propagada que deixa o cuidado das crianças às mulheres numa sociedade, que por outro lado as obriga a procurar um emprego para manterem um nível de vida menos indigno no agregado familiar. Uma política de rebanho mina as condições aos pais impedindo que estes o possam ser responsavelmente.

Portugal vai perder população; as previsões apontam uma população de 7,5 milhões para 2050. O défice demográfico do Mundo Ocidental deveria constituir uma preocupação prioritária numa política europeia que se considere responsável pela sociedade europeia e pela camada jovem que terá de pagar a factura dos erros praticados na política familiar e de imigração nos últimos 40 anos.

Apesar do desenvolvimento da vida social e profissional das mulheres no mundo ocidental, em nome da defesa duma cultura feminina, as mulheres europeias têm sido instrumentalizadas e empenhadas na defesa dum mundo equacionado em termos meramente masculinos. O futuro do desenvolvimento das sociedades europeias e muçulmanas dependerá duma acção eficaz e consciente da mulher nas respectivas sociedades. A feminidade tem sido posta ao serviço da produção e do consumo. A sociedade, em vez de mais feminina, tem-se tornado cada vez mais máscula.

Uma política familiar séria para Portugal deveria aproximar-se da francesa e da alemã. Doutro modo Portugal continuará a envelhecer criando problemas gravíssimos relacionados com a gerontologia e continuará a fomentar a sangria nacional através da emigração.

António da Cunha Duarte Justo
antoniocunhajusto@googlemail.com

Ateus em Campanha publicitária contra Crentes

António Justo
No princípio de Janeiro, em Londres, a associação “Cristian Voice” apresentou queixa contra uma campanha ateia financiada pela Associação Humanista Britânica (BHA) e lançada nos meios de transportes públicos do Reino Unido com o slogan “Provavelmente Deus não existe”. A “Christian Voice” argumenta que a campanha viola o código da publicidade, tendo sido aceite a sua queixa.

Como da polémica se vive bem, e a Europa se repete em avalancha, também em Barcelona, associações ateístas espanholas publicaram anúncios em autocarros públicos com cartazes com a afirmação: “Provavelmente Deus não existe. Deixa de te preocupares e goza a vida”. “

Grupos cristãos respondem à batalha publicitária com anúncios como “Deus existe. Goza a vida em Cristo”.

Outros slogans vão surgindo na net como:
“Porque descansas aos Domingos se Deus não existe?”
“Como vais gozar a Vida sem seres SENHOR dela?”
“O dia do SENHOR também é teu – Goza os domingos oferecidos desde há 2 mil anos!”

É engraçado verificar como na União Europeia se originam vogas por trás das quais estão certas internacionais que se aproveitam duma logística coordenada na guerra cultural. O mesmo se dá na política. Problemas debatidos nas nações mais relevantes são repetidos, quase textualmente, passados dias, semanas ou meses, pelos políticos de países da periferia.
Os assessores não precisam de grande trabalho para apresentar serviço. Basta-lhes saber línguas para poder traduzir.

Narradores do poder, no romance da vida, procuram impor o seu próprio conto.

Vive-se em e da mobilização. As enxurradas civilizacionais do pensamento são fáceis na era da comunicação. Na fome do futuro, cada qual procura mobilizar a sua história propagandista.

No fim de contas não há ninguém que não seja crente!…

Precisa-se duma nova gramática que saiba conjugar fé e razão!

António da Cunha Duarte Justo

NACIONALISMO – UMA ARMA PARA IMPOR INTERESSES CAMUFLADOS

Numa época em que o globalismo é acto de fé para a economia, por todo o lado rumoreja o ventre nacionalista. O nacionalismo não é doutrina passada. Hoje ele continua muito presente. As tendências nacionalistas, tal como os outros nacionalismos europeus, têm o seu fundamento na ideia do Estado Nacional.

As tendências nacionalistas chegam até à revolução francesa que deu lugar à nação francesa moderna. Por toda a Europa se desenvolve a concepção do Estado Nacional baseado na ideia de unidade de povo, de estado e de território.

