NEGAÇÃO DA CELEBRAÇÃO DO NATAL AO SERVIÇO DO SUICÍDIO DA CULTURA OCIDENTAL

António Justo

Em tempos altos das festas religiosas, há pessoas e grupos que se aproveitam da ocasião para tentar estragar a Festa e até para fazerem uma propaganda destruidora contra tudo o que é religioso, como se a crença religiosa e a crença científica se tivessem necessariamente de opor.

Chegam a dar uma impressão ciumenta, como se a Festa dos cristãos viesse estragar o seu humor e os obrigasse a participar na Festa!

A nossa cultura está a suicidar-se e muita gente encontra-se nesse serviço alegrando-se com o seu suicídio.

Quando conseguirem acabar com a compreensão do significado da simbologia na sociedade e na literatura, teremos uma sociedade toda ela invernosa sem esperança para qualquer Primavera.

Atualmente assiste-se à luta ferrenha da “cultura marxista” contra a cultura ocidental de forma jacobina que empobrece uns e outros. Querer impor uma lógica fria como única forma de abordagem da realidade é desconhecer que a apreensão da realidade se dá também através da razão e do coração.

O filósofo Blaise Pascal advertia:” O coração tem razões que a própria razão desconhece” e concluía: “A última função da razão é reconhecer que há uma infinidade de coisas que a ultrapassam.” O respeito é a virtude da reciprocidade! Já vai sendo tempo de ultrapassarmos os dogmatismos de todas as ideologias!

Na cultura ocidental há lugar para todos, sem ter de ser necessário que os militantes ateus aproveitem das festas religiosas para fazerem propaganda contra elas.

O Natal chega para todos os gostos e feitios! Temos o Natal das famílias e também o natal da rua e das compras, que é o natal do Pai Natal criado pela empresa Coca-cola!

No Cristianismo compreendemo-nos todos como irmãos havendo, no nosso coração, também lugar para os filhos pródigos e para aqueles que sentem que a casa paterna impede de viverem a sua adolescência!

© António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo

LEMBRAM-SE DO “LAVRADOR DA ARADA? – O JESUS ABANDONADO NOS POBRES

O LAVRADOR DA ARADA

Vindo o lavrador da arada,
Encontrou um pobrezinho ;
E o pobrezinho lhe disse:
-Leva-me no teu carrinho.

Deu-lhe a mão o lavrador,
E no seu carro o metia;
Levou-o para a sua casa
Prà melhor sala que tinha.

Mandou-lhe fazer a ceia
Do melhor manjar que havia;
Sentou-o na sua mesa,
Mas o pobre não comia.

As lágrimas eram tantas
Que pela mesa corriam;
Os suspiros eram tantos
Que até a mesa tremia.

Mandou-lhe fazer a cama
Da melhor roupa que tinha:
Por cima damasco roxo,
Por baixo cambraia fina.

Lá pela noite adiante
O pobrezinho gemia;
Levantou-se o lavrador
A ver o que o pobre tinha.

Deu-lhe o coração um baque,
Como ele não ficaria!
Achou-o crucificado
Numa cruz de prata fina.

-Meu Jesus, se eu tal soubera,
Que em minha casa Vos tinha,
Mandava fazer preparos
Do melhor que encontraria.

-Cala-te aí, lavrador,
Não fales com fantasia.
No céu te tenho guardada
Cadeira de prata fina,
Tua mulher a teu lado,
Que também o merecia.

(Da tradição popular)

(Retirado do Livro de Leitura da 3ª classe, Ministério da Educação Nacional)

CAMPANHA DO “BANCO” ALIMENTAR CONTRA A FOME EM PORTUGAL

O Presidente Rebelo de Sousa não tem Medo do Cheiro a Povo

António Justo

Em Portugal há 21 bancos alimentares contra a fome que correspondem a 21 associações de solidariedade independentes e se encontram distribuídas por todo o país.

Decorreu a 54ª campanha de recolha de bens alimentares até 9 de Dezembro conseguindo-se, com o apoio de 40.000 voluntários, recolher 2.146 toneladas de alimentos que serão  distribuídos, antes do Natal, a 2.600 Instituições de Solidariedade Social, que os entregam a cerca de 400.000 pessoas comprovadamente carenciadas.

Quase 20% dos portugueses são pobres e existe um milhão de idosos com rendimentos abaixo dos 250 euros. O Presidente Marcelo defendeu que o projeto Banco alimentar  “é cada vez mais necessário“.

Numa sociedade onde muitos governantes e banqueiros têm arruinado o país, tornam-se indispensáveis acções como estas.

O presidente da República tem participado nesta campanha, como voluntário, em acções simbólicas. Parece seguir as pegadas do Papa Francisco.

Ontem o Presidente da República juntou-se aos voluntários que estavam a servir almoço a 300 pessoas sem abrigo.

Os sem abrigo em Portugal, segundo os dados da segurança social, eram em 2017: no Porto 1.620, em Lisboa 889, em Faro 355, em Setúbal 256, em Coimbra 182.

No último fim de semana o Presidente da República de Cabo Verde, de visita a Portugal foi convidado por Marcelo Rebelo de Sousa a ir com ele juntar-se a centenas de jovens que estavam a separar e empacotar géneros para serem depois distribuídos aos pobres.

Segundo a carta dos direitos humanos toda a pessoa não deve passar fome sendo um dever do Estado assistir aos necessitados.

Ao longo de todo o ano, os bancos alimentares distribuem várias dezenas de milhares de toneladas de produtos e distribuem refeições confecionadas e cabazes de alimentos a pessoas pobres.

Um apêndice: Nos Media, muita gente critica o Presidente Rebelo de Sousa por se misturar tanto com o povo, isto é, com os desfavorecidos do sistema político e social que temos. De admirar é que não entusiasmem o Primeiro Ministro António Costa a imitá-lo. Bastantes andam muito mal informados porque não sabem que muitos dos “protagonistas cimeiros” nunca fariam tal, porque só não têm nojo do povo quando há campanha eleitoral! O cheiro a povo compromete!

© António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo

 

TRÊS GÉNEROS: MASCULINO, FEMININO E DIVERSO

O Parlamento alemão legislou que para pessoas em que a sexualidade seja ambígua, isto é, o corpo tenha características  masculinas e femininas, se permita a inscrição no registo de nascimento do género “Diverso”. A partir de janeiro, há um terceiro género no registro de nascimento.

Antes a lei previa “masculino”, “feminino” e “sem indicações”. Posteriormente pode ser corrigido o registo e mudado o nome, mediante a apresentação de atestado médico para casos em que tenha havido  uma “variante do desenvolvimento sexual”. Isto já é prática na Argentina, Dinamarca, Malta, Noruega, Bélgica e Chile.

De facto também a biologia se engana na distribuição de cromossomas e hormonas. Acontece muitas vezes que a ambiguidade mais tarde se dissolve no masculino ou feminino, mas também há casos em que se mantém algo próprio.

Na Alemanha avalia-se que haja 160.000 pessoas nesta situação.

Que o caracter  binário seja aqui questionado não prejudica ninguém pelo facto de se reconhecer isto. O tribunal constitucional (2017) tinha aberto o caminho para tal lei declarando que o direito fundamental à dignidade humana é individual e a lei deve seguir a realidade da vida humana e não o contrário.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo