FALÊNCIA DO MODELO RELIGIOSO E DO MODELO SECULAR?

Republicanismo e Terrorismo em Luta contra a própria Descrença
Atentado de Paris – Cultura árabe e sua Ficção em Efervescência

António Justo
O mal é como o cuco; procura ninhos alheios onde coloca os ovos que outros chocam.

Não nos encontramos num conflito religioso como a república, o cinismo ou a ingenuidade da ‘correcção política’ nos quer fazer entender; trata-se, por um lado, de um confronto de culturas em que uma cultura árabe, através da religião, quer afirmar a sua supremacia geoestratégica contra outras supremacias e mundivisões; trata-se da falência de uma política ocidental de estratégica errada que tem desestabilizado o mundo árabe e as sociedades ocidentais e trata-se por outro lado dos paradigmas da ciência (razão) e da religião (sentimento) falidos que se confrontam num estado secular vazio e desautorizado.

Estados malcomportados recusam-se a encarar as consequências das suas ideologias, políticas económicas e realidades sociais por elas criadas, pensando que os problemas com que se debatem se podem iludir e adiar, bastando para isso qualificar o efervescer da sociedade como conflito religioso ou como uma questão de estrangeiros, extremistas e racistas descontentes. Isto não passa de uma impostura fraudulenta, de que a república secular se serve, para jacobinamente desacreditar a religião dos seus cidadãos para melhor poder continuar a desobrigar-se num modo de vida ad hoc.

O cerrar fileiras da classe política europeia e o sucesso da “marcha republicana” de Paris, não nos pode iludir do facto que os modelos da religião, da ciência e da política falharam, encontrando-se a sociedade no início de um caos de guerrilha e de asilo interior. Profanaram o templo do povo e agora andam à procura dos cacos!

O Ocidente perdeu o sentido, não me refiro ao religioso; perdeu o seu tecto metafísico, abusou de si e dos outros; agora colhe os frutos do que plantou.

A alienação ideológica, religiosa, secular, científica e política, em que se tem vivido, demole todos os padrões acabando na autodestruição. Na falta de sentido e visão global da vida, resta a guerrilha da opinião em nome de não importa o quê. Uns combatem em nome da república contra Deus, outros em nome de Deus contra a república, cada qual atrás da sua bandeira, sem contar com o próximo. Chega a ter-se a impressão que um estado ou uma religião que prescindisse de combater perderia os seus heróis e os seus santos/mártires.

Numa sociedade moderna estressada, tudo passa a ser soldado num campo de batalha em que todos se provocam; os caricaturistas lutam pela liberdade, os islamistas combatem pelo seu Maomé e os tolerantes lutam contra a intolerância dos intolerantes. Na nossa luta pelas verdades republicanas tudo se julga bom sem notar que justifica a luta pela luta e procura o sentido nela.

Se se observam as coisas mais de perto, pode chegar-se à conclusão que o combate é o mesmo e tem a mesma fonte: islamistas e caricaturistas combatem a própria incredulidade. Os radicais da república, da liberdade ou da religião têm problemas de balance, faltando, na sua personalidade, o equilíbrio entre sentimento e razão, passando assim a um estado de recalcamento, nuns da religiosidade (afecto), noutros da racionalidade. E como racionalidade e afectividade não se juntam o homem combate-se a si mesmo.

Na Europa o povo sente-se inseguro; não se sente levada a sério pela classe política e tem medo de falar espontaneamente porque o seu falar pode não corresponder ao pensar politicamente correcto que determina o que é opinião boa ou opinião má e isto tem consequências drásticas imediatas no seu ambiente de convívio, porque, de repente, pode ser deitado ao ostracismo, pelo simples facto de pensar diferente da manada ou dos seus diferentes pastoreios. O pensar politicamente correcto, tem medo do pensamento diferenciado e, para manter a sua hegemonia, logo coloca uma opinião não conforme, na esquina ou cena dos extremistas de direita ou de esquerda. Isto acontece na escola, entre colegas docentes, entre amigos ou conhecidos e em meios sociais como Facebook, etc. Deste modo se evita uma maneira de estar racional e humana porque evita o pensamento logo à partida e impede a prática da tolerância.

