Sociedade Alemã no Nevoeiro da Campanha Eleitoral

Daqui a dois dias (18.09.2005) havará eleições na Alemanha. Activismo e medo no ar. Ninguém sabe ainda quem assumirá as rédias do poder e constata-se uma desconfiança geral de todos os políticos. A realidade para o povo será dura, ganhe quem ganhar. É a hora dos sentimentos e da demagogia. Até Maio toda a opinião pública criticava o governo de Schröder prevendo-se uma maioria absoluta para os cristãos democratas em coligação com os liberais. Lutas internas entre os candidatos da oposição e uma campanha suja do SPD conseguem desorientar uma nação que não gosta de incertezas e sofre por ser castigada no seu instinto de obediência e confiança incondicional nas chefias. Não há indícios para esperanças e o povo sabe que tem razão no seu sentimento depressivo. No fundo pressente-se que o doente não se cura com promessas… A nação sofre, encontra-se depressiva enquanto os gladiadores do poder de dentes serrados disparam os últimos cartuchos numa luta incerta..
Nunca uma campanha eleitoral foi acompanhada de tantos truques e questões jurídicas. Entre outras registe-se a questão da conformidade constitucional da proclamação de eleições antecipadas em consequência dum voto de desconfiança contra Schröder e que este mesmo encenou para poder disciplinar o seu partido obrigando-o a apoiá-lo na única oportunidade para o partido ter uma chance com eleições antecipadas. Certo é que se ele tivesse levado a legislatura até ao fim perderia as eleições porque já não tinha soldados no partido, a desilusão do povo ainda se agravaria mais e o seu latim já tinha chegado ao fim. Com esta tática consegue abanar toda a nação e as suas instituições, reduzir os Verdes de coligação a um Joscker Fischer e tornar-se, de novo, o homem forte do SPD. Verga-se aos interesses turcos visitando o seu jornal de maior tiragem na Alemanha na certeza de que a esmagadora maioria dos 600.000 votantes turcos de nacionalidade alemã votarão nele. Nos interesses do seu partido e da sua ideologia instrumentaliza a Europa com a defesa da integração total da Turquia na Europa. Conta-se que na RFA daqui por 30 anos viverão 20 milhões de turcos (actualmente vivem três milhões e meio e constituem uma grande esperança e investimento para as fileiras dos Verdes e da esquerda). A Europa que pague a factura da má política de imigração alemã e os seus interesses económicos e estratégicos na Turquia (De notar que o intelectual Schmidt, antigo chanceler SPD se tem declarada contra a integração da turquia).
A campanha eleitoral tem sido especialmente dominada pelos média electrónicos. O SPD, sem programa, contenta-se em apresentar o Schau da pessoa Schröder apresentando-o como o representante de segurança social tendo ele até Maio sido visto como o seu coveiro com a sua Agenda 20010. O programa do SPD reduz-se à proclamação da heroicidade de Schröder por ter iniciado as reformas. Tem a vantagem de ter muitos da cena cultural e muitos intelectuais a a apoiá-lo, não tanto por convicção mas por razões ideológicas, atendendo a que até há pouco os mesmos criticavam severamente a política da coligação Encarnada/Verde.
A União CDU/CSU orientou a Campanha eleitoral com discussões teóricas de alto nível. As mais valias alcançadas pela candidata Merkel foram destruídas por discussões muito interessantes mas que o povo não segue.
Os Cristãos democratas defendem um sistema de imposto simples e são contra a integração da Turquia na Europa. O SPD não quer um sistema de imposto simples até porque este tirar-lhes-ia o seu melhor instrumento de manobra da sociedade. Seguem o lema: “ não confies em nenhum indivíduo; só o colectivo é bom porque ele se deixa manobrar”.
Nesta campanha eleitoral os partidos pequenos não figuraram. Apenas esteve presente a má herança de Schröder, a nova força esquerdista que consta duma união de comunistas e de descontentes do SPD ( o “Partido da Esquerda”). O “Partido da Esquerda” conseguirá entrar no parlamento prevendo-se para ele uma percentagem de votantes como para os verdes. Deste modo, no caso do SPD ganhar as eleições, este só poderia formar governo em coligação com o novo Partido da Esquerda o que lhe causaria grandes dores de barriga.
Uma coligação da esquerda como forma de governo a sair das próximas eleições seria veneno para a economia alemã.
Depois de sete anos de governo Schröder seria tempo de uma nova oportunidade para o país através dum Governo da União/FDP com um ministro da economia in spe Professor Dr. Kirchhof um seguidor da doutrina social da igreja católica.
Esperemos uma mudança de poder não só para Angela Merkel mas também entre os intelectuais. A Europa tem de deixar os sonhos e a ideologia duma sociedade multicultural dialética e orientar-se no sentido duma sociedade intercultural. A cultura europeia estaria em boas mãos se voltasse para os conservadores que não precisam de penhorar os bens da cultura para ganharem prosélitos.
O que se precisa é uma política e uma práxis que integre cultura e economia e são necessários partidos que deixem de viver à custa duma ou da outra.

António da Cunha Duarte Justo
Alemanha
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Actividades jornalísticas em foque: análise social, ética, política e religiosa

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