Egipto nas Mãos dos Islamistas

A Liberdade é Feminina por isso não se dá no Deserto

António Justo
Segundo os dados, agora oficialmente, vindos a público, os islamistas ganharam as eleições parlamentares no Egipto, atingindo 70,4 dos mandatos.
As listas do braço político da influente Irmandade Muçulmana „Partido da Liberdade e Justiça“ (PLJ) conseguiram 45,7% dos assentos no parlamento. Em segundo lugar ficou o “Partido da Luz “(Hizb al-Nur) aliados dos Salafistas do Al-Nur que conseguiu 24,6% dos lugares. O partido Wassat (islamitas moderados)  conseguiu 8,4% e o partido liberal “Aliança Egípcia” 6,6%.

 

Os Salafistas do Al-Nour pretendem a destruição de monumentos históricos, (p. ex. as Pirâmides dos Faraós) porque não dão testemunho do islão. Esta exigência não é nova. Já no Afeganistão islamistas tinham arruinado grandes estátuas de Buda que eram património mundial.

 

Aqueles que saudaram o derrube do regime do presidente Mubarak equivocaram-se. Não contaram que, geralmente, a situação no mundo árabe só tem possibilitado a escolha entre a cólera ou a peste.

 

Grande parte do povo egípcio sofre porque não tem pão, nem formação, nem voz. O clero islâmico é fiel ao sistema, encontrando-se sempre do lado do poder. A gloriosa excepção é a Turquia de Ataturk enquanto garantida pelo poder militar. De resto os governantes encontram-se na dependência da bonomia das mesquitas que às sextas-feiras tomam muitas vezes posição. A aceitação de radicais na população também se deve ao facto de alguns grupos de islamistas se empenharem pelos mais pobres e também os ajudarem com dinheiros vindos da Arábia Saudita.

 

A imprensa ocidental aquando das rebeliões na África do Norte, no entusiasmo do acontecimento, estoirou todos os foguetes antes da festa. Agora que a realidade vem à tona, os mesmos jornalistas contentam-se com informação tipo nota encavacada nalguma esquina do jornal. Quem, durante a primavera árabe, com sangue frio, apontava para a realidade, e para o equívoco da comunicação social, era considerado desmancha-prazeres.

 

A imprensa europeia, ordinariamente, quando informa sobre questões árabes, discrimina-a pela positiva. Isto tem muito a ver com a dependência europeia do óleo árabe e com a fraternidade estrutural comum ao islão e ao comunismo.
O árabe só concebe a liberdade dentro do sistema islâmico enquanto o ocidente a concebe aberta, também fora dele. Enquanto para o ocidente também “o próximo” faz parte do sistema, para o árabe só o crente islâmico faz parte dele. Por isso a liberdade e a mudança que vem de fora constitui uma ameaça ao sistema.

 

A revolta não foi gerada no seio do povo, foi fruto de ideologias masculinas contra ideologias masculinas. O ideário árabe é extremamente masculino. Uma mudança para melhor só será possível quando a feminidade fizer parte dele. A Liberdade é Feminina por isso não se dá no Deserto.

 

O busílis dos problemas árabes está no facto de religião,  paz e liberdade serem qualidades femininas!

 

António da Cunha Duarte Justo
antoniocunhajusto@googlemail.com
www.antonio-justo.eu

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António da Cunha Duarte Justo

Actividades jornalísticas em foque: análise social, ética, política e religiosa

2 comentários em “Egipto nas Mãos dos Islamistas”

  1. Caro António Justo,

    Também nunca acreditei nessa “primavera árabe”. E a evolução dessa revolta dos povos África do Norte contra os ditadores pareceu-me artificial e escondendo interesses que nada teriam a ver com os povos e a cidadania. No caso da Líbia interferiram também escandalosamente os interesses do Ocidente no petróleo. E agora o povo líbio conquistou uma democracia?

    Como ficam depois destas primaveras frustradas as relações Ocidente Norte de África? E a moral ocidental?

    Saudações,

    Margarida
    In Diálogos-Lusófonos

  2. Prezada Margarida,
    É isso mesmo. Há interesses contraditórios, mesmo a nível ocidental. Cada nação procura servir o seu egoísmo e servir-se das circunstâncias sem se preocupar com os outros, prejudicando-se a si mesma, a longo prazo.
    Por vezes sou levado a recear que o desenvolvimento na Líbia já estava a perturbar interesses turbo-capitalistas. Apesar do regime déspota de Kadhafi, na generalidade, o povo já tinha um nível de vida mais elevado que noutros estados da região.
    O problema é que o Ocidente, em nome da democracia, arranja sempre pretextos para apoiar o grupo que lhe interessa para os seus fins económicos. Quando um sistema não o serve é fácil instabilizá-lo para depois o substituir por outro sistema. O problema é que o povo árabe vive na Idade Média e embora tendo grande capital a nível mundial não o aplica na promoção da formação do povo mantendo-o na trela do despotismo religioso. Um sistema malígno que mantém o povo sempre na subserviência total.
    As relações continuarão a ser de dependência mútua. Os novos déspotas farão a sua aliança com o Ocidente contra o seu povo que ainda será mais escravizado por uma práctica religiosa ainda mais fanática. O único valor que tudo orienta é o dinheiro, a economia. Tudo o resto se subjuga a esta ditadura.
    Abraço justo

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