O nacionalismo nasceu com a ideia da homogeneidade nacional da autodeterminação e da pureza étnica. Nos séculos XIX e XX alcançou o apogeu e as últimas convulsões nos Balcãs, com a problemática do Kosovo são uma consequência atrasada.

Norbert Elias afirma em “Die Welt” (22.11.2007) que o nacionalismo é “o sistema de fé mais poderoso dos séculos XIX e XX”. De facto, esta fé secularista deu origem às maiores tragédias de toda a história. Centenas de milhões de pessoas foram vítimas directas desta perversidade humana.

Antes era a ideia da raça e da nação o motor da política e da economia que obrigava ao desalojamento de povos inteiros. Hoje é a economia sôfrega já não de pessoas mas de “forças de trabalho”, que dão continuidade aos problemas em curso. Cada época tem a sua ideologia legitimadora das mesmas forças continuamente presentes na história dos povos e das culturas.

A economia e o poder não olham a meios para se legitimarem. São as estruturas organizadas que determinam a acção social e a sua legitimação. O povo paga sempre, em cada época, a factura. Os seus representantes sucedem-se na administração da miséria ou da exploração.

Os políticos europeus enganam-se a si mesmos para poderem justificar o desalojamento e desenraizamento das pessoas ao serviço duma indústria e duma economia esfomeada. Numa Europa cansada e já não disposta à procriação afirma-se, sem mais, um sistema económico que instrumentaliza a pessoa e prefere manter a pobreza dos estados periféricos do mundo obrigando seu povo a emigrar, em vez de construírem as fábricas nesses países e contribuírem assim para o seu desenvolvimento económico evitarem a necessidade de se verem obrigados a emigrar, na fuga ao mal-estar. Segue-se a lei do menor esforço económico e esta tem como preço a pessoa humana. A factura a pagar pelo sofrimento de hoje será, mais tarde, muito cara e dolorosa.

Os políticos falam de multicultura e de tolerância dentro das próprias muralhas para assim desviarem as atenções do povo para os problemas étnico-civilizacionais que se acumulam nos arrabaldes das grandes cidades.

Por outro lado, dão razão ao nacionalismo e à intolerância surgidos nos Balcãs, devido à maior proliferação albana na Sérvia e ao racismo de uns e de outros. Aqui não se defende a convivências de sérvios e albanos, a tolerância entre maiorias e minorias, como se faz crer na União Europeia, mas dá-se razão ao nacionalismo e ao racismo apoiando-se a separação. Naturalmente que os problemas recentes surgidos na Bélgica e mesmo os problemas de sociedades aparentemente estáveis como a Venezuela corroboram as ideologias nacionalistas turcas, albanas, etc.

As etnias são usadas como fronteiras, como linhas de separação. Infelizmente a lei do mais forte, da economia e não da razão são as que a história continua a fazer valer como trunfo na história moderna e contemporânea. Falta a consciência do valor e da dignidade do cidadão e da pessoa.

O nacionalismo ao contrário do patriotismo é contra a civilização; é uma arma para levar à frente interesses anónimos à custa do povo vítima.

Naturalmente que o nacionalismo tem como resultado positivo da sua chacina o alcance duma certa homogeneidade artificial. A velha Europa é o resultado dessas lutas em nome da religião, da nação, da economia, e do povo que tudo legitima. Outros povos encontram-se envolvidos em pleno processo de emancipação. Esta porém não é determinada pela própria força ou fraqueza mas pelos interesses económicos e internacionais aliados aos interesses de elites locais oportunas!

A melhor estratégia estaria numa autodeterminação interna dos povos através dum federalismo com muita autonomia mas subordinado a super-organizações responsáveis. Isso poderá realizar-se quando a dignidade humana individual de cada indivíduo constituírem um valor em si e não apenas um valor funcional.

António da Cunha Duarte Justo.