Por todo o mundo há incêndios e incendiários mas a sociedade encontra-se à chuva e o busílis é que ninguém sabe onde abrigar-se. O que a sociedade civil critica na sociedade árabe, como a prática do gueto, pratica-o ela mesma, na medida em que cria os seus guetos de opiniões e mentalidades cerradas (partidárias, religiosas, ideológicas) numa sociedade declarada aberta mas com carris ideológicos que determinam o desencontro das pessoas.

Por vezes tem-se a impressão que, na opinião pública, estados laicos se servem do islão e da religião para segundas intenções. Onde se procuram culpados não se procura solução; ao poder interessa manter as massas distraídas e em filas para que uns se contentem com o ter razão e outros com ter o poder.

A classe política, em muitos sectores, brinca com o fogo, contentando-se com o rumor do ventre da sociedade que se expressa em posições antagónicas de grupos, por vezes direccionados, que se desqualificam uns aos outros e deste modo ilibam os governos de responsabilidades. Além de não saberem lidar com sentimentos só sabem enquadrar a realidade em termos alternativos de sim-não e de ou-ou.

Continua em “O pensamento está de férias em tempos emocionais”
António da Cunha Duarte Justo
Jornalista
www.antonio-justo.eu

SALÁRIO MÍNIMO NA ALEMANHA

Não há regra sem excepção

António Justo
Com o início de 2015 passou a haver em toda a Alemanha um salário mínimo de 8,50 euros ilíquidos por hora. A lei que regula o salário mínimo geral na Alemanha, encontra-se em http://www.gesetze-im-internet.de/bundesrecht/milog/gesamt.pdf.

A lei é favorável, para muitos trabalhadores até agora desprotegidos, porque não havia uma lei do salário mínimo que os defendesse e é desfavorável, para certas empresas que não podiam ou não queriam pagar mais. Segundo investigações recentes 13% dos trabalhadores recebem salários que estão abaixo de 8,50 €.

A lei comporta algumas excepções porque a Alemanha é muito diferenciada em regulamentos não só tarifários como também regulamentações de estado para estado e em certos sectores até de comarca para comarca.

 

Exceptuam-se desta regra trabalhadores que vêm do estrangeiro segundo a lei AentG (1) e alguns acordos colectivos com ordenados inferiores aos 8,5€/hora bem como certos casos específicos.

Estão exceptuadas também da lei do salário mínimo, pessoas menores de 18 anos sem diploma profissional (assim se pretende motivar os jovens a tirar uma profissão ou a estudar); excluem-se também da regra os desempregados de longa duração, estes, durante os primeiros seis meses, não têm direito ao salário mínimo (isto, segundo o legislador, para estimular patrões a dar emprego a quem se encontra desempregado há mais de um ano); exceptuam-se do salário mínimo também os voluntários e estagiários em formação. Também quem faz um estágio voluntário que não ultrapasse os 3 meses, não tem direito ao salário mínimo (cf. http://www.mindest-lohn.org/).

A partir de 1 de Janeiro de 2017, o salário mínimo legal passa a não comportar nenhuma restrição em toda a Alemanha. Quem se desejar informar mais concretamente pode telefonar para o Ministério do Trabalho para o número de telefone 030 60280028. Sobre o assunto informam também as Câmaras municipais, a Caritas, Consulados, Câmaras do Comércio e da Indústria, Sindicatos e outros.

A lei parte do princípio de que quem trabalha deve receber um salário pelo seu trabalho que chegue para cobrir as despesas do que precisa para viver com um mínimo de dignidade humana.
António da Cunha Duarte Justo
www.antonio-justo

(1) Como constato bastante desinformação sobre o assunto no Facebook, resolvi escrever este e outros artigos sobre o assunto e similares. Quem vem para a Alemanha deveria saber antes o que o espera, além de já ter algumas luzes em alemão. O domínio da língua é o pressuposto para a independência e sucesso.
ASSISTÊNCIA A PESSOAS IDOSAS ENCAMADAS: Passo a referir um caso de empregadas que vêm do estrangeiro por um tempo determinado trabalhar para a Alemanha para assistir a pessoa idosas a viver na própria casa. Num caso em que me empenhei tratava-se de uma família com casa geminada pertencente a duas pessoas idosas (uma delas encamada). Contactei uma organização especializada em arranjar pessoas da Polónia e da Chéquia preparadas para a referida assistência. No caso a pessoa tinha um quarto na casa e cuidava de tudo, tendo direito a estadia e alimentação e a receber 1700 €. Se se tratasse de uma só pessoa a ser assistida seriam 1500€ mensais. Na Alemanha muitas pessoas não querem ir para o lar de idosos e socorrem-se desta medida. O Seguro de Assistência a idosos ajuda a suportar os custos. Devo dizer que a organização era séria e legal.

2014 O ANO DA VIRAGEM PARA O INCERTO – UM ANO DE CRISES MÚLTIPLAS

Guerra na Europa – Terrorismo do Estado Islâmico pior que o Nazismo

António Justo
Se passarmos em revisão o ano 2014 notaremos que foi um ano de surpresas e mudança. A guerra também voltou à Europa.

Neste centenário da primeira guerra mundial com 18 milhões de mortos dá-se início aos vícios do século XX: Kiev, Krim, o inferno da Síria e do Iraque são o melhor exemplo disso e preparam uma nova era também na cena política internacional. Países fronteiriços da Rússia revelam-se como palco para motejo entre a Rússia e o Ocidente.

No Iraque e na Síria instala-se um estado de terror ainda pior que os de Hitler e de Estaline. Fenómeno novo preocupante e indicativo da globalização do terrorismo revela-se o facto de os terroristas islâmicos serem recrutados também das cidades de Estados de direito como a UE.

A Turquia (membro da nato) torna-se mais islamista e dá cobertura ao terrorismo sunita na Síria e no Iraque, a que os curdos resistem com a esperança de a História lhes vir a fazer justiça e lhes reconhecer posteriormente o direito à sua nacionalidade, ao estado do Curdistão. (Este será o próximo conflito!). A política internacional aceita a destruição de um estado antes multicultural como era a Síria, e em conivência com a facção muçulmana sunita (turca e saudita) contra a facção xiita (iraniana) aceita dividir a região em território sunita e xiita deixando também o problema do Curdistão para as calendas gregas. O ocidente apenas reage mas sem um conceito integral; a liga árabe não está interessada em consenso. A ONU reflecte a divisão dos estados e dos interesses.

A Alemanha prefere dedicar-se ao negócio económico e falar da solidariedade dos outros países europeus no que toca à distribuição dos refugiados. Entretanto cresce na Alemanha o desejo de participar mais activamente nas intervenções militares de conflitos mundiais. Isto significará o acréscimo de poder também militar não só da Alemanha mas também da Europa. Em 2014 cria-se a necessidade de intensificar o armamento. A Alemanha inicia uma nova política e a NATO forma uma nova tropa de reacção; a polícia e os serviços secretos de informação preparam-se para piores tempos ao constatar o terrorismo extra e intra muros. Por isso a Alemanha cala os casos de espionagem dos EUA na Europa.

O apoio russo aos separatistas do leste da Ucrânia (invasão) e a sua anexação da ilha krim na Rússia criam uma nova situação na Europa. A Ucrânia que tinha entregado as armas nucleares à Rússia em 1994 pensava, com isso, adquirir a sua independência e integridade territorial. A Rússia sente-se ferida nos seus interesses fronteiriços com a NATO e parece encetar um caminho imprevisível.

Sansões contra a Rússia provocaram uma crise económica na Rússia com consequências negativas também para a economia ocidental.

Putin considera a queda da União Soviética como “a maior catástrofe geopolítica do século XX”. Não aceita que as fronteiras da NATO se tornem as fronteiras da Rússia, o que vai levar a NATO à corrida às armas. Um caso bicudo de resolver também devido à falta de entendimento entre os países europeus.