Mensagem de Natal ao Governo e a Portugal

Votos dos Portugueses da Diáspora
Antonio Justo
Agradecemos e retribuímos a vossa mensagem de Natal e os votos nela formulados. Fazemo-lo não apenas com palavras eufemistas torcidas mas concretizamo-los também com o envio das nossas remessas diárias de 8 milhões de euros para que o Governo possa melhor equilibrar a balança comercial e financeira com o exterior.

Esta seria a altura própria de nos encontrarmos em Portugal mas o espírito de “abnegação” que levou a maior parte de nós a ter de escolher viver fora do país, na procura de “sucessos sociais” obriga-nos a poupar para que aí alguns possam sobreviver e outros mais ter. A isto talvez se refira quando testemunha a “admiração e respeito granjeados em Portugal” pelos “portugueses que vivem e trabalham no estrangeiro”.

Na mensagem de Natal, o senhor Secretário de Estado Dr. António Braga revela falta de autenticidade e carência afectiva. Nela trata-nos como não-residentes que vivem “nos países onde um dia escolheram viver”. Isto surpreende-nos porque no período revolucionário o partido dizia que no tempo de Salazar a emigração era um recurso de fuga à pobreza e à guerra. Hoje que não há guerra nem Salazar ainda há mais gente a ter de fugir. Será que a pobreza terá aumentado, apesar das nossas remessas e dos apoios da União Europeia? …Não, as bocas em Portugal não aumentaram, o que aumentou foi o desgoverno e o estômago de alguns mais iguais. Fora de Portugal já andam 5 milhões de portugueses! Compreendemos que este é um assunto bastante comprometedor para os Governos e para Portugal, o que não deveria justificar o governo a manter uma má imagem do emigrante!…

Cínica e desavergonhada foi a lamentação governamental na mensagem ao queixar-se que “há um défice enorme na participação eleitoral dos portugueses não-residentes cuja superação depende apenas da vontade individual”. O senhor, habituado a passear a sua pessoa pelas comunidades migrantes, já se deveria ter dado conta do carácter disperso dos portugueses nos países de acolhimento e da distância dos consulados que ficam a muitas centenas de quilómetros. O senhor secretário de Estado, na sua mensagem, apela ao “recenseamento, um acto muito simples através do qual o cidadão fica habilitado a participar nos actos eleitorais nacionais”. Um apelo falacioso e uma mentira descarada! De facto, a ala esquerda do parlamento português, por iniciativa do Governo PS, roubou aos emigrantes o direito ao voto por correspondência, porque esta forma de votação favorecia mais os outros partidos. Assim o PS instrumentaliza o Parlamento em benefício da nomenclatura PS e esquerda bem montada em torno dos e nos consulados da Europa, regulares locais de voto.

Por outro lado, na RTPi faz campanhas de voto para as eleições europeias. Nessa catequese do faz de conta trata-nos como uns Zezinhos em que os nossos filhos e outras figuras engraçadas apelam aos coitadinhos emigrantes para votarem, lá fora. O senhor reduz-nos os direitos de cidadania e ainda tem o descaramento de dizer que o “direito constitucional” está “nas mãos de cada um”!…

Facto é que para os emigrantes e para os portugueses não-residentes o Governo, habituado a uma política de encenação, o que sabe bem é organizar acções virtuais e de relevância publicitária para inglês ver e enganar o inocente público limitado à informação da TV.

Por estas e por outras, além de cinismo, não estamos habituados a esperar muito do governo.

Esperamos sim dos portugueses e do Portugal real que nos tratem como um deles. Esperamos da TV que nos deixe de tratar como coitadinhos provincianos. Nós emigrados somos pessoas honradas e dignas, habituadas a viver do próprio trabalho, contribuindo para o engrandecimento das nações onde vivemos e para o enriquecimento dos portugueses em Portugal. Esperámos, em troca, que nos restituam a dignidade e a honra a que temos direito na opinião pública.

Desejamos a todos um feliz Natal e um muito próspero ano novo.

António da Cunha Duarte Justo
antoniocunhajusto@googlemail.com