Os EUA espionam os amigos, porque consideram prioritários os interesses políticos, económicos e de defesa. A crise da UE vai-se arrastando.

Milhares de refugiados da guerra e da miséria morrem no mediterrâneo e muitos milhares encontram refúgio entre nós.

A sociedade não se encontra preparada sequer para reconhecer os perigos e conflitos que ela mesma anda a chocar. Tem medo de imaginar e analisar cenários possíveis porque muita da nossa inteligência política foi formada numa mentalidade polar ou da guerra fria.

Os cristãos tornaram-se nas maiores vítimas da modernidade; em cada cinco minutos que passam é morto um cristão. Hoje tornou-se moda atacar os cristãos. Até quando surge um comentário sobre o terrorismo árabe logo surge uma resposta desculpante ou desviadora do assunto para canto, com o argumento de que os cristãos também já perseguiram com a inquisição ou caça às bruxas. 400 milhões de cristãos encontram-se ameaçados e 100 milhões sofrem violência directa (massacres, aprisionamento, marcação das casas onde vivem cristãos com o nome nazareno, pagamento do imposto de cabeça – por cristão, como era costume durante a ocupação muçulmana da Península Ibérica, etc.) . As igrejas do ocidente não reagem porque se encontram preocupadas com problemas de umbigo e sob o pensar correcto que domina a imprensa e a política ocidental.

O Ano 2014 não será para esquecer pelas consequências das tragédias nele iniciadas ou acentuadas a nível internacional.

Portugal encontra-se ainda em estado de excepção dado estar submetido a um regime especial de poupança; a confiança do cidadão na política está de rastos, o combate à corrupção encontra muita resistência por parte de poderes enredados e instalados.
2015 não parece prometer muito, resta-nos a esperança.
António da Cunha Duarte Justo
Jornalista
www.antonio-justo.eu

Pegida é uma manifestação popular contra a islamização da Europa

A Alemanha sai à Rua com Medo do Islamismo – uma Iniciativa que pode fazer Escola na UE

António Justo
Em muitas cidades alemãs reúnem-se, às segundas-feiras, milhares de manifestantes protestando contra a “islamização do Ocidente”. Sob o nome Pegida (Patriotas europeus contra a islamização do Ocidente) são regularmente organizadas manifestações; entre outras, a de 15.12.2014, em Dresden contou com 15 mil manifestantes, cidade onde o movimento tem mais expressão.

Fenómeno novo é o facto de a organização e participantes advirem do centro da sociedade. Há um medo difuso que a “Alemanha se abula a si mesma” (Jardins infantis que deixaram de festejar o S. Martinho e lugares em que os tradicionais “mercados de Natal” mudam o nome para “Mercados de Inverno” supostamente para não ferir os sentimentos islâmicos). Desde que a Alemanha também começou a produzir islamistas (550 a combater pelo Estado Islâmico), a sociedade tornou-se mais inquieta, embora a polícia alemã tenha tido até agora conseguido impedir casos de terrorismo interno. É um facto que os extremistas islâmicos têm interesse em dividir as sociedades porque assim torna-se mais fácil para eles motivar e recrutar prole para as milícias terroristas do Estado Islâmico.

Segundo dados oficiais das estatísticas alemãs, em 2013 viviam na Alemanha 16,1 milhões de imigrantes (e descendentes) o que corresponde a 20,5% da população. Cerca de 4,3 milhões são muçulmanos, sendo de origem turca 2,5 milhões. 9,7 milhões de estrangeiros têm nacionalidade alemã ou dupla nacionalidade. Em 2013 imigraram 465.000 para a Alemanha. Além disso em 2013 entraram 110.000 solicitantes de asilo. Em 2014, até novembro, foram registados 155.427 solicitantes e destes foram reconhecidos como refugiados 26.842; muitos dos não reconhecidos continuam a viver na Alemanha.

Embora os alemães façam muito pelos refugiados, o povo começa a insurgir-se contra a islamização do país, também porque este é o grupo que mais exigências especiais apresenta e porque não é propriamente possível ter-se conhecimento sobre a sua vida nos guetos. Radicais salafistas apoiam o Estado Islâmico enviando extremistas alemães para a “guerra santa”.

Paralelamente às manifestações de Pegida são organizadas contramanifestações de outras organizações. Um conflito de potenciais imprevisíveis! Segundo um inquérito 49% dos alemães mostra compreensão pelas manifestações de Pegida.

A classe política está preocupada pelo facto de se poder organizar uma corrente desestabilizadora da política e dos partidos. Por enquanto, estes apelam a que não se deixem infiltrar por forças da extrema-direita. A política tem dormido e permitido a formação de verdadeiros guetos que, também devido à criminalidade entre solicitantes de asilo leva muitos a questionar-se se entre eles não há terroristas. Para complicar, também há alemães que vivem em certas regiões e se sentem como estrangeiros no próprio país. Por outro lado a Alemanha, devido ao trauma da guerra, tem muito medo e com razão, de movimentos populistas.

Razões para preocupação causam também os neonazis que se podem sentir estimulados com manifestações do género (numa casa prevista para refugiados deu-se um fogo com prejuízo de 700.000€ e que se presume ter sido fogo posto). Medos difusos e o medo dos guetos islâmicos parecem justificar a expressão popular de uma sociedade que até ao presente não se preocupou com uma política de imigração séria e em que as muitas mesquitas (na Alemanha há 326 mesquitas e cerca de 2.600 casas de culto, bem como inúmeras chamadas “mesquitas de quintal”) não têm uma panorâmica sobre os seus frequentadores. Os políticos terão de pensar mais sobre a política de imigração se querem servir melhor os imigrados e a população em geral.

A Alemanha tem um problema que a política e os meios de comunicação social reprimiram pois contentavam-se com a designação de racista para quem se manifestasse criticamente contra certas protuberâncias sociais. Com o surgir de Pegida, esta receita, tal como fazer tabu de temas não chegará. Agora que surge uma inflação de manifestações em muitas cidades, admoestando para o perigo da infiltração islâmica, a sociedade-bem envergonha-se sem saber como reagir.

Parte da sociedade maioritária sente-se ameaçada pelo desenvolvimento e pela acção de grupos extremistas muçulmanos. Tipicamente, os vários grupos sociais, em vez de encarar objectivamente o problema, no sentido de dialogar em vez de julgar, opõem-se uns como manifestantes e outros como contramanifestantes, uns contra os outros, com se cada grupo quisesse, à sua maneira, salvar a nação. Este encontro na rua de grupos contrários pode contribuir para a escalação de uma potencial de violência latente há muito reprimido, devido principalmente ao facto de a política ter dormido sem dar resposta para problemas pendentes. Seria irresponsável desqualificar as manifestações como resultado do medo perante culturas estranhas. Este é um processo que, a não ser encarado objectivamente atingirá toda a Europa e simplesmente pelo facto de antes ser um problema reduzido à classe desfavorecida e agora se tornar num problema da classe média, isto é, do centro da sociedade. O medo dos retornados da “guerra santa” excita o espírito de muitos que querem, em paz, conservar os bens e os direitos adquiridos.

Parte dos manifestantes querem ajudar os refugiados muçulmanos, outros têm medo deles devido à sua quantidade e coesão social e outros ainda da extrema-direita e da extrema-esquerda e de permeio Hooligans e fanáticos querem desacreditar as manifestações; entre eles também os há que se misturam entre os manifestantes com a única intenção de fazer barulho e desestabilizar o Estado. Expressões infelizes de representantes islâmicos onde se afirma que a Alemanha é contra o islão juntam mais fogo à chama da irracionalidade. De facto a Alemanha respeita o direito a manifestações e muitos manifestantes da Pegida são cidadãos conscientes e pessoas de boa vontade. De facto, muitos dos manifestantes em algumas cidades fazem parte do resto da sociedade, e o que move muitas pessoas é o medo do seu futuro dado este mostrar-se cada vez mais incerto para muitos e a Alemanha não ter uma política de imigração definida como acontece nos USA e no Canadá. Outros ainda não percebem a razão por que os pretendentes a asilo se dirijam sobretudo para a UE e não em direcção aos países ricos árabes.

Pegida é um fenómeno muito complexo para poder ser equacionado em sentenças políticas. Trata-se, na sua maioria, de ”cidadãos preocupados”; muitos sentem-se estrangeiros na própria terra, ou não vêem as suas preocupações tomadas a sério pela política. Todos os grupos sociais deveriam entrar em diálogo e não só para fazer reivindicações. O facto de em Dresden ter havido 15.000 manifestantes na última segunda-feira preocupa a chanceler alemã que não quer ver “arremetidas” ou propaganda contra estrangeiros que são bem-vindos à Alemanha. Por parte da opinião pública alemã, das igrejas, partidos e organizações há grande apreensão e receio sobre as consequências de um tal movimento que pode servir grupos extremistas.

Deste modo, os terroristas conseguem, com a sua estratégia, em nome do Islão destruir estados africanos e ao mesmo tempo começar a desestabilizar uma sociedade europeia tradicionalmente consensual.
António da Cunha Duarte Justo
Jornalista
www.antonio-justo.eu

APT / TTIP – Uma Catástrofe para a Cultura social da Europa!?

Um golpe na eficiência dos Sindicatos e o Enjeitamento da Soberania – Único Trunfo que os Estados nacionais pequenos ainda têm
A Qualidade de Vida baixará embora se consigam Produtos mais baratos

António Justo
Consequências previsíveis em consequência do pretenso acordo APT / TTIP: As questões que aqui apresento fundamentam-se na filosofia do mercado livre e na análise de estudiosos do assunto, preocupados em defender o estandarte social adquirido, até há dez anos, na UE (União Europeia). Refiro os aspectos mais críticos atendendo à reserva da opinião pública sobre o assunto. Só informação crítica e variada pode levar à formação de uma ordem civil elevada e acautelada.

As multinacionais obrigarão as pequenas empresas a fusões que irão favorecer as grandes empresas e provocar maior desemprego porque as grandes empresas racionalizam o trabalho. Lembre-se que as grandes empresas dão emprego a cerca de 20% do operariado. Os empregos não se desenvolverão no sentido da produção mas sim no dos serviços. As multinacionais regularão os conflitos entre si, de maneira soberana e interna, contra a soberania e interesses de estados secundários e organizações sindicais.

Padrões ecológicos e sociais elevados serão nivelados. Teremos uma outra agricultura. A agricultura de muitas nações será aniquilada. Até a agricultura latifundiária alemã sofrerá grande concorrência dos EUA, embora se encontre bastante bem preparada, mas terá de renunciar a subvenções estatais. A UE, na sua política económica, orientava-se pela sustentabilidade do produto enquanto a América não se interessa com isso, limitando-se a tratar o produto, na fase final, com cloro. Os problemas das subvenções agrárias e outras, como o caso entre Boing e Airbus, serão colocados já não em prol da defesa dos empregados nacionais mas serão subordinados aos interesses das multinacionais que, em certos ramos, passam a emigrar para os países de menores níveis de vida.

Os deputados do Parlamento Europeu serão fortalecidos em consequência da transplantação das competências dos deputados dos estados nacionais para a UE. Competências político-democráticas serão centralizadas em Bruxelas. Só os deputados europeus poderão ter uma certa visão global em matérias cada vez mais complexas. Os parlamentos nacionais não terão nada a dizer, pois tudo será da competência da comissão europeia e da Comissão de Comércio onde quase só se encontram representantes da liberalização. Um mercado interno, onde tudo pode fluir, leva na enxurrada os artesãos, os operários, sindicatos, protecção legal, etc.; então observar-se-á que as pessoas empregadas na Comissão irão encontrar emprego nas multinacionais; será uma catástrofe para a cultura social da UE que já se encontra em declínio rápido. Só os grandes países, onde se centram as sedes das grandes multinacionais, terão margem de manobra política e económica para poderem desviar um pouco o caudal da corrente. Também por isso os países em desenvolvimento bloqueiam, com razão, a vontade dos países ricos investirem.

Um tiro no próprio pé: os EUA preparam um outro acordo com os Estados do Pacífico ficando a UE fora e em consequência disso as Filipinas e outros países do grupo ficam excluídos da possibilidade de negociar directamente com a UE; o contacto será então feito por intermédio das firmas americanas que lá se encontram.

A protecção dos investidores dá preferência à defesa do capital em desproveito do investimento. Será dificultado o fomento das firmas regionais. Os concursos públicos passam a ter de ser publicados a nível europeu quando ultrapassam os 50.000€

Razões a favor do acordo

Os peritos prevêem, como efeito do acordo, um lucro de 120 mil milhões de euros para a UE e 95 mil milhões para os EUA.

Se pensarmos em termos globais e de blocos culturais concorrentes, muitas das leis que regulam o comércio e a indústria hodierno (leis aduaneiras, leis de defesa ao consumidor e protecção de dados, regulação e estratégia sindical) provêm ainda de tempos de pensamento nacional, dos anos 80, precisando de uma adaptação à nova política e economia arquitectada em termos de blocos de interesses.

A UE fundamenta a necessidade do acordo no reforço da Agenda de Lisboa que pretende competição, desregulamentação e fomento do mercado interno.

Os contratos obedecem a uma estratégia de afirmação e de defesa dos grupos perante a China e a Rússia.

Dar-se-á uma uniformização na indústria farmacêutica no que respeita a duração das patentes, ao diferente processo de aprovação, à divulgação de dados de teste, etc.

Quanto à vida cultural esta permanece protegida devido ao Acordo de Lisboa.

O positivo da questão na EU é que o acordo tem de passar no Parlamento da EU e no Conselho Europeu.

O único trunfo da soberania que os estados da periferia têm será descartado

A padronização do negócio tem como consequência muito menos empregados. Deste modo o trabalho e o trabalhador são nivelados e colocados ao nível dos países pobres. Haverá maior quota de desemprego a financiar pelos contribuintes. A nivelação do proletariado internacional e sua legislação disciplina o proletariado em todas as nações passando as migrações a dar-se a nível de pessoal qualificado dos países periféricos para os países fulcrais conseguindo os grandes núcleos peritos baratos que ao mesmo tempo disciplinam os peritos das grandes centros com os seus ordenados concorrenciais. Ao que tem dar-se-lhe-á e ao que não tem ainda se lhe tirará o pouco que tem. Isto criará grandes focos de descontentamento e levará à reacção natural do crescimento de movimentos nacionalistas; surgirão organizações tipo guerrilha como é próprio do Médio Oriente, se não houver e junção da política e da economia com as sociedades locais. Por outro lado a penúria dos estados marginais servirá de impedimento a protestos de exigência de melhoria da situação nos estados economicamente mais avançados.

A concorrência que nos espera é semelhante à concorrência que os Estados do Sul receberam com os chineses e com o Euro. Dar-se-á um efeito grande de disciplinação; sem princípios jurídicos claros dado privatizar-se também a parte do poder interpretativo.

Com esta estratégia a taxa de câmbio do dólar dos EUA continua a ser co-financiada pelo estrangeiro.

As negociações do acordo estão a ser organizadas antidemocraticamente e sem transparência porque, a opinião pública não discute, não negociam os Estados, o assunto permanece na comissão europeia. Com isto vão lucrar empresas e investidores de elite. Restam aos países as armas militares a arma do poder de compra. O único poder que ainda temos é fazer pressão nos parlamentos

Organização de Forças contra a Economia chinesa e Outras emergentes

O turbo-capitalismo passa a agir ainda de forma mais globalizada e mais garantida contra a economia chinesa que copia as tecnologias e métodos do mercado ocidental e uma vez que é regularizada de maneira central se serve, com sucesso, de uma matriz socialista-capitalista para concorrer com o Ocidente. O capitalismo ocidental e o capitalismo estatal chinês sabem aproveitar-se dos recursos de países ricos em matérias-primas, porque os capitalistas destes países investirão nas economias mais fortes através da sua participação nas multinacionais. Este sistema é perigoso porque lhe basta fomentar o bem de uma classe política provinda de uma democracia instrumentalizada bastando-lhe para isso controlar o fisco e as organizações policiais e militares e um sistema judiciário comprometido em estados onde a soberania passa a ser sonho. A massa e até a burguesia passam a sofrer a concorrência de grandes oligarcas distantes dos panoramas nacionais, agora proletarizados, porque sistematicamente lhes foi destruída a levedura da inteligência nacional antes guardada na classe média. Assiste-se a uma emigração da inteligência e do capital para os centros do poder. Interessa a rentabilidade e não a produção séria assistindo-se a uma emigração de pessoas e do capital na procura do lucro baseado no consumismo. O capitalismo serve-se da tendência humana a querer mais e a dominar.

Os países pequenos, tal como as pequenas e médias empresas, ficam sujeitos aos interesses das grandes potências e aos órgãos plurinacionais. O capitalismo estruturado em grandes centros hegemónicos passa a operar como o islão na África – de espírito latifundiário e de monoculturas – impedindo o desenvolvimento de estruturas nacionais autónomas. O capital financeiro dos bancos centrais dos EUA e EU, torna-se cada vez mais drástico fornecendo as grandes multinacionais com dinheiro quase de graça e o Estado, que por sua vez, cria as condições para o trabalho barato. Assiste-se a um canibalismo financeiro cada vez mais sistemático devido à união da força política à força do capital que se afirma à custa dos mais pequenos e dos estados.

Aos gabinetes jurídicos parasitários do Estado e servidores das classes políticas juntam-se os órgãos da justiça semiprivada paralela que regula os conflitos entre as grandes empresas. Com a APT / TTIP institucionaliza-se na UE órgãos de justiça privada passando a competência de julgamento em matérias conflituais sobretudo para as mãos das empresas. Os Estados das pequenas Empesas estarão submetidos aos interesses das grandes empresas e correspondentes direitos que se sobrepõem interesses nacionais ou políticos. Daí a necessidade da UE não assinar tal clausula que privilegiaria as decisões de mediações em que os juízes privados das empresas se encontram em maioria e muitos deles sedeados nos EUA (tenha-se presente o caso da Argentina).

O Estado não deveria ser constituído sujeito devedor atendendo a que o fiador é o povo e ao facto corrente de os políticos se deixarem corromper pela classe financeira. Dar carta-branca ao Estado corresponde actualmente a servir a ganância internacional e o bolso dos políticos e parasitas do Estado. Tudo isto fala em benefício de uma democracia directa (ex. Suíça) e não apenas representativa.

Quando os impostos sobre as energias, os automóveis, comunicações se torna a maior fonte de receita do Estado e não a receita proveniente do rendimento nacional, há fundamento para se temer o empobrecimento e o autoritarismo do Estado. O empréstimo financeiro a um estado obriga-o indefinidamente ao capital estrangeiro. Fomentam-se burocratas à custa da racionalização do trabalho e do emprego à custa de um desemprego a manter e à custa do parco salário.

São precisas regras globais com padrões elevados, de protecção social, ambiental e dos consumidores e não daqueles que atentam contra eles. Precisam-se regras globais que fomentem o trabalho digno e honrado e que integrem os diferentes interesses de cada grupo e sociedade.
Portugal já teve um exemplo comparável em que capitais subvencionados pela EU, passados os 5 anos de condicionamento às subvenções, emigraram para países mais baratos, tendo destruído as pequenas empresas e deixado o operariado indefeso e à deriva, como se encontra hoje, emigrando do país o cerne de Portugal. Esta é, como sempre, uma análise possível entre outras. A perspectiva lógica e a sua soma determina o conjunto racional.
António da Cunha Duarte Justo
Jornalista
www.antonio-justo.eu